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ANTERO PAES DE BARROS: É chocante vídeo da conversa entre o atual secretário de administração, Francisco Faiad e o presidente da associação dos policiais militares e do corpo de bombeiros. O governador deveria ver o vídeo para saber o que se passa sob suas barbas e, para salvar a própria imagem, deveria demitir sumariamente Faiad. VEJA O VIDEO.

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Em artigo, o ex-senador Antero Paes de Barros estranha falta de posicionamento da diretoria da OAB e do governador Silval Barbosa, com relação à atitude do advogado e atual secretário de Administração, Francisco Faiad, que foi mostrado, em vídeo, pelo major Wanderson Nunes de Siqueira, presidente da Assof, em manifestação que permite o entendimento de que ele, Faiad, prioriza a defesa dos interesses do seu escritório de advocacia em detrimento dos interesses do Governo do Estado

Em artigo, o ex-senador Antero Paes de Barros estranha falta de posicionamento da diretoria da OAB e do governador Silval Barbosa, com relação à atitude do advogado e atual secretário de Administração, Francisco Faiad, que foi mostrado, em vídeo, pelo major Wanderson Nunes de Siqueira, presidente da Assof, em manifestação que permite o entendimento de que ele, Faiad, prioriza a defesa dos interesses do seu escritório de advocacia em detrimento dos interesses do Governo do Estado

Faiad, o coveiro da ética

por ANTERO PAES DE BARROS

É chocante o vídeo gravado da conversa em 13 de maio passado entre o atual secretário de administração, Francisco Anis Faiad e o presidente da associação dos policiais militares e do corpo de bombeiros de Mato Grosso. Na gravação, o secretário adianta que o pleito dos servidores não tem condições de ser atendido, chegando a falar em nome do governador. Disse que qualquer conversa com Silval Barbosa iria ser remetida ao próprio secretário, adiantando uma resposta negativa do governador. O pior veio depois: Faiad estimula os militares a ingressarem na Justiça porque a questão seria causa ganha “com certeza” e, para completar a lambança, coloca-se à disposição dizendo que seria “o primeiro a advogar”.

Como se sabe, o advogado que integra a administração pública está impedido de exercer a advocacia. Mais grave ainda seria esse exercício contra a Fazenda Pública que o remunera. O Estatuto da Advocacia, uma lei federal que submete todos os advogados do país, prescreve claramente: “art. 28. A advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades: III – ocupantes de cargos ou funções de direção em Órgãos da Administração Pública direta ou indireta, em suas fundações e em suas empresas controladas ou concessionárias de serviço público”. Afora a questão da legalidade, nem tampouco é ético que o escritório do qual é proprietário prossiga litigando com o Estado-patrão.

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O governador deveria ver o vídeo para saber o que se passa sob suas barbas e, para salvar a própria imagem, deveria demitir sumariamente o (in)subordinado Francisco Faiad da Secretaria de Administração, dada como prêmio de consolação por ter perdido a última campanha para a prefeitura da capital. Por outro lado, é ainda mais chocante a posição da Ordem dos Advogados do Brasil que deveria ser a primeira a apurar o procedimento do ex-presidente, suspendendo cautelarmente o direito de advogar. Dele e dos advogados do escritório que processam o Estado, empregador de Faiad. Em direito penal, há a figura da tergiversação que prevê como crime advogar para os dois lados; no bom português, é acender uma vela pra Deus e outra para o diabo. Faiad, como se sabe, é amigo e principal cabo eleitoral da chapa que se elegeu, mas a falta de ética com que conduz suas atividades deixa muito mal uma instituição que deveria primar pela defesa da ética na vida pública. Os interesses mercantis de Faiad não podem continuar subordinando a OAB/MT.

Porém, há mais: depois do vídeo flagrando o secretário estadual recomendando um processo contra o estado de Mato Grosso, veio à tona um processo patrocinado pelo escritório de Francisco Anis Faiad contra a própria Secretaria da qual é titular. E ainda: ao final, requerendo que o advogado Francisco Anis Faiad seja intimado de qualquer decisão do processo contra o secretário Francisco Anis Faiad. Um descalabro de conduta antiética na administração pública. Mais uma vez, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, dr. Maurício Aude, afirmou que não iria se manifestar quanto ao caso. De omissão em omissão vai sendo corroída a credibilidade da atual direção da OAB, que prefere transformar a entidade numa grande bacia de Pilatos.

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A conclusão a que se chega é a de que é bom ser amigo do rei. Mas, nesse particular, há dúvidas de quem seria o rei: o governador de Mato Grosso, o presidente da Ordem dos Advogados ou o próprio advogado-secretário Francisco Anis Faiad. Verdade seja dita: é preciso ter muito suporte político e ser inteiramente descomprometido com a ética para fazer o que Faiad fez, ser gravado, ter o vídeo da conversa publicado pela mídia mato-grossense e não ser punido, nem no governo estadual, nem junto à OAB/MT. Como homem público Faiad vai se revelando um pigmeu da política, muito semelhante aos anões do orçamento que assaltavam cofres públicos no Congresso Nacional. Aqui não se trata de assalto, mas de assassinato da ética, com o próprio Faiad se escalando como coveiro. Pior é que as ações de Faiad enfraquecem o governo e matam de inanição a OAB/MT. Nem o governo, nem os advogados merecem conviver com a falta de ética de Faiad.

Não é cobrando transparência e ética na política e vida pública que os jovens estão na rua? Então, está passando da hora do governo livrar-se de Faiad e da OAB, no mínimo se manifestar contra a falta de ética de um dos seus principais dirigentes.

Um cidadão que já teve a honra de presidir uma das mais importantes instituições da República, a Ordem dos Advogados do Brasil, lamentavelmente se transformou no coveiro da ética.

Triste papel!

ANTERO PAES DE BARROS é radialista, jornalista, advogado, ex-vereador, deputado constituinte e senador da República. Escreve aos domingos no Diário e diariamente no blogdoantero.com.br

——

CONFIRA, EM DOIS VIDEOS, A DENÚNCIA DO MAJOR WANDERSON, PRESIDENTE DA ASSOF


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Magistrados faturam alto no TJ-MT e Ong fala em “corrupção institucionalizada”

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Luis Ferreira, Carlos Alberto e Maria Helena, da cúpula do TJ MT

A reportagem que o jornal O Estado de S.Paulo publica hoje, 20 de janeiro de 2021, sobre o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, é o famoso tapa na cara dos cidadãos, eleitores e contribuintes deste Estado.

A revelação do jornalão paulista é que temos um time de 30 desembargadores (em breve serão eleitos mais 9) que vivem à tripa forra, curtindo ganhos astronômicos, às custas dos cofres públicos, sustentados por uma população que, em sua maioria é pobre, semialfabetizada, submetida a uma pobreza constrangedora.

A denúncia vem de São Paulo porque aqui os chamados órgãos de controle parece que fazem ouvidos de mercador para as possíveis patifarias praticadas pelos magistrados, em seu ambiente de trabalho.

Reproduzi a reportagem do Estadão em meu Facebook, e o jornalista Enzo Corazolla veio lá de Alto Paraíso com seu comentário ácido: “O pior é a venda de sentenças, prática habitual. Se gritar pega ladrão…”

Benza Deus. Além dos ganhos nababescos, pelas tabelas oficiais, ainda teríamos um inacreditável ganho por fora que, apesar de muito aventado, não se consegue, com o rolar dos anos, se reprimir.

Leia Também:  PAULO LEMOS: Segundo o ilustre cientista político florentino, Maquiavel, quem abdica dos ideais, do projeto originário, por propósitos mercenários, do poder pelo poder ou por uma aventura irresponsável, ainda que ganhe a batalha imediata, perderá a guerra mediata, perderá a confiança do próximo e a própria dignidade, em uma vil negociata. Do que adianta conquistar o "Mundo", se o preço for perder a própria alma?

Espanto. Perplexidade. Raiva. Parece que o patrimonialismo do Estado brasileiro é inescapável, está sempre desabando sobre e nós, e nos cobrando sangue, suor e lágrimas.

Para reforçar os temores do veterano jornalista Corazolla, representantes da Ong Transparência Brasil, ouvidos pelos repórteres do Estadão, cogitam que uma “corrupção institucionalizada” grassaria entre os espertalhões e espertalhonas togadas que atuariam no nosso Tribunal de Justiça.

Como botar em pratos limpos tudo isso, se a Justiça é sempre tão temina, sempre tão inalcançavel?! Os controles de controle, vejam só, não controlam porra nenhuma e, aqui mesmo em Mato Grosso, e nos mesmos espaços de midia nacional, as doutas autoridades do Ministério Público de Mato Grosso já foram deduradas e denunciadas por também engordarem seus ganhos e suas propriedades, com toda sorte de privilégios. Em plena pandemia, que segue matando com destaque os pobres e os filhos dos pobres, promotores e procuradores se divertem com verbas extras para usufluirem da I-phones e seguros de saúde às custas do erário, sempre dilapidado de forma cruel.

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Reproduzo, aqui, a matéria do Estadão. E divulgo uma lista com os pretensos ganhos dos desembargadores, em dezembros, que circula pelas redes sociais. E aguardemos novos desdobramentos.

 
LEIA A REPORTAGEM DO JORNAL O ESTADO DE S PAULO: Desembargadores de MT têm extra de até R$ 274 mil – Política – Estadão (estadao.com.br)
 
 

Lista Com Pretenso Faturamento de Desembargadores Do TJ MT Em Dezembro de 2020 by Enock Cavalcanti on Scribd

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