ALEXANDRE APRÁ: José Carlos Dorte agora nega o que disse diante do juiz Luiz Aparecido Bertolucci – mas foi registrado em vídeo. Testemunha-chave muda versão e expõe possível armação para trocar o policial rodoviário José Medeiros, do PPS, pelo empresário Paulo Fiúza, do SDD, como primeiro suplente de Pedro Taques. VEJA O VÍDEO

José Carlos Dorte, José Medeiros, Paulo Fiúza e Pedro Taques, personagens do rolo da ata, em que a posição de primeiro suplente, ocupada pelo trabalhador-policial rodoviário de Rondonópolis, filiado ao PPS, é cobiçada pelo empresário, agora filiado ao Solidariedade

José Carlos Dorte, José Medeiros, Paulo Fiúza e Pedro Taques, personagens do rolo da ata, em que a posição de primeiro suplente, ocupada pelo trabalhador-policial rodoviário de Rondonópolis, filiado ao PPS, é cobiçada pelo empresário, agora filiado ao Solidariedade

Testemunha-chave muda versão e expõe armação jurídica para troca de suplentes de Taques; veja vídeo

Em ação para cassar Taques, coordenador de coligação garantiu autenticidade, mas vê em fraude em ação para trocar ordens de suplentes

ALEXANDRE APRÁ
DO ISSOÉ NOTICIA

Divulgação
Coordenação da coligação que elegeu senador dá versões totalmente conflitantes ao TRE e expõe manobra jurídica para troca de suplentes

O coordenador da coligação que elegeu o senador Pedro Taques (PDT), José Carlos Dorte, deu versões totalmente opostas sobre a ata de registro de candidatura do parlamentar, e já havia reconhecido a veracidade e autenticidade do documento apresentado à Justiça Eleitoral que registrava José de Medeiros, do PPS, como primeiro suplente e Paulo Fiúza, atualmente no Solidariedade, como segundo.

As diferentes versões de Dorte, considerado testemunha-chave de ambos os processos, levam a crer que a ação proposta por Paulo Fiúza, em dezembro do ano passado, para trocar os suplentes não passa de uma armação jurídica criada após a propagação da denúncia de que o documento era fraudulento, já que nada havia se provado para comprometer efetivamente o mandato do pedetista, até então.

Um depoimento, obtido com exclusividade pelo Isso É Notícia, mostra que Dorte afirmou taxativamente, em 2011, em depoimento ao juiz Luis Aparecido Bertolucci, da 54ª Zona Eleitoral, que o documento registrado junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), tendo o policial José de Medeiros como primeiro suplente na chapa é totalmente oficial e original. O primeiro depoimento foi dado na Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME), proposta pelo ex-deputado federal Carlos Abicalil (PT), que pedia a impugnação do registro de candidatura de Taques.

No depoimento gravado em vídeo, o juiz mostra a Dorte a ata. E, então, ele reconhece cada assinatura, rubrica e o conteúdo do documento. Dorte, surpreendentemente garante a autenticidade do documento, página por página.

 

Para trocar suplentes, Dorte volta atrás e diz que ata é falsa

Mas, curiosamente, na ação protocolada pelo segundo suplente, Paulo Fiúza, em dezembro do ano passado, José Carlos Dorte muda sua versão e passa a garantir que o documento havia sido falsificado e não correspondia à deliberação feita pela coligação e que o certo seria Fiúza como primeiro suplente e não o policial rodoviário José de Medeiros.

Na contestação apresentada por seu advogado, José Antônio Rosa, na ação proposta por Fiúza, Dorte volta atrás e, agora, que não reconhece mais o documento como sendo original.

“Desconheço a Ata que foi inserida acostada aos documentos de registro, e da mesma forma não reconheço a rubrica aposta nas páginas adulteradas como sendo minhas, porque a ata que encaminhei para registro e que estava com cópia em meu poder e foi apreendida em minha residência pela Justiça eleitoral, a ata original”, afirmou Dorte, na contestação.

No documento, Dorte ainda joga para a assessoria jurídica da coligação a responsabilidade pelo documento apresentado na Justiça Eleitoral. À época, a assessoria jurídica da coligação ficou a cargo do advogado Paulo Taques.

“No que pese a minha assinatura aposta no pedido de alteração, a princípio ser minha, não fui eu pessoalmente quem preparou a documento e preencheu os pedidos, como visto anteriormente foi a assessoria jurídica”.

O coordenador ainda garante que não sabe o motivo ou as circunstâncias da alteração e pede que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigue o caso, agora, após quatro anos da suposta falsificação.

Dorte ainda pede que sejam arroladas como testemunhas o próprio senador Pedro Taques, o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB) e o coordenador financeiro do socialista, o empresário Mauro Carvalho.

Outro lado

A reportagem enviou um e-mail ao advogado de José Carlos Dorte com os questionamentos acerca do assunto. Entretanto, até a publicação, nenhuma resposta foi obtida.

2 Comentários

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 177.193.135.12 - Responder

    AGORA NÃO TEM JEITO, TA ESCANCARADO A FRAUDE.

  2. - IP 189.31.56.250 - Responder

    Se ao menos houvesse um órgão para apurar isso e se falso testemunho fosse crime…

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

dezenove − 7 =