Jornalista Alexandre Aprá, com apoio do presidente da Ong Moral, Bruno Boaventura e outros, protocola na Câmara de Cuiabá, pedido de cassação contra Mauro Mendes. “Após realizar empréstimo ilegal, por meio de um contrato de mútuo – o que é considerado crime contra o sistema financeiro -, o prefeito Mauro Mendes fez um contrato sem licitação, pela Prefeitura, com a Amazônia Petróleo, no valor de R$ 3,87 milhões”, denunciam em requerimento. Para o jornalista Kleber Lima, secretário do prefeito, ação é de “aloprados petistas”. LEIA A AÇÃO

Jornalista Alexandre Aprá ett alli pede cassação de Mauro Mendes by Enock Cavalcanti

Executivo

6 querem cassar Mauro; secretário diz que ação é de aloprados petistas

Romilson Dourado, no RD NEWS

advogados ptJornalista Alexandre Aprá (à esq.) e advogados, 3 deles filiados ao PT, posam para fotografia, após recorrer à Câmara, pedindo cassação do prefeito Mauro Mendes

Cinco advogados e o jornalista Alexandre Aprá pediram à Câmara Municipal de Cuiabá abertura de processo para cassar o prefeito Mauro Mendes (PSB). Elencaram denúncias e indícios de supostas irregularidades, entre elas o fato do gestor estar sob investigação e ter sido alvo de busca e apreensão em seu gabinete por agentes federais na quinta etapa da operação Ararath. Defendem investigação do Contrato Emergencial 08889, de agosto de 2013, celebrado pela prefeitura com a empresa Amazônia Petróleo, de Júnior Mendonça, delator acusado de manter espécie de banco clandestino para abaster membros de praticamente todos os Poderes com empréstimos fraudulentos.

Questionado sobre o pedido de cassação do prefeito, o secretário de Comunicação da Capital, jornalista Kleber Lima, afirmou que os advogados Bruno Boaventura, Paulo Saldanha e Eris Alves Pondé, que assinaram o documento, são filiados ao PT e, por isso, entende que o partido está tentando “tomar no tapetão o mandato que perderam no voto” no pleito de 2012. “O PT não se conforma com a derrota de Lúdio Cabral para Mauro. Os outros dois que subscreveram o pedido são Paulo Lemos e Mairlon Rosa. Segundo Kleber, os dois petistas foram advogados do PT e de Lúdio. Cita que Paulo Lemos foi um dos coordenadores da campanha do petista e fez declaração de voto publicada em artigos na imprensa na época. “Eles se escondem atrás de entidades para disfarçar a tentativa de golpe político”.

A Câmara não se manifestou ainda sobre o pedido. Para Kleber, nenhum dos motivos alegados são consistentes. Diz que Mauro tem tranquilidade para explicar sem reservas tanto o empréstimo que fez da Amazônia Petróleo em 2012, que foi declarado no seu Importo de Renda, quanto à legalidade do contrato emergencial realizado pela prefeitura no ano passado.

kleber limaSecretário Kleber Lima diz combater medida política-eleitoral contra o prefeito

“Não há nenhuma relação entre as duas coisas, e o próprio prefeito solicitou ao Tribunal de Contas uma auditoria para dirimir qualquer dúvida sobre o contrato”, garante. Kleber Lima ainda ressaltou que, além da tentativa de “tapetão”, o PT usa uma tática antiga de nivelar os adversários para esconder seus próprios defeitos, aproveitando-se do “ressentimento de um jornalista processado”, referindo-se a Alexandre Aprá, e ao envolvimento do PT com personagens citadas na operação Ararath. Diz que o prefeito “não tem nada a ver com essa turma”.

Reforça que Mauro declarou em nota que apoia a Operação Ararath. Conta que o prefeito “enfrentou esse grupo nas eleições de 2010 e de 2012”. “O PT é que está com Eder, que está com Riva, que está com Silval, que está com Lúdio, conforme eles mesmo fizeram questão de dizer na última eleição. Afinal, Eder era o coordenador financeiro do Lúdio, e não do Mauro. Eles que se expliquem”, provoca Kleber, numa menção ao jingle utilizado por Lúdio no 2º turno em 2012.

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ONG pede cassação de Mendes; prefeito alega perseguição

Grupo protocola pedido na Câmara de Cuiabá; prefeitura foi alvo de busca da PF

Tony Ribeiro/MidiaNews

Prefeito Mauro Mendes, que foi alvo da PF, tem pedido de cassação pedido pela ONG Moral

DOUGLAS TRIELLI
DO MIDIA NEWS

O Movimento Organizado pela Moralidade Pública e Cidadania (ONG Moral) protocolou, na manhã desta sexta-feira (23), na Câmara Municipal de Cuiabá, pedido de cassação do mandato do prefeito Mauro Mendes (PSB).

O requerimento é em consequência dos resultados da quinta fase da Operação Ararath, deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira (20).

Mendes teve seu gabinete e residência revistados por agentes federais, para verificar documentos sobre um empréstimo que ele fez junto à empresa Amazônia Petróleo, no valor de R$ 3.450.000,00, durante campanha eleitoral, em 2012.

“Após realizar esse empréstimo ilegal, por meio de um contrato de mútuo – o que é considerado crime contra o sistema financeiro -, o prefeito Mauro Mendes fez um contrato sem licitação, pela Prefeitura, com a Amazônia Petróleo em agosto de 2013, no valor de R$ 3,87 milhões”, diz trecho do requerimento.

O ouvidor-geral da Defensoria Pública de MT, advogado Paulo Lemos, que também assinou o requerimento, afirmou que Mendes, ao confirmar em nota que fez o empréstimo, confessaria que foi “condescendente” ou até “coautor” de um ato ilícito.

“Ele confessou o empréstimo, soltou uma nota dizendo que o  fez. Só aí, já configura ato ilícito, porque dizer que está informado na Receita Federal não tem diferença nenhuma. Não é porque eu declaro o dinheiro da venda de um carro roubado que esse dinheiro passa a ser legal”, disse o defensor.

Divulgação
Integrantes da ONg Moral protocolaram pedido de cassação de Mendes na Câmara

“O mais grave, para nós, é que, além de ter realizado essa operação irregular, exatamente no meio da eleição, ele celebrou, enquanto prefeito, um contrato com essa empresa, utilizando recurso público para pagar uma conta quase idêntica ao valor devido por ele no empréstimo realizado. Isso traz fortes indícios de que a máquina foi utilizada para pagar conta de campanha”, completou Lemos.

Supostas fraudes

Ainda no requerimento, a ONG Moral cita que Mauro Mendes estaria envolvido em outros três casos de improbidade.

No primeiro, o Ministério Público Federal move uma ação civil contra o prefeito por supostos atos de improbidade administrativa.

Segundo o MPF, ele teria feito parte de um esquema que fraudou um leilão judicial em até R$ 700 milhões, para venda da Mineradora Salomão, atual Maney Mineração Casa de Pedra Ltda.

“O juiz César Bearsi, da 3ª Vara da Justiça Federal de Cuiabá, indisponibilizou os bens da empresa de Mauro Mendes, em sua totalidade, e aceitou a ação judicial. Nesta semana, o próprio Tribunal Regional do Trabalho (TRT) confirmou, em sentença, várias fraudes realizadas para beneficiar o grupo empresarial de Mendes, e anulou o leilão, mandando a empresa do prefeito desocupar a área de exploração mineral em litígio”, diz a ONG, na ação.

No segundo caso, o prefeito é acusado de ser “laranja” da juíza Carla Reita Faria Leal, do TRT, na compra de um apartamento em Cuiabá.

“Ele confessou o empréstimo, soltou uma nota dizendo que o fez. Só aí, já configura ato ilícito, porque dizer que está informado na Receita Federal não faz diferença nenhuma. Não é porque eu declaro o dinheiro da venda de um carro roubado que esse dinheiro passa a ser legal”

Mendes teria arrematado o apartamento, no valor de R$ 300 mil, e o vendido à juíza, em seguida.

“Ela [Carla] responde a um processo administrativo disciplinar, que pode culminar com a sua aposentadoria compulsória, após comprar um apartamento de luxo com valores abaixo dos preços de mercado e que havia sido leiloado judicialmente em um processo que teve sua condução”, diz a entidade.

Por fim, a ONG Moral lembrou o Caso dos Maquinários, onde haveria irregularidades na licitação de R$ 9,5 milhões, realizada para a locação de 79 caminhões e maquinários pesados para atender a Secretaria Municipal de Obras.

“A licitação dos maquinários também é algo ainda não esclarecido, porque não foi investigado. Nem pela Câmara Municipal, nem pelo Ministério Público Estadual (que preferiu arquivar antes mesmo de instaurar inquérito para investigar) e o Tribunal de Contas do Estado. Esses dois últimos órgãos, inclusive, foram alvos da Operação Ararath, junto com o prefeito Mauro Mendes”, completa o documento.

Para Paulo Lemos, em vista da gravidade das acusações, a Câmara deve dar encaminhamento ao requerimento de forma imediata.

“Dizem que a imensa maioria dos vereadores está comprometida com o prefeito, em razão de cargos e outros privilégios. Porém, não acredito nisso. A Câmara terá a oportunidade de dizer para a sociedade se os vereadores estão a serviço do povo ou do Mauro Mendes”, disse o advogado.

Além de Paulo Lemos e da ONG Moral, subscrevem o requerimento o advogado Mairlon Rosa, o professor Paulo Saldanha, do Instituto Federal de MT, o advogado Eris Alves Ponde e o jornalista Alexandre Aprá.

O secretário Kleber Lima, que classificou o pedido contra Mendes como “perseguição”

O grupo protocolou, também, pedido de cassação contra o deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (PSD), que foi preso durante a operação da PF.

O parlamentar teve a prisão revogada no fim da manhã desta sexta-feira pelo ministro Dias Tófolli, do STF.

Outro lado

O secretário de Comunicação Social da Prefeitura de Cuiabá, Kleber Lima, afirmou ao MidiaNews que o prefeito Mauro Mendes não irá se pronunciar sobre o requerimento.

“Essa iniciativa do Alexandre Aprá é puro ressentimento, por ser réu em várias ações de difamação e calúnia que o prefeito move contra ele. Pelo menos, agora, ele assume publicamente isso”

“Todas as explicações que o prefeito tinha que dar sobre esse assunto já foram dadas em nota oficial, tanto para a Câmara de Vereadores quanto ao Tribunal de Contas, e o fará à Justiça quando for intimado”, disse o jornalista.

Lima atribuiu o movimento contra Mendes ao jornalista Alexandre Aprá, diretor do site Isso É Notícia. Segundo o secretário, o jornalista faz uma “campanha de difamação” contra a imagem de Mendes.

“Essa iniciativa do Alexandre Aprá é puro ressentimento, por ser réu em várias ações de difamação e calúnia que o prefeito move contra ele. Pelo menos, agora, ele assume publicamente isso”, afirmou o secretário.

3 Comentários

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  1. - IP 177.203.33.148 - Responder

    Kléber Lima deveria ter aproveitado a oportunidade para explicar o depósito de R$ 62.000,00 em nome de sua empresa, originário de umas das contas da Amazônia Petróleo durante a campanha eleitoral de 2010. Kléber só não pode alegar o sigilo das investigações para sonegar essa informação tão ansiosamente aguardada pela sociedade cuiabana. Kléber, conta ai prá gente… o fato é notícia e tem interesse jornalístico…

    • - IP 191.195.235.147 - Responder

      Fala Kleber!

  2. - IP 177.135.247.250 - Responder

    Por que esses pemedebistas não fazem o mesmo contra o Silval?

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