LUCIANA SERAFIM – A OAB está sufocada por uma gestão que não moderniza seus canais de diálogo com advogados jovem, deixa de usar as tecnologias de ponta e não presta contas aos próprios associados

Luciana Serafim é advogada, presidente da AATRAMAT e candidata à presidência da OAB/MT.

OAB moderna, jovem e democrática
POR LUCIANA SERAFIM

Até pouco tempo atrás, a Ordem dos Advogados era considerada um centro de convergência dos interesses da classe e um local de mediação de conflitos e de ponderação, além de reduto de defesa de prerrogativas e dos próprios valores sociais que elegemos como relevantes. Cumprindo a missão social de extrema relevância, a OAB constituiu-se vanguarda para muitos movimentos civis organizados progressistas e de combate à corrupção.

E atualmente? Nesses últimos três anos, o número de advogados aumentou consideravelmente, sem nenhum suporte dado pela Ordem dos Advogados, a começar pela frouxidão com que fiscaliza, acompanha e propõe junto ao ensino superior. Atingimos um número que satura o mercado por falta de alternativas, preparação, orientação não só das instituições de ensino, como da própria direção da classe que se omite em implementar medidas que auxiliem o jovem advogado nos seus primeiros passos.

Esperava-se da OAB um padrão ético que espelhasse a enorme expectativa que os estudantes depositam na nobre profissão que é a advocacia pública ou privada. Esse sacerdócio que alia a técnica à arte exige uma imagem limpa e acima de qualquer suspeita. Com constrangimento, acompanhamos as investigações federais sobre fraudes às licitações envolvendo dirigentes da Ordem dos Advogados que se mancomunaram para extrair vantagens indevidas de entes públicos, objeto de inquérito do Ministério Público Federal.

Com extrema tristeza, temos uma Ordem dos Advogados que não se renova e nem abre espaço ao contingente desses novos colegas que chegam com suas contribuições vanguardistas, seus ideais apurados e sua esperança rejuvenescedora. A OAB está sufocada por uma gestão que não moderniza seus canais de diálogo com advogados jovem, deixa de usar as tecnologias de ponta e não presta contas aos próprios associados, objeto de outras ações judiciais que causam ainda mais constrangimento para toda a classe que se bate por transparência judiciária, valores que não são observados em sua própria entidade de classe.

A Ordem dos Advogados deve ser propositiva e retornar à missão originária de equilíbrio e mediação de conflitos sociais. A advocacia é uma profissão tão importante que é, na verdade, a primeira magistrada de uma causa e enxerga o impacto social dos pleitos que promove. Não pode a OAB servir de mero birô de reclamações de advogados e sim promover inspeções, representações e até mesmo ações junto às Corregedorias e ao Conselho Nacional de Justiça e demais órgãos de controle, com o fito de promover mais agilidade para que os advogados desempenhem melhor suas funções.

A recente proposta de piso salarial para a advocacia, promovida por um grupo jovem de jovens advogados, é mais uma mostra que a Ordem está a reboque e não na vanguarda de movimentos organizados em defesa das prerrogativas da classe.

Os advogados que atuam para poderosos segmentos políticos e econômicos não sentem a realidade e a dificuldade dos colegas e chegam mesmo a expulsar entidades de combate a corrupção das dependências da OAB, absurdo que precisa ser rapidamente reparado. A Ordem não deve ter partido e nem interesses setoriais devem dominá-la. Devemos reposicionar a representação classista para garantir as prerrogativas legais do advogado, fornecer amparo à profissão, fiscalizar o ensino jurídico e promover a transparência absoluta da entidade junto aos advogados. Ética, transparência, comunicação e prerrogativas são os quatro pilares que sustentam nosso projeto de uma OAB moderna, jovem e democrática.

Categorias:Jogo do Poder

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