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CUIABÁ

Direito e Torto

Nesse momento em que Paulo Prado é reconduzido ao comando do MP Estadual, já está mais do que na hora de fazermos uma autocrítica quanto às suspeitas lançadas contra ele e contra o promotor Marcos Regenold nesse confuso episódio da Operação Ararath. O que se diz é que Prado e Regenold estariam esquemados com Éder Moraes, tentando aliviar as coisas para o lado do Maggi. Um pequeno estudo do que se fez até aqui, todavia, nos mostra que os documentos levantados graças à atuação de Prado e Regenold se constituiram em provas fundamentais para as ações cíveis já formuladas, seja pelo MPF seja pelo próprio MPE, contra Éder, contra empreiteiros e mesmo contra Blairo Maggi

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Paulo Prado e Marcos Regenold

Paulo Prado e Marcos Regenold


 
Todo dia tem vazamento relativo à Operação Ararath. Desde que o caso veio à tona – e lá se vão muitos e muitos dias – uma verdadeira hecatombe se abateu sobre o cenário político de Cuiabá. Nunca antes as vísceras de nossa política e dos nossos políticos estiveram tão à mostra, como neste processo.
Mas, vejam só, eu, Enock Cavalcanti, tenho que reconhecer que não existe grande mérito na cobertura que a midia mato- grossense vem dando a este caso – e eu sou um profissional desta mídia que tateia sem conseguir pegar o touro a unha . Estamos diante de uma situação tão ampla, com tantos envolvidos, abrangendo tantas negociatas, que, na maioria dos casos, nossos jornais e nossos jornalistas se deixam enredar pelo embananamento que percebo, também, no plano nacional, na cobertura da Operação Lava-Jato e no chamado escândalo do petrolão.
O segredo de Justiça, em processos contra esse, acaba gerando vazamentos sem fim, que só contribuem para aumentar a confusão. Sabe-se que a roubalheira foi muito grande, mas tem hora que se repete aqui aquela cena do ladrão pego na ladroagem que, espertamente, é o primeiro a gritar “pega, ladrão!” estabelecendo uma troca de posição entre bandidos e mocinhos, polícia e ladrão, repórteres e fonte, enfim, ninguém se entende e a tendencia é o caso se complicar mais ainda.
Claro que não serei eu, pobre blogueiro de interior, a botar a coisa toda em pratos limpos. Inda mais quando se tem um Ministério Público Federal, uma Polícia Federal, um Ministério Publico Estadual, em uma atuação inteiramente sem coordenação, atrapalhada, tocada em ritmo de pastelão. Há que haver, além da autocrítica, um esforço coletivo para a superação diante das deficiências que apresentados, diante do público, na cobertura deste episódio dantesco.
Imagino que foi essa atrapalhação toda que acabou por transformar, nesse episódio, o procurador geral de Justiça de Mato Grosso, o procurador Paulo Prado e seu dileto parceiro, o promotor Marcos Regenold, em pretensos vilões da história, alvos da fúria de entidades populares respeitáveis como o Movimento Organizado pela Cidadania e Moralidade Pública, a Ong Moral.
Dizer que Paulo Prado, gordo e patusco, é um profissional algo descuidado, lerdo, uma espécie de Sargento Garcia do Pantanal, é uma coisa. Pretender caracterizá-lo como possível comparsa de Éder Moraes, Blairo Maggi, Silval e outros quejandos no engendramento de uma série de malfeitos contra os cofres do Estado, que podem ter surrupiado milhões e milhões de reais, é outra coisa bem mais grave e inconveniente.
Por outro lado, o incensamento da procuradora Vanessa Scarmagnani, do MPF, em Mato Grosso, como uma espécie de a irmã mais esperta do Sherlock Holmes e grande moralizadora da coisa pública em nosso Estado, é uma imprecisão, um exagero, uma incorreção já corrigida, aliás, em minha avaliação, pela própria Procuradoria Geral da República, através do procurador geral da República, Rodrigo Janot, quando determinou a formação de uma força tarefa de procuradores, enviados de Brasília, para dar um direcionamento mais cuidadoso e mais competente ao caso, tirando, gentil mas firmemente, das mãos da sra. Scarmagnani o comando das investigações.
Em meio ao corre-corre dessa minha atribulada vida de velho e antiguado jornalista que responde hoje pela editoria de Cultura do Diário de Cuiabá, além de atuar no assessoramento de algumas entidades classistas de diferentes categorias de trabalhadores em Cuiabá, pretendo escrever, nos próximos dias, talvez amanhã mesmo, novos artigos revisando os fatos e procurando situar os personagens como os enxergo neste episódio da Ararath. Espero que tragam informações de algum interesse para o público mais interessado.
Uma coisa lhes digo: inspirado pelo meu amigo Antonio Cavalcante, o Cearazinho, estou disposto hoje a somar ao lado do promotor Marcos Regenold e do procurador Paulo Prado em uma expressiva revisão do papel que exerceram nessa Operação Ararath. Acho que não cabe mais execrá-los, tratá-los como pessoas que estariam desgastando as honradas tradições do MP. Evidentemente que eles cometeram alguns equívocos, como a falta de uma articulação mais profunda com a sociedade organizada (situação que é uma espécie de vício dentro do MP), e também aquela entrevista coletiva desastrada que o procurador geral conduziu aos berros, na sede do MP, arrepiando alguns jornalistas mais delicados. Há erros de parte a parte. Mas não podemos continuar errando se queremos realmente passar Mato Grosso a limpo.
O que se diz é que Prado e Regenold estariam esquemados com Éder Moraes, tentando aliviar as coisas para o lado do Maggi. Um pequeno estudo das evidências, todavia, nos mostra como essa avaliação não se sustenta. É que os documentos levantados graças à atuação de Prado e Regenold, por exemplo, foram fundamentais para as ações formuladas até aqui, seja pelo MPF seja pelo próprio MPE, contra Éder, contra empreiteiros e mesmo contra Blairo Maggi.
Sim, leia essas ações que republico em destaque nesta página. Elas só estão hoje protocolados porque existiram documentos que foram entregues não por Junior Mendonça mas basicamente por Éder Moraes, como resultado do trabalho de formiguinha de Marcos Regenold, e possibilitaram que os promotores Turin, Furio e Sérgio Silvia fizessem as ações que fizeram. E vejam que Éder e Blairo Maggi estão ali, entre os denunciados. Ninguém aliviou para o lado deles.
Mesmo a procuradora Scarmagnani, hoje praticamente afastada da Operação Ararath, ao formalizar sua denuncia contra Éder – ela que mandou invadir a sede do Gaeco, em decisão das mais questionadas, e primeiramente questionada aqui nesta PÁGINA DO E -, para estruturar sua denuncia contra o Éder e outros, ela escreve lá:
 
A PROCURADORA SE RENDE A REGENOLD
A procuradora Scarmagnani não teve a delicadeza de escrever, mas quando ela fala em declarações de Éder prestadas perante o MPE ela está falando em declarações prestadas por Éder perante o promotor Marcos Regenold e demais companheiros. O mesmo Marcos Regenold que ela, pelo que se viu na invasão do Gaeco, tratou como um possível criminoso, um possível comparsa de Éder, vejam só que confusão.
Mas vamos adiante. Voltarei ao assunto. Seria bom que outros setores da mídia investigassem tudo e nos mostrasse aonde, afinal de contas, foi parar o possível indiciamento de Paulo Prado e Marcos Regenold. É preciso calar as bocas de matilde. É preciso reconhecer o que cada um tem feito dentro desta barafunda toda.

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Magistrados faturam alto no TJ-MT e Ong fala em “corrupção institucionalizada”

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Luis Ferreira, Carlos Alberto e Maria Helena, da cúpula do TJ MT

A reportagem que o jornal O Estado de S.Paulo publica hoje, 20 de janeiro de 2021, sobre o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, é o famoso tapa na cara dos cidadãos, eleitores e contribuintes deste Estado.

A revelação do jornalão paulista é que temos um time de 30 desembargadores (em breve serão eleitos mais 9) que vivem à tripa forra, curtindo ganhos astronômicos, às custas dos cofres públicos, sustentados por uma população que, em sua maioria é pobre, semialfabetizada, submetida a uma pobreza constrangedora.

A denúncia vem de São Paulo porque aqui os chamados órgãos de controle parece que fazem ouvidos de mercador para as possíveis patifarias praticadas pelos magistrados, em seu ambiente de trabalho.

Reproduzi a reportagem do Estadão em meu Facebook, e o jornalista Enzo Corazolla veio lá de Alto Paraíso com seu comentário ácido: “O pior é a venda de sentenças, prática habitual. Se gritar pega ladrão…”

Benza Deus. Além dos ganhos nababescos, pelas tabelas oficiais, ainda teríamos um inacreditável ganho por fora que, apesar de muito aventado, não se consegue, com o rolar dos anos, se reprimir.

Espanto. Perplexidade. Raiva. Parece que o patrimonialismo do Estado brasileiro é inescapável, está sempre desabando sobre e nós, e nos cobrando sangue, suor e lágrimas.

Para reforçar os temores do veterano jornalista Corazolla, representantes da Ong Transparência Brasil, ouvidos pelos repórteres do Estadão, cogitam que uma “corrupção institucionalizada” grassaria entre os espertalhões e espertalhonas togadas que atuariam no nosso Tribunal de Justiça.

Como botar em pratos limpos tudo isso, se a Justiça é sempre tão temina, sempre tão inalcançavel?! Os controles de controle, vejam só, não controlam porra nenhuma e, aqui mesmo em Mato Grosso, e nos mesmos espaços de midia nacional, as doutas autoridades do Ministério Público de Mato Grosso já foram deduradas e denunciadas por também engordarem seus ganhos e suas propriedades, com toda sorte de privilégios. Em plena pandemia, que segue matando com destaque os pobres e os filhos dos pobres, promotores e procuradores se divertem com verbas extras para usufluirem da I-phones e seguros de saúde às custas do erário, sempre dilapidado de forma cruel.

Reproduzo, aqui, a matéria do Estadão. E divulgo uma lista com os pretensos ganhos dos desembargadores, em dezembros, que circula pelas redes sociais. E aguardemos novos desdobramentos.

 
LEIA A REPORTAGEM DO JORNAL O ESTADO DE S PAULO: Desembargadores de MT têm extra de até R$ 274 mil – Política – Estadão (estadao.com.br)
 
 

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Lista Com Pretenso Faturamento de Desembargadores Do TJ MT Em Dezembro de 2020 by Enock Cavalcanti on Scribd

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