ISTOÉ: Polícia Federal vê indícios de que Sistema S também pode ter sido usado para abastecer esquema de corrupção e lavagem de dinheiro investigado pela Operação Ararath em Mato Grosso. Sesc comprou propriedade avaliada em R$ 2 milhões pagando R$ 20 milhões. Quem assinou o contrato, como representante do Sesc, foi o presidente da Fecomércio-MT, Pedro Nadaf que também pontifica como secretário da Casa Civil do governo Silval Barbosa

Pedro Nadaf, cuja família é uma espécie de donatária do Sesc em Mato Grosso e figura, atualmente, como um dos homens fortes do governo de Silval Barbosa, comandando a Casa Civil

Pedro Nadaf, cuja família é uma espécie de donatária do Sesc em Mato Grosso e figura, atualmente, como um dos homens fortes do governo de Silval Barbosa, comandando a Casa Civil

Transações suspeitas

Polícia Federal vê indícios de corrupção em compra de propriedade superfaturada pelo Sesc, com a participação de personagens envolvidos na Operação Ararath

Claudio Dantas Sequeira ([email protected]), na revista ISTOÉ

 

A Polícia Federal encontrou indícios de que o Sistema S teria sido usado para abastecer o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro investigado pela Operação Ararath em Mato Grosso. Em 2011, o Sesc Nacional comprou do empresário Rodolfo Aurélio Campos uma fazenda de cinco mil hectares, na região de Barra do Ribeiro Triste. Pagou pelo imóvel R$ 20 milhões, pelo menos dez vezes mais que o valor de mercado. Avaliação feita pela Edificar Empreendimentos Imobiliários, importante corretora local, aponta que a propriedade valeria hoje R$ 2,5 milhões. Há três anos, não custaria mais que R$ 2 milhões.

abre.jpg
NEBULOSO
Negócio foi solicitado pelo presidente da Fecomércio (MT),
Pedro Nadaf (acima), investigado pela PF

IEpag42_NegocioChina.jpg

A compra suspeita foi autorizada pelo então presidente do Sesc Nacional, Antônio José Domingues de Oliveira Santos. Mas quem assinou o contrato, como representante da entidade, foi o presidente da Fecomércio-MT, Pedro Jamil Nadaf, que ocupava simultaneamente a Secretaria de Indústria e Comércio do governo Silval Barbosa (PMDB). Atualmente, ele é secretário da Casa Civil. Tanto Nadaf como Silval e Rodolfo Campos são investigados na Operação Ararath.

Ouvido por ISTOÉ, Oliveira Santos disse que a compra observou as regras do Sesc e que duas avaliações corroboraram o valor desembolsado. Uma de R$ 31,8 milhões e outra de R$ 28,4 milhões. “Essa propriedade valia o dobro. Nós conseguimos uma ótima negociação”, diz ele. Além de aprovado pelo Conselho de Administração, o negócio passou pelo Conselho Fiscal, presidido por Carlos Gabas, secretário-executivo do Ministério da Previdência. Ele também defendeu a compra, ao menos do ponto de vista dos princípios da instituição e de regras contábeis. “Não nos cabe avaliar oportunidade, conveniência e valores. Isso é com o conselho de administração”, afirma.

Fruto da contribuição dos trabalhadores do comércio, os recursos do Sesc devem ser aplicados em atividades de qualificação profissional, lazer e bem-estar. A fazenda é hoje usada como refúgio ecológico. “Fizemos uma reunião lá. Tem uma colônia de férias. Parece um projeto adequado às normas de lazer aos comerciários e preservação do meio ambiente”, diz Gabas. Nadaf não retornou os contatos da reportagem, mas Oliveira Santos fez questão de defendê-lo. “Ele só assinou. Não tem nada a ver com isso.”

Depois de 34 anos à frente do Sesc e do Senac, Oliveira Santos foi afastado na terça-feira 1o por determinação do STJ. O motivo foi uma condenação do TCU relativa a prestações de contas de 2001.

—————-

FAZENDA EM NOBRES

Nadaf nega fraudes e denuncia manobra orquestrada

Do FOLHA MAX

nadaf-superfaturamento2.jpg

O presidente do Sistema Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso- Fecomércio/Sesc e Senac-MT e secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, se posicionou em relação a matéria publicada na revista IstoÉ desta semana. As informações que se referem à compra, em 2011, pelo Sesc Nacional, de  uma fazenda na região de Nobres, segundo ele não condiz com a realidade dos fatos, pois fala sobre superfaturamento, quando na verdade foi uma transação dentro totalmente da legalidade.

No processo de aquisição da área de mais de cinco mil hectares, o Departamento Nacional do Sesc contou com avaliações oficiais, sendo que levou-se em conta toda a área, infraestrutura do local  e as benfeitorias. O entorno da fazenda é área de cultivo de soja, e o mercado é que dita os valores, além de ser a nascente do Rio Cuiabá, com muitos pontos de atratividades ao turismo, a exemplo da cachoeira da Serra Azul. O Sesc optou pelo local devido sua política de turismo voltado a sustentabilidade.

Nadaf desconhece a procedência da empresa que fez a referida avaliação, para subsidiar as informações da Revista IstoÉ, a Edificar Empreendimentos Imobiliários, que colocou um preço totalmente fora de mercado em seu levantamento. Ele informou que para adquirir qualquer propriedade o Sesc Nacional necessita obrigatoriamente de avaliações oficiais e passa por um Conselho de Administração, com mais de 50 membros, além de órgãos de controles, interno e externos.

Ele assinou, representando o presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo –CNC, Antonio de Oliveira Santos, após um parecer conclusivo. A fazenda teria sido comprada por R$ 20 milhões enquanto que o valor de mercado seria R$ 2 milhões.

Pedro Nadaf desconhece que  é investigado pela Operação Ararath, como é citado na revista nacional. O presidente da Fecomércio suspeita que  a matéria publicada na IstoÉ pode ser uma ação orquestrada para prejudicá-lo na diretoria executiva da Confederação Nacional do Comércio. Hoje ele ocupa cargo de relevância na estrutura da instituição e seu nome está entre os possíveis futuros presidentes, conforme matérias veiculadas nacionalmente.

 

1 Comentário

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 177.193.133.122 - Responder

    esse pedro nadaf está mesmo em todas. até nos escandalos.

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

sete + 20 =