PREFEITURA SANEAMENTO

Maurélio vê autonomia da UFMT sob ameaça. Será?

 

Maurélio Menezes, jornalista, professor do Curso de Comunicação da UFMTAutonomia da UFMT está em jogo, outra vez
POR MAURÉLIO MENEZES

Duas chapas foram registradas para disputar a direção da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso – Adufmat. E a composição das chapas deixa claro o que estará em jogo na eleição que será realizada no dia 13 de dezembro. A Chapa Um é formada por professores que estiveram à frente da maior greve da história do ensino publico superior do país, lutando para que o governo respeitasse a Constituição que prevê, em seu artigo 207, a autonomia pedagógica, administrativa e financeira das universidades e a indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão.  Essa chapa começou a ser articulada ainda durante a greve e deveria ter outros professores que, entretanto, decidiram tomar outro rumo.

No programa desta chapa, que defende os principios do ANDES, sindicato nacional que representa 90% dos professores de universidades federais do Brasil, está previsto, entre outros pontos, uma reforma do estatuto da ADUFMAT, para adequá-lo aos dias de hoje, uma vez que sua última adequação, simples, foi há sete anos. O grupo prevê, também, a luta contra qualquer movimento, parta de onde partir, no sentido de se acabar com os espaços democráticos de discussão e formulação de políticas para a universidade, uma vez que há um movimento em andamento para tirar dos professores o direito de participar destas decisões por meio de seus  Colegiados de Departamento e de Curso, Congregações e ate mesmo Conselhos Superiores que tem servido para impor politicas centralizadoras. Há também politicas previstas especialmente para os professores aposentados bem como para os campi de Sinop e Barra do Garças. A Chapa 1 defende também a pluralidade de pensamento como forma democratica de decisões. Assim não aceita a partidarização politica nem o aparelhamento do Sindicato porque isso chega a ser desrespeitoso para com professores que pensam de formas diferentes.

Não conheço o programa da chapa dois porque não participei das discussões que levaram à sua formação. A unica reunião que convocaram, por e mail,  para debate foi cancelada. Essa chapa tem vinculo politico partidário (parte de seus integrantes são filiados, militantes e até esperavam exercer cargos de Secretarios -ou equivalentes- caso vencessem a eleição municipal) Essa chapa tem professores que em momento algum se comprometaram com a luta que a greve representou: por uma universidade publica, de qualidade. Um deles participou do CLG, o Comando Local de Greve, no inicio do movimento e depois se afastou, primeiro por uma razão compreensivel e legitima, a familia dele. E depois para fazer campanha politica. Outro, em todas as assembléias que participou fez a defesa do PROIFES o sindicato criado sobre tutela do governo federal e que representa cerca de cinco por cento dos professores, a maioria dos quais não concordou com a posição desse sindicato na greve e não aceitarou o acordo firmado por ele com o governo para destruir as universidades. Os demais não vi durante a greve, a não ser em alguns momentos para tentar obstruir o movimento.

A Chapa 1 não tem ligação alguma com a administração superior da UFMT, o que não significa que seja contra ela .Mas em seu programa está claro que é  radicalmente contra qualquer decisão tomada sem que seja ouvida a comunidade universitaria, composta por professores, alunos e servidores técnicos,. E radicalmente contra qualquer decisão que fira os principios constitucionais e não tenha como objetivo a construção de uma universidade publica de qualidade  e socialmente referenciada.

Ja a outra chapa, pelos movimentos pre eleitorais, tem ligação umbilical com a administração superior, inclusive com uma professora que exerce cargo na administração superior fazendo convite para integrantes da chapa. Se é verdade que essa professora pudesse estar falando em seu nome, durante a eleição do DCE ela foi a grande articuladora de uma das duas chapas apoiadas pela administração. No ultimo debate, conversando com um Pró Reitor ele cofirmou que torciam para a 3 e tinham um bom diálogo com a Chapa 1, ambas derrotadas pela Chapa 2, Não mais em Nosso Nome. que ja declarou total apoio à Chapa 1 da ADUFMAT por entender que esse grupo representa legitimamente os interesses dos professores e da universidade que a sociedade matogrossense precisa..
Hoje a tarde na UFMT ouvi de um professor acostumado a campanhas e eleições na ADUFMAT: “Vai ser uma campanha curta, mas complicada porque se de um lado vão estar alunos e professores que querem o melhor para a UFMT e para a sociedade, não aceitando por exemplo, que a UFMT seja transformada numa universidade de periferia, do outro estarão a máquina  e partidos politicos.” Durante esse mês de campanha saberemos se esse professor estava com a razão especialmente no que ele se referiu a máquina e a partidos politicos.

Maurelio Menezes:  Jornalista, Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA USP, professor do Curso de Comunicação Social da UFMT

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ENTENDA A DISPUTA

Greve motiva inscrição de duas chapas na disputa pela diretoria da ADUFMAT S.Sind. Eleição será realizada em 13 de dezembro. Chapa vencedora vai atuar por dois anos (2012-2014)

por KEKA WERNECK
da assessoria da ADUFMAT

Duas chapas – 1 e 2 – se inscreveram para a disputa política da diretoria da ADUFMAT S.Sind., à qual são filiados mais de 1.370 professores dos campi da UFMT em Cuiabá, Sinop e Barra do Garças.

Seja qual for a chapa vencedora terá a tarefa de conduzir por dois anos (2012-2014) um dos sindicatos mais influentes de Mato Grosso, fundado em 1978, ainda na Ditadura Militar.

A luta central da ADUFMAT S.Sind é pela universidade pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada.

Representantes das duas chapas confirmam que a última greve da categoria influenciou no desejo de reconstrução da entidade e fortalecimento do Movimento Docente. A greve durou 127 dias, iniciando em 17 de maio e encerrando em 19 de setembro.

O prazo de inscrições das chapas terminou hoje, dia 13 de novembro, às 17h, e as chapas estão autorizadas a fazer campanha eleitoral, de hoje, após às 18h, até 12 de dezembro. Será um mês de debates e outras formas de contato entre os docentes candidatos e a base da Universidade.

A eleição será realizada no dia 13 de dezembro.

Até o dia da eleição, a Assessoria de Imprensa da ADUFMAT S.Sind. fará matérias no intuito de aprofundar as informações sobre as duas chapas e suas intenções políticas.

CHAPA 1

A primeira chapa a se inscrever – a Chapa 1 – tem o nome: “Quero ouvir tua voz apesar destas barras pelaí!”.

Conforme o presidente da chapa 1, o professor Carlos Roberto Sanches, em linhas gerais, a intenção central desse coletivo está no nome da chapa. “Quero ouvir tua voz apesar destas barras pelaí! Essa é uma licença poética do Gonzaguinha (cantor e compositor). Queremos todas as pessoas participando. Nós queremos ouvir a voz de todos, num processo extremamente democrático. Mas como a gente está inserido nesse processo, nossa voz também deve ser ouvida, num processo dialético entre todos”.

Para ele a greve teve toda influência na formação da chapa 1, “porque, se a gente for olhar, o programa da chapa está vinculado a todos os encaminhamentos e deliberações do final de greve, ou melhor, encerramento da greve, pois o processo de mobilização continua.”

Sanches é professor aposentado da UFMT, mas atua como professor substituto, no Departamento de Matemática. Já foi presidente da ADUFMAT no ano de 1987 (nessa época a gestão era de 1 ano). A gestão dele foi marcada pela greve dos 100 dias e

do Plano de Carreira, Cargos e Salários. Sanches também já foi por três vezes diretor da regional do ANDES-SN.

Além de Sanches, compõem a Chapa 1 os professores Odilzon das Neves Grauz (Vice), Robson Freire Viegas da Silva (Diretor Secretário), Maria Luzinete Alves Venzeler (Diretor Tesoureiro), Gleyva Maria Simões de Oliveira (Dir.As.Sócio-Culturais), Iva Ferreira Gonçalves (Dir.As.Aposentadoria) e Lázaro Camilo Recompensa Joseph (Dir. de Imprensa).

CHAPA 2

A segunda chapa a se inscrever – a Chapa 2 – tem o nome: “ADUFMAT viva! De luta, transparente e democrática”.

Conforme o presidente da chapa 2, o professor Reginaldo Silva de Araújo, em linhas gerais, a intenção central desse coletivo é, independente de quem seja eleito para assumir a diretoria do Sindicato, dar conta de alguns desafios. “Um deles é conseguir fazer com que as pessoas sindicalizadas ou não sintam no sindicato uma possibilidade de serem representadas, e consequentemente estarem em permanente diálogo com esse sindicato. Um grande desafio é trazer filiados e uma gama de 700 novos docentes, que venham para o sindicato. O segundo desafio é retomar alguns temas que estão na pauta do dia, como, por exemplo, carreira docente e adoecimento docente”.

Para ele, a greve influenciou muito a formação da chapa 2. “Como a gente tem uma geração de professores novos, a gente pensou em arregimentar esse coletivo, que esteve ligado diretamente ou indiretamente na greve”.

Reginaldo é antropólogo e leciona no Departamento de Saúde coletiva da UFMT. Nunca foi da diretoria da ADUFMAT, mas cita que compôs o Comando Local de Greve, do último movimento grevista, e sempre esteve ativo como base.

Também compõem a chapa 2 os professores Marcos M. Fernandes Caron (Vice), Evandro Aparecido S. da Silva (Diretor Secretário), Euziclei Gonzaga de Almeida (Diretor Tesoureiro), Lívia Lopes Azevedo (Dir.As.Sócio-Culturais), Alice Bottaro de Oliveira (Dir.As.Aposentadoria) e Meire Rose dos Anjos Oliveira (Dir. de Imprensa).

Para encerrar o período eleitoral, já está convocada uma assembleia geral que será realizada em 14 de dezembro, às 17h, no auditório da ADUFMAT S.Sind., para prestação de contas da gestão que termina e eleição do Conselho Fiscal.

 

2 Comentários

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  1. - IP 187.6.1.216 - Responder

    Chapa 01 é Luta. Universidade atrelada ao Governo Federal é o que temos hoje na UFMT.

    • - IP 201.2.108.155 - Responder

      Pedro, há muito, abandonou o Sindijufe após vencer uma eleição polêmica que lhe deu o terceiro mandato consecutivo. Pedro insiste em manter o sindicato atrelado à Conlutas que divide o movimento dos servidores do Judiciário Federal e não consegue estabelecer canal de negociações. Como consequência da “luta” de Pedro, os servidores públicos federais estão há seis anos sem reajuste. Pedro, contribua na resolução das questões dos servidores do Judiciário e deixe a Adufmat resolver suas disputas e problemas. O Sindijufe (de Pedro) é nau à deriva, isolado, sem perspectivas de conquistas e sem lutas reais. É isso que Pedro quer para os professores da UFMT?

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