Grevistas da Educação, em Cuiabá, farão ato na porta da Secretaria da Educação de Mauro Mendes na quarta-feira. Sindicalista João Custódio e Helena Bortolo reclamam da truculência e da má vontade do prefeito em negociar com a categoria. Fórum Sindical repudia criminalização das greves de servidores.

O presidente do Sintep subsede de Cuiabá, sindicalista João Custódio e a professora Helena Bortolo. Contra truculência e má vontade do prefeito Mauro Mendes, dirigentes estão convocando categoria dos profissionais da Educação para concentração, na porta da Secretaria de Educação, na   quarta-feira

O presidente do Sintep subsede de Cuiabá, sindicalista João Custódio e a professora Helena Bortolo. Contra truculência e má vontade do prefeito Mauro Mendes, dirigentes estão convocando categoria dos profissionais da Educação para concentração, na porta da Secretaria de Educação, na quarta-feira

Grevistas da Educação, em Cuiabá, farão ato na porta da Secretaria da Educação de Mauro Mendes na quarta-feira. Sindicalista João Custódio e Helena Bortolo reclamam da truculência e da má vontade do prefeito em negociar com a categoria. Forum Sindical repudia criminalização das greves de servidores.

COTIDIANO / GREVE DOS PROFESSORES 

“Teve má vontade e truculência do prefeito em não querer negociar”, diz presidente do Sintep

DOUGLAS TRIELLI
ISSOÉ NOTICIA

João Custódio é presidente do Sintep, Subsede de Cuiabá O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público (Sintep) da subsede de Cuiabá, João Custódio, afirmou ao Isso é Notícia que pretende prosseguir com a greve dos professores, mesmo após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT) considerar a paralisação ilegal.

“A greve está a todo vapor. Já temos uma agenda programada e, nesta quarta-feira, teremos um grande ato em frente à Secretaria de Educação, queremos que o prefeito nos atenda e faça uma proposta”, diz.

No último dia 22 de agosto, o desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, assinou decisão que determinou que a greve fosse encerrada no prazo de 72 horas ou seria aplicado uma multa de R$5 mil por dia. “É inquestionável o enorme prejuízo que a paralisação trará à população, sobretudo aos alunos carentes da rede pública de ensino que terão afetado o calendário escolar, além das creches que recebem os menores para que os pais, de baixa renda, possam trabalhar, sendo indiscutível, portanto, a necessidade da continuidade do serviço”.

O sindicalista explicou que a assessoria jurídica do Sintep já está recorrendo da medida cautelar, mas que, caso não consigam reverter, pretendem arcar com os custos da paralisação. “Mesmo que seja considerada ilegal, nós vamos continuar, porque a categoria está unida e fundamentada. Nem que para isso tivermos que ir às ruas, pedir centavo por centavo para a população”.

Para Custódio, o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), vem sendo intransigente em não querer negociar. “Teve, sim, má vontade e truculência do prefeito em não querer negociar, mas o que esperamos é que essa gestão tenha respeito com a categoria”.

Em nota, a prefeitura informou que já concedeu a todos os profissionais da rede municipal de ensino 5,8% de ganho real de salários nos meses de fevereiro e março, e mais 6,97% de reposição de perdas inflacionárias na data-base da categoria, no mês de julho, totalizando 12,77%, contra 4,9% concedidos em 2012.

“Além do reajuste, a Secretaria de Educação vem garantindo direitos funcionais e trabalhistas da categoria, a exemplo da concessão de aproximadamente 1.000 licenças-prêmio que estavam represadas. Este número é maior que a soma de todas as licenças que foram concedidas nos últimos quatro anos”, disse trecho da nota.

Reivindicações

A categoria pede um aumento de 10,9%, sem contar as perdas inflacionárias, pois, para os professores, o aumento real de 5,8%, concedido pela prefeitura, era referente ao ano de 2012.

Atualmente o salário de um professor de nível médio ou de um técnico é de R$ 1.134. Já o professor de nível superior recebe R$ 1.614. De acordo com o Sintep, Cuiabá conta atualmente com 84 escolas e 48 creches. São mais de 50 mil estudantes da rede municipal de ensino e 7,6 mil servidores entre professores e técnicos.

Apoio

O sindicalista Gilmar Brunetto, presidente do Sinterp e coordenador do Fórum Sindical, lamentou a decisão do Tribunal de Justiça. Segundo Brunetto, as repetidas decisões judiciais, declarando ilegais os movimentos grevistas de servidores, coloca em ameaça a greve como um direito constitucional dos trabalhadores.

“Nem sempre a Justiça demonstra a mesma agilidade em punir governantes que pisoteiam direitos dos servidores. Os desembargadores deveriam refletir que os servidores não fazem greve por prazer, mas como último recurso para pressionar seus patrões”, afirma.

“Como coordenador do Sinterp, defendo uma urgente articulação de trabalhadores de todo o Brasil no sentido de defender o direito de greve e, mais particularmente, de regulamentar e garantir o direito de greve dos servidores públicos”, diz.

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EDUCAÇÃO

Sintep diz que não teme liminar e mantém greve; multa é R$ 5 mil dia

Glaucia Colognesi
RD NEWS

 

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Cuiabá continua ignorando a liminar judicial proferida pelo desembargador Rubens de Oliveira na última quinta (22) pelo fim da greve. A categoria, que conta com 7.500 profissionais, mantém a paralisação até que haja uma contrapartida da prefeitura ou até que o Pleno do Tribunal de Justiça julgue a questão. “A gente não teme a liminar, primeiro porque o parecer de um desembargador apenas não é o julgamento da greve. É preciso que o pleno do TJ aprecie”, afirmou a diretora do Sintep, Helena Maria Bortolo, em entrevista ao RDTV desta segunda (26). Ao deferir a liminar, Rubens fixou multa de R$ 5 mil por dia, caso seja discumprida.

Segundo Bortolo, o Sintep repudia a postura do prefeito de buscar na Justiça o que ela classifica como “um meio de coagir os trabalhadores em greve”. Ainda conforme a sindicalista, o secretário municipal de Educação, Gilberto Figueiredo, tem destratado e pressionado os grevistas. Ela destaca que, ao cruzar os braços, os profissionais exercem um direito assegurado pela Constituição Federal. “Este instrumento utilizado pelo prefeito é absurdo. Afinal, legal é a nossa greve e o que não é legal é a postura do prefeito Mauro Mendes com esta medida”, frisa.

Ela reforça que a classe quer 10,9% de reajuste e defende que a prefeitura tem condições de oferecer isso aos professores e técnicos, porque mesmo com esse aumento irá comprometer apenas 74% do orçamento da Educação com folha enquanto, o Governo emprega 89%. Ela explica também que os 12,77% de aumento concedido por Mauro no primeiro semestre do ano refere-se apenas à recomposição das perdas inflacionárias e do ganho real que não tiveram em 2012, gestão Chico Galindo (PTB).

Por isso, ainda pleiteiam outro reajuste. Já o município alega que se investir em salários, diminui os recursos para custeio e investimentos. “Temos essa elasticidade que é possível. É obvio que temos muitas demandas, escolas precisando de reforma, novos materiais pedagógicos. Mas, até então, não tivemos um prefeito que tivesse uma política de valorização dos professores, só conseguimos buscar isso por meio de greve”, destaca.

Os dois candidatos a prefeito da Capital, que foram para o segundo turno das eleições de 2012, Mauro Mendes (PSB) e Lúdio Cabral (PT) assinaram um documento se comprometendo a dar o aumento pleiteado tanto àquele referente a 2012 ano quanto os subsequentes. Para a próxima quarta (28), a categoria prepara uma manifestação em frente a secretaria municipal de Educação. O ato será realizado a partir das 14h. “A valorização dos profissionais é fundamental para termos funcionários motivados e estimulados e para que a educação dê um salto de qualidade”, reforça.

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