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Alguma coisa está fora da ordem

TUDO POR DINHEIRO: PMs teriam sido pagos por campanha apoiada por Fávaro para espionar Pivetta – conta coronel Siqueira. Denúncia cai no colo do vice de Zé Pedro Taques. LEIA DEPOIMENTO

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Alguma coisa está fora da ordem


O depoimento do secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), coronel Airton Siqueira, ao Inquérito Policial Militar (IPM), que apura crimes de espionagem em Mato Grosso pode acabar em uma guerra de egos envolvendo os poderes Executivo, Judiciário e o Ministério Público Estadual (MPE) – e revelar a existencia de toda uma banda podre dentro da Policia Militar de Mato Grosso. Além de manchar a reputação de figuras públicas, o esquema de espionagem no Estado “rachou” a Polícia Militar e as consequências ainda são incalculáveis.
O que sobressai do depoimento é que, à sombra do Governo do Estado, a Policia Militar de Mato Grosso, teria passado a abrigar verdadeiras quadrilhas, a vender serviço de escuta clandestina para quem estivesse interessado e disposto a pagar mais. No caso, a denúncia cai no colo do vice-governador Carlos Fávaro, líder do agronegócio no Estado.
Não se trata, agora, apenas de punir quem patrocinou as escutas identificadas e denunciadas pelo promotor Mauro Zaque. O que deve exigir do desembargador Orlando Perri, que comanda as investigações, é o desbaratamento dessas quadrilhas, cuja alcance de atuação precisa também ser identificado.
Vejam que, pelo que se denuncia agora, o megasojicultor Otaviano Pivetta, ex-prefeito de Lucas do Rio Verde (atualmente sem partido), teria sido mais um alvo das escutas ilegais, no esquema que ficou conhecido como “barriga de aluguel”. A afirmação consta no depoimento do coronel Airton Benedito de Siqueira Júnior e deve merecer leitura atenta do desembargador Perri para aprofundamento das investigações que, ao que tudo indica, batem direto nos gabinetes do poder no Palácio Paiaguás.
O serviço de arapongagem, prestado clandestinamente por alguns militares de alta patente lá em Lucas, segundo conta o coronel Siqueira, teria sido contratado por Rogério Ferrarin, coordenador da campanha do prefeito eleito em 2016, Luiz Binotti, pelo valor de R$ 20 mil.
Conforme contou Siqueira, o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, disse que seu escritório estava prestando assessoria jurídica em Lucas do Rio Verde e que havia pessoas, aparentemente policiais militares, que estavam no hotel perguntando sobre o nome dos advogados do escritório do Dr. Paulo, quais quartos estavam hospedados, o que estavam fazendo.
Em um encontro no posto de combustíveis Bom Clima, em Cuiabá, o cabo da Polícia Militar, Rafael teria afirmado que esteve em Lucas do Rio Verde, junto com o major da PM Barros em uma missão conduzida pelo tenente coronel César Gomes, que teria sido contratado por Rogério Ferrarin. “Que o cabo PM Rafael disse ao informante que instalaram escuta ambiental e câmeras no comitê da campanha do Pivetta e invadiram o escritório jurídico no hotel e tiraram fotos e mandariam esses dados ao Tem Cel PM César Gomes para produzir um relatório e subsidiar futura impugnação da candidatura”, diz trecho do depoimento do coronel Siqueira Jr.
Siqueira diz ter ficado em uma situação difícil porque Binotti era candidato apoiado pelo vice-governador Carlos Fávaro (PSD e representante direto do agronegócio dentro do comando do Estado ) e Otaviano Pivetta era candidato do governador Pedro Taques (PSDB). “Que percebeu um mal-estar gerado com o vice-governador, sendo que provavelmente venderam uma história de que o informante estava fazendo atividade de inteligência, totalmente diferente do que o informante relatou” – depôs Siqueira Jr.
Siqueira afirmou também que foi intimado e tomou conhecimento de que foi instaurado um inquérito policial pelo delegado Flávio Henrique Stringueta e que estaria sendo investigado por suposta operação de inteligência ilegal realizada em Lucas do Rio Verde, em 2016.
Aguardemos pelos desdobramemntos das investigações. Todos os militares citados por Siqueira Jr, bem como os políticos Rogério Ferrarin, Otaviano Pivetta e Carlos Fávaro, e também o advogado e ex-secretário de Estado, Paulo Taques, devem ser, necessariamente, convocados pelo desembargador Orlando Perri para os devidos esclarecimentos.

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Coronel Siqueira Jr, secretário de Zé Pedro Taques, fala sobre escândalo dos grampos ilegais by Enock Cavalcanti on Scribd

Nota Do Desembargador Orlando Perri Reagindo a Declarações Do Coronel Siqueira Jr by Enock Cavalcanti on Scribd

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LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

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CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

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Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

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Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

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