PREFEITURA SANEAMENTO

JORNALISTA JOHNNY MARCUS: O que um bandido contumaz fala, sem apresentar prova, merece toda a atenção da mídia, desde que envolva Lula ou qualquer pessoa ligada a ele, Dilma ou o PT. Se a delação atinge algum tucano, isso “não vem ao caso”. Mas veja agora o absurdo: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu – isso mesmo, admitiu – em seu recém-lançado livro “Diários da Presidência”, que, em 1996, foi alertado sobre a já então operante roubalheira na Petrobras e, pasmem, confessa que nada fez

LULA DILMA E FHC
FHC SABIA DE TUDO
Por Johnny Marcus

Questão de ordem:
Alberto Youssef é um doleiro condenado a quatro anos de prisão em 2004 por causa de seu envolvimento no escândalo do Banestado. Pra não ir em cana, fez um acordo com a justiça e homologou uma delação premiada, com a prerrogativa de nunca mais envolver-se em ilícitos. O juiz do caso era Sérgio Moro.
Alguns hábitos, contudo, são difíceis de abandonar e Youssef reincidiu, agora no escândalo da Petrobras. Por conta disso, Moro (juiz deste caso também) dedicou-lhe estas doce palavras: “É um delinquente profissional […] Teve sua grande oportunidade para abandonar o mundo do crime, mas a desperdiçou”.
Mas mesmo com esse histórico, Sérgio Moro lhe concedeu novamente o benefício da delação premiada. Pra tirar o seu da reta o doleiro atira pra todos os lados e tudo o que diz (mesmo sem nenhuma prova) vira manchete de jornal e capa de revista. Como esquecer a capa da Veja na véspera do segundo turno das eleições ano passado?
Resumo da ópera: o que um bandido contumaz fala, sem apresentar prova, merece toda a atenção da mídia, desde que envolva Lula ou qualquer pessoa ligada a ele, Dilma ou o PT. Se a delação atinge algum tucano, isso “não vem ao caso”.
Mas veja agora o absurdo: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu – isso mesmo, admitiu – em seu recém-lançado livro “Diários da Presidência”, que, em 1996, foi alertado sobre a já então operante roubalheira na Petrobras e, pasmem, confessa que nada fez. Matéria da Rede Brasil Atual conta que:
Quem o alertou foi o dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, nomeado pelo ex-presidente para o Conselho de Administração da estatal. Nunca é demais lembrar que hoje seu próprio partido, o PSDB, chama as denúncias de corrupção dentro da estatal de “petrolão”.
Esse trecho reproduzido do livro é revelador: “Eu queria ouvi-lo sobre a Petrobras. Ele me disse que a Petrobras é um escândalo. Quem manobra tudo e manda mesmo é o Orlando Galvão Filho, embora Joel Rennó tenha autoridade sobre Orlando Galvão (…) todos os diretores da Petrobras são os mesmos do Conselho de Administração (…) São sete diretores e sete membros do conselho. Uma coisa completamente descabida (…) Acho que é preciso intervir na Petrobras. O problema é que eu não quero mexer antes da aprovação da lei de regulamentação do petróleo pelo Congresso”.
Volta pra mim.
Isso não merece estardalhaço nas manchetes dos jornais e capas de revista? Óbvio que sim! De fato, a Veja deu uma capa a FHC por conta de “Diários da Presidência”, mas não para desnudar a prevaricação efeagaciana e sim para, pela enésima vez, acusar Lula. Na capa, uma foto de Fernando Henrique com um enigmático sorriso à la Monalisa no rosto e a legenda: “Lula está enterrando a própria história”.
Essa é a bíblia de paneleiros e defensores do impeachment.

Johnny Marcus é jornalista em Cuiabá

Johnny Marcus é jornalista em Cuiabá

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