GRANDE, COMO ERA GRANDE: Morre aos 73 anos, o escritor João Ubaldo Ribeiro, autor do clássico “Sargento Getúlio”, um grande baiano, irreverente como poucos e um grande contador de histórias. VEJA AQUI O FILME, COM LIMA DUARTE

Morre o escritor João Ubaldo Ribeiro, autor de “Viva o Povo Brasileiro”

Por iG São Paulo

Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1994, ele tinha 73 anos e foi vítima de embolia pulmonar

O escritor João Ubaldo Ribeiro, autor de obras como “Viva o Povo Brasileiro” e “Sargento Getúlio”, morreu na madrugada desta sexta-feira (18), aos 73 anos, em sua casa no Rio de Janeiro. Ribeiro teve uma embolia pulmonar.

Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele ocupava a Cadeira 34 desde 1994. Jornalista e cientista político, foi autor de mais de 20 livros, publicados em 16 países.

ubaldo esc

Nascido João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro em Itaparica (BA), o escritor viveu com a família em Sergipe até os 11 anos. Passou também por Lisboa, Berlim e de novo Itaparica, até se ficar no Rio de Janeiro nos anos 1990.

Se formou em Direito pela Universidade Federal da Bahia,  mas não chegou a exercer a profissão. Cursou também Administração Pública e Ciência Política, sendo professor da Escola de Administração e da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e da Escola de Administração da Universidade Católica de Salvador.

Como jornalista, exerceu diferentes funções no “Jornal da Bahia” e na “Tribuna da Bahia”, além de ter colaborado para publicações de todo o mundo.

Seus primeiros trabalhos literários foram publicados em coletâneas como “Reunião” e “Panorama do Conto Baiano”. O primeiro livro, “Setembro Não Tem Sentido”, foi lançado quando tinha 21 anos.

Divulgação

Imagem do filme ‘Sargento Getúlio’, com Lima Duarte, baseado no livro de João Ubaldo Ribeiro

 

Em 1971 publicou o segundo livro, “Sargento Getúlio”, que se tornaria um dos mais conhecidos e um marco do moderno romance brasileiro. O próprio Ubaldo Ribeiro fez a tradução da obra para o inglês, dada a dificuldade de adaptar regionalismos. Nos anos 1980, “Sargento Getúlio” foi adaptado para o cinema por Hermanno Penna.

Outra obra importante é “Viva o Povo Brasileiro”, de 1984, romance que mistura personagens fictícios a fatos da história do Brasil. Este livro, assim como “Sargento Getúlio”, constaram em várias listas dos cem melhores romances brasileiros do século.

Outras obras importantes são “Vila Real”, de 1979; “O Sorriso do Lagarto”, de 1989; “O Feitiço da Ilha do Pavão”, de 1997; “A Casa dos Budas Ditosos”, de 1999; e “O Albatroz Azul”, de 2009.

Pelo conjunto da obra, o autor recebeu, em 2008, o Prêmio Camões, o mais importante de literatura em língua portuguesa. Também ganhou dois Jabutis: o de melhor autor por “Sargento Getúlio”, em 1972, e o de melhor romance por ‘Viva o Povo Brasileiro”, em 1984.

Escritor João Ubaldo Ribeiro morre no Rio

Veja a repercussão nas mídias sociais

  1. A genialidade viverá!<br />
Viva #joaoubaldoribeiro !<br />
 #RIP
    A genialidade viverá! Viva #joaoubaldoribeiro ! #RIP
  2. Triste! Mais uma mente brilhante que se vai e nos deixa órfãos de genialidade. Um baiano, aliás, um Brasileiro para nunca esquecermos! E Viva o Povo Brasileiro! #joãoubaldoribeiro
    Triste! Mais uma mente brilhante que se vai e nos deixa órfãos de genialidade. Um baiano, aliás, um Brasileiro para nunca esquecermos! E Viva o Povo Brasileiro! #joãoubaldoribeiro
  3. Fico triste quando os gênios morrem... #luto #diatriste #joãoubaldoribeiro
    Fico triste quando os gênios morrem… #luto #diatriste #joãoubaldoribeiro
  4. Esse eu sou fã, e vou sentir falta. #JoãoUbaldoRibeiro
    Esse eu sou fã, e vou sentir falta. #JoãoUbaldoRibeiro
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A morte de João Ubaldo e porque viver para sempre é triste

mouse A morte de João Ubaldo e porque viver para sempre é triste

Já assisti ao filme The Green Mile (À Espera de Um Milagre) uma porção de vezes. O filme é lindo e sensível, com atuações impressionantes dos atores do elenco, que inclui o querido Tom Hanks. Entre os muitos assuntos humanos tratados, um deles se destaca: a vida eterna. O tema já foi muito discutido no cinema e na literatura. A morte é o assunto mais integrante pra todo ser vivo que tem consciência de sua própria finitude.

Como seria viver para sempre?, perguntamos. Basta pensar um pouco pra ver que o que parece maravilhoso em princípio se transforma logo em tortura. Porque nossa vida não é composta apenas de nós mesmos, mas de todos que amamos. E ser eterno significa viver condenado a ver TODAS as pessoas que amamos morrendo, o que transforma a eternidade muito mais numa maldição do que numa bênção.

Essa é a sensação de amadurecer, envelhecer. A gente vai vendo os ídolos, amigos mais velhos, partindo. Fica uma sensação estranha de que a parede do ‘fim’ se aproxima, comprimindo nosso futuro.

Acabei de ouvir no rádio que o escritor João Ubaldo Ribeiro morreu de embolia pulmonar aos 73 anos. Pros padrões de hoje, muito cedo. É comum passar dos 80, quando se tem uma boa saúde e assistência médica.

Li vários livros de João Ubaldo, como Viva o Povo Brasileiro, A casa dos budas ditosos, entre outros e vi O Sorriso do Lagarto na TV. Conheci-o pessoalmente. Eu era redatora do programa do Clodovil e ele foi como convidado. Era o programa para o qual eu dei nome, Clodovil abre o jogo. O então diretor,Eduardo Sidney deu entrevistas dizendo que o nome tinha sido criado por ele. Não é verdade. Tive a ideia do nome num fim de noite e lembro de ter ligado para o Nilton Travesso, que logo adorou a sugestão. Eduardo Sidney também já se foi.

Fiz uma longa pauta para Clodovil com vários títulos de obras de Ubaldo, Eu estava ansiosa para que a entrevista saisse boa.

E aí, Clodovil, com seu estilo peculiar, sentou-se com João, reclamou das fichas que escrevi, dizendo algo como ‘a redatora escreveu um monte de coisas à toa porque eu não vou usar nada’ e jogou tudo fora no ar mesmo. Em seguida, virou-se para Ubaldo e perguntou, sobre o livro novo que ele estava lançando:

– É seu primeiro livro?

Ubaldo gentilmente explicou que não, que ele já era escritor com vasta obra publicada e tal.

Clodovil também já faleceu.

Ou seja, dessa história que conto, menos da metade dos envolvidos está no planeta gozando da maravilha que é viver.

Por isso vale lembrar o chavão-conselho:

A vida é curta.
Curta.

Bom dia,

Rosana

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Veja a repercussão da morte do escritor João Ubaldo Ribeiro

‘Um dos maiores escritores da minha geração’, diz Antônio Torres, ao G1.
Acadêmico morreu nesta sexta, no Rio, vítima de embolia pulmonar.

Do G1, em São Paulo

O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro (Foto: Divulgação/Divulgação)O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro
(Foto: Divulgação/Divulgação)

O escritor e acadêmico João Ubaldo Ribeiro morreu na madrugada desta sexta-feira (18), em sua casa no Leblon, no Rio, aos 73 anos. Ele foi vítima de uma embolia pulmonar, segundo o jornal “Bom Dia Rio”.

João Ubaldo Ribeiro ganhou em 2008 o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa. Ele é autor de livros como “Sargento Getúlio”, “O sorriso dos lagartos”, “A casa dos budas ditosos” e “Viva o povo brasileiro”. Amigos do escritor lamentaram sua morte. Veja a repercussão:

 
JOÃO UBALDO RIBEIRO
1941 – 2014

Antônio Torres, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, ao G1
“Chocadíssimo. Como é que pode isso. Cabem todos os lugares comuns para ele nessa hora. Ele me chamava de compadre, não preciso dizer mais nada. Um dos maiores escritores da minha geração. O melhor de todos os tempos. Escrevi muito sobre o último livro dele, o ‘Albatroz Azul’, que falava justamente de vida, morte e renascimento. Uma pintura o texto desse romance, com toda luminosidade de Itaparica. Não sei o que dizer. Ele era muito querido, um colega e tanto e junto com Moacyr Scliar, outro escritor que também já faleceu, era meu parceiro preferido de palestras pelo mundo. Frankfurt, Paris, Rio de Janeiro, Aracaju. Temos uma longa estrada juntos, uma estrada de uma geração. Somos baianos. Ele do litoral, eu do sertão. Eu nasci quatro meses antes dele. A cada janeiro eu ficava mais velho do que ele quatro meses. Em setembro nós empatávamos. É a vida, não há muito que dizer. Meus sentimentos à família, aos colegas acadêmicos e ao Brasil.”

Ignácio de Loyola Brandão, escritor e jornalista, ao G1
“Não consigo acreditar na notícia. João Ubaldo. Minha geração se vai. Companheiro de tantas viagens, conversas, risos. Percursos loucos pela Alemanha, João imitando a perfeição a fala alemã. Um personagem. Foi se encontrar com Glauber, a quem venerava, com Jorge Amado, que idolatrava, com Zélia, com Scliar. Assim como ele disse, décadas atrás, em um hotel de Colônia, aos gritos: Que falta você faz, Glauber, digo agora, que falta você faz João Ubaldo.”

Gerado Holanda Cavalcanti, presidente da ABL, em comunicado oficial
“É uma grande perda para a Academia, para o romance e o jornalismo nacionais. João Ubaldo Ribeiro deixa uma obra de excelência. Estamos todos muito chocados com a notícia.”

Jaques Wagner, governador da Bahia, em comunicado oficial
“A obra deixada por João Ubaldo Ribeiro nos auxilia, neste momento, a superar a dor pela sua perda. Imortal das academias de letras do Brasil e da Bahia, irônico e bem-humorado, soube como poucos desvendar as entranhas da epopeia brasileira. Sua crítica social muitas vezes incomodava, porém também apontava caminhos. Ubaldo é leitura essencial para quem quiser contribuir para a construção de uma sociedade melhor. Minhas condolências aos familiares e amigos.”

ACM Neto, prefeito de Salvador, em comunicado oficial
“Com humor e crítica social, João Ubaldo foi fundamental para divulgar a identidade da Bahia e, principalmente, de sua Itaparica, no Brasil e no mundo. No final deste mês será apresentado o edital para a publicação das cinco primeiras obras do prêmio pela Fundação Gregório de Mattos, nas cinco categoriais: romance, conto, poesia, dramaturgia e infantil. Nós, que estávamos homenageando João Ubaldo, vamos continuar nos inspirando em tudo que ele representa para a literatura mundial para estimular o surgimento de novos talentos.”

Artur Xexéo, jornalista, à GloboNews
“Um escritor que deu sempre alegria para gente. Ele era um grande contador de histórias. Ele vem na tradição da literatura regional no nível de escritores como Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Jorge Amado. Não é por acaso que suas obras recebem os maiores prêmios e costumam ser adaptadas para outros formatos. Tive o privilégio de conviver com ele durante a Copa do Mundo da Alemanha e o João Ubaldo acordava muito cedo, já esperava alguém aparecer no hall do hotel para conversar e a gente começava o dia assim, conversando, ele só tinha história boa para contar.”

Zuenir Ventura, escritor, à GloboNews
“Fiquei totalmente em estado de choque. Não tive tanto contato com ele quanto gostaria. Fomos apresentados pelo Glauber Rocha, que era amigo de infância dele, e o Jorge Amado, em uma entrevista que ele me deu, também me falou do João Ubaldo. Ele era um grande contador de história, com aquela voz dele de locutor e o humor que ele tinha. Ele era um showman, grande romancista e cronista. Ele teve um problema com alcoolismo e esteve muito mal, mas superou tudo isso. A última vez que eu o vi ele estava alegre, numa fase boa, com projetos. Foi inesperado.”

Nélida Piñon, escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras, à GloboNews
“Era uma figura formidável. Dava gosto conversar com ele. Ele não frequentava tanto a ABL como queríamos, mas nunca deixava de ir nas coisas importantes da casa. Foi uma aquisição muito importante para nós. Sentimos muita falta dele. Ele era de uma irreverência extraordinária. Grande perda.”

Fafá de Belém, cantora, no Twitter
“Acordei com a notícia da ‘partida’ de mais um amigo querido. Estou triste, João Ubaldo Ribeiro partiu nesta madrugada… Millôr deve estar esperando por ele e à nós resta a dor, a lembrança e a a saudade #luto.”

Gabriel Chalita, professor e escritor, no Twitter
“João Ubaldo Ribeiro era um mestre da irreverência, um grande escritor. Conquistou seu lugar na história. Descanse em paz.”

Gerald Thomas, diretor de teatro, no Twitter
“Meus pêsames, família de João Ubaldo Ribeiro!”

Júlio Rocha, ator, no Twitter
“João Ubaldo Ribeiro vai fazer muita falta, deixa um legado brilhante!”

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“>A OBRA

Sargento Getúlio

João Ubaldo Ribeiro

Sargento Getúlio é encarregado de levar um prisioneiro até Aracaju. Ocorre uma reviravolta política, e ele recebe a ordem de abortar a missão. Matador profissional que preza a palavra acima de tudo, Getúlio decide seguir adiante. O enredo é inspirado num episódio ocorrido na infância do escritor: um sargento, que recebera 17 tiros num atentado na Bahia, foi conduzido com vida pelo pai de Ribeiro até Aracaju.

Síntese
Sargento Getúlio é um daqueles sujeitos que transformaram o sentido da vida na obediência às ordens alheias, no cumprimento do dever, na fidelidade a coronéis do sertão e aos chefes locais. Famoso por sua ferocidade e bravura, Getúlio foi destacado para prender um “subversivo” em Paulo Afonso e transportá-lo para Aracaju. A caminho da capital sergipana, uma reviravolta na política do Estado faz com que a missão seja abortada: o preso deve ser libertado e Getúlio – melhor sumir por uns tempos.

Como se obedecesse a um imperativo categórico, o sargento se insurge diante da contraordem e insiste em levar o prisioneiro ao seu destino, cumprindo assim a tarefa que lhe fora designada. Para tanto, terá que enfrentar as autoridades militares, embrenhando-se nos matos e – como um velho cangaceiro – terminando por cortar a cabeça de um oficial.

Sem saber a quem obedecer, desconfiado de todos, Getúlio pela primeira vez afirma a sua vontade contra as ordens recebidas, nem que para isso seja necessário morrer. Sua violência agora não está mais a serviço de ninguém, apenas de sua própria sobrevivência.

Neste belo romance, João Ubaldo Ribeiro acompanha o nascimento da consciência individual em um homem que sempre fora um pau-mandado, mero cumpridor de deveres de um sistema em que prevalece a justiça dos mais fortes, cujas leis nem sempre são claras.

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