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O GLOBO: A desocupação de Posto da Mata é estratégica para as forças federais, pois dá acesso a pelo menos 12 das grandes fazendas e posses na Terra Indígena Marãiwatsédé que estão em mãos de políticos locais, grandes fazendeiros e até de um desembargador do TJ-MT, Manoel Ornellas

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O desembargador Manoel Ornellas aparece entre os grandes posseiros identificados pelo Ministério Público Federal que estariam ocupando de forma irregular grandes áreas na Terra Indígena


Maioria dos posseiros já deixou área de resistência em Mato Grosso
Prazo para saída de não-índios de terra xavante terminou sexta-feira
Segundo MPF, grandes posseiros eram políticos locais e até desembargador
Cleide Carvalho
O GLOBO
SÃO PAULO – Cerca de 70% dos não-índios que ocupavam o distrito de Posto da Mata, parte da Terra Indígena Marãiwatsédé, em Mato Grosso, deixaram suas moradias na sexta-feira, último dia de prazo dado pela força tarefa federal para desocupação da área. Muitas famílias ainda retiravam mudanças e as prefeituras de Alto Boa Vista e São Félix do Araguaia colocaram caminhões à disposição dos posseiros. Também as forças federais têm veículos para ajudar na mudança de quem quiser ajuda.
Os oficiais de Justiça vão retornar a Posto da Mata na segunda-feira e deverão confiscar os bens de quem não deixar a área. Os responsáveis deverão ser indiciados pelo crime de resistência. Ainda há grupos que resistem em deixar a comunidade, que fica no principal acesso da terra indígena, que pertence ao povo Xavante.
A desocupação de Posto da Mata é estratégica para as forças federais, pois dá acesso a pelo menos 12 das grandes fazendas e posses de que estão em mãos de políticos locais. No total, 455 pessoas foram notificadas a deixar a terra indígena.
Um relatório do Ministério Público Federal (MPF) mostra que um terço das terras estava ocupado por 22 grandes posseiros, entre políticos da região, grandes fazendeiros e até um desembargador do Tribunal de Justiça do Mato Grosso, Manoel Ornellas de Almeida. A fazenda do desembargador tinha 886,8 hectares (ha). A Fazenda Jordão era a maior propriedade individual, com 6.193,99 ha, equivalente a 6 mil campos de futebol, e pertencia a um ex-vice-prefeito de Alto Boa Vista, Antonio Mamede Jordão.
Filemon Gomes Costa Limoeiro, atual prefeito de São Félix do Araguaia, era, segundo o MPF, posseiro da Fazenda Aripuanã e Saraiva, ambas com 565,5 ha. Aldecides Milhomem de Cirqueira, ex-prefeito do município de Alto Boa Vista, e seu irmão, Antonio Milhomem de Cirqueira, tinham seis fazendas dentro das terras indígenas, num total de 2.200 ha. Admilson Luiz de Rezende, ex-vereador de Alto Taquari, tinha três fazendas, com 6.641,3 ha. Somadas, as áreas dos 22 posseiros tinham 43 mil hectares.
Segundo a Secretaria Nacional de Articulação Social, as posses acumulam R$ 158 milhões em multas por crimes ambientais, que nunca foram pagas. Dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que, até 2011, 71,5% da área da TI Marãiwatsédé já haviam sido desmatados. Em 2011, quando os posseiros já previam que teriam de sair, Marãiwatsédé foi a terra indígena mais desmatada do país, seguida pela TI Cachoeira Seca do Iriri, no Pará.
De acordo com o MPF, a primeira decisão judicial que determinou a saída dos não-índios ocorreu em maio de 1995. Em fevereiro de 2011, após a publicação do acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que por unanimidade confirmou a sentença de 1º grau, o MPF requereu o cumprimento da sentença, com a expedição de ordem de desocupação, que só começou, efetivamente, em dezembro passado. Posto da Mata concentrava o principal foco de resistência à determinação da Justiça.

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Presidente diploma cadetes e fala sobre governo: “aqui é mais difícil”

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O presidente Jair Bolsonaro presidiu hoje (27) a cerimônia de formatura de 391 novos aspirantes a oficial do Exército na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende sul do Rio de Janeiro. Bolsonaro fez um discurso de improviso à tropa e evitou falar de política. 

Durante a fala, o presidente relembrou os quatro anos necessários para a conclusão do curso e comparou a jornada à da presidência. “Eu até hoje guardo os ensinamentos que aqui aprendi. Nos momentos difíceis a frente da Presidência da República  eu vejo o que passei por aqui e me conformo dizendo: aqui foi mais difícil.” 

Bolsonaro também exaltou as 23 mulheres que integram a turma e que se formam “mostrando para todos nós que quem tem garra, determinação, força de vontade, coragem e fé consegue atingir os seus objetivos. Parabéns a vocês todas.”  

O presidente atribuiu ao Exército Brasileiro suas conquistas pessoais. “Esta formação marca a vida de todos nós. Essa formação nos fará vencer obstáculos. Lembrem-se de uma coisa: o que for possível nós faremos, o que não for, entregaremos nas mãos de Deus; Ele no dia a dia nos dá exemplos de superação”, afirmou.

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Jair Bolsonaro também afirmou que é papel dos formandos defender a democracia brasileira e a liberdade, além de frisar a necessidade de respeito pela Constituição. “Nós atingiremos o nosso objetivo, que é o bem estar de toda a nossa população.”

Além da defesa de valores, Bolsonaro também discursou sobre a amizade e o companheirismo entre integrantes das Forças Armadas. “Sem gratidão não chegaremos a lugar algum. Quem esquece o seu passado está condenado a não ter futuro”, frisou.

Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, também foi exaltado durante a fala. ”Um homem exemplo para todos nós. E digo a vocês: quem fará o futuro da nossa pátria não será um homem ou uma mulher. Seremos todos nós, 210 milhões de habitantes.”

Duração

Sob sol forte, a cerimônia de formatura dos 391 novos aspirantes a oficial do Exército durou aproximadamente 1h30. No moimento dos aspirantes receberem a espada de Duque de Caxias, Bolsonaro desceu do palanque das autoridades e foi cumprimentar e tirar fotos com familiares de formandos. Ele ficou cerca de 20 minutos no pátio.

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Na cerimônia também estavam presentes, o vice-presidente Hamilton Mourão, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto e os comandantes das três Forças, além de generais.

Edição: Pedro Ivo de Oliveira

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