JORNALISTA CLÓVIS ROSSI, NA FOLHA DE S.PAULO: Brasileiro está feliz e isto ajuda Dilma, em sua campanha pela reeleição neste ano de 2014. Uma esmagadora maioria de brasileiros, vivendo sob o governo de Dilma e do PT, declara ter mais experiências positivas em um dia normal (sentimentos de sossego, orgulho das realizações, proveito etc.) do que negativas (dor, preocupação, tristeza)

ROSSI: BRASILEIRO ESTÁ FELIZ E ISSO AJUDA DILMA

:  

Jornalista Clóvis Rossi antecipa pesquisa do Índice de Vida Melhor, que será divulgada no dia 9; segundo ele, o brasileiro é bem mais feliz do que os habitantes dos 34 países da OCDE; isso explicaria, segundo Rossi, por que Dilma teria praticamente o dobro das intenções de voto de seu principal oponente, o tucano Aécio Neves

 

 

247 – O jornalista Clóvis Rossi antecipou os resultados da pesquisa Índice de Vida Melhor, que será divulgada no dia 9. Segundo ele, o brasileiro será apontado como um dos povos mais felizes do mundo, bem acima da média dos 34 países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).

Esse índice de satisfação pessoal, diz ele, ajudaria a presidente Dilma Rousseff, que, hoje, teria praticamente o dobro das intenções de voto de seu principal oponente, que é o tucano Aécio Neves. Rossi dá razão a Dilma quando ela afirma que o brasileiro está feliz da porta de casa para dentro, com ganhos de renda que obteve nos últimos anos, mas insatisfeito com o que vê da porta para fora – violência, trânsito caótico, falta de mobilidade urbana etc.

“Falta à oposição capturar duas coisas: transmitir a confiança de que, dentro de casa, as coisas continuarão bem, e, fora dela, melhorar”, diz Rossi. “Se não o fizer, Dilma pulará para os quase 47% com que fechou o primeiro turno em 2010”, diz ele

LEIA, AGORA, O QUE CLÓVIS ROSSI ESCREVEU NA FOLHA DE S. PAULO

Clóvis Rossi, jornalista, analista político da Folha de  S. Paulo

Clóvis Rossi, jornalista, analista político da Folha de S. Paulo

 

Clóvis Rossi

O brasileiro, essa gente feliz

Pesquisa vai ajudar a entender por que Dilma, com todos os problemas, duplica voto no maior rival

Pesquisa a ser lançada no próximo dia 9 em São Paulo ajuda a entender por que as intenções de voto em Dilma Rousseff duplicam as de seu perseguidor mais imediato, o senador tucano Aécio Neves.

Pela lógica político-eleitoral, a presidente não poderia ter tantos votos (37%) quantos tinha na mesma altura de 2010 (36%, segundo o Datafolha, rigorosamente empatada com José Serra).

Primeiro porque 2010 foi, economicamente, o ano mais brilhante do século, com crescimento de 7,5%. Neste ano, a situação é no mínimo nebulosa, com crescimento reconhecidamente pífio.

Além disso, Dilma perdeu fatias do imenso bloco de apoio de que gozava há quatro anos.

Não se sabe bem quantos votos agregavam, mas que ajudavam a encher o cesto, ajudavam.

Perdeu Eduardo Campos e o PSB. Perdeu a fatia do PDT liderada por Paulo Pereira da Silva, que levou seu território sindical, a Força Sindical. Perdeu o PSC, que hoje tem candidato próprio, o pastor Everaldo, que atinge nada desprezíveis 3%, número razoável para um “nanico”.

Sofre, ainda, a hesitação de setores do PMDB e do PR, sem falar no “volta, Lula”, que deve, em tese, inibir a declaração de voto em Dilma.

Por fim, a rua, que, em 2010, só fervia nos centros comerciais, ferveu no asfalto em junho de 2013, revelando descontentamentos que estavam soterrados sob a tonelada de apatia que caracteriza o brasileiro.

Tudo somado, o fato de Dilma manter-se praticamente no mesmo patamar que tinha em maio de 2010 parece inexplicável.

Aí é que entra a pesquisa a ser divulgada dia 9. Trata-se do Índice da Vida Melhor, elaborado pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), o clubão das 34 economias mais ricas do mundo, do qual o Brasil é apenas observador porque não quer ser membro pleno.

O levantamento vai mostrar que os brasileiros estão mais satisfeitos com suas vidas do que a média da OCDE. Uma esmagadora maioria declara ter mais experiências positivas em um dia normal (sentimentos de sossego, orgulho das realizações, proveito etc.) do que negativas (dor, preocupação, tristeza).

A satisfação não basta, no entanto, para ocultar as mazelas: como em todos os levantamentos internacionais, é feia a foto do Brasil em itens como educação e saúde, entre outros.

Fica a sensação de que é correta a análise da presidente, feita após o levante de junho: o brasileiro está satisfeito dentro de casa (aumento da renda, quase pleno emprego etc.), mas, cada vez que abre a porta da rua, descobre motivos de insatisfação, na educação, na saúde, no transporte, no trânsito, na segurança e em um extenso etc.

Tudo leva a crer que essa satisfação íntima é parcialmente canalizada, nas pesquisas de intenção de voto, para a candidata do governo.

Falta à oposição capturar duas coisas: transmitir a confiança de que, dentro de casa, as coisas continuarão bem e, fora dela, vão melhorar. Se não o fizer, Dilma pulará para os quase 47% com que fechou o primeiro turno em 2010.

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

6 − seis =