LUIS NASSIF: Há a esperança de uma campanha civilizada neste ano de 2014, devido ao nível dos três competidores – Dilma Rousseff, pleiteando a reeleição, Aécio Neves e Eduardo Campos. Mas não bastam candidatos civilizados. Depois das manifestações de junho passado, não há mais lugar para mesmices.

Luis Nassif defende que todos os três candidatos - incluindo a atual presidente, Dilma Rousseff, candidata à reeleição - precisarão renovar as ideias e as esperanças.

Luis Nassif defende que todos os três candidatos – incluindo a atual presidente, Dilma Rousseff, candidata à reeleição – precisarão renovar as ideias e as esperanças.

Os votos para 2014

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Por muitos aspectos, 2014 será um ano relevante. O Brasil sediará o evento esportivo mais relevante do mundo – Copa do Mundo. Haverá uma eleição presidencial. Ainda ecoarão os protestos de junho de 2013, a insatisfação generalizada com a moldura institucional do país, um desconforto não apenas em relação aos poderes constituídos, aos partidos políticos, mas também em relação à velha mídia.
O grande desafio do ano será produzir uma eleição civilizada, seja quem for o vencedor.
Os ecos de 2010 ainda se espalham pelo país, a farsa religiosa protagonizada por José Serra, com sua imensa dose de preconceito e ódio.
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O fantasma de Serra ainda não foi exorcizado.
Mesmo assim, há a esperança de uma campanha civilizada, devido ao nível dos três competidores  – Dilma Rousseff, pleiteando a reeleição, Aécio Neves e Eduardo Campos.

Mas não bastam candidatos civilizados. Há que se ter programas claros de governo, com a apresentação de alternativas legítimas, que permitam ao eleitorado debater propostas e votar em ideias.
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Depois das manifestações de junho passado, não há mais lugar para mesmices.
Todos os três candidatos – incluindo Dilma Rousseff – precisarão renovar as ideias e as esperanças.
Tem-se hoje um país que avançou no controle da inflação, na disciplina das contas públicas e na inclusão social, revertendo uma concentração de renda histórica e vergonhosa.
Mas há muito a caminhar.
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Nos três anos de governo, Dilma logrou definir uma linha de desenvolvimento, que poderia se constituir no segundo tempo do projeto de inclusão social. Este, consolidou um mercado interno potente. O segundo tempo deveria ser o de consolidação da produção.
Conseguiu avançar brilhantemente na criação de um ambiente econômico competitivo, ao trazer a taxa Selic para níveis civilizados e promover uma desvalorização do câmbio que deu algum respiro à produção interna. Depois recuou.
Ao mesmo tempo, procurou estimular a produção interna, com políticas sucessivas de desoneração tributária e um programa ambicioso de concessões públicas, somando-se ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para alavancar os investimentos públicos.
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O ritmo de implementação foi atrapalhado pela pressa, pelo método de decidir tudo a portas fechadas e pela falta de clareza maior sobre as estratégias para estimular a competitividade interna.
Mesmo assim, deixa um legado parcial relevante.
Nesse período, foram aprofundadas as políticas de inclusão social, lançou-se um programa ambicioso de estímulo à inovação, finalmente pegou-se a embocadura nos leilões de concessão.
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Mais importante são as lições tiradas dos erros do período.
O PAC representou um enorme avanço, ao liberar os investimentos públicos dos enormes empecilhos orçamentários criados ao longo de duas décadas.
Daqui por diante, no entanto, o avanço das políticas públicas não poderá prescindir da reconstrução institucional. Há que se avançar nas microrreformas, no combate à burocracia, na simplificação das normas e no planejamento mais apurado das ações públicas.
Mais importante: que a campanha seja acesa, crítica, mas que não divida o país, não propague o ódio nem se entre no clima pesado de denuncismo que marcou esses anos de militância jornalística política.
Categorias:Nação brasileira

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