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JOSÉ ORLANDO MURARO: 2020, o ano dos boçalnarus

 

Muraro

2020, o ano dos boçalnarus

POR JOSÉ ORLANDO MURARO

 

Não desejaria para o meu pior inimigo. Mas aconteceu com um amigo.

Vamos colocar M., dono de um dos restaurantes aqui em Chapada dos Guimarães.

Uma história surreal que só acontece por aqui.

Vandecir, dono do Restaurante Popular. Para mim um dos maiores administradores de empresas que conheci nesta minha longa vida.

  1. era seu garçom. Esforçado, prestativo. Um dia Vandecir chamou-o e disse: -aquele ponto está vago e eu vou ajudar você a abrir um restaurante.

O garçom ficou olhando sem entender. Ajudar a montar outro restaurante, poucos metros do Popular?

– Seguinte. Tem dias que o Popular enche e muitas pessoas ficam sem lugar para almoçarem. E acabam indo embora e dizendo aos outros que aqui não tem restaurante. Mas se você montar outro ali, quando o meu se encher, as pessoas terão outra opção e elas continuarão vindo a Chapada, sabendo que existem restaurantes suficientes para atendê-las.

Uma lógica desta só é possível em Chapada dos Guimarães. E tem mais: durante quase um ano Vandecir fazia compras para  ele e também trazia as encomendas do ex-garçom.

O tempo passou. O Restaurante Popular ampliou até consumir toda a área do imóvel. O ex-garçom também prosperou, comprou caminhonete e andou com as próprias pernas. Tempos depois, o Nilsinho deixou o restaurante no Bairro São Sebastião  e montou o Tempero Chapadense, o que emblocou três ótimos restaurantes perto um do outro.

E veio a eleição presidencial de 2018.

  1. montou um verdadeiro comitê político pró-bolsonaro em seu estabelecimento. Seus garçons desfilavam com a camiseta do bolsonaro. E pessoas de esquerda, como eu, passavam por constrangimentos no local se externássemos nossas opiniões ou preferências eleitorais.

Muitos, como a professora Nate, deixaram de freqüentar o local.

Mas tudo bem: bolsonaro vai ganhar a eleições e quem precisa do dinheiro dos esquerdistas?

Mutatis mutantis.

No ano passado a crise foi arrochando o platinado de todo mundo. Dinheiro sumiu da praça.Sufoco geral.

E o presidente só falando asneiras: que estava muito preocupado com o alto índice de mutilação de pênis devido à falta de higiene! E besteiras, asneiras e todo tipo de sandices, em nível internacional.

Implantou a política: só os ignorantes terão vez em meu governo. Quanto mais burros, mais serão contemplados com cargos públicos.

-O ponto G é uma invenção do PT – bradou a musa da ignorância e do obscurantismo religioso. Ministra Damares.

Certo dia, em setembro, a vigilância sanitária interditou o restaurante de M.

Uma retaliação clara. A Prefeitura devia ao restaurante, que durante meses tinha fornecido comida para o hospital. Sem receber, M. tinha dito para quem quis ouvir, que ia processar o Município para receber o que lhe deviam.

Seu direito, com certeza.

Em represália, a prefeita Thelma de Oliveira determinou que a vigilância sanitária inventasse qualquer desculpa e interditasse o estabelecimento.

  1. foi preso por desacato à autoridade. Havia discutido com o todo poderoso Luis Paulo, secretário de finanças, que pessoalmente comandava o fechamento do restaurante.

Um dia ele reclamou para mim. Disse que era uma agressão o que estava acontecendo com ele.

Imagine: ele, um boçalnarista de primeira hora. Agora eles eram governo. Mandavam e desmandavam. Como explicar o que estava acontecendo com ele?

Foi duro ter que explicar, pacientemente.

-Sabe M. Durante o governo do Fernando Henrique e do Lula, a política oficial se chamava “cooptação”. Era assim: você é contra mim, o que você quer?

A Dilma caiu porque se recusou a dar sequência nesta política de troca de favores com o Congresso. O governo do Temer elevou esta política de aliciamento a um nível sem precedentes. A política oficial e oficiosa era esta: cooptar, comprar os apoios necessários.

-Tudo bem. E que tem isto  a ver comigo?

– Bom. Desde que o boçalnaro assumiu a presidência da República, a política oficial mudou. Agora é RETALIAÇÃO. Falou o quê? Está exonerado. A Folha de São Paulo o quê? Não participa de licitações…~É esquerdopata? Está fora do governo. O chefe do INPE disse o quê? Exonera ele….

Isto se chama retaliação. Esta é a política oficial implantada pelo boçalnaro.

Silêncio.

-Você disse em alto e bom som que ia processar o Município porque te devia e a prefeita não autorizava o pagamento. Ela simplesmente retaliou e mandou interditar o teu restaurante. É a política oficial agora, implantada pelo seu presidente.

Desconforto.

-Lamento, amigo. Mas você, um boçalnarista de primeira, é a primeira vítima da política oficial implantada pelo seu ídolo. Lamento mesmo. E te digo mais: você ficou rico no governo Lula. E agora vai quebrar no governo do boçalnaro.

-É. Mas eu trabalhei duro.

-Eu sei. Mas naquela época o povo tinha dinheiro. Agora todo mundo vende o almoço para comprar a janta.

Não desejo isto nem para o meu pior inimigo.

É duro ver alguém amargando do próprio veneno.

E digo mais: a política de RETALIAÇÃO ainda vai fazer muitas vítimas em 2020.

Mas, nesta gaiola das loucas em que boçalnaro transformou o Brasil, vamos rir de orelha a orelha.

A última dele está estampada nos sites de jornais no dia de hoje: o presidente da República  confessou que ficou arrepiado depois de receber um beijo hetero do Ministro da Pesca!

Antes, em 13 de junho, o presidente disse à imprensa que havia dado um beijo hétero em Sérgio Moro! No Dia dos Namorados!

É só vasculhar a internet: Bolsonaro+ beijo hetero!

É a política oficial!

Macho beijando macho.

Isto no Nordeste se chama boiolice. No Rio Grande do Sul: viadagem! Em Maceió: baitolagem. Em São Paulo: dar ré no quibe!

Vai ser muito duro ver meu amigo quase-falido beijando outro homem na rua. Mas segue o líder!!

E o meu psiquiatra diz que o louco sou eu!!!

 

José Orlando Muraro Silva

Editor Jornal Pluriverso Chapadense, em Chapada dos Guimarães, MT

Portador da Síndrome de Asperger.

 

Categorias:A vida como ela é

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