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CUIABÁ

Imprensa em debate

NÃO É SÓ RIVA QUE É ACUSADO DE METER A MÃO NOS COFRES PÚBLICOS – Imaginem se Marisa Batalha, Anselmo Carvalho e Francisca Medeiros tivessem mesma coragem que Rodrigo Vargas e orientassem cobertura continuada sobre o escandalo das aposentadorias

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Estou gostando de ver o jornalista Rodrigo Vargas, na Folha de S. Paulo. Faz mais de uma semana que o correspondente da Folha de S. Paulo, em Mato Grosso, conseguiu pautar a questão das aposentadorias pagas a ex-governadores e ex-deputados em Mato Grosso e o assunto, por causa disso, vem se desdobrando em outros veículos, nos jornais e na TV. A Rede Bandeirantes, por exemplo, expos, mais uma vez o caso do conselheiro-marajá Humberto Bosaipo em rede nacional, com contundente editorial do Fábio Pannunzio, pelo que me contaram.


Imaginem se a Marisa Batalha, que é editora da Folha do Estado, Anselmo Carvalho, que é editor do Diário de Cuiabá, Francisca Medeiros, que é editora da Tv Centro América,  ou a Margareth Botelho, que é editora de A Gazeta, ou o Bebeto Amador, que é editor da Band local, ou o Davi César, que é editor da Rede Record, local, tivessem o mesmo discernimento que o Rodrigo Vargas, na Folha de S.Paulo, e fizessem uma cobertura continuada sobre esse escandalo das aposentadorias.


Rodrigo Vargas, para quem não o conhece, é um rapaz de pequena estatura e fino como um palito. Deve já ter passado dos 30 anos mas sua aparencia é de um adolescente ainda em fase de crescimento. Sei que trabalha com muita dificuldade e poucas vezes consegue encaixar, lá na Folha de S.Paulo as pautas que gostaria de explorar por aqui – porque a Folha de S.Paulo, vejam voces, é um jornal que é feito de costas para o vasto interior do Brasil. A turma que dirige este jornal – que é um dos veículos líderes do chamado PIG – prefere falar do mundo lá fora do que do mundo represado que temos aqui no vasto interior do Brasil. Ao contrário de Lula, que nos salvou da crise mundial voltando-se para o mercado interno e o fortalecendo, jornais como a Folha ainda não aprenderam aquela lição de que se farão mais modernos e humanamente mais abrangente, caso se dediquem com profundidade a falarem das aldeias brasileiras por onde circulam e dos dramas humanos que por aqui acontecem.


O mesmo vale para os nossos jornais regionais. Quanto espaço gasto com fofocas da televisão, futebol e outras amenidades quando os dramas profundos da nossa gente mato-grossense estão aí mesmo reclamando por cobertura. Mas esta gente, limitada e limitadora, se agarra a determinados padrões e não consegue fugir deles. Fazem um jornalismo burocrático e burocratizante. Simplesmente, não se arriscam.


Imagino que, submetidos a uma cobertura intensiva, escandalos como este das aposentadorias pagas a Carlos Bezerra, Iraci França, Márcio Lacerda, Rogério Salles, Humberto Bosaipo, Emanuel Pinheiro, Nico Baracat e outros estafermos acabariam por provocar mudanças no comportamento destas nossas elites escrotas. Ponham lá na primeira página, todo dia, uma foto destes vampiros que vivem de custosa aposentadoria paga com o dinheiro de nosso povo pobre – e eles acabariam tendo que mudar sua postura ou, então, acabariam sendo cuspidos nas ruas de Cuiabá.

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E está aí mesmo este outro escandalo que é a guarda pretorial que protege o sojicultor Maggi, com soldados PMs também pagos pelo suado dinheiro que é sangrado do povo, através dos impostos. E eu me pergunto por que os jornalões nacionais, que tanto desmascaram as putrefações dos políticos lá em Brasilia, não promovem sistemática cobertura para documentar com estes bolsões de corrupção como os que se registram na Assembléia Legislativa de MT. Seriam ações que, a sua maneira, iriam contribuir para que nosso Produto Interno Bruto deixasse de alimentar determinadas aventuras politico-eleitorais passando, sim, a beneficiar nosso povaréu com crescentes investimentos em políticas públicas.


A verdade é essa. Nossos jornais e nossas emissoras de televisão deveriam fazer de assuntos escandalosos como estas aposentadoria uma pauta de todo o dia. Com reporteres investigativos nas ruas, iriam aparecer coisas de que até Deus duvida. Imaginem o que não existe nos porões da Assembléia Legislativa de Mato Grosso há tanto tempo submetida ao poder deste poderoso e abominável chefão que é o sr. José Geraldo Riva.


Mas não sei se Marisa Batalha, Anselmo Carvalho, Francisca Medeiros, Margareth Botelho e tantos e tantos mais nasceram vocacionados para fazer do jornalismo investigativo uma forma de libertação de nosso povo. Enquanto Rodrigo Vargas, pequenino e algo esquético, se agiganta aos olhos da História, existem aqueles jornalistas que, dia a após dia, vão ficando menores.

Confiram o que Rodrigo Vargas publicou hoje na Folha de S.Paulo

Ex-deputados também recebem pensão

Ministério Público questiona legalidade de aposentadorias concedidas a políticos por Assembleias de MT e SC

Governos pagam quase integralmente benefício a deputados estaduais que já deixaram o cargo, segundo Promotoria

DE CUIABÁ
DE SÃO PAULO
DE RECIFE

Além do pagamento de aposentadorias a ex-governadores, há Estados que também dão o benefício para ex-deputados estaduais. O Ministério Público questiona a legalidade desta remunerações em dois deles: Mato Grosso e Santa Catarina.
A aposentadoria de ex-governadores foi alvo de polêmicas na semana passada, quando foi revelado que políticos como os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Alvaro Dias (PSDB-PR) pediram o benefício nos últimos meses.
Em Mato Grosso, decisões da Assembleia Legislativa permitiram que 16 deputados e ex-deputados conseguissem a aposentadoria vitalícia desde 1998. Os valores pagos vão subir para R$ 20 mil em fevereiro.
Em 2001, 2003 e 2008, foram criadas leis que permitiram a alguns deputados ganhar aposentadorias baseadas em um fundo de assistência parlamentar que havia sido extinto em 1995.
A mesma manobra foi tentada há duas semanas, mas o governador Silval Barbosa (PMDB) vetou. Em fevereiro, o veto será submetido a plenário e pode ser revertido.
O Ministério Público contesta o fato de o governo estadual bancar quase a totalidade dessas aposentadorias.
Entre os agraciados, estão o conselheiro do Tribunal de Contas Humberto Bosaipo, que governou o Estado por dez dias em 2002 e que também já obteve aposentadoria como ex-governador.
O número de ex-deputados aposentados no Estado deve ser ainda maior.
As aposentadorias concedidas antes de 1995 não são alvo da ação do Ministério Público.
O advogado de Bosaipo disse que seu cliente só vai se manifestar após ser notificado sobre o caso.
O presidente da Assembleia, Mauro Savi (PR), se recusou a falar sobre o assunto.

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PROFESSORA
Em SC, lei aprovada pela Assembleia em 2009 permite que servidores que tenham sido deputados estaduais mantenham o salário do cargo, mesmo sem mandato, ao se aposentar.
A medida está prestes a beneficiar a professora estadual Odete de Jesus (PRB), deputada que não conseguiu se reeleger na última eleição.
Ela vai continuar ganhando de forma vitalícia os cerca de R$ 20 mil que recebem os deputados do Estado. Odete não retornou as ligações da reportagem.
O deputado Marcos Vieira (PSDB), presidente da Comissão de Finanças da Assembleia, afirma que a lei veio do Executivo. O governo de SC disse que não poderia comentar o assunto.
Na Paraíba, 71 ex-deputados estaduais e 79 viúvas de ex-legisladores recebem aposentadorias e pensões.
Os valores pagos são proporcionais ao número de mandatos e variam entre cerca de R$ 4.000 e R$ 12 mil mensais. Em 1999, a concessão de novos benefícios foi proibida.
Até então, os legisladores pagavam uma contribuição mensal para um fundo de pensão e podiam se aposentar com apenas dois mandatos -oito anos de trabalho. (RODRIGO VARGAS, GUILHERME VOITCH e FÁBIO GUIBU)

CLIQUE NOS LINKS ABAIXA E VEJA REPERCUSSÃO DAS REPORTAGENS DE RODRIGO VARGAS SOBRE O ESCANDALO DAS APOSENTADORIAS EM MATO GROSSO

http://www.reporternews.com.br/noticia/309975/Wilson-tentou-derrubar-o-FAP,-mas-STF-manteve-privil%E9gio%3B-veja-a-lista

http://www.clicapiaui.com/geral/45597/humberto-bosaipo-foi-governador-por-10-dias-e-ganhou-pensao-vitalicia.html

http://www.rdnews.com.br/blog/post/apos-comandar-mt-bosaipo-e-iracy-recebem-pensao-vitalicia

http://paginadoenock.com.br/home/printpost/7923

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,oab-mira-9-estados-que-privilegiam-ex-governadores,668696,0.htm

http://pensargrandeilheus.blogspot.com/2011/01/malandragem-burla-lei-escandalo.html

http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2011/01/22566-republica+de+marajas.html

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DEU NA VEJA: As revelações do livro de Eduardo Cunha sobre bastidores do golpe conta Dilma

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FIM DO SILÊNCIO - Eduardo Cunha: relatos dos conchavos de que ele diz ter participado no tempo em que presidiu a Câmara -
FIM DO SILÊNCIO – Eduardo Cunha: relatos dos conchavos de que ele diz ter participado no tempo em que presidiu a Câmara – Vagner Rosario/VEJA

Na antevéspera do feriado de Nossa Senhora Aparecida, em 2015, uma reunião secreta na sala do apartamento do deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), no 9º andar de um prédio de luxo de frente para a praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro, definiu os rumos da história recente do país. Na manhã daquele sábado ensolarado, quatro políticos — além do anfitrião Maia, o então poderosíssimo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Carlos Sampaio, à época líder do PSDB na Casa, e o também tucano Bruno Araújo, o atual presidente nacional da legenda — acertaram como encaminhariam os procedimentos que resultaram, dez meses depois, no impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os detalhes da trama desenhada pelo quarteto, em meio a goles de café e água, estão no livro-bomba Tchau Querida, o Diário do Impeachment, de 740 páginas, escrito por Cunha, hoje um político em desgraça, cassado, condenado a catorze anos e seis meses de cadeia e cumprindo prisão domiciliar. VEJA teve acesso a trechos do livro do ex-deputado, que acaba de fechar contrato de publicação com a editora Matrix, com lançamento previsto para abril.

PROTAGONISTA - Michel Temer: segundo Cunha, “o militante mais atuante” -
PROTAGONISTA – Michel Temer: segundo Cunha, “o militante mais atuante” – Cristiano Mariz/VEJA

Na narrativa em primeira pessoa, escrita em parceria com a filha mais velha, Danielle, Eduardo Cunha, de 62 anos, reconstitui as articulações nos bastidores para o afastamento definitivo de Dilma na época em que, graças a uma intrincada rede de troca de favores, tinha na palma da mão os rumos das votações na Câmara. Uma de suas revelações se refere ao papel, que ele afirma ter sido decisivo e francamente oportunista, do então vice-presidente Michel Temer. “Não foi apenas o destino ou a previsão constitucional que fizeram Michel Temer presidente da República. Ele simplesmente quis e disputou a Presidência de forma indireta. Ele fez a ‘escolha’ ”, relata Cunha. “Foi, sim, o militante mais atuante. Sem ele, não teria havido impeachment”, garante.
Em seus cinquenta capítulos, o livro aborda decisões do Supremo Tribunal Federal e brigas jurídicas com o PT ao longo da batalha do impeachment. Tomando por base observações de difícil confirmação, por serem tiradas de conchavos que não vinham a público, Cunha descreve, com críticas a ex-aliados, as reuniões, jantares e conversas de que participou nos bastidores de Brasília, na busca de votos para abrir o processo. A certa altura, as rajadas de sua magoada metralhadora giratória apontam para Maia, que ocuparia seu cargo no comando da Câmara: “Não tinha limites para a sua ambição e vaidade. Na busca pelo protagonismo, Rodrigo Maia quis forçar ser o relator da Comissão Especial de Impeachment. Eu tive de vetar”. No seu julgamento, o DEM não tinha a força política necessária.

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SEGREDO - Dilma: reunião na casa de Maia teria traçado o caminho da saída -
SEGREDO – Dilma: reunião na casa de Maia teria traçado o caminho da saída – Cristiano Mariz/VEJA

Em outro momento, entra na mira o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), por sua vez, candidato agora de Maia e do PT à mesma presidência da Câmara. Segundo Cunha, Rossi fez parte do grupo que articulou contra Dilma, embora tivesse, ele próprio, contas a prestar. “A empresa Ilha Produção Ltda., pertencente ao irmão de Baleia e a sua mulher, recebeu nas campanhas eleitorais de 2010, 2012 e 2014 milhões de reais em pagamentos oficiais e caixa dois, inclusive da Odebrecht”, afirma Cunha. Procurados por VEJA, Maia, Temer e Rossi infelizmente não comentaram as afirmações que, ressalte-se, são apenas a versão de Cunha. O presidente Jair Bolsonaro também é citado na obra. “O primeiro pedido de impeachment coube ao então deputado (…), em função das denúncias de corrupção na Petrobras. Eu rejeitei o seu pedido. De todos os pedidos por mim rejeitados, Bolsonaro foi o único que recorreu”, relata.
 
Após a saída de Dilma, Cunha caiu rapidamente em desgraça. Em setembro de 2016, um mês depois do impeachment, ele foi cassado por quebra de decoro, ao mentir sobre a existência de contas na Suíça. Em outubro, pego pela Operação Lava-Jato, foi parar na cadeia por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Condenado, cumpriu três anos e cinco meses em regime fechado em três locais: na sede da Polícia Federal, em Curitiba, no Complexo Médico-Penal do Paraná e, por último, em Bangu 8, no Rio. No ano passado, por estar no grupo de risco da pandemia, obteve o direito de cumprir a pena em casa, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Lá, mora com a mulher, a jornalista Cláudia Cruz, e recebe familiares e visitas que ainda o chamam de “presidente”. A título de moral da história, seu livro lembra a participação do PT no processo de impeachment de Fernando Collor, em 1992, para proclamar: “Quem com golpe fere, com golpe será ferido”.
Publicado em VEJA de 27 de janeiro de 2021, edição nº 2722

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