MATO GROSSO BACANA: Fabíula – registrado como Vanderson Marinho Mendonça – é o primeiro gay assumido a exercer mandato de vereador, eleito pelos seus concidadãos de Pedra Preta, no interior do Estado

Fabíula conta que estranhamento por sua opção sexual só ocorre quando ele deixa a cidade de Pedra Preta e precisa vir a Cuiabá para reivindicar recursos e melhorias para sua cidade. “Já me perguntaram se sou travesti. Digo que não e dou risada. As pessoas têm desconhecimento e curiosidade. Não me importo. Com respeito, aos poucos tudo vai se encaixando”. Ele deixou o PSB por se sentir discriminado no partido e hoje está no PSD do deputado Riva.

Fabíula conta que estranhamento por sua opção sexual só ocorre quando ele deixa a cidade de Pedra Preta e precisa vir a Cuiabá para reivindicar recursos e melhorias para sua cidade. “Já me perguntaram se sou travesti. Digo que não e dou risada. As pessoas têm desconhecimento e curiosidade. Não me importo. Com respeito, aos poucos tudo vai se encaixando”. Ele deixou o PSB por se sentir discriminado no partido e hoje está no PSD do deputado Riva.

Vereador é o 1º gay assumido a ocupar cargo em MT

Na Casa de Leis ele é chamado por Vanderson ou pelo apelido de Fabíula

Arquivo Pessoal

Vereador Vanderson com a presidente Dilma, durante visita a Rondonópolis, em outubo

DÉBORA SIQUEIRA
DO MIDIA NEWS

 

Há pouco mais de um ano, a população de Pedra Preta (238 km ao Sul de Cuiabá) deu um passo rumo à tolerância sexual, ao eleger o primeiro vereador gay assumido em Mato Grosso.

Com longos cabelos negros na altura da cintura, bem feminino e abertamente gay desde os 13 anos, Vanderson Marinho Mendonça (PROS) – ou “Fabíula”, como é conhecido na pequena cidade cerca de 15 mil habitantes -, é vereador de primeiro mandato e foi o quinto mais bem votado nas últimas eleições municipais de 2012.

Apesar da aparência, ele diz que não é um travesti, mas um gay de cabelos longos, que usa maquiagem e bem afeminado.

O vereador Fabíula, 33 anos, como é chamado na cidade e no plenário do Legislativo, disse que sofreu muito preconceito, antes de se tornar uma autoridade local.

“Não sei sociedade da minha cidade está preparada para ter um prefeito gay. Tudo o que quero é fazer um bom trabalho, mas eu gosto da política e pretendo continuar. Só saio se me tirarem””

Aos 13 anos, ele era alvo de piadas, e foi de tanto ouvir gozações que decidiu assumir sua condição sexual. “Disse para uma pessoa que me abordou: ah, tá bom, sou gay mesmo”, contou. Para não perder a piada, o interlocutor sugeriu que Vanderson precisava ter “um nome feminino”.

“Toda vez que eu passava, essa pessoa falava um nome diferente. Primeiro, me chamou de Joaquina, e eu reclamei. Até que, um dia, ele me chamou de Fabíula e o nome pegou na cidade”, disse o vereador.

Vanderson revelou que, quando assumiu a homossexualidade, sua mãe não aceitou. Deu-lhe  uma surra e o mandou para fora de casa. Ele disse ter encontrado guarida na casa da avó, que, teve mais tolerância com a condição sexual do neto.

“Ela me perguntou se eu gostava do rapaz como amigo ou como ela gostava do vovô. Eu respondi que era exatamente como ela gostava do meu avô. Ela não respondeu e nem me perguntou mais nada”, disse.

Aos poucos, segundo Vanderson, sua própria mãe aceitou sua condição e acabou sendo uma das principais incentivadoras da carreira do agora vereador.

Ele lembrou que um dos momentos de preconceito “mais doloridos” foi quando conheceu o pai biológico, aos 21 anos. “Ele me rejeitou e disse que preferia um filho maconheiro, ladrão, uma filha prostituta do que um filho gay. Não o procurei mais”, contou.

Vanderson/Fabíula, com apoio da mãe, da avó e da irmã, disse ter superado as barreiras e buscou seus espaço na cidade de pouco mais de 15 mil habitantes.

Disse que, inicialmente, teve dificuldade em arrumar emprego. Conseguiu a vaga em um supermercado e, aos poucos, foi superando as desconfianças dos patrões com trabalho e dedicação. Foi recompensado galgando degraus dentro da própria empresa.

Fabíula também é conhecida na cidade elo envolvimento dos preparativos da “Rainha do Rodeio”, festa anual que leva milhares de pessoas à Pedra Preta.

Campanha eleitoral

“Já me perguntaram se sou travesti. Digo que não e dou risada. As pessoas têm desconhecimento e curiosidade. Não me importo”

Durante a campanha eleitoral de 2012, o vereador foi agredido por três pessoas. Ele testemunhou algumas pessoas jogando fora material de campanha do candidato a prefeito que ele apoiava e foi intervir. “A ação está na Justiça. Fui agredido e xingado por ser homossexual”, disse

Depois de eleito, uma das principais providências que o vereador Fabíula tomou foi pedir a reforma de uma quadra de esportes. “Fui jogador de basquete do time da minha cidade, participei de muitos jogos e acho que o esporte lá precisa melhorar muito”, justificou.

Fabíula lamentou o fato de que a maioria das pessoas não entenderiam o papel do parlamentar. Ele contou que há pedidos dos mais variados, mas, em síntese, os eleitores sempre buscam defender interesses pessoais.

“Há o caso de uma moradora que foi ao meu gabinete pedir R$ 400 para fazer a festa de aniversário de um ano da filha. Eu respondi que nunca tive festa de aniversário e que, se a criança precisasse de fralda, de leite, remédio, eu poderia ajudar. Mas, festa? Isso não”, afirmou.

Na crença da parte da sociedade, o salário do vereador é tão público quanto o cargo. Mas, Fabíula pensa diferente. “Eu não tiro dinheiro do meu bolso. Não é o meu papel. Eu cobro a prefeitura, a assistência social, a tomada de providências em relação aos serviços prestados pelo poder público”, disse.

O vereador afirmou que está focado em seu trabalho e, por enquanto, ainda não faz planos de voos mais altos – como disputar o cargo de prefeito, por exemplo.

“Não sei se sociedade da minha cidade está preparada para ter um prefeito gay. Tudo o que quero é fazer um bom trabalho, mas eu gosto da política e pretendo continuar. Só saio se me tirarem”, disse.

Apesar de ter tido um companheiro até tempos atrás, o vereador Fabíula contou que guardava os momentos de cumplicidade dentro do ambiente de sua casa. Nas sessões solenes, eventos público,s ele não saía com o rapaz.

“As pessoas não estão preparadas para ver isso. É uma cidade pequena e as pessoas não iam aceitar”, disse.

Relacionamento com outros políticos

Fabíula revelou que, no âmbitodentro do antigo partido, o PSB, ele sofreu com preconceito de outros correligionários, que nas suas costas, falavam mal dele por ser gay.

Hoje ele diz que é respeitado dentro da cidade pelo cargo que ocupa e durante as sessões ele é chamado de vereador Fabíula, seja na chamada de quórum ou nos pedidos de aparte durante os pronunciamentos.

No gabinete dele a identificação é de vereador Fabíula.

O estranhamento ocorre quando ele deixa a cidade de Pedra Preta e precisa vir a Cuiabá para reivindicar recursos e melhorias para sua cidade.

“Já me perguntaram se sou travesti. Digo que não e dou risada. As pessoas têm desconhecimento e curiosidade. Não me importo. Com respeito, aos poucos tudo vai se encaixando”

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Fabiula é Vereador em Pedra Preta pelo PSD e foi eleito com 369 votos (3,66%).

Nome: Vanderson Marinho Mendonça
Idade: 33 anos (17/09/1980)
Naturalidade: Pedra Preta/MT
Estado Civil: Solteiro(A)
Ocupação: Estudante
Escolaridade: Superior Incompleto

Categorias:Beleza Pura

2 Comentários

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  1. - IP 177.193.185.158 - Responder

    ”MATO GROSSO BACANA” é muito revelador…eu diria…MATO GROSSO DE SEMPRE…ou ainda, TRISTEZA DE MATO GROSSO, VERGONHA DE MATO GROSSO…

    • - IP 189.59.52.220 - Responder

      Mato Grosso Bacana mesmo. Os demais lugares, cidades, estados, países devem respeitar as pessoas em suas diversidades! Que venham mais e mais Fabíolas fazerem parte da política brasileira. Chega de preconceito e discriminação, seja a quem for!

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