GRANDE, COMO ERA GRANDE – Comunidade científica brasileira perde o filósofo e teórico marxista Carlos Nelson Coutinho

Um dia triste para todas as pessoas que se colocam no campo da revolução social, faleceu, nesta quinta-feira (20) o teórico marxista Carlos Nelson Coutinho. Sempre pontuando debates controversos dentro do campo, nunca deixou de ter a admiração de grande parte de seus questionadores.

Livre-docente da UFRJ, Coutinho tornou-se reconhecido internacionalmente como um dos maiores especialistas no pensamento do filósofo húngaro György Lukács e do italiano Antonio Gramsci.

Além de responsável pela coordenação e edição da obra de Gramsci no Brasil, Carlos Nelson Coutinho, que nasceu em Itabuna (BA), publicou livros fundamentais para os estudos de teoria política no país, como Gramsci, um Estudo sobre seu Pensamento Político e A Democracia como Valor Universal, entre outros.

Professor titular de Teoria Política na Escola de Serviço Social (ESS−UFRJ), formou-se em filosofia na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e se dedicou à crítica cultural nos anos 60 e 70, concentrando sua atenção na filosofia política e articulando sua reflexão teórica com a prática militante.

Coutinho, que também foi diretor-geral da Editora UFRJ entre 2003 e 2011, era arguto analista da conjuntura política, como mostra a entrevista exclusiva, e ainda atual, que concedeu ao Jornal da UFRJ, em 2005.

————-
A morte do filósofo Carlos Nelson Coutinho
por EMIR SADER

Morreu esta noite o grande intelectual marxista Carlos Nelson Coutinho, depois de meses combatendo um câncer dos mais violentos. Carlito, como era chamado pelos amigos, descobriu a doença em fevereiro deste ano, quando nos comentou por e-mail: “Ainda estou perplexo – mas disposto a brigar. Também sobre isso, tenho tentado me valer do mote de Gramsci: pessimismo da inteligência, otimismo da vontade. Torçam por mim”. Foi o que fizemos esses meses todos.

No próximo sábado, 22 de setembro de 2012, a Boitempo prestará uma homenagem a ele no encerramento do III Curso Livre Marx-Engels, após a aula proferida por Michael Löwy. Até um mês atrás, Carlito, com a coragem dos grandes, ainda cogitava estar presente para receber a homenagem. Fará uma falta enorme. Presente!

—————-

Faleceu Carlos Nelson Coutinho (1943-2012)

Faleceu na manhã de quinta-feira, no Rio de Janeiro, o académico e político marxista brasileiro Carlos Nelson Coutinho (1943-2012). Durante muitos anos Professor Titular de Teoria Política na Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tinha recebido em junho passado o título de Professor Emérito e era reconhecido internacionalmente como especialista em Gramsci, sendo um dos vice-presidentes da International Gramscian Society.

Defensor de que “Sem democracia não há socialismo, e sem socialismo não há democracia”, Carlos Nelson nasceu na Baía em 1943 e consagrou-se ao estudo do marxismo no Brasil como introdutor (juntamente com Leandro Konder) e tradutor do húngaro György Lukács e do italiano Antonio Gramsci.

Foi militante do PCB – Partido Comunista Brasileiro e posteriormente do PT – Partido dos Trabalhadores, de onde saiu por causa daquilo a que chamou “alianças oportunistas, como aquelas que Lula fez para ser eleito e governar”. Foi, então, um dos fundadores e também membro da direção do PSoL – Partido Socialismo e Liberdade.

No que se refere à introdução de Gramsci no Brasil, foi responsável pelas seguintes publicações da obra do dirigente político italiano: apresentou juntamente com Leandro Konder e traduziu a Conceção dialética da história (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966; 6a. ed., 1986), selecionou os textos e traduziu Literatura e vida nacional (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968; 3a. ed., 1986) traduziu Os intelectuais e a organização da cultura (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968; 5a. ed., 1987)1.

Foi autor de vários livros, entre os quais: De Rousseau a Gramsci: Ensaios de teoria política (São Paulo: Boitempo Editorial, 2011) O marxismo na batalha das ideias (São Paulo: Cortez, 2006), Gramsci. Um estudo sobre seu pensamento político (3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007), Marxismo e política. A dualidade de poderes e outros ensaios (3. ed. São Paulo: Cortez, 2008), Contra a corrente: ensaios sobre democracia e socialismo (Cortez, 2. ed., 2008) e O estruturalismo e a miséria da razão (Expressão Popular, 2. ed., 2010 [1. ed. 1971]). É também editor das Obras de Antonio Gramsci (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 10 vols., 1999-2005).

Texto de Bruno Góis – ESQUERDA.NET

1 Concepção dialética da história, Os intelectuais e a organização da cultura , Literatura e vida nacional junto com Maquiavel, a política e o Estado moderno (esta não traduzida por Carlos Nelson mas por Luiz Mário Gazzaneo; Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968; 8a. ed., 1987) formam a primeira edição brasileira em quatro volumes dos Cadernos do cárcere (1929-1935), um organização temática, simétrica à primeira edição italiana, dos cadernos escritos pelo dirigente do Partido Comunista Italiano António Gramsci na prisão, durante o regime fascista em Itália.

—————-

Cientista político Carlos Nelson Coutinho morre aos 70 anos no Rio

Professor da UFRJ, ele foi vítima de um câncer nesta quinta-feira (20).
Docente é autor de elogiada tradução do clássico ‘O capital’, de Karl Marx.

Do G1 RJ

Morreu na manhã desta quinta-feira (20), no Rio de Janeiro, o cientista político Carlos Nelson Coutinho, aos 70 anos, vítima de um câncer. A informação foi publicada no site da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde o baiano, natural de Itabuna, dava aulas.

O corpo do cientista será velado nesta quinta no átrio do Palácio Universitário, no Campus da Praia Vermelha, na Zona Sul, e cremado nesta sexta (21), no Cemitério do Caju, na Zona Norte.

Coutinho, é autor de elogiada tradução para o português do clássico “O capital”, de Karl Marx e se tornou reconhecido internacionalmente no meio acadêmico como um dos maiores especialistas no pensamento dos filósofos György Lukács, nascido na Hungria, e do italiano Antonio Gramsci.

Entre seus livros publicados, estão “Gramsci, um estudo sobre seu pensamento político” e “A democracia como valor universal”.

Formou-se em filosofia na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e se dedicou à crítica cultural nos anos 60 e 70, e foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, mais tarde, do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

1 Comentário

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 200.101.113.7 - Responder

    Ah, agora entendi porque o socialismo verdadero jamais foi ou será implantado: é porque nunca houve ou haverá socialista democrático. Eles estão sempre obcecados pelo controle da tal mídia e são eternos adimiradores de ditadore como Fidel Castro, Raul Castro, Guevara, Chaves, Pol Pot, Stalin, Trosckt (é assim que se escreve???) e outros todos do mesmo veio democrático

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

4 × quatro =