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Alguma coisa está fora da ordem

ANTERO DE BARROS: Bolsonaro não tem mais condições de liderar o país. Mourão deve assumir

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Alguma coisa está fora da ordem

Antero Paes de Barros

O Brasil não tem presidente. Mourão deve assumir

POR ANTERO DE BARROS

O presidente Jair Bolsonaro não tem mais condições de liderar o país. E foi ele mesmo quem criou essa situação de isolamento nacional e internacional, com graves consequências para a população, sendo a maior delas a aceleração no número de mortes.

Sim, Bolsonaro é o responsável pela crise ter aumentado, pelo aumento no número de casos e pelo aumento vertiginoso no número de mortes, por causa da covid. Ele é o maior aliado do vírus em território nacional. Sempre debochou da doença, chamando-a inicialmente de gripezinha e mesmo agora, depois das mais de 210 mil mortes, continua agindo no picadeiro de forma a dificultar a situação de volta à normalidade do país.

Bolsonaro não tem nenhuma coerência. Seguidamente vem cometendo crimes ao receitar e recomendar a utilização da hidroxicloroquina, remédio que o mundo já atestou que não faz nenhum combate ao coronavírus.

Mas o presidente continua tentando impor a sua utilização. A Procuradoria Geral da República já perdeu a hora de mandar investigar os motivos que levaram Bolsonaro a fazer o Brasil gastar mais de R$ 300 milhões para a produção e distribuição de um remédio que não faz nenhum efeito contra a covid-19. Crime contra a saúde, crime contra a economia. Existe alguém ganhando com isso?

Na semana passada, com os cidadãos amazonenses morrendo por asfixia, por falta de oxigênio, Bolsonaro mandou o seu ministro da saúde, General Pazuello, para tentar impor a utilização preventiva da hidroxicloroquina como tratamento precoce e comprovadamente ineficaz.

A incompetência do governo brasileiro é tamanha que até o ditador venezuelano Nicolas Maduro apiedou-se do povo amazonense e mandou a sua contribuição à população com carregamentos de cilindros de oxigênio.

Um gesto que se não resolve todos os problemas de Manaus serve para aumentar os do presidente Bolsonaro, a esta altura, completamente perdido e vítima das tramas que ele mesmo articulou.

Bolsonaro tem que ser afastado urgentemente. Rodrigo Maia precisa dar início ao processo de impeachment. O Brasil não suportará esperar pelo novo presidente da Câmara dos Deputados. Bolsonaro está isolado e o Brasil, como consequência, isolando-se.

Graças ao governador João Dória, de São Paulo, um sopro de esperança existe desde domingo. Mas a nossa situação continua muito frágil e por culpa exclusivamente deste governo incapaz de Jair Bolsonaro.

Bolsonaro e seu ministro das Relações Exteriores usou e abusou de críticas aos chineses, fazendo blaque com a vacina chinesa e dizendo que o Brasil apostava mesmo na de Oxford. Resultado: a Anvisa atestou a eficiência da Coronavac – vitória de Dória e derrota de Bolsonaro – e a China paralisou a entrega de produtos primários para que possam ser fabricadas as vacinas de Oxford e da própria Coronavac, no Brasil.

Bolsonaro criticou publicamente a vacina da Pfizer e disse que ela, a Pfizer, fazia exigências descabidas ao Brasil, por isso não se interessou por sua compra. Até o momento a russa Sputinik não consegue iniciar um processo para ser aceita no Brasil. A de Oxford depende de produtos primários chineses e não há boa vontade em entregá-los.

Resta, portanto, a esperança de que, com mais habilidade, Doria consiga para o Butantan, os produtos chineses para não parar a produção. Enquanto isso, os hospitais vão enchendo e os brasileiros morrendo e o Congresso não tem coragem de interditar este mandato desastroso de Jair Bolsonaro.

Bolsonaro isolou o Brasil. Até o final de semana passada continuava dando razão a Trump, dizendo sem nenhuma prova que a eleição americana foi fraudada. Com certeza não contará com a boa vontade dos que passam a governar os Estados Unidos a partir deste 20 de janeiro.

Bolsonaro abriu crise com a Europa, especialmente com a França e, por culpa dele, o Brasil e todos os países do Mercosul perderam um tratado com a Europa que poderia melhorar a vida de todos os países do Mercosul.

Agora vem o troco da China, mostrando claramente que nessas relações globais, o Brasil é que precisa tratar bem os seus parceiros, principalmente os mais fortes.

Outras autoridades brasileiras estão tentando resolver o problema. João Doria, governador de São Paulo, tem atuado para ajudar nesse sentido. Rodrigo Maia, o presidente da Câmara dos Deputados, que já fez contato com a embaixada da China para encaminhar o problema. E o vice-presidente Mourão, que diz ter boas relações com o vice chinês, também se dispôs a ajudar.

Enciumado e isolado, Bolsonaro não dá o braço a torcer e dificulta quem quer e pode ajudar.

Isso tudo é mais que suficiente para acionar o mecanismo do impeachment. O Brasil já não tem presidente. Que venha Mourão; o remédio constitucional.

Antero Paes de Barros é advogado e jornalista em Mato Grosso. Foi vereador, deputado constituinte e senador da República.

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LÚDIO CABRAL: 5 mil vidas perdidas para a covid em Mato Grosso

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CINCO MIL VIDAS

Lúdio Cabral*

Cinco mil vidas perdidas. Esse é o triste número que Mato Grosso alcança hoje, dia 26 de janeiro de 2021, em decorrência da pandemia da covid-19.

Cada um de nós, mato-grossenses, convivemos com a dor pela perda de alguém para essa doença. Todos nós perdemos pessoas conhecidas, amigos ou alguém da nossa família.

A pandemia em Mato Grosso foi mais dolorosa que na maioria dos estados brasileiros e o fato de termos uma população pequena dificulta enxergarmos com clareza a gravidade do que enfrentamos até aqui.

A taxa de mortalidade por covid-19 na população mato-grossense, de 141,6 mortes por 100 mil habitantes, é a 4ª maior entre os estados brasileiros, inferior apenas aos estados do Amazonas (171,9), Rio de Janeiro (166,2) e ao Distrito Federal (147,0). O número de mortes em Mato Grosso foi, proporcionalmente, quase 40% superior ao número de mortes em todo o Brasil. Significa dizer que se o Brasil apresentasse a taxa de mortalidade observada em Mato Grosso, alcançaríamos hoje a marca de 300.000 vidas perdidas para a covid-19 no país.

Lembram do discurso que ouvimos muito no início da pandemia? De que Mato Grosso tinha uma população pequena, uma densidade populacional baixa, era abençoado pelo clima quente e que, por isso, teríamos poucos casos de covid-19 entre nós?

Lembram do posicionamento oficial do governador de Mato Grosso no início da pandemia, de que o nosso estado não teria mais do que 4.000 pessoas infectadas pelo novo coronavírus?

Infelizmente, a realidade desmentiu o negacionismo oficial e oficioso em nosso estado. Não sem muita dor. O sistema estadual de saúde não foi preparado de forma adequada. Os governos negligenciaram a necessidade de isolamento social rigoroso em momentos cruciais e acabaram transmitindo uma mensagem irresponsável à população. O resultado disso tudo foram vidas perdidas.

Ao mesmo tempo, o Mato Grosso do sistema de saúde mal preparado para enfrentar a pandemia foi o estado campeão nacional em crescimento econômico no ano de 2020. Isso às custas de um modelo de desenvolvimento que concentra renda e riqueza, de um sistema tributário injusto que contribui ainda mais com essa concentração, e de um formato de gestão que nega recursos às políticas públicas, em especial ao SUS estadual, já que estamos falando em pandemia.

Dolorosa ironia do destino, um dos municípios símbolo desse modelo de desenvolvimento, Sinop, experimentou mortalidade de até 100% entre os pacientes internados em leitos públicos de UTI para adultos em seu hospital regional.

Nada acontece por acaso. Os números da covid-19 em Mato Grosso não são produto do acaso ou de mera fatalidade. Os números da covid-19 em Mato Grosso são produto de decisões governamentais, de escolhas políticas determinadas por interesses econômicos, não apenas agora na pandemia, mas por anos antes dela. E devemos ter consciência disso, do contrário, a história pode se repetir novamente como tragédia.

Temos que ter consciência dessas injustiças estruturais para que possamos lutar e acabar com elas. A dor que sofremos pelas pessoas que perdemos para a pandemia tem que nos mobilizar para essa luta.

Lutar por um modelo de desenvolvimento econômico que produza e distribua riqueza e renda com justiça, que coloque pão na mesa de todo o nosso povo e que proteja a nossa biodiversidade. Lutar por um sistema tributário que não sacrifique os pequenos para manter os privilégios dos muito ricos. Lutar por políticas e serviços públicos de qualidade para todos os mato-grossenses. Lutar pelo SUS, por um sistema público de saúde fortalecido e capaz de cuidar bem de toda a nossa população.

São essas algumas das lições que precisamos aprender e apreender depois de tantos meses de sofrimento e dor, até porque a tempestade ainda vai levar tempo para passar.

*Lúdio Cabral é médico sanitarista e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso.

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