LUIS NASSIF: Começa a ficar mais clara a articulação das forças políticas para as eleições. Aécio Neves fecha com grandes grupos de mídia que começam a desconstruir a candidatura de Eduardo Campos. O alvo da grande mídia é Dilma.

Nassif: Aécio fecha com grupos de mídia que começam a desconstruir Eduardo

 

por Luis Nassif, no Jornal GGN

Começa a ficar mais clara a articulação das forças políticas para as eleições.

Os grupos de mídia fecharam em bloco com Aécio Neves. A última conquista foi a revistaIstoÉ, com a divulgação da pesquisa do Instituto Sensus.

Em 2010, o Sensus foi massacrado pela mídia, acusado de manipulação de pesquisas – na época, supostamente em favor de Dilma. A denúncia partiu da Folha, motivou uma representação do PSDB e uma invasão dos escritórios da Sensus por policiais, acompanhados de analistas do DataFolha.

Não deu em nada, mas foi o episódio mais truculento da campanha de 2010.

Agora, com as pesquisas divulgadas pela IstoÉ, o Instituto Sensus protagoniza a primeira manipulação das eleições de 2014.

Em ambos os momentos, Sensus não espelhou interesses petistas ou tucanos, mas do grupo mineiro de Clézio de Andrade.

A pesquisa foi realizada com todas as distorções já apontadas, inclusive pelo Estadão: cartela com os nomes em ordem alfabética (beneficiando o primeiro da fila, Aécio), informações negativas sobre a economia antes das perguntas sobre o apoio à Dilma etc.

Mais. Só depois de conhecidos os resultados, foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e apenas em nome do Sensus, como se tivesse sido bancada pelo próprio Instituto. Dias depois foi divulgada pela IstoÉ como se fosse fruto de uma parceria.

A revista não faz parte da primeira divisão do cartel, mas deverá atuar na guerrilha, assim como as denúncias non-sense da Época.

Em sua primeira incursão nas eleições de 2014, o Instituto Sensus torna-se um rojão queimado. Mas o jogo prosseguirá com outros protagonistas.

Campos sob fogo cruzado

Aécio e Campos têm acenado para uma parceria duradoura, pós-eleições. Caso Dilma seja reeleita, é bastante provável que ambos, em parceria, assumam a liderança da nova oposição.

Por enquanto, a lógica dos dois turnos os transforma em adversários diretos no primeiro turno, para se saber quem será o campeão branco que enfrentará Dilma no segundo turno.

Fontes da campanha de Dilma Rousseff entenderam a pesquisa Sensus como parte de uma estratégia maior. Testa-se a hipótese do segundo turno em veículo e instituto de pesquisa de menor calibre, preparando o campo para as pesquisas posteriores do Ibope e do DataFolha. Ao mesmo tempo, acelera-se de imediato a campanha de desconstrução da chapa Campos-Marina, explorando suas ambiguidades, para ampliar a diferença entre ele e Aécio nas próximas pesquisas.

O objetivo atual é garantir a passagem de Aécio para o segundo turno.

Hoje a Folha trabalhou nessa direção com duas chamadas de primeira página, ambas explorando as ambiguidades da parceria Campos-Marina.

A primeira, montada em cima de um gancho artificial: uma mensagem do coordenador de campanha a Eduardo, preocupado com os princípios socialistas que constam da agenda do PSB. A segunda, explorando os anacronismos religiosos de Marina Silva.

Ao mesmo tempo, Campos é atacado pela esquerda, acusado de encampar as teses mercadistas dos economistas ligados a Marina Silva.

As novas definições programáticas

Até a semana passada, os três candidatos surfavam na ambiguidade política, sem muitas definições, todos a favor do bem e da bondade.

O discurso de Dilma na 14a Convenção do PT encerra a fase idílica e traz o jogo para o campo real das definições programáticas.

Até algum tempo atrás, a discussão econômica pautava-se exclusivamente pelos indicadores macroeconômicos, PIB, parte fiscal, contas externas etc.

Após a crise de 2008 começou a tomar corpo gradativamente, mesmo entre os economistas, o tema do bem estar social e da distribuição de renda como objetivo final da política econômica. Ou seja, a manutenção do emprego e da distribuição de renda seria mais relevante do que o mero crescimento do PIB.

É evidente que há uma correlação entre ambos.

A médio prazo, sem crescimento não há políticas sustentáveis de distribuição de renda. Por outro lado, a tese de que o crescimento sustentável prescinde da distribuição de renda foi derrubada pela explosão do mercado de consumo interno, como decorrência das políticas distributivistas.

Esses aspectos passam ao largo dos discursos de campanha.

Prevalecem apenas os slogans: Dilma é a favor da distribuição de renda; Aécio é a favor do aumento de eficiência da economia.

Com os dois campos ocupados, Campos fica com a broxa na mão, exposto a todo tipo de ataque dos dois lados até a definição do primeiro turno.

Para se mostrar supostamente racional, propõe uma meta inflacionária de 3% ao ano. Aí é acusado de defender o desemprego como estratégia econômica. De fato, a lógica das metas inflacionárias é recessiva e a medida de efeito da alta de juros é o aumento do desemprego.

Espremido, Campos enfatiza as diferenças em relação a Aécio e proclama que ambos saem de bases sociais diferentes.

No momento seguinte, a Folha vai buscar nas bases sociais de Campos os ideais socialistas. E Marina, aos poucos, deixa de ser a musa da modernidade, para retornar às origens criacionistas.

Campos terá apenas oportunidade pela frente, uma pequena brecha. A cada dia que passa Dilma e Aécio acirrarão a retórica e os ataques recíprocos. Com mais tempo de campanha, essa tática poderia cansar os eleitores abrindo espaço para um tertius.

Mas com o pouco tempo de campanha, devido à Copa do Mundo, serão pequenas as possibilidades de Campos amenizar o discurso e se colocar como o candidato ponderado contra os dois belicistas.

A ideia de apresentar o banqueiro Roberto Setubal como Ministro da Fazenda jamais foi aventada até agora na campanha de Campos. Fontes da campanha de Campos enfatizam que ele sempre foi um industrialista e desenvolvimentista e sabe que não há como o país se desenvolver com câmbio fraco. E tenta construir as condições políticas para isso.

 

FONTE BLOGUE DO LUIS NASSIF

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MAIS REPERCUSSÃO

 

Estamos vendo pelo em ovo? Novela Geração Brasil, da Globo, faria propaganda a Aécio e Campos

Brasil Post  |  De 

geracao brasil aecio campos

A novela Geração Brasil, da TV Globo, parece ter feito mais barulho nas redes sociais do que na televisão nesta segunda-feira (5). O motivo: ela estaria fazendo uma campanha antecipada a dois pré-candidatos à Presidência da República – o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) – logo no seu logo.

Segundo essa tese, o final da palavra “geração” seria o número 40, que é também número do PSB, enquanto o “4S” da palavra “Brasil” formaria o 45 do PSDB. A “coincidência” não passou despercebida e foi apontada pelo perfil humorístico Dilma Bolada no Twitter.

Mais cedo, o jornalista Luis Nassif já havia apontado para a polêmica.

A questão reverberou consideravelmente entre petistas ao longo de todo o dia.


 

Outro ponto envolvendo a novela que é visto como indicativo de “manipulação” está na Wikipedia. Lá, está apontado que parte da trama se teve várias locações, dentre elas o “Porto Digital, referência do mercado de tecnologia brasileiro”. Até poucas semanas, o governador de Pernambuco era quem? Eduardo Campos.

Parece muita “teoria da conspiração” para você? Bem, aqui está um teaser da novela, que estreou nesta segunda-feira.

E, de acordo com o site Notícias da TV, do jornalista Daniel Castro, a audiência do capítulo de estreia foi a pior da história do horário em São Paulo.

Procurada, a assessoria da TV Globo não foi encontrada para falar sobre o assunto até a publicação desta matéria.

3 Comentários

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  1. - IP 189.59.69.195 - Responder

    Vem muita baixaria, muito chumbo grosso pela frente. A direita não quer aceitar mais um mandato da Dilma.

  2. - IP 189.114.54.59 - Responder

    Todo mundo que prefere não votar na Dilma é direita! Quem vota a favor é esquerda.Rotular assim,sem analisar eficiência,competência,integridade,programas etc,fica fácil.Senão vejamos:Dilma se associou com Renam,Collor,Sarney,Maggi,e outros fascistas mais.Eu não concordo com essa postura, e até a repudio,por isso,vou mudar meu voto.Então a partir de agora, sou da direita?Ponha a mão na cabeça antes de proferir suas afirmações tendenciosas,pois elas podem se tornar ridículas!

  3. - IP 177.65.157.108 - Responder

    FORA PT… AGORA É SÓ DESESPERO.. O PT (PARTIDO DAS TREVAS) SABE CONSTRUIR UMA IMAGEM. TODOS QUE NÃO CONCORDAM COM O SEU (DES)GOVERNO É DA DIREITA.. ESSE GOLPE É VELHO … COLAVA PRA OS PROFESSORES DAS FACULDADES, QUE FAZIAM AS CABEÇAS DA ALUNADA…RSSS.. FUI UM DESSES.. SÓ QUE AGORA NÃO COLA MAIS.. A DILMA E OS PETISTA NA VERDADE ARREGAÇARAM A NAÇÃO … FORA PT

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