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Luciana Serafim: “Quero resgatar orgulho de ser advogado”

Luciana Serafim, advogada e candidata à presidente da OAB-MT: “Quero resgatar o orgulho de ser advogado”

Luciana Serafim, 40 anos, advogada trabalhista, casada com Luis Mauro há 16 anos e mãe dos meninos Pedro Henrique, 15 anos; e João Vitor, 12 anos, é candidata à presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso com a pretensão de resgatar algo que, segundo ela, os profissionais perdem aos poucos: o orgulho de ser advogado. A discussão é longa, mas Luciana quer fomentar o debate, principalmente entre os jovens profissionais. É a única mulher a pleitear o cargo nestas eleições. Nesta entrevista, ela fala sobre as necessidades dos advogados e seus desejos por mudanças.

DO CENTRO OESTE POPULAR

Centro-Oeste Popular – Por que a Senhora quer ser Presidente da Ordem dos Advogados?
Luciana Serafim – É preciso muita coragem para enfrentar os desafios que a carreira demanda. Em quase duas décadas de advocacia, acredito que amadureci a ponto de servir meus colegas com o conhecimento e experiência que acumulei dentro e fora da OAB. Atualmente, presido a Aatramat que é uma associação dos advogados trabalhistas que luta junto com cerca de uma centena de colegas. Tenho convicção de que meu trabalho e projetos me habilitam à vitória. Mais do que um grupo, quero representar toda a classe.

COP – O que a sua experiência na OAB soma com a sua candidatura?
Luciana Serafim – Fui secretária geral adjunta, presidi a Comissão de Direitos Sociais, coordenei a Revista Jurídica da Ordem, assim como as Comissões Temáticas, presidi a 1ª Câmara Julgadora e a Escola Superior da Advocacia e fui Secretária Geral da OAB. Essa experiência me dá suporte para saber o que a Ordem pode contribuir com o advogado que hoje está afastado e esquecido. Tenho projetos que podem resgatar o orgulho de advogar e facilitar o campo profissional para jovens colegas que ingressam na carreira.

COP – Os advogados perderam o orgulho próprio?
Luciana Serafim – A advocacia é uma profissão nobre que defende a sociedade, por meio do desempenho dos colegas, seja no setor privado, seja no público. Contudo, a Ordem dos Advogados ficou refém de dirigentes mais preocupados com interesses próprios, divorciados da advocacia. Promover-se pessoal e profissionalmente e privilegiar grandes escritórios não são atividades voltadas às reais necessidades da classe. É preciso mudar. E mudar urgentemente. Para isso, devemos ter independência e exigir independência de todos os colegas quanto a compromissos político-partidários em detrimento dos institucionais. No meu entender, o único partido do dirigente da Ordem é a própria OAB.

COP – Mas a Senhora não pertenceu a gestões anteriores? O que foi feito?
Luciana Serafim – Sim, participei de gestões passadas. No entanto, como muitos colegas devem saber, várias das minhas posições, mesmo dentro da administração, foram voltadas às mudanças que, no meu entender, eram necessárias: o voto aberto para a formação da lista para o quinto constitucional nos tribunais, a consolidação e interiorização da Escola Superior de Advocacia, parceria com a Faculdade Mackenzie, regulamentação do estágio profissional para bacharéis, entre outras atividades que, infelizmente, não foram mantidas, incentivadas e fortalecidas. Tive, inclusive, a honra de ajudar a fundar o Tribunal de Prerrogativas que deveria ter uma posição muito mais firme e rápida quanto aos abusos e desmandos que a advocacia enfrenta.

COP – E como estão esses projetos hoje?
Luciana Serafim – Grande parte dos projetos dos quais participei não foram mantidos. O advogado perdeu muito com o fim da parceria com a Mackenzie, a ESA não atinge o interior do Estado como deveria e tem potencial para fazê-lo, não foi implantado o estágio profissional e, lamentavelmente, o plantão de prerrogativas não funciona mais com a agilidade e eficiência que o advogado precisa. Os colegas que têm suas prerrogativas violadas necessitam do suporte imediato de 24 horas por dia, todos os dias da semana.

COP – A Senhora citou advogados do interior. Como a OAB pode ajudá-los?
Luciana Serafim – Os colegas que estão distantes não podem jamais ser esquecidos. Temos projetos para eles. O primeiro diz respeito aos cursos que devem contemplá-los, por meio virtual e presencial; segundo, a fundação de núcleos regionais de defesa de prerrogativas; terceiro, vamos instituir coordenações regionais para se aproximar estreitamente das subseções. E, finalmente, o maior legado que a OAB pode fazer pelos advogados do interior é pressionar de forma contundente o Poder Judiciário para fiscalizar a crônica falta de magistrados que deixa milhares de colegas com processos parados, inviabilizando o trabalho dos escritórios.

COP – E para os advogados iniciantes? Quais são os seus projetos?
Luciana Serafim – Nossa plataforma contempla o jovem de forma especial. Precisamos de muito mais do que uma cerimônia de entrega de carteiras. O jovem necessita da orientação institucional e, por isso, cunhamos o Projeto Advogado Empreendedor que é um acompanhamento profissional que dará suporte na orientação tributária, trabalhista, pedagógica e administrativa para o jovem profissional; a Escola Superior de Advocacia deve se voltar especificamente para a qualificação do colega, por meio de cursos mensais gratuitos aos jovens advogados. Não podemos esquecer também das pós-graduações da ESA que serão reconhecidas pelo Ministério da Educação, para que ninguém tenha o constrangimento de ver um diploma invalidado. Fico preocupada com pós-graduações que terão dificuldades em ser reconhecidas. Aliás, é muito mais econômico fazer uma pós de qualidade aqui mesmo, em Mato Grosso, sobretudo para quem está começando.

COP – A Senhora poderia explicar melhor o Projeto Advogado Empreendedor?
Luciana Serafim – Constatamos que os jovens precisam saber quais os meios para prosperar na advocacia. Qual a carga tributária? É necessário abrir uma empresa? Como fazer? Quais as obrigações trabalhistas? Como organizar administrativamente um escritório? Quais as melhores áreas e regiões para atingir? Como e onde se qualificar? São questões que uma orientação vocacional e técnica podem dirimir. Se há, no Brasil, suporte para empresas abrirem as portas e assim se manterem, a OAB deve implantar a mesma prática em benefício do jovem advogado.

COP – Por que os advogados devem votar em Luciana Serafim?
Luciana Serafim – A Ordem dos Advogados deve ser uma instituição de vanguarda. Devemos dar o exemplo e fazer a lição de casa em termos de interação próxima e ágil com todos, sem excluir ninguém. É preciso assembleias gerais, orçamento participativo, prestação de contas, transmissão on-line das sessões do conselho, entre outras medidas de transparência. Quero mandar uma mensagem de esperança de que é possível revalorizar a profissão para que tenhamos orgulho de sermos advogados. Por isso, com base na experiência que tenho e nos projetos apresentados, peço o voto de confiança de todos os colegas que acreditam que é possível realizar essa mudança.

FONTE JORNAL CENTRO OESTE POPULAR

Categorias:Jogo do Poder

2 Comentários

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  1. - IP 201.71.189.61 - Responder

    Parabéns Dra. Luciana. Parabéns pela coragem. Enfrentar uma eleição requer percepção, determinação e vontade de colocar em prática pelo menos parte daquilo que o profissional da advocacia necessita; as frequentes transformações no contexto social exigem requsitos pelos quais sua atuação na OAB, bem assim, na Presidência da Associação dos Adovagados Trabalhistas se revelam com clareza….Precisamos de mudança para traçar um novo rumo e realmente repensar a qualidade de vida da sociedade e em especial do advogado. Isso porque, enquanto se noticia os salários milionários e de outro lado o salário mínimo a muitas famílias o advogado luta contra a falência das Instituições Publicas para sobreviver.

  2. - IP 200.175.151.209 - Responder

    Mais como meu anjo, vc é linda, suave, sem stress, está querendo se meter num covil de lobos famintos e pensa que vai conseguir mudar tudo com esse seu rostinho anjelical? Não se iluda, cara colega, a corrupção do sistema está enraizado desde a origem, lá no alto escalão. Espero que vc seja eleita, mas depois não diga que não avisei qdo te encontrar por aí, no ano que vem, toda descabelada e com o stress nas alturas.

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