JOSÉ ORLANDO MURARO: Nestes tempos de coronavirus, entre álcool gel e álcool líquido, vou ficar com este!

Muraro

Coronavirus: miscigenação, memória imunológica e “fake science”

POR JOSÉ ORLANDO MURARO

 

O que está na ordem do dia é a única coisa que a gente lê, vê e sente.

Em 1994, estava  em Porto Velho, no último ano da Faculdade de Direito. Uma epidemia de  cólera (Vibrio Cholerae) chamado de El Tor, se disseminava pelo Peru e avançava para dentro do Brasil.

Um caos em Porto Velho. Companheiros de faculdade, no intuito de proteger suas famílias, vendiam o que tinham e se mudavam para Estados da região Sul. Ficar o mais longe possível da cólera.

Muito pouca coisa aconteceu, a não ser o pânico. Houve  algumas mortes, mas o cólera permaneceu sobre controle. Tempos depois sumiu dos noticiários locais.

Outro dia tropecei em um artigo no Informe Epidemiológico do SUS. O título: Os primeiros cinco anos da sétima pandemia de cólera no Brasil, de Moacir Gerolomo (Fundação Nacional de Saúde) e Maria Lúcia Fernandes Penna  ( Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

O estudo é de 1999, mas é de cair a casa.

Os autores, através de dados do próprio Ministério da Saúde demonstram que o cólera é endêmico no Brasil. Não foi extinto e continua a infectar pessoas.

Fiquei sentado sobre a bunda e pensando: cólera, febre amarela, malária, lepra (hanseníase), leishmaniose , mordia de cobra, cachorro louco, tuberculose, zica, chukungaia, AIDS, etc…etc…et coetera…. E, por último, o coronavirus….

Fiquei de cara. Pela primeira vez na minha longa vida, tentei abarcar, no pensamento, toda a imensidão e a complexidade  do Sistema de Saúde Pública no Brasil!!

É uma loucura…absurdo….

Tinha uma amiga que recebia, todo mês, pelo correio, os comprimidos  para controle da hanseníase (lepra). Isto naquela imensidão de Rondônia.

Penso que fui vacinado umas dez vezes contra a febre amarela.Toda vez que saia de Rondônia, eu nunca encontrava o comprovante que já estava vacinado. E tome outra vacina na volta!

E vem a pergunta: como o povo brasileiro resiste a tantas e tantas endemias, pandemias, picada de cobra, mordida de cachorro louco, e mais…e mais coisas?

A primeira coisa, que tem que se reconhecer, é que existe um Sistema de Saúde Pública que agüenta pancada e enfrenta situações de graves e grandes proporções.

Lembro-me da Revolta da vacina, em 1913, quando Osvaldo Cruz determinou que o cidadão seria vacinado obrigatoriamente contra a febre amarela. Foi uma revolta que paralisou  o Rio de Janeiro, a capital do Brasil.

Até este acontecimento, não se tinha a noção de um Sistema de Saúde Pública.  No máximo, quando Caxias assumiu o comando das forças da Tríplice Aliança, ele determinou a separação dos soldados por doenças: gonoréia para um lado, sífilis para outro e tuberculose lá atrás.

E mandou tratar as putas ( vivandeiras) que acompanhavam as tropas.

E só moveu o exército depois da profilaxia das doenças. Suportou críticas porque a tropa não se movia.

-Soldado doente não serve para nada, disse ele.

Este fato envolvendo Caxias, até onde li, foi a primeira vez  que o Poder Público chamou para si a responsabilidade de enfrentar  doenças, com aquele número exagerado de soldados e putas de três Nações.

Esta epidemia do coronavírus me deu a oportunidade de tentar entender  toda a grandiosidade e complexidade do Sistema de Saúde Pública no Brasil. Mesmo que a maior parte dos esforços seja para conter o coronavirus, todos os outros programas, contra lepra, zica, febre amarela, vacinação de cães, etc..etc…et coetera, devem continuar. E vão continuar.

Fica nosso reconhecimento aos profissionais da Saúde Pública….de coração mesmo!

O segundo fator que permite ao povo brasileiro resistir a tantos e tantos tsunamis no setor de saúde , ao meu ver, é a MISCIGENAÇÂO de raças.

È esta soma de todas as cores, sons e sabores que transforma a população brasileira em seres extremamente resistentes , com alto índice de imunidade.

Qualquer criador de gado sabe que um animal PO (Puro de origem) tem que cruzar com uma pé duro, para se ter crias mais rústicas e resistentes.

Este mesmo conhecimento genético,  aplica aos seres humanos. RAÇA PURA não é só coisa de nazistas. É coisa de imbecil…..

Sempre quis entender como esta transmissão genética funciona a nível da imunologia, da resistência contra doenças, vírus e protozoários.

Que os cromossomos são responsáveis pela transmissão de caracteres genéticos (dominantes ou recessivos)  isto já se sabe desde Maltus, no ´século XVII.

Mas, e a resistência imunológica, como se transmite para gerações futuras?

A dúvida era: os cromossomos não transmitem os anti-corpos…então, como ocorre esta herança imunológica?

Conversei outro dia com um infectologista aposentado. Estava na feira de domingo. Comprou um exemplar do PLURIVERSO  e espichou a conversa.

Expliquei a ele a minha conclusão: o que permite ao povo brasileiro passar por tantos perrengues é justamente a miscigenação de raças. Mas não conseguia explicar como isto ocorre.

Ele disse que realmente os cromossomos não transmitem anti-corpos para descendentes.

Segundo ele, quando um agente agressor penetra no organismo, seja no sangue, na pele ou pulmões, o sistema imunológico tenta entender qual será a defesa, caso a caso. A primeira reação é a febre, já que muitos vírus não resistem a alta temperatura. Depois vêm os leucócitos (glóbulos bancos)

-Da mesma forma que você tem uma memória genética, cor de cabelos, dos olhos, etc, eu acredito que os cromossomos guardam uma “memória imunológica”, que é transmitida aos descendentes, a partir de todas as doenças que seus ancestrais tiveram.

Explicou que esta ”memória imunológica” é um banco de dados coletados entre todas as raças dos ancestrais daquela pessoa, e, em caso de agressão por um agente externo, o sistema de defesa vai buscar, nesta biblioteca dos ancestrais, qual a melhor combinação para enfrentar  ou mitigar a infecção.

– Vide a Alemanha. Alemão só casa com alemã, e turco somente com turca, e prima, ainda por cima. Na França, a coisa vai pelo mesmo caminho, Na América espanhola também.  O caso da China, com mais de 100 etnias que só casam entre parentes e são extremamente refratários a outras raças. São países bastante vulneráveis. Vamos espera para ver o resultado.

Lembrei de um fato histórico: em 4 de abril de 1755, Dom José , rei de Portugal emitiu um decreto, onde autorizava os residentes no Brasil a se casarem com índias, eis que mulheres lusitanas por aqui eram poucas. Um bom filme sobre o assunto: DESMUNDO….muito bom, falado na lígua geral, um português castiço com tupi guarani e que vigorou no Brasil até a reforma educacional de Getúlio Vargas.

Deveria encerrar este texto por aqui Mas tem um outro assunto que devemos ter muita cautela: são os chamados “fake science”, textos pseudos  científicos atribuídos a um médico da China, outro a um cubano e por aí segue a barca. Outro, de um químico autodidata que sustenta que álcool gel e nada é a  mesma coisa…..

Na dúvida, é melhor seguir as orientações do Ministério da Saúde. E eu continuo a beber. Tenho direito a escolha: entre álcool gel e álcool líquido, vou ficar com este!

POST SCRIPTUM:

Antes de publicar, submeti o texto a uma leitora, fã do PLURIVERSO> Ela leu e disse:

-Tudo bem….um sistema de Saúde Pública, a miscigenação, a memória imunológica e os “fake science”. Tudo bem, mas além de beber cerveja, que outras precauções tu andas tomando?

-Tomo QUINA AMARELA, que é  a depositária do quinino, o mais potente alcalóide natural que pode circular na corrente sanguínea. Tem aqui no raizeiro da rodoviária e no mercado do porto, em Cuiabá.

-Tá…mas eu não bebo álcool…

-Sem problema. Coloque em meio copo dágua de noite. No outro dia, tome em jejum. É bem amarga, mas se segura o tranco da malária, cujo protozoário é extremamente resistente, deve ser potente para o vírus do coronavirus…..não é  “fake science”…é apenas o que estou fazendo para me proteger, como fazia nas áreas de garimpo, onde malária dava até em macacos…..

JOSE ORLANDO MURARO SILVA

Editor do PLURIVERSO CHAPADENSE

Portador da Síndrome de Asperger

 

 

Categorias:Mora na Filosofia

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