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Alguma coisa está fora da ordem

Zé Pedro Taques pode ter trocado seis por meia dúzia, uma crise por outra crise. Ausência de Mauro Zaque à frente da Secretaria de Segurança Pública pode preencher uma lacuna, como diria o Stanislaw Ponte Preta. Mas Fábio Galindo, a pretensa solução, não soluciona nada, já que teria anunciado intenção de voltar para o sossego do Ministério Público, em Minas Gerais

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Alguma coisa está fora da ordem

Fábio Galindo, a solução que pode não ser a solução

Fábio Galindo, a solução que pode não ser a solução


A semana de Natal e a virada do Ano Novo para o governador Zé Pedro Taques não serão de paz e tranquilidade. Os problemas batem à sua porta e, sem dúvida nenhuma, ele aparenta que ficou atarantado com a inesperada decisão do promotor Mauro Zaque de abandonar o barco, mal começada a viagem, deixando sem mais aquela o comando da secretária de Segurança Pública, uma das áreas mais delicadas de qualquer governo, em qualquer parte do Brasil e do mundo, na atual conjuntura.
Diz a sabedoria popular que quem planta vento, colhe tempestades. O nosso governador, que gosta de fazer da arte da provocação um dos seus exercícios favoritos, mais uma vez está sendo desafiado pela realidade.
Quem colocar no lugar de Mauro Zaque que resolveu dar as de Vila Diogo (quem é que se lembra dessa expressão?) e se mandar da Sesp?
Fico imaginando que Zé Pedro Taques, apegado à família e ao domínio patrimonial sobre o governo, de acordo com as evidências, gostaria de ter outro primo para colocar no lugar do Zaque.
Fazer o que fez com a Casa Civil, para onde escalou o seu preposto, o primo Paulo Taques que, também sem mais aquela, largou sua respeitável banca de advogado para ficar na distribuição de cargos e outras benesses aos correligionários do Zé Pedro e a todos os participantes deste grande projeto que visa forjar um novo grande líder nacional a partir de Mato Grosso.
(Sim, tenho pra mim que Zé Pedro sonha em ser o Dante de Oliveira de sua geração. Um Dante sem barba e com uma musa bem mais sossegada que a musa do Dante que, como se conta, em certa época, teria levado o Magrão a vagar em meio aos corixos do Pantanal em uma espécie de diálogo soturno com o Criador. Mas essa é outra história, que deixo para o Palmério Dória, que já começou a contar a história secreta desta família, sem ter sido,  até agora,  incomodado por qualquer questionamento judicial.)
Mas voltando à Segurança Pública. Leio nos jornais amigos e nos jornalistas amestrados (que não apresentaram qualquer explicação mais aprofundada quanto às razões que levaram Zaque a resolver voltar ao MP) que já estaria tudo resolvido pelo governador com a indicação do Subsecretário Fábio Galindo (outro promotor!) para ocupar a vaga aberta com a saída de Mauro Zaque. Ou seja, não tem crise, sugere a nossa grande mídia.
Sim, a maioria dos jornais amigos e dos jornalistas amestrados se limitaram a publicar o material enviado pelo Gabinete de Comunicação do Governo, com um ou outro adendo. Sai o Mauro, entra o Fábio mas a política de Segurança Pública já foi formatada, todo o planejamento feito, a máquina tem apenas que continuar a rodar, já que está bem azeitada. (Engraçado como alguns jornalistas, depois de participarem de uma coletiva com o governador, voltam de lá com informações muito parecidas com as que são alinhadas pelo pessoal do Jean Campos em seus relises. Mas vá entender o jornalismo mato-grossense, repleto de repórteres que não perguntam, não questionam, não correlacionam os fatos, etc e tal!)
Apenas o Folhamax resolveu desafinar o coro dos contentes, como nos versos imortais de Torquato Neto.
O Folha Max publicou em uma notinha aquilo que deveria ter sido aprofundado e virado a  manchete do saite. Mas o Folhamax, claro, também tem seus contratos. Reproduzo aqui:

Leia Também:  Entrevista abre janela para impeachment de Fux. Ministros do STF sempre fizeram algum tipo de política para chegar ao degrau máximo do Judiciário. Mas, nunca antes na história deste país, um representante da Suprema Corte deixou tão explícito o jogo de troca de favores (com Palocci e João Pedro Stédile) e de promessas (com Zé Dirceu) para chegar lá.

Galindo assume só até janeiro de 2016

Da Redação

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Embora tenha sido anunciado pelo Governo de Mato Grosso como novo secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, o promotor Fábio Silvestre Galindo já comunicou ao governador Pedro Taques (PSDB) que só ficará no cargo até o dia 31 de janeiro de 2016. Ele assumiu a vaga de forma interina com a saída do secretário Mauro Zaque, que retorna as funções na promotoria de Patrimônio Público e Probidade Administrativa do Ministério Público de Mato Grosso.
Galindo pretende retornar para Minas Gerais para reassumir o cargo em que foi aprovado como primeiro colocado no concurso público. Ou seja, o governador terá um prazo de cerca de 40 dias para escolher um novo secretário para uma das pastas mais complexas da máquina pública estadual.
 
———
Viram só? Pelo jeito, a crise da Segurança Pública continua e pode até se agravar, com esse interino que assume já dizendo que também vai embora.
Por essas e por outras é que eu digo que as festas do Zé Pedro Taques, além dos luxos da vida de governador e os paparicos mis de seus puxa-sacos, terá também muita dor de cabeça.
Fábio Galindo não é uma solução. Pode ser até um problema maior que Mauro Zaque.
Fico por aqui para não agravar as dores de cabeça do pequeno grande homem que temos no Paiaguás. Longe de mim imaginá-lo em meio aos corixos do Pantanal, vagando e balbuciando: a saída? onde fica a saída?
Pelo contrário. Pelo bem de Mato Grosso e do seu povo até torço para que Zé Pedro tenha um Natal em que se faça a Luz!
 

Leia Também:  ENOCK CAVALCANTI: É uma indecência este auxílio livro , para o MP que já conta com verbas indenizatórias para gastos com moradia, transporte, alimentação, além de gordas diárias

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LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

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CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

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