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GRANDE, COMO ERA GRANDE: O matemático Alan Turing – que ajudou o governo britânico a ganhar a Segunda Guerra Mundial ao decifrar o código secreto nazista considerado até então inquebrável – recebeu o perdão real nesta terça-feira após a condenação pela prática da homossexualidade, sentença esta que, em 1954, o levou a cometer suicídio. “Alan Turing foi um homem excepcional com uma mente brilhante”, afirmou o ministro da Justiça, Chris Grayling, que foi quem pediu à soberana que emitisse o indulto.

 Alan Mathison Turing (23 de Junho de 1912 — 7 de Junho de 1954) foi um matemático, lógico, criptoanalista e cientista da computação britânico. Foi influente no desenvolvimento da ciência da computação e na formalização do conceito de algoritmo e computação com a máquina de Turing, desempenhando um papel importante na criação do computador moderno. Ele também é pioneiro na inteligência artificial e na ciência da computação. Durante a Segunda Guerra Mundial, Turing trabalhou para a inteligência britânica em Bletchley Park, num centro especializado em quebra de códigos. Por um tempo ele foi chefe do Hut 8, a seção responsável pela criptoanálise da frota naval alemã. Planejou uma série de técnicas para quebrar os códigos alemães, incluindo o método da bomba eletromecânica, uma máquina eletromecânica que poderia encontrar definições para a máquina Enigma. Após a guerra, trabalhou no Laboratório Nacional de Física do Reino Unido, onde criou um dos primeiros projetos para um computador com um programa armazenado, o ACE. Posteriormente, Turing se interessou pela química. Escreveu um artigo sobre a base química da morfogênese5 e previu reações químicas oscilantes como a Reação de Belousov-Zhabotinsky, que foram observadas pela primeira vez na década de 1960. A homossexualidade de Turing resultou em um processo criminal em 1952 - os atos homossexuais eram ilegais no Reino Unido na época, e ele aceitou o tratamento com hormônios femininos e castração química, como alternativa à prisão. Morreu em 1954, algumas semanas antes de seu aniversário de 42 anos, devido a um aparente auto-administrado envenenamento por cianeto, apesar de sua mãe (e alguns outros) ter considerado a sua morte acidental. Em 10 de setembro de 2009, após uma campanha de internet, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown fez um pedido oficial de desculpas público, em nome do governo britânico, devido à maneira pela qual Turing foi tratado após a guerra. Neste 24 de dezembro de 2013, Alan Turing, finalmente, recebeu o perdão real da rainha Elizabeth II, da condenação por homossexualidade.


Alan Mathison Turing (23 de Junho de 1912 — 7 de Junho de 1954) foi um matemático, lógico, criptoanalista e cientista da computação britânico. Foi influente no desenvolvimento da ciência da computação e na formalização do conceito de algoritmo e computação com a máquina de Turing, desempenhando um papel importante na criação do computador moderno. Ele também é pioneiro na inteligência artificial e na ciência da computação.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Turing trabalhou para a inteligência britânica em Bletchley Park, num centro especializado em quebra de códigos. Por um tempo ele foi chefe do Hut 8, a seção responsável pela criptoanálise da frota naval alemã. Planejou uma série de técnicas para quebrar os códigos alemães, incluindo o método da bomba eletromecânica, uma máquina eletromecânica que poderia encontrar definições para a máquina Enigma.
Após a guerra, trabalhou no Laboratório Nacional de Física do Reino Unido, onde criou um dos primeiros projetos para um computador com um programa armazenado, o ACE. Posteriormente, Turing se interessou pela química. Escreveu um artigo sobre a base química da morfogênese5 e previu reações químicas oscilantes como a Reação de Belousov-Zhabotinsky, que foram observadas pela primeira vez na década de 1960.
A homossexualidade de Turing resultou em um processo criminal em 1952 – os atos homossexuais eram ilegais no Reino Unido na época, e ele aceitou o tratamento com hormônios femininos e castração química, como alternativa à prisão. Morreu em 1954, algumas semanas antes de seu aniversário de 42 anos, devido a um aparente auto-administrado envenenamento por cianeto, apesar de sua mãe (e alguns outros) ter considerado a sua morte acidental. Em 10 de setembro de 2009, após uma campanha de internet, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown fez um pedido oficial de desculpas público, em nome do governo britânico, devido à maneira pela qual Turing foi tratado após a guerra.
Neste 24 de dezembro de 2013, Alan Turing, finalmente, recebeu o perdão real da rainha Elizabeth II, da condenação por homossexualidade.

 

LONDRES – O britânico Alan Turing, considerado o pai da informática moderna e que ajudou a decifrar o código Enigma alemão durante a Segunda Guerra Mundial, recebeu nesta terça-feira um indulto póstumo após ter sido condenado em 1952 por ser homossexual.

Por sugestão do governo, que atuou movido por um pedido popular, a rainha Elizabeth II concedeu o perdão a Turing, que, além de sua condenação a 61 anos por práticas homossexuais, foi castrado quimicamente.

O matemático morreu em 1954, aos 41 anos, envenenado com cianureto. Embora o legista tenha determinado que foi suicídio, sua família e biógrafos sempre declararam que se tratou de um acidente.

Sua condenação lhe obrigou a abandonar seu trabalho no Quartel-General de Comunicações do Governo (GCHQ), ao qual se incorporou após trabalhar durante a guerra em Bletchley Park – mansão na Inglaterra dedicada à análise de códigos.

“Alan Turing foi um homem excepcional com uma mente brilhante”, afirmou nesta terça, 24, o ministro da Justiça, Chris Grayling, que foi quem pediu à soberana que emitisse o indulto.

“Seu brilho se evidenciou em Bletchley Park durante a Segunda Guerra Mundial, onde foi fundamental para decifrar o código Enigma, contribuindo para pôr fim à guerra e salvar milhares de vidas”, acrescentou.

O perdão a Turing encerra uma campanha de vários anos, apoiada por cientistas como Stephen Hawking e que também incluiu uma proposição de lei apresentada na Câmara dos Lordes pelo liberal-democrata John Sharkey.

Em setembro de 2009, o então primeiro-ministro, o trabalhista Gordon Brown, já havia se desculpado publicamente pela condenação a Turing, que foi acusado na época de “grave indecência”.

 

fonte O ESTADO DE S PAULO, COM AGENCIAS INTERNACIONAIS

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Alan Turing é perdoado pela coroa britânica 59 anos após morrer

  • Pai da computação foi condenado por homossexualidade, o que o levou a comerter suicídio em 1954
  • Máquina eletromecânica criada por Turing desvendou código usado pelos submarinos alemães no Oceano Atlântico
  • ‘Sua vida foi ofuscada pela condenação por sua atividade homossexual, uma sentença que hoje consideraríamos injusta e discriminatória’, diz Ministro da Justiça britânico 
  • REUTERS
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O matemático britânico Alan Turing na escola em Dorset, aos 16 anos, em 1928<br /><br />
Foto: SHERBORNE SCHOOL / AFP
O matemático britânico Alan Turing na escola em Dorset, aos 16 anos, em 1928SHERBORNE SCHOOL / AFP

LONDRES – O matemático Alan Turing – que ajudou o governo britânico a ganhar a Segunda Guerra Mundial ao decifrar o código secreto nazista considerado até então inquebrável – recebeu o perdão real nesta terça-feira após a condenação pela prática da homossexualidade, sentença esta que, em 1954, o levou a cometer suicídio.

A máquina eletromecânica criada por Turing, considerado o pai da computação moderna, desvendou o código usado pelos submarinos alemães no Oceano Atlântico. Seu trabalho no Bletchley Park, o centro britânico de decodificação no período da guerra, foi um dos maiores responsáveis por encurtar o conflito. No entanto, o gênio matemático foi destituído de seu posto e castrado quimicamente com injeções de hormônios femininos depois de ser condenado a atentado violento ao pudor em 1952 por praticar sexo com um homem. A homossexualidade foi ilegal no Reino Unido até 1967.

Turning se matou em 1954, aos 41 anos, com o veneno cianeto. O Ministro da Justiça, Chris Grayling, disse que o perdão da Rainha Elizabeth entrará em vigor imediatamente e é uma homenagem a “um homem excepcional, com uma mente brilhante”.

“Seu brilhantismo foi posto em prática no Bletchley Park durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi essencial para a quebra do código ‘Enigma’, ajudando a pôr fim à guerra e a salvar milhares de vidas”, disse Grayling em um comunicado. “Sua vida posterior foi ofuscada pela condenação por sua atividade homossexual, uma sentença que hoje consideraríamos injusta e discriminatória, e que agora foi revogada”.

Apenas quatro perdões reais foram concedidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial, informou um porta-voz do ministro. O cosmólogo Stephen Hawking e outros dez cientistas proeminentes fizeram campanha durante anos pelo perdão de “um dos mais brilhantes matemáticos da era moderna”.

Um destes cientistas, Paul Nurse, presidente da Royal Society, disse:

– A perseguição deste grande cientista britânico por cousa de sua sexualidade foi trágica e estou satisfeito que agora possamos focar somente em celebrar seu legado.

Em 2009, o primeiro-ministro Gordon Brown se desculpou publicamente em nome do governo britânico pela “maneira terrível” com que Turing foi tratado, mas a comunidade científica requisitava um perdão formal.

O atual primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, descreveu Turing, nesta terça-feira, como um “homem notável que teve um papel indispensável no salvamento deste país na Segunda Guerra Mundial”.

“Suas ações salvaram incontáveis vidas. Ele também deixou um legado notável para o país através de suas conquistas científicas, geralmente sendo chamado de pai da computação moderna”, comentou Cameron em uma declaração.

O trabalho no Bletchley Park, uma isolada casa de campo ao norte de Londres, se tornou conhecimento público na década de 1970. Os criptógrafos que trabalhavam lá ajudaram a encurtar a Segunda Guerra em até dois anos, e decifravam cerca de três mil mensagens militares alemãs por dia. A equipe de Turing decodificou o “Enigma”, código que os alemães consideravam indecifrável, além de criar e desenvolver Colossus, um dos primeiros computadores programáveis. Porém, após a guerra, o primeiro-ministro Winston Churchill ordenou que os computadores Colossus e 200 máquinas criadas por Turing fossem destruídas para que não fossem descobertas pela União Soviética.

fonte O GLOBO

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Super 159

Quem Foi?

Alan Turing

O inventor do computador salvou o mundo do nazismo. Sua recompensa foi uma cela de prisão, condenado por homossexualismo

por Denis Russo Burgierman

O que dizer de um homem que criou a teoria da computação e, não satisfeito, arregaçou as mangas e assumiu um papel central na construção dos primeiros computadores? De um matemático que venceu com cálculos as bombas de Hitler? No mínimo, que merecia uma estátua no Vale do Silício, um enterro com glórias de herói, que seu nome deveria virar nome de ruas, avenidas, universidades. Mas esse homem morreu esquecido. Sua história só é conhecida graças à biografia monumental, escrita em 1983 pelo matemático Andrew Hodges. Mas estou me adiantando. Comecemos do começo.

Alan Turing nasceu em 1912, em Londres. Era um garoto tímido, sem muito talento para o convívio social e sem muito cuidado com a aparência. Na escola, destacava-se apenas por ser esquisito – introvertido, irônico, pouco disposto a respeitar regras. Um cara tão estranho que, no futebol, gostava de ser bandeirinha.

Aos 16 anos, conheceu um garoto muito inteligente chamado Christopher Morcom. Naquele momento, Turing descobriu um fato que mudou sua vida (e, novamente me adiantando, aproximou sua morte): ele era gay. Chris morreu em 1930 de pneumonia bovina (transmitida pelo leite). Essa primeira paixão marcaria Alan para sempre. Foi em parte devido à vontade de continuar o legado intelectual do amigo que Turing se aplicou nos estudos, na faculdade de Matemática, e tornou-se conhecido dos professores de Cambridge por seu raciocínio brilhante.

Em 1937, publicou um artigo – “Sobre as Máquinas Computáveis” – que teve uma importância enorme para a matemática pura: nele, provava que existiam cálculos impossíveis de serem feitos. Mas também trazia uma aplicação prática que ninguém, na época, percebeu. Turing imaginara uma máquina capaz de fazer todos os cálculos possíveis, desde que lhe dessem as instruções adequadas. O artigo não fazia menção a chips ou processadores – continha apenas fórmulas matemáticas. Mas a descrição era exatamente daquilo que, mais tarde, mudaria o mundo com o nome de computador.

Por falar em mudar o mundo, naquele momento surgia um austríaco obcecado por impor suas idéias ao planeta: Adolf Hitler. Um de seus trunfos era uma máquina chamada Enigma – um sistema de engrenagens capaz de embaralhar as letras das mensagens antes da transmissão por telégrafo. Os alemães consideravam esse código indecifrável. Caberia a Turing, convocado em 1939 pelo exército britânico, decifrá-lo.

Um ano mais tarde, a guerra parecia uma barbada para Hitler. A Europa continental havia caído e as ilhas britânicas estavam, bem, ilhadas – dependiam dos navios que cruzavam o Atlântico com armas e mantimentos americanos. Os submarinos alemães afundavam 200 000 toneladas de embarcações todo mês e o único jeito de descobrir a posição dos submarinos era decifrar suas mensagens.

Turing tirou a cabeça das máquinas teóricas e sujou as mãos na graxa de engenhocas reais. Uma delas, o Colossus, é tataravó do PC no qual digito agora. No começo, elas demoravam semanas para tornar uma mensagem compreensível. Mas, em 1942, os ingleses já decodificavam 50 000 mensagens por mês, uma por minuto. Os submarinos alemães eram abatidos como moscas. O preconceituoso Hitler, cuja equipe olímpica tinha sido derrotada em 1936 pelo atleta negro americano Jesse Owens, perdia a guerra para um intelectual homossexual.

O ditador nunca soube disso. Aliás, nem a mãe de Turing. Sua participação na guerra permaneceu secreta por décadas. Tanto que, quando a polícia o prendeu em 1952 por grande indecência – em outras palavras, homossexualismo –, ninguém o defendeu dizendo que se tratava de um herói de guerra. Para enfrentar o julgamento, teve que se afastar de suas pesquisas sobre inteligência artificial – Turing é inventor de um teste até hoje usado para decidir se uma máquina pensa. Acabou condenado a um tratamento com hormônios que arruinou seu físico.

Na noite de 7 de junho de 1954, atormentado, o matemático deitou-se na cama e mordeu uma maçã. Na manhã seguinte, não acordou. A fruta havia sido mergulhada numa jarra de cianeto.

 

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