MARINALDO CUSTÓDIO: O Bobão da Roça, quem diria, está de volta. E, desta vez, vem em livro. Bobão da Roça é personagem e aqui, como se trata de lançamento de livro, cumpre identificar logo o seu autor: Eduardo Gomes de Andrade, o Brigadeiro. O livro narra o período de sua chegada a Mato Grosso (10 de maio de 1970) até 2014. São 44 anos de estrada (e bota estrada nisso!)

 

O cronista Marinaldo Custório e o jornalista que virou seu personagem, Eduardo Gomes, o Bobão da Roça

O cronista Marinaldo Custório e o jornalista que virou seu personagem, Eduardo Gomes, o Bobão da Roça

 

 

 

Bobão porém livresco

POR MARINALDO CUSTÓDIO

O Bobão da Roça, quem diria, está de volta. E, desta vez, vem em livro, ladino tal e qual o Jeca Tatu depois que calçou sapatos, recebeu no sítio a visita do doutor e leu todas as boas dicas do Almanaque Fontoura. Na obra em questão, o suprassumo de toda a sua escrita: o Livro 44, um lançamento de luxo de nosso mercado editorial que chega em dezembro.

Este Bobão da Roça, se me fizeste o favor de ler a crônica homônima que escrevi há anos, é aquele mesmo sobrevivente vindo lá de Alpercata, Minas Gerais, e que aqui se firmou praticando o jornalismo do bom combate. Todavia, Bobão da Roça é personagem e aqui, como se trata de lançamento de livro, cumpre identificar logo o seu autor: Eduardo Gomes de Andrade, o Brigadeiro.

O livro narra o período de sua chegada a Mato Grosso (10 de maio de 1970) até 2014. São 44 anos de estrada (e bota estrada nisso!). Faz um registro amplo de cada período da história recente de Mato Grosso, do garimpo à expansão da soja, do milho, do algodão e da pecuária. Traz curiosidades e muita (muita!) informação, do geográfico ao histórico, do político ao cultural. Por suas páginas desfilam personagens como Irmã Adelis, o colonizador Ênio Pipino e gente humilde como a família da menina Gabi, despejada da antiga Fazenda do Papa, em Alto Boa Vista, para a criação de uma reserva indígena.

Pelas estações do caminho, tal qual um viandante que vai parando em casas de amigos e novos conhecidos ou em botecos de beira-estrada para um café, um pão com mortadela ou uma talagada daquela pinga das boas, o Bobão da Roça jamais se furta a um bom papo, mineiro e paciencioso que é. Para, senta-se à sombra de uma árvore, conversa calmamente, rabisca um pouco, tira fotografias, fala de futebol destacando a seleção brasileira, o Galo do seu coração ou o São Paulo F.C. do coração dos seus filhos Agenor e Luiz Eduardo. Depois vai à Igreja Matriz ou às igrejas do lugar para mais fotografias e, quem sabe, por sorte, um registro histórico grafado a canivete na madeira do cruzeiro: “Levantada no dia tal do mês tal do ano tal”. Talvez, o nome do primeiro padre; quem sabe, até, do bispo.

Um amigo, professor, vendo o rascunho deste texto, o aprovou de cabo a rabo, mas implicou com o título: “Você não acha que Bobão Livresco fica assim meio fresco? Podem pensar que o teu personagem…”. Bobagem, eu disse; você só fala isso porque não conhece o Bobão. O Bobão, de bobo, só tem a cara. E, pelo que diz, é um cabra muito macho. Veja lá, entre as páginas 126 e 129 do Livro 44, como ele se baba todo pelas curvas e as saliências da Vera Fischer e da Claudia Cardinale. Um macho alfa, seja dito e consignado. Que o diga outra bela, a inglesa Jacqueline Bisset, a da camiseta transparente sob as águas mostrando os deslumbrantes seios, sobre a qual ele escreveu um texto simplesmente antológico nas páginas de sua revista.

Mergulhar em águas assim, até eu, que sou mais bobo, ia querer. Ah, isto eu sempre haveria de querer!

 

 

Marinaldo Custódio, mestre em Literatura Brasileira, é autor de “Viagens inventadas: crônicas e quase contos” (2011)

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