GRANDE, COMO ERA GRANDE: Morre, aos 81 anos, Larry Hagman, uma lenda da televisão. Ele brilhou como o major Nelson, de “Jeannie é um Gênio”, e JR, em “Dallas”

Morre uma lenda da TV: Larry Hagman
RUBENS EWALD FILHO – R7

Seu nome era Larry (Martin) Hagman (1931-2012) mas podia chamá-lo por J.R. que ele atendia, ou então por outro personagem inesquecível que foi o Major (Anthony) Nelson de outro seriado Jeannie é um Gênio, que ele viveu ao lado de Barbara Eden entre 1965-70, cuja série completa esta disponível em DVD no Brasil.

Larry morreu aos 81 anos, em Dallas, depois de trabalhar no remake recente  de Dallas (dos quais foram gravados dez capítulos) e onde ele voltava a viver o personagem o lendário personagem do milionário sem escrúpulos. Para mim, Larry tinha uma importância especial porque era filho único de outra lenda da Broadway, uma das maiores estrelas do palco Mary Martin (1913-90), aquela justamente que criou tantos musicais clássicos (de A Noviça Rebelde a South Pacific) e que  durante muitos anos viveu no Brasil, em Goiás, mais precisamente em Anápolis com o marido e os amigos a também estrela Janet Gaynor e o marido Adrian, o mais famoso figurinista da Metro.

Larry esteve várias vezes por aqui e manteve uma ligação com o Brasil, a que sempre elogiava. Eu conheci Mary numa de suas últimas visitas aqui, num jantar em casa de amigos nos anos 70, onde ela conversou e cantou seus sucessos, tudo informalmente. Foi uma noite inesquecível. Larry era realmente texano, de Fort Worth, cidade gêmea de Dallas, o pai era um promotor publico. Nasceu em 21 de Setembro de 1931.

Depois do divórcio dos pais, mudou-se para Los Angeles para viver com a avó que faleceu quando ele tinha 12 anos, que se casou de novo e deixou o cinema para fazer Broadway. Estudou no Bard College em Nova York e decidiu seguir a tradição da mãe. Mas foi começar no grupo Theatre-in-the-Round em Dallas. Foram anos de teatro regional, um período na Inglaterra, acompanhando a mãe em South Pacific.

Depois disso ingressou na Força Áerea americana  onde produziu filmes e montagens informativos. Chegou a fazer ate telenovela (soap-opera) por dois anos (Edge of the Night, 61-63). Cinema nunca foi seu forte, embora tenha participado em 64, de O Barco do Desespero de Joshua Logan, a continuação de Mr Roberts, o italiano Sette contro a Morte/The Cavern, último filme de Edgar Ulmer, com John Saxon, o famoso Limite de Segurança (Fail Safe, de Sidney Lumet).

Mais tarde fez ainda outro filme de Lumet (O Grupo, 66), A Primeira Vitória de Otto Preminger, 65, mas o caminho era mesmo a televisão e os 139 episódios de Jeannie é um Gênio, uma comédia despretensiosa onde era piloto /astronauta que tem cuidar de um gênio (feminino) da Lâmpada.

Na época não levada a sério mas hoje é inteiramente Cult. Apesar disso, não virou o astro que se podia supor, mas fez muitos telefilmes, em geral comédia porque se supunha que esse fosse seu forte. Esteve em The Good Life (71), Here we Go Again (73), Applause com Lauren Bacall (73).

Até quando em 77 surgiu Dallas e ele convenceu como o mais famoso vilão da teve ao menos em seu tempo, fazendo o milionário pervertido e maldoso J.R. Ewing ,um homem que amava ser odiado. A série durou 14 temporadas e meia e o episódio Quem Atirou em J.R? Até hoje é a segunda maior audiência da historia da teve americana.

Mas já por essa época Larry começou a ter problemas de saúde, por ser um fumante inveterado e em julho de 1995, precisou de um transplante de fígado que todos pensavam ser seu fim. Dali em diante passou a ser porta voz da organização de transplantes.

Foi difícil mas superou a doença e continuou trabalhando (o IMDB da 103 créditos que inclui as series Nip/Tuck, Desperate Housewives, o telefilme Dallas: J.R.Returns, 96 , Orleans, 97 , A minissérie O Terceiro Gênio , 97, os filmes Segredos do Poder, de Mike Nichols (98), Nixon de Oliver Stone (95). Larry morreu de câncer, que foi diagnosticado há 13 meses atrás. Ou seja, ele já sabia que o novo Dallas seria seu canto do cisne.

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