JULIER: Governo Silval vai deixar um grande legado

 

Julier Sebastião diz que é candidato a honrar, na disputa eleitoral que se aproxima, as transformações que estão acontecendo em Mato Grosso, por conta  do trabalho conjunto desenvolvido pelo governo da presidenta Dilma e do governador Silval Barbosa

Julier Sebastião diz que é candidato a honrar, na disputa eleitoral que se aproxima, as transformações que estão acontecendo em Mato Grosso, por conta do trabalho conjunto desenvolvido pelo governo da presidenta Dilma e do governador Silval Barbosa

Para Julier, obras encobriram gestão

Em busca de uma candidatura ao Palácio Paiaguás pela base governista, ex-juiz federal adotou postura de defensor do governo Silval Barbosa

DINALTE OLIVEIRA/DC
Nome: Julier Sebastião da Silva
Idade: 44 anos
Estado civil: Casado, pai de duas filhas
Formação: Direito

KAMILA ARRUDA
DIÁRIO DE CUIABÁ

Com o intuito de convencer os partidos da base aliada de que é melhor nome para representá-los na disputa pelo comando do Palácio Paiaguás em outubro deste ano, o ex-juiz federal Julier Sebastião da Silva (PMDB) não poupa elogios à administração do governador Silval Barbosa (PMDB).

Para o mais novo peemedebista, as ações do atual chefe do Executivo estadual estão encobertas pela “poeira” das obras da Copa do Mundo, o que tem dificultado o reconhecimento de sua gestão por parte da população.

Em entrevista ao Diário, o ex-magistrado afirma que quer disputar a eleição para dar continuidade e direcionamento ao legado ‘pós-Mundial’. Em busca deste sonho, Julier abandonou uma carreira de mais de 19 anos na Justiça Federal que, segundo ele, deveria elevá-lo ao cargo de desembargador ainda neste ano.

DIÁRIO – O que motivou o senhor a tomar esta decisão de deixar a magistratura para seguir a carreira política?

JULIER SEBASTIÃO DA SILVA – Após quase 19 anos de magistratura, a partir do dia 2 deste mês, eu deixei de ser juiz federal. Foi uma carreira longa, quase duas décadas como juiz federal, passando por diversos cargos. Foi uma vida muito grande do ponto de vista da Justiça Federal como magistrado. Neste período dei inúmeras decisões de caráter regional e até mesmo internacional, destacando a questão do crime organizado e também aquelas envolvendo o princípio da reciprocidade e o fichamento de brasileiros em território americano. É um trabalho reconhecido pela população e, obviamente, eu seria em pouco tempo desembargador federal.

A razão de deixar uma carreira sólida como esta para embarcar na política foi a necessidade de que pessoas com este perfil, com esta característica, se arrisquem em outra instância pública, que é a política. Isso me motivou. Acho que posso fazer mais neste sentido, além daquilo que já fiz como magistrado. Este desejo de poder contribuir com o meu Estado foi o que me motivou, foi o que me fez pensar em deixar esta carreira tão sólida.

DIÁRIO – O senhor tem algum plano para sua carreira profissional, caso seus objetivos políticos não sejam atingidos na eleição deste ano?

JULIER – Fui magistrado durante todo este período, fui procurador do Estado de Mato Grosso, já fui advogado da Comissão Pastoral da Terra também, ou seja, do ponto de vista jurídico, sei um pouco de Direito. Então, volto para minha atividade original: a advocacia.

DIÁRIO – Antes de deixar a magistratura, o senhor julgou um caso polêmico em que absolveu o senador Blairo Maggi (PR) que hoje está no mesmo grupo político que o senhor. O senhor não acredita que poderia evitar este desgaste deixando para outro juiz apreciar este caso?

JULIER – Não existe meio-juiz. Juiz é juiz. Eu fui juiz do dia em que tomei posse, em 1995, até o último dia em que trabalhei como juiz. É assim que funcionam as instituições e não há qualquer reparo para ser feito neste aspecto.

DIÁRIO – Como o senhor vê a defesa dos réus deste caso que alegam sua parcialidade no julgamento deste processo?

JULIER – Isso já não me diz respeito mais. Não sou mais juiz.

DIÁRIO – Com relação à operação Ararath, na qual o senhor foi um dos investigados, qual seu envolvimento?

JULIER – Eu tenho uma história muito sólida em Mato Grosso, principalmente por ter contribuído para que cadáveres não mais permanecessem nas ruas. Então, a minha história, por si só, já é um aspecto que me dá credibilidade para questionar este tipo de ação. Evidentemente que nós vivemos num regime democrático. Acho que há duas questões que devem guiar qualquer cidadão. Do ponto de vista concreto, ou seja, do fato em si, na democracia, quem acusa tem que provar. Eu, particularmente, não vejo nenhum problema em qualquer investigação. Acho que, se há qualquer possibilidade de questionamento, investiga-se. No meu caso específico, meus pertences já foram devolvidos, nos sigilos bancário, fiscal e telefônico nada foi encontrado. Não há nenhuma razão para que se inviabilize as investigações, eu sou a favor. Se você tiver o seu nome envolvido em qualquer história, deve ser investigado, mesmo neste caso, em que fui citado por terceiro, falando aspectos que não são verdadeiros.

DIÁRIO – Como ser uma grande liderança num partido que tem como principal cacique o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB)?

JULIER – O partido ao qual me filiei tem uma história muito profunda com a história brasileira, um enraizamento muito grande com a democracia brasileira. É um partido essencialmente democrático e eu, como filiado à sigla, milito e pretendo dar minha contribuição para o engrandecimento do partido, para o engrandecimento do Estado.

Respeito todas as lideranças partidárias e é esta conduta que deve ter aquele que pretende se juntar com aqueles que já são filiados ao partido.

DIÁRIO – E como foi a recepção do deputado, tendo em vista que o senhor, como juiz federal, já mandou prender pessoas ligadas a ele?

JULIER – O deputado Carlos Bezerra também tem uma história ligada à democracia brasileira. Ele entende perfeitamente como funcionam as instituições no Brasil. Fui muito bem recebido pelo deputado e por todos os companheiros do PMDB, tanto pela Executiva regional como por parte da Nacional. Foi uma acolhida que me honrou muito.

DIÁRIO – O senhor deixou a magistratura com o desejo de disputar o comando do Palácio Paiaguás em outubro. O PMDB, no entanto, não lhe deu nenhuma garantia quanto a isso. Como está sendo tratada sua possível candidatura ao governo dentro do partido?

JULIER – Sou filiado ao partido em igualdade de condições com qualquer filiado da nossa agremiação e vou discutir internamente, como já venho fazendo, com as lideranças do partido e, em seguida, com as lideranças do arco de aliança. As candidaturas devem ser discutidas, pactuadas, de forma que se dê continuidade àquilo que vem sendo realizando pelo governador Silval Barbosa (PMDB) e pela presidente Dilma Rousseff (PT). Para mim, este é o encaminhamento básico. Temos que discutir como será o Mato Grosso ‘pós-Copa do Mundo’, reconhecer todo este trabalho feito pelo governo do Estado até agora, enfim.

Mato Grosso, assim como o Brasil, assumiu o compromisso de fazer a Copa do Mundo e, desde o final do governo Blairo Maggi (PR), passando pelo governo do Silval, os únicos aspectos relevantes que têm sido notados são as obras da Copa. Toda obra gera poeira, mas esta em específico tem encoberto aquilo que o Estado tem feito. Não é só obra de Copa do Mundo. Durante este período, se nós tirarmos esta poeira e descortinarmos o Estado, vamos ver que o Estado não parou por conta da Copa. Mato Grosso continua crescendo. Nós, por exemplo, continuamos sendo um dos melhores portos de exportação da balança comercial brasileira, ou seja, somos um dos estados que sustentam a nossa balança comercial. Nós, hoje, somos autossuficientes no que diz respeito a energia, produzimos energia para exportar. Então, nós temos um aspecto de gargalo resolvido. Hoje temos energia o suficiente para que possamos ter a instalação de agroindústrias, sem precisar reivindicar corredores de acesso para os grandes centros. As obras de logística e infraestrutura, a partir de investimentos do governo federal, são notadas em todos os estados, como, por exemplo, a instalação da ferrovia de Rondonópolis.

Então, vejam que, durante este período, nós conseguimos aumentar a nossa renda do ponto de vista econômico. Existem vários aspectos que ficaram encobertos por conta da obra da Copa do Mundo. Os jogos acontecem em junho, este governo termina no fim do ano e vai deixar um grande legado. Por isso, afirmo que a discussão para a escolha do próximo governo tem que girar em torno disto: de qual o papel, de como vamos construir este Estado ‘pós-Copa do Mundo’, a partir de todos esses investimentos que tivemos durante os últimos quatro anos.

DIÁRIO – O senhor deixou a magistratura com a exclusiva intenção de concorrer ao governo do Estado. No entanto, diante das dificuldades do grupo governista em escolher um nome para a disputa, existe a possibilidade de o senhor vir a disputar outro cargo, inclusive no Legislativo. É isso?

JULIER – O meu desejo pessoal é concorrer ao governo do estado de Mato Grosso. Poder honrar meus irmãos mato-grossenses com uma administração justa, moderna e equilibrada, alçada no respeito e na dignidade da pessoa humana, com melhor distribuição de renda. Mas isso é apenas um desejo pessoal. Sou filiado a um partido que tem uma grande história e possui diversas lideranças importantes. Um partido que tem uma base aliada ajudando na administração, também com lideranças respeitáveis e com iguais condições de assumir esta missão. Portanto, não podemos construir qualquer candidatura ao governo sem que se leve em consideração a opinião dos companheiros, tanto do PMDB quanto dos partidos do arco de alianças. Eu tenho um desejo pessoal, que depende de outros aspectos políticos, fruto de construção. Mas eu me sentiria muito honrado se meus companheiros me possibilitassem a oportunidade de conduzir este processo, esta missão, que é dar continuidade neste trabalho iniciado pelo governador Silval Barbosa (PMDB).

DIÁRIO – Isto quer dizer então que concorrer a cargos no Legislativo está descartado?

JULIER – Disse que tenho um desejo pessoal, mas, independente disso, obviamente, vou fazer aquilo que o partido desejar. Se o partido achar que não deva ser isso, vou discutir com o partido sem qualquer problema.

DIÁRIO – Já é fato que, caso o senhor seja o escolhido da base governista, irá disputar a eleição com o senador Pedro Taques (PDT). O senhor, que é amigo pessoal dele, como se preparar para esta disputa?

JULIER – Esta questão de posicionamento político depende do lado que você escolhe. Eu, particularmente, tenho lado. Estou ao lado da presidente Dilma e do governador Silval Barbosa, bem como de toda a base aliada. É em cima deste lado que nós vamos construir qualquer projeto político-eleitoral.

DIÁRIO – Inicialmente o senhor cogitou se filiar ao PT. Algumas lideranças a legenda, inclusive, já davam como certa sua adesão e já trabalhavam sua pré-candidatura. O que fez senhor mudar de ideia? A postura do ex-vereador Lúdio Cabral de lançar seu nome ao governo interferiu nesta decisão?

JULIER – Minha escolha pelo PMDB se deve à história do PMDB, à sua inserção na sociedade brasileira, à forma como dialoga com suas lideranças políticas partidárias, ao reconhecimento de que o PMDB hoje se mostra presente em todo o Estado com um projeto municipalista, que me agrada muito, enfim. Há uma história muito forte de luta contra a ditadura. O partido tem uma história muito rica, muito profunda, e eu optei por este partido por conta de tudo isso. Este é o fundamento básico!

Fui convidado por outras agremiações e reconheço em todas elas um papel muito forte de respeito. Agradeço a todos: PT, PCdoB, PR e a todos os demais que me convidaram para somar forças. Me senti muito honrado, mas, evidentemente, que política deve ser calcada por aquilo que você planeja para a sociedade e, neste sentido, me sinto muito envaidecido de pertencer ao PMDB e estar discutindo um projeto profundo de melhoria na qualidade de vida.

DIÁRIO – A base governista hoje tem uma porção de nomes colocados para a disputa ao governo do Estado e nenhuma definição quanto ao assunto. Como o senhor vê esta situação?

JULIER – A construção de uma candidatura majoritária passa pela harmonia de interesses dos partidos da base aliada. Neste sentido, é legítimo que cada partido tenha o seu nome e a sua expressão política que o defenda, bem como é legítimo que em determinado momento esta mesma base possa escolher aquele que terá a missão de dar continuidade a este legado ‘pós-Copa do Mundo’, que vai ser deixado pelo governador Silval Barbosa. Então, acredito que a palavra-chave para isto é diálogo. Vamos dialogar!

DIÁRIO – A grande maioria das lideranças da base aliada defende a candidatura do senador Blairo Maggi (PR) ao governo do Estado. O senhor também acredita que ele seja o nome em potencial do grupo para desbancar a candidatura de Pedro Taques?

JULIER – Todo filiado aos partidos políticos da base de sustentação do governador Silval Barbosa têm a legitimidade e a representatividade para postular qualquer indicação. Ao que sei, formalmente, a hipótese desta candidatura foi negada pelo próprio senador [Maggi]. Então, eu trabalho com aquilo que é formal e acho que qualquer filiado tem o direito de fazer isso, primeiro no seu partido e depois na base.

DIÁRIO – Para encerrar, gostaria que o senhor fizesse uma avaliação geral da gestão do governador Silval Barbosa (PMDB), apontando um ponto positivo e outro negativo de sua administração.

JULIER – O governador Silval tem governado em harmonia com a presidente Dilma Rousseff (PT). Isto, sem dúvida nenhuma, é um dos pontos altos de sua administração, que permitiram que, ao mesmo tempo, Mato Grosso cumprisse sua responsabilidade assumida de promover a Copa do Mundo e propiciou que projetos estruturantes fossem executados. Os investimentos na economia, através de crédito e parceria público-privadas, são reais. Este legado que está escondido pela poeira da Copa é muito forte e edificante, o qual considero um grande aspecto positivo que o governador irá deixar.

DIÁRIO – E o negativo…

JULIER – Eu acho que não tem esta avaliação de governo negativo, até porque ninguém é uma perfeição. O importante é o legado que irá deixar para que o próximo possa continuar o desenvolvimento.

Categorias:Jogo do Poder

4 Comentários

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  1. - IP 189.59.38.240 - Responder

    Nunca administrou nada,e agora quer administrar o Estado de MT,tem tudo para dar muito errado!

  2. - IP 177.221.96.140 - Responder

    Tem tudo a ver o Julier filiado no PMDB. Renan, Sarney, Jader Barbalho, Delfim Neto Romero Jucá, Valdir Raup, todos aprovam.

    Mas o que ele queria mesmo era ser filiado de novo no PT. Pallocci, Delúbio, Zé Dirceu, Zé Genoino, André Vargas, todos aprovariam.

    Coitado do Julier, entrando na Política sem saber onde encontrar o seu ninho. Ninho??? de Tucanos??? Será que estes também aprovariam o ex-magistrado??

    É bem provável, mas e o Julier, teria topado??

  3. - IP 179.216.214.191 - Responder

    E O LAUDO DOS MAQUINÁRIOS?
    EXISTIRIAM 705 MÁQUINAS PARA ALÉM DAS NOTAS FISCAIS…?
    ONDE E COMO ESTARIAM ELAS…?
    E PORQUE A DILMA TEM ENTREGUE TANTAS MÁQUINAS EM MT SE ESSE ESTÁ 100% EQUIPADO?

  4. - IP 200.96.143.233 - Responder

    Dr. Julier Sebastião vai ser um grande Governador,preparado intelectualmente e principalmente comprometido com as causas sociais.Administrador pensa apenas em números,negócios,precisamos de alguém que pensa e defenda o ser humano,as pessoas,o povo,que é a essência da sociedade e da vida!!

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