LENINE PÓVOAS: Alguns que optam por ingressar na vida pública muitas vezes acabam por se espantarem ao conhecerem os verdadeiros porões do Brasil. Alguns não aguentam tanta falcatrua/pressão, e desistem, outros decidem enfrentar. É aí que mora a esperança.

Lenine Póvoas é estudante de Direito e atua em escritório de advocacia, em São Paulo

Porões do Brasil
POR LENINE PÓVOAS

Brasil, um pedaço de terra englobado pela América do Sul, continente este que representa parcela da população mundial marginalizada, tendo em vista a sua posição geográfica e os acontecimentos ocorridos no planeta. Alguns europeus vieram para cá explorar e trouxeram muitos africanos para serem explorados.

Nosso país, infelizmente, sempre foi palco de favorecimento de pequenos grupos, sendo que quando determinada “mamata” da classe economicamente favorecida começava a ruir, essas pessoas migravam para outra atividade que pudessem tirar proveito, é claro, mediante o suor alheio.

Assim foi com a exploração dos negros, dos índios, do Pau-Brasil, do ouro, do café, da borracha, do cacau, do açúcar, dentre outros. A história do país está repleta de exemplos. Há algum tempo a bola da vez é o Poder Público.

Nos tempos da escravidão era “normal” os filhos dos Senhores, residentes das Casas Grandes, solicitarem aos negros que ficassem de quatro para que eles pudessem “brincar de andar a cavalo”.  Isso não era mera distração da época, pelo contrário, é o perfeito retrato da sociedade brasileira: a classe dominante sobrevivendo em cima do lombo do povo.

Um país que foi colonizado como o nosso, a base da escravidão, à moda Casa Grande e Senzala, tem processo democrático muito lento, afinal, foram quase 400 anos de escravidão e apenas 124 de ‘liberdade’.

A história da estrutura social brasileira nos permite perceber as verdadeiras raízes do Brasil, conhecendo, assim, a nossa formação econômica, constatando que houve muitos avanços, porém, a passos lentos, sendo que a nossa nação ainda não perdeu a sua característica mais marcante: a exploração do cidadão simples.

Após a abolição da escravatura (1888), as consequentes crises econômicas e outros fatores que arruinaram demais atividades dos Barões, estes deram um jeito de continuar se beneficiando da exploração do suor do povo.

Pois bem. Em meados do século passado iniciou-se o processo migratório da classe alta para outra atividade: a máquina pública.

Resumindo.  A escravidão foi abolida, muitas das plantações vieram abaixo e simplesmente a ‘bacanagem’ migrou para a o Poder Público, aparelhando o Estado para satisfação de interesses pessoais.

Como se não bastasse, esse grupo não possibilitou que o povo se libertasse, sendo certo que criaram um vínculo irremovível de dependência, tendo em vista que não houve (e ainda não há) investimento em educação, fazendo com que o cidadão simples tenha que se sujeitar com as poucas opções de trabalho oferecidas para quem possui baixa qualificação, gerando muita miséria e desigualdade. Daí o motivo de alguns não terem consciência dos seus votos e aceitarem favores e dinheiro em troca dele.

Muitas pessoas têm olhado para a vida pública como ‘meio de se dar bem’. É o verdadeiro saqueamento do Estado: gente querendo fazer concurso, ainda que não tenha vocação alguma para a vaga pleiteada; candidatos despreparados e descompromissados digladiando em pleitos eleitorais; desvios; nepotismo trocado; contratos tendenciosos; fornecimento de serviços e produtos; incentivos fiscais; construções, enfim, um caos com o dinheiro do povo, tudo a título da Casa Grande continuar cavalgando em cima da Senzala, alimentando uma cadeia estrábica, hoje sustentada pelos impostos.

Muita gente que enrica, tem ou teve contato direto ou indireto com o Poder Público. Há exceções. Sempre há.

De fato existe uma minoria de pessoas compromissadas com o que é do povo. Alguns que optam por ingressar na vida pública muitas vezes acabam por se espantarem ao conhecerem os verdadeiros porões do Brasil. Alguns não aguentam tanta falcatrua/pressão, e desistem, outros decidem enfrentar. É aí que mora a esperança.

Outro fator complicado é a essência de muitos brasileiros. Quando explode algum escândalo no Poder Público, o cidadão simples, humilde, que elege e sustenta toda essa situação, ausente a percepção da gravidade dos fatos, muitas vezes dá risada e ainda pensa: “como seria se eu arrumasse uma ‘boquinha’ dessas? Como iria fazer pra resolver os meus problemas financeiros e dos meus parentes? Aonde iria empregá-los?”. Por isso que dizem que os representantes são reflexos do povo. Talvez sejam. O fato é que o Estado tem que temer o povo, e não o povo temer o Estado, mas com cidadãos desses, do que se deve ter medo?! Aí deitam e rolam…

Os integrantes do Poder Público que possuem o perfil maquiavélico de exploradores sempre brigaram para que a sociedade não tivesse consciência da gravidade da situação, e conseguiram, transformando o povo num verdadeiro exército inconsciente, eis que não há oposição e muito menos revolta, pelo contrário, há apoio indireto. A título de exemplificação, é comum ouvirmos o famoso: “rouba, mas faz!”.

Esse discurso se deve ao fato dos Senhores colocaram na cabeça do povo que roubar o que é público, é elegante, aceitável, mas que roubar o que é privado, é condenável: se aproprie de impostos e aceite propinas, ouvirá gargalhadas… roube um peixe na feira e prepare-se parar ser crucificado. É o verdadeiro retrato da arte de conduzir o povo.
A Casa Grande migrou para o Estado e o aparelhou para satisfação de seus interesses pessoais. A esperança reside na pequena parcela da população que tem consciência e faz oposição de alguma forma.

“Quem elege corrupto não é vítima, é cúmplice”. Pense nisso em 07 de outubro!

LENINE PÓVOAS é estudante de Direito.

2 Comentários

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  1. - IP 177.65.157.230 - Responder

    Meu DEUS, estou completamente pinél, pensei quando li manchete do artigo. Será a idade? Será o alemão (alzhaimer)? Mas o Lenine morreu, raciocinei. Lembro de ter ido ao velório. Estou mesmo louco ou é o Enock que agora ataca de Chico Xavier e psicografa mensagens do além? Nem uma coisa e nem outra, pensei alegremente ao ver a foto do rapaz que ilustra o texto. Desculpe a ignorância, mas é neto, bisneto ou Lenine ou apenas homônimo?

    Quanto ao teor do artigo, bem, digamos que é sofrível, repleto de clichês e profundo tal qual um pires, mas tá perdoado por ser estudante e jovem. Quem não merece perdão são os professores…

  2. - IP 187.68.153.226 - Responder

    Li o comentário do Alemão…..mas a inveja e mesmo uma merda……vai em frente Lenine, poucos conseguiram se expressar tão lucidamente como vc. Parábens !!!!

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