JOSÉ ORLANDO MURARO, padecendo com o frio em Chapada dos Guimarães, explica o que um matemático sérvio e um calendário de pedra têm a explicar sobre o excesso de chuvas neste ano de 2012

José Orlando Muraro é advogado agrarista e morador da Chapada dos Guimarães

O que um matemático sérvio e um calendário de pedra têm a explicar sobre o excesso de chuvas neste ano de 2012

por JOSÉ ORLANDO MURARO SILVA

 

 

Um frio danado, acompanhado d´uma chuva fina, persistente, que vai impregnando os ossos e mergulha Chapada em uma nuvem etérea, neblina mágica, que combina com um bom vinho e uma pizza ( no almoço???)…..

Estamos sem cebola, sem alho, sem shoyo, o café no final do pacote….mas ninguém quer se arriscar a sair neste tempo para fazer compras…nem pensar….aliás…só de  pensar, dá vontade de  voltar para a rede e se embrulhar todo no cobertor…

Milutin Milankovitch, matémático e geofísico sérvio. É conhecido por seus estudos sobre a idade do gelo e sua relação com a órbita da Terra

Milutin Milankovitch, matémático e geofísico sérvio. É conhecido por seus estudos sobre a idade do gelo e sua relação com a órbita da Terra

Decidimos fazer um “yaqui-sobra”, juntando tudo que tínhamos na geladeira e cozinhar com arroz, meio risoto, coisa do tipo.

Ano de 2012, o último dos baktuns dos maias, de 5.125anos, de um grande circulo de CINCO baktuns: exatos 25.625 anos!!!

Descartes, o francês que estabeleceu a frase  Cogito, ergo sum, como dístico em sua vida diária, escreveu que tudo aquilo que não pudesse ser expresso pela MATEMÁTICA, ou não tinha importância, ou não existia,  na realidade.

Nós nos acostumamos com a tradução positivista do seu dístico: Penso, logo Existo, que, na realidade, foi uma fórmula de consenso com a Inquisição católica, já meia banguela e titubeante na arte de queimar filósofos. Ou seja, PENSAR podia…..mas parasse por aí.

Em latim, “pensar” tem um verbo próprio, específico (pensare) e COGITARE tem outro significado:IMAGINAR e mesmo DUVIDAR…mas duvidar não era bem visto pela Inquisição…extrapolava o permitido pela Igreja católica….a tradução correta do dístico de Descartes é: DUVIDO, LOGO EXISTO!

Mas voltando à MATEMÁTICA e ao clima maluco que podemos observar, vale escrever sobre um  sérvio e suas conclusões matemáticas sobre o tempo: Milutin Milankovitch (1879-1958), um engenheiro  e matemático, que passou muito tempo sentado nos bancos dos cafés em Budapeste e Belgrado, fazendo contas e unificando os diversos movimentos da astronave chamada Terra

Lançando mão das medições feitas pelos astrônomos nos últimos 400 anos, tais como Tycho Brahe, Galileu, Kepler, Copérnico, Newton e outros, Milankovitch apresentou em 1920, os CÁLCULOS que sustentavam a  seguinte teoria, já antes propagada por alguns  dos ilustres acima citados: A. A Terra não possui somente DOIS movimentos: rotação ( dia e noite) e translação ( um ano em torno do Sol), mas sim CINCO movimentos, a saber os faltantes:

i. EXENTRICIDADE- movimento em torno do Sol, que descreve desde um círculo até uma elipse, com o Sol em um foco deslocado do centro, e leva cerca de 120 mil anos para se completar.

ii. OBLIQUIDADE- a variação entre  o eixo magnético e o eixo geográfica da Terra. Hoje em 23,4º, mas que varia de 22,1º a 24,5º, em um período de 41 mil anos.

… iii. PRECESSÃO- o movimento de “pião-bobo”, de tal forma que na atualidade, o eixo do pólo MAGNÉTICO aponta para a estrela POLARIS, mas daqui a 12 ou 13 mil anos, estará apontando para a estrela Vega ( Constelação de Libra)

 

A combinação destes TRÊS outros movimentos em  fórmulas matemáticas, apontava para a conclusão de que, de tempos em tempos, a Terra esteve mergulhada  em períodos ou eras GLACIAIS.

Ou seja, a MATEMÁTICA era taxativa- os períodos e eras glaciais apresentavam uma CONSTANTE, ou seja, ocorriam de tempos em tempos, quando se combinavam estes TRÊS movimentos do planeta Terra.

As duas grandes obras publicadas por Milutin Milankovitch já ostentavam no título o papel da matemática na questão.

Em 1920, Milankovitch publicou a «Théorie mathématique de phénomènes thermiques produits par la radiation solaire, Gauthiers-Vilars, Paris» com cálculos realizados não só relativamente à Terra mas igualmente para Vénus e Marte, o que é  notável.

Em 1930 publica, em alemão, a introdução do segundo manual de climatologia,  com o título Mathematische Klimalehre und astronomische Theorie der Kilmaschwankungen (Ciência matemática do clima e teoria astronômica das variações do clima).

Apesar de que todas as conclusões de Milankovitch serem calcadas na matemática, só recentemente, com as perfurações no Ártico, notadamente no Logo Vostok (Rússia), as colunas de gelo, retiradas dos 4 mil metros de profundidade, atestaram, sem sombra de dúvidas, que os períodos e eras glaciais confirmam os cálculos do matemático sérvio. Hoje vários institutos científicos estão refinando tais cálculos, mas na essência, a teoria matemática está correta.

De tudo isto, o que me interessa é o movimento da PRECESSÃO, o bamboleio da Terra sobre seu eixo, como um pião em final de movimento. Ou seja, a cada 12 a 13 mil anos, quando o eixo magnético aponta para a estrela Vega, a Terra está afastada do Sol, mergulhada em um período glacial ( quando isto ocorre combinado com a maior excentricidade, aí estamos em plena ERA glacial, com gelo até na linha  do Equador por milhares de anos…)

Quando voltamos no tempo, constatamos que as civilizações egípcia ou chinesa, não têm mais do que cinco mil anos…… que a agricultura começou , no máximo, há 10 mil anos….que a presença de humanos na América Latina não se comprova além de 7 mil anos atrás…

Em resumo, tudo o que sabemos enquanto civilização humana ATUAL está circunscrita aos últimos dez mil anos, ou seja, no último retorno do eixo da Terra da estrela Vega para Polaris….

Tudo bem, no solstício de verão deste ano, em 21 de dezembro de 2012, a Terra completa o meio-ciclo da Precessão, estando mais próxima do Sol  nos últimos doze a treze mil anos. Depois ela começa a recuar, em direção ao novo período glacial, até se orientar pela estrela Vega…

Legal, até aí, a matemática  do Milankovitch explica…..e a proximidade da  terra com o Sol aumenta a evaporação… com o conseqüente aumento do período e volume de chuvas….

Agora, inexplicável é o calendário maia….que estabelece corretamente o período da precessão…..dividindo-o em CINCO períodos de 5.125anos…ou seja….25.625anos…. e pior…..estabelece, assim como a ASTRONÔMIA, a data de 21 de dezembro de 2012 como o final de um ciclo completo de cinco baktuns…. e o recuo da Terra em direção a um novo período glacial…

Tanto a matemática de Milankovitch como a do  calendário maia, na essência, descreve o mesmo fenômeno da Precessão…. com períodos próximos e fixando o solstício de verão DESTE ANO DE 2012 como data para o início de um novo ciclo…

Não tenho as respostas….. mas é algo instigante…um engenheiro e professor sérvio sentado nos cafés das capitais européias estabelece  matematicamente datas e períodos que um povo, perdido nas selvas da América Central, já havia estabelecido em um calendário de pedra…. e que as colunas de gelo da Estação Vostok confirmaram….

Quando observo este tempo de chuvas extemporâneas, penso em tudo isto, mastigando e engolindo o “yaki-sobra’…. tem coisas que você constata, mas não consegue explicar….. o trinômio “maias-precessão-Milankovitch”  é um verdadeiro Triângulo das Bermudas do conhecimento moderno…

—–

Jose Orlando Muraro Silva, advogado agrarista, aluno de geologia da UFMT e morador de Chapada dos Guimarães .

PS – Milankovitch teorizou que a inclinação do eixo da Terra nem sempre é de 23,5°. Há uma certa oscilação com o passar do tempo. Ele calculou que a inclinação muda entre 22,1° e 24,5° dentro de um ciclo de cerca de 41.000 anos. Quando a inclinação é menor, os verões são mais frios e os invernos, menos rigorosos. Quando a inclinação é maior, as estações são mais extremas. Como isso afeta o clima em geral? Embora os invernos possam ser menos rigorosos, eles ainda serão frios o suficiente para nevar em áreas distantes do equador. E, se os verões são mais frios, é possível que as neves do inverno nessas latitudes mais altas não derretam tão facilmente. A neve irá se acumular de ano a ano, formando geleiras. Milankovitch teorizou que a inclinação do eixo da Terra nem sempre é de 23,5°. Há uma certa oscilação com o passar do tempo. Ele calculou que a inclinação muda entre 22,1° e 24,5° dentro de um ciclo de cerca de 41.000 anos. Quando a inclinação é menor, os verões são mais frios e os invernos, menos rigorosos. Quando a inclinação é maior, as estações são mais extremas.

 

5 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 201.10.151.26 - Responder

    Nossa. Acho que o Muraro andou tomando chá de cogumelo com vinho nesse frio. Que que é isso meu.

  2. - IP 200.193.252.1 - Responder

    Olá Zé, como vai. continua inspirado.
    Um abraço amigo.
    Vera hHeep

  3. - IP 200.193.252.1 - Responder

    Muraro, se tiver email ou face me add. o meu é [email protected]
    Estou morando no Acre, seria muito bom ter noticias suas.
    Abraço.
    Vera Heep

  4. - IP 187.106.149.100 - Responder

    Olá José Orlando…Bom saber que vc continua polêmico….Como estão seus pais, suas irmãs??Dê notícias, gostei de ti ver por aqui.Abraço.

  5. - IP 189.59.47.76 - Responder

    Dr. José Orlando. Sou advogado e tenho enorme precisão de conversar com o Senhor. O assunto versa sobre sesmarias e registro paroquial de terras. Por favor, retorne informando vosso telefone.
    Atenciosamente.
    TARCIZIO CAMARGO

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

dez − cinco =