LUCINÉIA SOARES: Assisti recentemente uma fala em um espaço religioso que tinha enquanto tema o aborto…

Lucineia

Em defesa dos direitos das mulheres

Lucinéia Soares

 

Assisti recentemente uma fala em um espaço religioso que tinha enquanto tema o aborto, o assunto foi abordado de uma forma tão incisiva, implacável e em alguns momentos cruel. Naquele momento eu pensei: 

Se neste salão tem uma mulher que praticou o aborto e veio em busca de consolo como será que ela está sentindo?”

    Porque como o palestrante disse no final da sua fala, Deus é amor e caridade, duas leis que precisam ser a base de toda a nossa conduta em todos os momentos da nossa vida e portanto acredito que deva ser a base das fala públicas inclusive nos espaços religiosos.

Isso porque, como disse Jesus, o que nós importa é o homem e a mulher que estão doente, são eles que precisam de amparo para que os erros se transformem em aprendizado e mudança de comportamento.

E como está no Evangelho, “Amai-vos e Instruí-vos”, já que esta é uma das formas das pessoas tomarem consciência sobre seus atos, porque não faze-la com amor, compaixão e respeito. 

Jesus quando encontrou a mulher adultera disse: 

(…) quem não tem pecado atire a primeira pedra. Todos vão embora e Jesus diz à mulher: “eu também não te condeno. Vai e não peques mais”.

A mensagem evangélica é bem objetiva: diante do pecado, Deus acolhe o pecador de braços abertos, convidando-o à conversão (vai e não peques mais!). (abiblia, 2020).

   

Por que essa lição é tão importante, principalmente nos dias atuais, porque vivemos num país extremamente desigual, violento, machista, onde somente em 2018 foram registrados 66 mil casos de estupros, a maioria das vítimas são meninas com menos de 13 anos. Crianças!!!!

E não pense que essas crianças serão acolhidas, protegidas e amparadas por suas famílias, pois segundo os relatórios da sociedade civil e dos aparelhos de segurança esse abusador é alguém próximo da família, o pai, primo, tio, vizinho. 

A cada uma hora 180 mulheres são estupradas no Brasil.

Então, se havia na plateia uma mulher que cometeu o aborto em virtude de um estupro, por exemplo, como ela se sentiu acolhida?

É preciso da mesma forma que se trata o feto nos debates acalorados sobre o aborto, é preciso ter o mesmo amor e caridade para com a mulher que já praticou seja lá por qual motivo.

Entendam, não é uma defesa do aborto, estou analisando sobre a outra ponta do fato, as mulheres, que dentro do nosso contexto social e histórico são por diversas vezes vítimas de violências, sejam elas físicas, psíquicas, morais e emocionais. 

E assim como as mulheres, há outros grupos minoritários que poderão buscar nas religiões uma palavra de apoio, de compaixão, caridade e amor.

Portanto, assim como fez Jesus acolher, amar, instrui, respeitar antes de qualquer julgamento. 

Viva as mulheres e força para todas as suas lutas

 

Lucineia Soares da Silva é economista, mestre em Política Social e Doutoranda em Sociologia.

[email protected]

 

 

Categorias:Mora na Filosofia

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