LAICE SOUZA E MÁRCIO CAMILO: Mardem Tortorelli é investigado por possíveis crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência, informa PF. Tortorelli, apontado como “lobista”, convenceria prefeitos a investir recursos da previdência de servidores em empresa de fachada. Tortorelli nega acusação e diz que não recebeu dinheiro por serviço prestado à Investe Investimentos. PF aprendeu 3 carros na casa do advogado nos Florais

Advogado é investigado pela PF por formação de quadrilha

Mardem Tortorelli foi alvo de mandados de busca e apreensão em residência e escritório

LAICE SOUZA / MÁRCIO CAMILO
DO MIDIAJUR E DO MIDIANEWS

O advogado Marden Elvis Fernandes Tortorelli é apontado pela Polícia Federal como “lobista”, em Mato Grosso, de um esquema, com ramificação em nove Estados, que teria movimentado mais de R$ 300 milhões de contas de empresas de fachadas.

A Polícia Federal informou que ele é investigado pela prática dos crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência.

Tortorelli seria o responsável por convencer prefeitos a investir recursos, de fundo de previdência de servidores públicos, em uma empresa de fachada, a Investe Investimentos Inteligentes.

Os prefeitos, ou gestores dos fundos de previdência dos municípios, aplicavam o dinheiro e, parte do lucro obtido, era desviado para empresas de fachadas.

A PF já teria identificado cerca de 30 empresas que teriam recebido os valores desviados.

Carros apreendidos

O escritório de Tortorelli em Cuiabá, no bairro Santa Rosa, e sua residência, no condomínio Florais Cuiabá, foram alvos do cumprimento de dois mandados de busca e apreensão, na manhã desta quinta-feira (19).

Na sede da Polícia Federal já estão apreendidos três carros de propriedade do advogado – um Audi, uma Toyota Hilux SW4 e um Fiat Freemont.

Além disso, a polícia levou documentos e computadores de sua residência e de seu escritório.

Após a oitiva, ele será liberado, pois não há contra o advogado nenhum mandado de prisão.

Toda a investigação foi realizada pela Polícia Federal em Brasília.

Outro lado

O advogado Marden Tortorelli negou envolvimento com o esquema investigado pela Polícia Federal.

Ele disse, em depoimento nesta manhã (19), na sede da PF, em Cuiabá, que “apenas prestou serviço de consultoria jurídica” para a empresa Investe Investimentos Inteligentes.

O advogado disse também que o contrato que a Investe tinha com as prefeituras era para fazer o mapeamento financeiro do ente municipal, para “gerar melhor fluxo de caixa nos cofres públicos”.

“Eu era responsável pela parte legal, de dizer o que estava juridicamente certo ou errado”, afirmou.

Questionado sobre a relação contratual dele com a empresa, Tortorelli disse que “não tinha nenhum contrato de trabalho assinado”.

“Não recebi nenhum dinheiro pela prestação do serviço”, ressaltou.

Investigação

A Polícia Federal deflagrou hoje (19) a Operação Miqueias, com o objetivo de desarticular duas organizações criminosas acusadas de fazer lavagem de dinheiro e má gestão de recursos de entidades previdenciárias públicas. Foram escalados mais de 300 policiais para cumprir 102 mandados judiciais.

Segundo a PF, estão sendo cumpridos 75 mandados de busca e apreensão, cinco prisões preventivas e 22 prisões temporárias em dez unidades federativas: Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Amazonas e Rondônia.

Em nota, a PF informa que investiga há um ano e meio lavagem de dinheiro por meio das contas bancárias de empresas de fachada ou fantasmas, abertas em nome de laranjas. Na ocasião, foi verificada a existência de uma holding de empresas que consistia em um verdadeiro serviço de terceirização para lavagem do dinheiro proveniente de crimes diversos.

O dinheiro era creditado nas contas bancárias das empresas investigadas, e os valores ilícitos ficavam circulando pelas demais contas ligadas à quadrilha, de onde eram sacados. Em 18 meses, foram sacados mais de R$ 300 milhões. Para não chamar a atenção dos órgãos de fiscalização, os criminosos substituíam periodicamente os laranjas e empresas envolvidas no esquema.

A PF identificou diversas “células criminosas da organização”, divididas em três núcleos. De acordo com os investigadores, os criminosos contavam com a ajuda de policiais civis do Distrito Federal. Os líderes da organização também faziam aliciamento de prefeitos e gestores do Regime Próprio de Previdência Social a fim de que aplicassem recursos de entidades previdenciárias em fundos de investimentos com papéis pouco atrativos, geridos pela própria quadrilha e com alta probabilidade de insucesso.

Esses fundos eram formados por “papéis podres” e “foram verificados prejuízos no patrimônio desses regimes previdenciários”, segundo a PF. Os prefeitos e gestores que aderiram ao esquema eram remunerados com um percentual sobre o valor aplicado.

 

————–

PF faz busca e apreensão de documentos na residência e no escritório do advogado Marden Tortorelli em Cuiabá

por Edina Araújo/VG Notícias

A Polícia Federal deflagrou no início da manhã desta quinta-feira (19.09), a Operação Miquéias, que cumpre 27 mandados de prisão e 75 de busca e apreensão em nove Estados brasileiros, entre eles, Mato Grosso.
Segundo fontes do VG Notícias, em Cuiabá, foi feito busca e apreensão no escritório do advogado Marden Euvis Fernandes Tortorelli, na rua Canadá, bairro – Santa Rosa. O presidente da OAB/MT, Maurício Aude foi informado da operação hoje pela manhã – e destacou o presidente do Tribunal de Defesa das Prerrogativas dos Advogados, o Luiz da Penha, para acompanhar o caso. Marden esteve na Polícia Federal prestou esclarecimentos e foi embora. Aude também esteve na sede da PF acompanhando o colega.
Conforme a Polícia Federal, as investigações começaram há um ano e meio para apurar lavagem de dinheiro – por meio da utilização de contas bancárias de empresas de fachada ou fantasmas, abertas em nome de “laranjas”. Nos dezoito meses de investigação, a polícia estima que foram sacados mais de R$ 300 milhões de reais nas contas dessas empresas.
A Polícia Federal disse que detectou a existência de um “verdadeiro serviço de terceirização para lavagem do dinheiro proveniente de crimes diversos”. Nas investigações foi detectado ainda pela PF, que policiais civis do DF eram responsáveis pela proteção da quadrilha.
Já foram presas mais de 16 pessoas no início da operação, só no Distrito Federal já foram presas 14 pessoas. Também foram apreendidos 16 carros importados e uma lancha.
A organização criminosa aliciava prefeitos e gestores de Regimes Próprios de Previdência Social para que eles aplicassem recursos das respectivas entidades previdenciárias em fundos de investimentos com papéis geridos pela quadrilha, o que configurava o desvio dos recursos. Os prefeitos e gestores dos regimes próprios de previdência eram remunerados com um percentual sobre o valor aplicado.
Irregularidades – De acordo com a polícia, foram confirmadas irregularidades especificamente nos Regimes Próprios de Previdência Social das seguintes prefeituras: Manaus/AM, Ponta Porã/MS, Murtinho/MS, Queimados/RJ, Formosa/GO, Caldas Novas/GO, Cristalina/GO, Águas Lindas/GO, Itaberaí/GO, Pires do Rio/GO, Montividiu/GO, Jaru/RO, Barreirinhas/MA, Bom Jesus da Selva/MA e Santa Luzia/MA.
Os presos devem responder por gestão fraudulenta, operação desautorizada no mercado de valores mobiliários, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

Categorias:Cidadania

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

7 − 2 =