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Alguma coisa está fora da ordem

EDUARDO GOMES: Blairo deve disputar Senado, com Júlio Campos e Cidinho como suplentes

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Alguma coisa está fora da ordem

Eduardo e Maggi

Nas redes sociais o passado cruzando o caminho do amanhã

POR EDUARDO GOMES/BOA MÍDIA

Blairo e seu histórico diante das redes sociais

Blairo Maggi, Júlio Campos e Cidinho dos Santos. Essa a chapa costurada entre quatro paredes para disputar o Senado caso a senadora Selma Arruda (Podemos) seja cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que retoma na terça-feira, 10, o julgamento de seu recurso contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral pela degola de sua chapa partidária (registrada pelo PSL) que se completa com Beto Possamai e Clerie Fabiana. O triunvirato candidatável nega que esteja em cena pela cadeira de Selma e quando muito admite que caso se confirme esse cenário, Cidinho deverá ser o nome para a disputa. Em política vale tudo – para os políticos – inclusive a tradição de se encomendar a missa de sétimo dia antes do fechamento do caixão. Claro que quem se lança candidato sempre acredita em vitória. Mas, Blairo, que já foi o novo e coleciona vitórias nas urnas teria chance após o surgimento do fator que muda e molda a opinião pública: as redes sociais?

Selma de deusa do agronegócio ao cadafalso

Selma está no corredor da morte eleitoral, mas pode receber clemência, o que parece pouco provável. O relator de sua ação, ministro Og Fernandes, pediu sua cabeça num prato bem grande pra caber também as cabeças de Possamai e Fabiana. Mais, o magistrado pede a realização de eleição suplementar. A sessão começou na terça-feira, 3, mas a um passo da madrugada a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, a suspendeu e definiu sua retomada.

Nem o mais entusiasmado eleitor de Selma botaria a mão no fogo por seu mandato. A senadora, que recebeu  678.542 votos (24,65%) – maior votação em Mato Grosso para o cargo no pleito em 2018, tropeçou em laçadas armadas contra ela pela crônica conspiração que caracteriza a relação de candidato com marqueteiro e guru político. Sua chapa até poderá ser salva, desde que aconteça um milagre, o que não é comum no submundo da política.

Blairo, que nada tem a ver com o calvário da senadora, está de botas e esporas à espera do cavalo que desponta arreado na curva do calendário da eleição suplementar – que seria inédita para o cargo em Mato Grosso.

Um poço de mistério. Assim é Blairo, que não se abre sobre seu amanhã político, embora em meio aos seus afazeres empresariais dedique 25 horas por dia pra articular. Nessa dedicação, em novembro realizou um Estradeiro Saudosista, percorrendo regiões onde esteve quando governador à frente das chamadas expedições Estradeiro. Conversei com Altir Peruzzo (PT), prefeito de Juína, cidade que foi uma das referências do roteiro. Peruzzo sorrindo me disse que aquilo (o Estradeiro) é sinônimo de candidatura (ao Senado). Nos trajetos percorridos, Blairo conversou com Deus, mundo e Raimundo, sem insinuar candidatura, mas em algumas prosas lançou o nome de Cidinho, que não foi bem acolhido.

Seria leviano debitar ao Estradeiro Saudosista a aparentemente irreversível pré-candidatura de Blairo ao Senado caso Og Fernandes receba a cabeça de Selma num prato, como quer, tanto quanto o Ministério Público Eleitoral; o advogado e escritor Sebastião Carlos, ex-candidato ao Senado pela REDE; e o candidato derrotado a senador Carlos Fávaro (PSD). Sebastião Carlos e Fávaro botaram o jamegão no pedido de cassação ora sendo apreciado pelo TSE. Um grupo expressivo e suprapartidário quer Blairo de volta à política e o caminho mais curto e rápido seria por uma eleição suplementar.

Leia Também:  Empresário do 'mensalão' nos Correios e no caso Valec aparece nos R$ 16 milhões de Alvaro Dias. Como é que o senador tucano, da noite para o dia, aparece como um dos parlamentares mais ricos do Brasil?

Legitimidade eleitoral e política para encabeçar uma chapa ao Senado, Blairo tem. Em 1994 foi suplente do senador Jonas Pinheiro; governou por dois mandatos consecutivos (2003/10) sempre vencendo em primeiro turno; ´campeão nas urnas  em Mato Grosso, foi o primeiro – e único – político a superar um milhão de votos em um só pleito: em 2010 recebeu 1.073.039 votos para o Senado encabeçando uma chapa que se completava com Cidinho dos Santos e Rodrigues Palma, ambos então seus correligionários no PR (agora PL). No governo do presidente Michel Temer foi ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Mais: conta com forte apoio suprapartidário, do agronegócio, do empresariado, de grandes caciques e de líderes políticos em pequenos municípios. Porem, as redes sociais – fator que muda e molda a opinião pública, estão em cena bombardeando a cabeça do eleitor.

Silval (esq.) com Blairo: o passado pesa

Silval (esq.) com Blairo: o passado pesa

Isso mesmo! As redes sociais podem mexer com a cabeça do eleitorado. Uma coisa é a comunicação tradicional, disciplinada, ordenada (e às vezes empenhada). Outra é a explosão das redes sociais.

Quem seria capaz de avaliar o tamanho do rombo que Blairo sofreria quando figuras sem rosto, sem CPF, sem endereço e sem profissão começarem a postar que ele liderou um governo formado por Silval BarbosaÉder Moraes, Eumar NovackAfonso DalbertoPente Fino, Geraldo de Vitto, Vilceu Marchetti, Arnaldo Alves, Waldir Teis, Pedro Elias, Ságuas Moraes, Pedro NadafYuri Bastos Jorge, Ezequiel Fonseca, Cidinho dos Santos, Vanice Marques, Dorgival Veras e outros?

Quem poderá prever o que aconteceria ao candidato Blairo quando as redes sociais bombarem maliciosas informações sobre sua suposta relação com uma das bandas podres da Assembleia Legislativa no passado, formada por José Riva, Sérgio Ricardo, Alencar Soares, Humberto Bosaipo, Wagner Ramos, Silval Barbosa, Daltinho, Gilmar Fabris, Guilherme Maluf, Mauro Savi, Walace Guimarães, Eliene Lima, Sebastião Rezende, Airton Português, Ademir Brunetto, Dilceu Dal’Bosco e outros expoentes desse grupo?

Qual será a reação do cidadão quando o Facebook, WhatsApp e outras mídias sociais martelarem no rumoroso caso que virou ação judicial sobre a propalada compra que Blairo teria bancado,  para entregar a cadeira de Alencar Soares no Tribunal de Contas do Estado, ao conselheiro ora afastado judicialmente Sérgio Ricardo?

E quando as redes sociais inundarem os computadores e celulares ressuscitando o vergonhoso caso do Programa MT 100% Equipado, que teria sido marcado por um milionário superfaturamento na compra de 705 equipamentos rodoviários pelo governo Blairo?

TRIUNVIRATO – As redes sociais poderiam jogar por terra o triunvirato inteligentemente costurado com Blairo (PP), Júlio (DEM) e Cidinho (PL). Politicamente forte, regionalmente quase – seria mais ainda com um nome do Vale do Araguaia – uma chapa assim teria fôlego se não fossem essas infernais redes sociais, que já tiram cartas das mangas por aqui: Ulysses Moraes (DC) chegou à Assembleia nas asas das postagens; Nelson Barbudo (PSL) é campeão de votos para deputado federal graças aos internautas que o seguem nas redes sociais; e antes dos dois, em São Félix do Araguaia, uma advogada nordestina ousada feito a peste – como se diz em sua terra – chamada Janailza Taveira (SD) mal desembarcou sua mudança naquela cidade botou os coronéis da política pra escanteio usando sua inteligência por meio de um simples celular – em 2016 ganhou a eleição e agora é a prefeita Janailza Taveira.

Leia Também:  CORRUPÇÃO NO JUDICIÁRIO: Em bom português, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) chutou o balde. O ministro Joaquim Barbosa, que, certamente, sabe o que está falando, entende existir um "conluio entre juízes e advogados". Disse que isso é "pernicioso", fora das regras, e leva a decisões "graciosas".

Politicamente Blairo teria ao seu lado os senadores Jayme Campos (DEM) e Wellington Fagundes (PL). Jayme é irmão de Júlio e daria quase a metade de seu reino pra que seu mano voltasse ao Senado (onde esteve entre 1991 e 98) e ainda mais sabendo que o titular inevitavelmente disputaria e venceria a corrida ao governo em 2022. Wellington, porque ganharia fôlego para tentar a reeleição num palanque com Blairo candidato a governador.

Que ninguém derrube a tese da dobradinha Blairo/Júlio alegando que o governador democrata Mauro Mendes não a engoliria. Somada as forças de Blairo e dos Campos, Mauro Mendes não seria páreo para eles e seria voto vencido até mesmo nas altas rodas de seu governo. Também levem em conta mais três fatores: O sim de Wellington Fagundes ; a articulação do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), que vive em pé de guerra com o governador; e o apoio do presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (DEM), menos por razões políticas e mais por sua relação empresarial com o grupo que apoia o triunvirato.

Para arredondar sobre o triunvirato, Júlio  voltou para Cuiabá após o Estradeiro Saudosista e o vi na avenida Historiador Rubens de Mendonça. Sorria sem poder conter o riso. Está feliz igual criança que ganha pirulito. Claro que não fala sobre o triunvirato, que até o momento certo jamais admitirá tal composição, mas seu caminhar reforça que o acordo foi firmado entre quatro paredes, já que até mesmo o barulho de suas passadas aponta para tal. Quando pisa, o pé direito faz um barulho semelhante a  su, e o esquerdo, plência. E assim um dos maiores políticos de Mato Grosso em todos os tempos caminha ao som de su-plência, su-plência, su-plência

E então?

Tudo iria muito bem politicamente  se não fossem as redes sociais. Nenhum Blairo resistiria aos rótulos que seriam lançados sobre seu antigo secretariado e sua base de sustentação parlamentar.

MT 100% EquipadoMT 100% Equipado

Ainda sobre Blairo ressurgiria o refrão de sua candidatura ao governo em 2002: Tá na palma da mão / Tá na mão de quem sabe… Trazendo para a palma da mão em 2019 o bordão que sacudiu Mato Grosso há 16 anos não passa de um celular, por mais simples que seja, manuseado por alguém que não se interessa politicamente por Selma, nem pelo homem também chamado de Rei da Soja, que um dia esteve à frente de um reino povoado por figuras pouco recomendáveis e que começam a ressurgir das trevas.

RESUMO – Nas redes sociais o ontem cruzará com a trajetória para o amanhã.

Eduardo Gomes – Redação Boamidia

FOTOS:

1 , 3 e 4 – Arquivo Boamidia

2 – Valmir Faria – Dom Aquino

FONTE BOA MIDIA

www.boamidia.com.br

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Alguma coisa está fora da ordem

LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

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CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

Leia Também:  UMA CRÍTICA PELA ESQUERDA: "O governo, de fato, cometeu estelionato eleitoral. A Dilma enganou as bases sociais do PT. É absurdo ela jogar a conta da crise no colo da classe trabalhadora. Tinha que fazer ajuste? Tinha. Então por que não taxar também as grandes fortunas e, especialmente, os bancos? Ela cometeu um erro que vai ficar na sua biografia. Será o Felipe González do PT. No PT o líder espanhol foi sempre visto como sinônimo de transformismo pelas alas mais à esquerda. O PT está numa situação difícil. Não pode apoiar essas medidas, mas não pode fazer oposição à presidenta". LEIA A ENTREVISTA DO HISTORIADOR LINCOLN SECCO

Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

Leia Também:  JOHNNY MARCUS: A conquista da prefeitura de Cuiabá é ponto capital para as pretensões do candidato Mauro Mendes. Em caso de derrota, praticamente sepulta seu projeto maior, que é o de tornar-se governador em 2014.

Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

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