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Alguma coisa está fora da ordem

Promotora Anizia Tojal entra na briga pelo retorno da balsa que ligava Água Fria e João Carro, em Chapada

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Alguma coisa está fora da ordem

A balsa do rio Quilombo


O Ministério Público de Chapada dos Guimarães, através da 1º Promotoria de Justiça Civil de Chapada dos Guimarães, comandada pela Promotora Anizia Tojal Serra Dantas, acionou o Poder Judiciário do Estado Mato Grosso – Comarca local, através de AÇÃO CIVIL PÚBLICA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER – COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA, contra a Prefeitura da Cidade.
Esta Ação foi motivada pela Notícia de Fato, SIMP nº 000957- 028/2019, apresentada pelo Sr. Cleonir Andrade Faria e outros, em decorrência do fato, já noticiado nesta PAGINA DO E em artigo do Sr. Paulo Bomfim, da Interdição da Balsa Quilombo que fazia a travessia entre o Distrito da Água Fria e a Vila João Carro, pela Marinha do Brasil, no início do mês de julho, portanto, há quase 60 (sessenta) dias. A manutenção da balsa deve ser feita pela prefeitura de Chapada dos Guimarães que diz gastar mais de R$ 100 mil por mês com combustível, equipamentos e salários. Para isso, recebe recursos que vêm da Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH), repassado por Furnas Centrais Elétricas, responsável pela Hidrelétrica de Manso.
A balsa, antes da interdição, estava em estado precário de operação mecânica e, também, não oferecia condições de segurança para a trafegabilidade, pois faltavam boias e coletes salva-vidas, além da ausência da sinalização náutica. Quer dizer, precisava mesmo de uma completa reforma. Pena que essa reforma só venha dessa maneira, impondo sacrifícios a seus usuários.
As comunidades de Chapada dos Guimarães atingidas e prejudicadas pela paralisação do tráfego viário são: PA MAMEDE, PA. QUILOMBO, PÉ DA PRETA, MATA DO CIPÓ, SERTAOZINHO, ÁGUA BRANCA, BIQUINHA, CACHOEIRÃO e CAMPESTRE.
O Processo foi distribuído na data de 19 do mês corrente, tendo lhe sido atribuído a numeração PJE nº 1001193-17.2019.8.11.0024, e está em trâmite na: 2ª Vara – Chapada dos Guimarães.
 

A promotora Tojal


Uma boa notícia, com certeza. Com a intervenção do MP e da promotora Anizia, que começou a atuar como promotora de Justiça em 2017, e pode representar, se se dispuser a isso, um sopro de renovação no tão desgastado Ministério Público de Mato Grosso, a expectativa é que se acelere a busca por uma solução para esta interdição da balsa que tanto angustia comunidades da zona rural de Chapada.
Lá se vão dois meses de sofrimento para os pobres e os filhos dos pobres que ali residem e trabalham. Claro que os donos das chácaras de lazer que se multiplicam na região tem seus 4×4 e sabem encontrar outros caminhos… aqueles que dependem da ação do Estado é que precisam mais urgentemente deste socorro. Se o governo Bolsonaro, com os promotores lavajateiros buscam o desmonte do que existe de Estado de Bem Estar Social, como alegam tantos analistas, e até figuras eminentes do próprio MP, que na Chapada se faça diferente – e se veja o MP sempre atuando em consonância com os interesses maiores e superiores de nossa população.
 

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LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

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CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

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Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

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Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

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