LUIZ PERLATO: Jangada Roncador, na Chapada, precisa de tudo: estradas, educação,saúde e regularização fundiária, principalmente. Existe comunidade na região em que crianças nunca puderam ir à escola, pela falta de ponte que permita a passagem do ônibus escolar

Vereadores de Chapada promoveram sessão itinerante da Câmara para conhecer de perto os problemas de Jangada Roncador

Vereadores de Chapada promoveram sessão itinerante da Câmara para conhecer de perto os problemas de Jangada Roncador

Jangada Roncador, na Chapada, precisa de tudo: estradas, educação,saúde e regularização fundiária, principalmente.

POR LUIZ PERLATO

Como acontece em quase todo o município de Chapada, os principais problemas de Jangada Roncador estão na educação e na saúde, devido, sobretudo, às péssimas condições das estradas.

Uma boa saúde e uma boa educação dependem do acesso das pessoas através de boas estradas, mas isso é o que o povo de Jangada Roncador não tem.

Para se ter uma ideia, existe uma comunidade na região em que as crianças nunca puderam ir à escola, simplesmente pela falta de uma ponte que permita a passagem do ônibus escolar.

As pontes existentes são todas de madeira, e além disso estão mal conservadas. Algumas estão quebradas e outras até já caíram, apodrecidas. Os desvios, por sua vez, aumentam o percurso em até 20 km, segundo disseram alguns moradores, dificultando a ida das crianças à escola.

Estradas ruins combinam com ônibus quebrados e estudantes sem aula. Além disso, entretanto, há notícias sobre falta professores. O estranho, porém, é que os veradores vieram a saber que no assentamento tem professor que passou no processo seletivo e até hoje não foi contratado porque não é amigo do prefeito. O autor da denúncia, que teve todo o público presente como testemunha, pediu ajuda aos vereadores para resolver a situação.

Questão da água

Quem mora em Jangada Roncador só tem água para beber na época das chuvas, porque depois disso o rio que abastece a região deixa todo mundo na mão. Mas, quanto a isso, a solução já deve estar sendo encaminhada, tendo em vista que o diretor do SAAE-Sistema Autônomo de Água e Esgoto de Chapada dos Guimarães, Benedito Edmilson de Freitas Filho (o Bozó) estava presente na sessão itinerante e ouviu as reclamações da comunidade.

Por sinal, Bozó foi o único representante da administração municipal a comparecer. O prefeito José Neves também veio ao assentamento durante a tarde, mas foi embora antes mesmo da chegada dos vereadores, sem dizer o porquê.

Saúde

Em Jangada Roncador, os idosos vivem à mercê da generosidade dos poucos moradores que têm veículo próprio e se dispõem a transportá-los em caso de necessidade.

Quem for mordido por uma cobra – como dizem que acontece de vez em quando por lá – ou quem adoece e precisa ser levado para as cidades de Chapada ou Cuiabá, tem que contar com uma boa dose de sorte para não morrer à míngua, já que não há ambulância na região.

O PSF de Jangada Roncador nunca foi concluído mas está funcionando. Entretanto, segundo os relatos da população, a equipe médica atende numa salinha improvisada na sede da associação dos moradores, e além disso faltam medicamentos.

Além de tudo isso, os moradores reclamam da falta de infraestrutura de comunicação. Não há telefone público e nem mesmo uma torre para celulares.

Também não há iluminação pública e nem opções de lazer. Um campo de futebol está sendo construído para dar um pouco de diversão aos jovens, que estão indo embora, em busca de uma vida melhor.

Regularização fundiária

altEntre tudo isso, o que mais angustia a comunidade, segundo a presidente da Associação de Moradores, Rosângela Martins Menezes (a Dona Preta), é a falta da regularização fundiária.

“O assentamento já tem 17 anos, e até hoje não temos os títulos da terra para passarmos a ser considerados agricultores familiares. Por enquanto somos apenas assentados, sem direito ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) , e sem nenhuma dignidade”, diz ela.

Para Dona Preta, Jangada Roncador também precisa muito de projetos de desenvolvimento, pois nenhuma família do assentamento consegue sobreviver com o próprio sustento. “Moramos aqui há mais de 17 anos e trabalhamos sempre, mas em geral temos que viver na dependência de um filho que trabalha fora ou de um parente distante, enfim. Isso é muito triste”, afirma Dona Preta.

Ela e outros líderes comunitários reivindicam também que o assentamento Jangada Roncador seja promovido a distrito.

Categorias:Cidadania

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