GRANDE, COMO ELE É GRANDE: Aos 87 anos, FIDEL CASTRO reaparece em público após nove meses. Reaparição marca os 55 anos da entrada triunfal dos revolucionários em Havana, libertando o país da ditadura de Fulgêncio Batista. “FIDEL ficará para sempre como o símbolo da dignidade nacional que sempre se colocou do lado do oprimidos e que deu seu apoio a todos os povos que lutavam por sua emancipação” – escreve o historiador francês SALIM LAMRANI

Fidel Alejandro Castro Ruz (Birán, 13 de agosto de 1926) é um revolucionário comunista cubano, primeiro presidente do Conselho de Estado da República de Cuba (1976-2008). Até 2006 foi primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba

Fidel Alejandro Castro Ruz (Birán, 13 de agosto de 1926) é um revolucionário comunista cubano, primeiro presidente do Conselho de Estado da República de Cuba (1976-2008). Até 2006 foi primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba

Fidel Castro reaparece em público após nove meses

9 Jan (Reuters) – O líder cubano Fidel Castro reapareceu em público na noite de quarta-feira depois de nove meses, caminhando com ajuda e ligeiramente curvado durante a inauguração de um estúdio de arte em Havana.

O jornal oficial Granma informou nesta quinta-feira que Fidel, de 87 anos, apareceu na galeria “Kcho estudio Romerillo, Laboratorio para el arte”, do artista plástico Alexis Leiva Machado.

Embora imagens não tenham sido divulgadas, outros meios de comunicação mostraram o ex-presidente cubano em vários momentos de sua visita, vestido com uma jaqueta azul.

“Passadas as 9h da noite e no aniversário 55 da entrada de Fidel em Havana, à frente do Exército Rebelde, o líder histórico da revolução chegou ao ateliê… e cumprimentou artistas e populares que aplaudiram com emoção o recém-chegado”, disse o Granma, o jornal do governista Partido Comunista.

Foi a primeira aparição pública de Fidel desde abril de 2013, quando participou da inauguração de um centro educacional em Havana.

Fidel liderou a revolução de 1959 e governou Cuba durante quase meio século. Em 2006, ele deixou o poder por razões de saúde e, no início de 2008, foi substituído na Presidência por seu irmão Raúl Castro.

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Fidel reaparece em inauguração de galeria de arte na capital de Cuba

Líder cubano fez primeira aparição pública de 2014.
Com 87 anos, ele está afastado do poder desde 2006.

 Da EFE, no G1
O líder cubano Fidel Castro durante inauguração de centro cultural nesta quarta-feira (8) em Havana (Foto: Sven Creutzmann/Mambo Photo/Getty Images)O líder cubano Fidel Castro durante inauguração de centro cultural nesta quarta-feira (8) em Havana (Foto: Sven Creutzmann/Mambo Photo/Getty Images)

O ex-presidente cubano Fidel Castro, de 87 anos e que deixou o poder em 2006, reapareceu em público nesta quarta-feira (8) na inauguração de uma galeria de arte em Havana, no mesmo dia em que se cumpriram 55 anos de sua entrada na capital, em 1959, informou hoje a imprensa oficial.

Fidel Castro, que apareceu publicamente pela última vez em abril de 2013, quando inaugurou uma escola em Havana, participou ontem à noite da abertura do estúdio, que, segundo o jornal “Granma”, é um núcleo cultural sem fins lucrativos para experimentação e divulgação artística.

“Passadas as nove da noite e no 55º aniversário da entrada em Havana de Fidel à frente do exército rebelde, o líder histórico da revolução chegou na oficina da rua 9 e 120 no bairro Romerillo de Playa e saudou a artistas e moradores que aplaudiram com emoção o recém-chegado”, disse o jornal oficial do Partido Comunista Cubano (PCC).

O líder visitou a nova galeria e a mostra “Lam, eres imprescindible”, com obras originais de Wilfredo Lam, e a exposição “El pensador”, do artista cubano Alexis Leyva Kcho, que estava presente.

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Na única fotografia oficial do ato divulgada na página eletrônica estatal Cubadebate,  Fidel Castro aparece de costas, sentado em uma cadeira e apontando com seu braço esquerdo uma das obras artísticas da galeria, ao lado de Kcho.

O ato de ontem foi a primeira aparição pública de Fidel Castro em 2014. O ex-governante de Cuba deixou o poder em 2006 e delegou o comando do país ao seu irmão Raúl, que em 2008 foi ratificado formalmente como presidente de Cuba.

Desde então, o líder da revolução cubana realizou poucas aparições públicas. Além disso, seus artigos na imprensa oficial são cada vez mais raros.

Na quarta-feira, completou-se o 55º aniversário da entrada de Fidel Castro e sua caravana de rebeldes em Havana, em 1959, mas os atos para comemorar a data foram adiadas devido ao mau tempo e acontecerão em lugar e dia não divulgado.

Em 1º de janeiro, o presidente Raúl Castro liderou na cidade de Santiago de Cuba o principal ato político pelos 55 anos do triunfo da revolução.

Site oficial cubano ww.cubadebate.cu divulgou imagens do ex-presidente Fidel Castro  na inauguração de um centro cultural em Havana. (Foto: Estudios Revolución/AFP)Site oficial cubano ww.cubadebate.cu divulgou imagens do ex-presidente Fidel Castro na inauguração de um centro cultural em Havana. (Foto: Estudios Revolución/AFP)
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ENTENDA QUEM É FIDEL CASTRO

50 verdades históricas sobre Fidel Castro. Alguém conteste estes FATOS HISTÓRICOS PROVADOS

Por Salim Lamrani

O líder histórico da Revolução Cubana marcou para sempre a história de seu país e da América Latina, transformando a ilha em símbolo de dignidade e de resistência:

1. Procedente de uma família de sete filhos, Fidel Castro nasceu no dia 13 de agosto de 1926 em Birán, na atual província de Holguín, da união entre Ángel Castro Argiz, rico proprietário de terras espanhol oriundo da Galícia, e Lina Ruz González, cubana.

2. Aos sete anos, ele se muda para a cidade de Santiago de Cuba e vive na casa de uma professora encarregada de educá-lo. Ela o abandona à própria sorte. “Conheci a fome”, lembraria Fidel Castro e “minha família tinha sido enganada”. Um ano depois, ele entra no colégio religioso dos Irmãos de la Salle, em janeiro de 1935, como interno. Deixa a instituição para ir para o colégio Dolores, aos 11 anos, em janeiro de 1938, depois de se rebelar contra o autoritarismo de um professor. Segue sua escolaridade com os jesuítas no Colégio de Belém em Havana, de 1942 a 1945. Depois de uma graduação brilhante, seu professor, o padre Armando Llorente, escreve no anuário da instituição: “Distinguiu-se em todas as matérias relacionadas às letras. Excepcional e congregante, foi um verdadeiro atleta, defendendo sempre com valor e orgulho a bandeira do colégio. Soube ganhar a admiração e o carinho de todos. Cursará a carreira de Direito e não duvidamos de que encherá de páginas brilhantes o livro de sua vida.”

3. Apesar de se exiliar em Miami, em 1961, por causa das tensões entre o governo revolucionário e a Igreja Católica cubana, o padre Llorente sempre guardou uma lembrança nostálgica de seu antigo aluno. “Me dizem: ‘o senhor sempre fala bem de Fidel’. Eu falo do Fidel que eu conheci. Inclusive, [ele] uma vez salvou a minha vida e essas coisas não podem ser esquecidas nunca”. Fidel Castro se jogou na água para salvar seu professor, levado pela correnteza.

4. Em 1945, Fidel Castro entra na Universidade de Havana, onde cursa a graduação de Direito. Eleito delegado da Faculdade de Direito, participa ativamente das manifestações contra a corrupção do governo do presidente Ramón Grau San Martín. Não vacila, tampouco, em denunciar publicamente gangues vinculadas às autoridades políticas. Max Lesnik, então secretário-geral da Juventude Ortodoxa e colega de Fidel Castro, lembra-se desse episódio: “O comitê 30 de setembro [criado para lutar contra as gangues] fez o acordo de apresentar a denúncia contra o governo e os gângsteres no plenário da Federação Estudantil [Universitária]. No salão, mais de 300 alunos de diversas faculdades se apresentaram para escutar Fidel quando alguém […] gritou: ‘Aquele que falar o que não deve, falará pela última vez’. Estava claro que a ameaça era contra o orador da vez. Fidel se levantou de sua cadeira e, com passo lento e firme, se encaminhou ao centro do amplo salão, […] e começou a ler uma lista oficial com os nomes e todos e de cada um dos membros das gangues e dos dirigentes da FEU que haviam sido premiados com suculentas ‘garrafas’ [cargos] nos distintos ministérios da administração pública.”

5. Em 1947, aos 22 anos, Fidel Castro participa, com Juan Bosch, futuro presidente da República Dominicana, de uma tentativa de desembarque da [expedição de] Cayo Confites para derrubar o ditador Rafael Trujilo, então apoiado pelos Estados Unidos.

6. Um anos depois, em 1948, participa do Bogotazo, revolta popular desatada pelo assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, líder político progressista, candidato às eleições presidenciais da Colômbia.

7. Graduado em Direito em 1950, Fidel Castro atua como advogado até 1952 e defende as pessoas humildes, antes de se lançar na política.

8. Fidel Castro nunca militou no Partido Socialista Popular (PSP), partido comunista da Cuba pré-revolucionária. Era membro do Partido do Povo Cubano, também chamado Partido Ortodoxo, fundado em 1947 por Eduardo Chibás. O programa do Partido Ortodoxo de Chibás é progressista e se baseia em vários pilares: soberania nacional, independência econômica pela diversificação da produção agrícola, supressão do latifúndio, desenvolvimento da indústria, nacionalização dos serviços públicos, luta contra a corrupção e justiça social por meio da defesa dos trabalhadores. Fidel Castro reivindica seu pertencimento ao pensamento “martiano” (de José Martí), chibasista (de Chibás) e anti-imperialista. Orador de grande talento, se apresenta às eleições parlamentárias como candidato do Partido do Povo Cubano em 1952.

9. No dia 10 de março de 1952, a três meses das eleições presidenciais, o general Fulgencio Batista rompe a ordem constitucional e derruba o governo de Carlos Prío Socarrás. Consegue o apoio imediato dos Estados Unidos, que reconhecem oficialmente a nova ditadura militar.

10. O advogado Fidel Castro apresenta uma denúncia contra Batista por romper a ordem constitucional: “Se existem tribunais, Batista deve ser castigado, e se Batista não é castigado […], como poderá depois este tribunal julgar um cidadão qualquer por motim ou rebeldia contra esse regime ilegal, produto da traição impune?”. O Tribunal Supremo, sob as ordens do novo regime, recusa a demanda.

11. No dia 26 de julho de 1953, Fidel Castro se coloca à frente de uma expedição de 131 homens e ataca o quartel Moncada na cidade de Santiago, segunda maior fortaleza militar do país, assim como o quartel Carlos Manuel de Céspedes, na cidade de Bayamo. O objetivo era tomar o controle da cidade – berço histórico de todas as revoluções – e lançar um chamado pela rebelião em todo o país para derrubar o ditador Batista.

12. A operação é um fracasso e 55 combatentes são assassinados depois de brutalmente torturados pelos militares. De fato, apenas seis deles morreram em combate. Alguns conseguiram escapar graças ao apoio da população.

13. Fidel Castro, capturado alguns dias depois, deve a vida ao sargento Pedro Sarría, que se negou a seguir as ordens de seus superiores e executar o líder de Moncada. “Não disparem! Não disparem! Não se deve matar as ideias!”, exclamou para seus soldados.

14. Durante sua histórica alegação, intitulada “A História me Absolverá”, Fidel Castro, encarregado de sua própria defesa, denuncia os crimes de Batista e a miséria na qual se encontra o povo cubano, e apresenta seu programa para uma Cuba livre, baseado na soberania nacional, na independência econômica e na justiça social.

15. Condenado a 15 anos de prisão, Fidel Castro é liberado em 1955, depois da anistia que o regime de Batista lhe concedeu. Funda o Movimento 26 de Julho (M 26-7) e declara seu projeto de seguir lutando contra a ditadura antes de se exilar no México.

16. Fidel Castro organiza ali a expedição do Granma com um médico chamado Ernesto Guevara. Não foi muito trabalhoso para Fidel Castro convencer o jovem argentino, que recordava: “O conheci em uma dessas frias noites do México e lembro-me de que nossa primeira discussão foi sobre política internacional. Poucas horas depois, na mesma noite — de madrugada — eu era um de seus futuros expedicionários.”

17. Em agosto de 1955, Fidel Castro publica o Primeiro Manifesto do Movimento 26 de Julho, que retoma os pontos essenciais de “A História me Absolverá”. Trata de reforma agrária, da proibição do latifúndio, de reformas econômicas e sociais a favor dos deserdados, da industrialização da nação, da construção de habitações, da diminuição dos aluguéis, da nacionalização dos serviços públicos de telefone, gás e eletricidade, de educação e da cultura para todos, da reforma fiscal e da reorganização da administração pública para lutar contra a corrupção.

18. Em outubro de 1955, para reunir os fundos necessários para a expedição, Fidel Castro realiza uma turnê pelos Estados Unidos e se reúne com os exilados cubanos. O FBI vigia de perto os clubes patrióticos M 26-7 fundados em diferentes cidades.

19. No dia 2 de dezembro de 1956, Fidel Castro embarca no porto de Tuxpán, no México, a bordo do barco Granma, com capacidade para 25 pessoas. Os revolucionários são 82 no total e navegam rumo a Cuba com o objetivo de desatar um guerra de guerrilhas nas montanhas de Sierra Maestra.

20. A travessia se transforma em pesadelo por causa das condições climáticas. Um expedicionário cai ao mar. Juan Almeida, membro do grupo e futuro comandante da Revolução, lembra-se do episódio: “Fidel nos disse o seguinte: ‘Daqui não nos vamos até que o salvemos’. Isso comoveu as pessoas e animou a combatividade. Pensamos: ‘com esse homem não há abandonados’. O salvamos, correndo o risco de perder a expedição.”

21. Depois de uma travessia de sete dias, em vez dos cinco previstos, no dia 2 de dezembro de 1956 a tropa desembarca “no pior pântano jamais visto”, segundo Raúl Castro. Os tiros da aviação cubana a dispersam e 2 mil soldados de Batista, que esperavam os revolucionários, a perseguem.

22. Alguns dias depois, em Cinco Palmas, Fidel Castro volta a se encontrar com seu irmão Raúl e com outros 10 expedicionários. “Agora sim ganhamos a guerra”, declara o líder do M 26-7 a seus homens. Começa a guerra de guerrilhas que duraria 25 meses.

23. Em fevereiro de 1957, a entrevista com Fidel Castro realizada por Herbert Matthews, do New York Times, permite que a opinião pública estadunidense e mundial descubra a existência de uma guerrilha em Cuba. Batista confessaria mais tarde, em suas memórias, que graças a esse golpe jornalístico, “Castro começava a ser um personagem lendário”. Matthews suavizou, entretanto, a importância de sua entrevista. “Nenhuma publicidade, por mais sensacional que fosse, poderia ter tido efeito se Fidel Castro não fosse precisamente o homem que eu descrevi.”

24. Apesar das declarações oficiais de neutralidade no conflito cubano, os Estados Unidos concedem seu apoio político, econômico e militar a Batista e se opõem a Fidel Castro até os últimos instantes. No dia 23 de dezembro de 1958, a uma semana do triunfo da Revolução, enquanto o Exército de Fulgencio Batista se encontra em plena debandada, apesar de sua superioridade em armas e homens, acontece a 392ª reunião do Conselho de Segurança Nacional [dos Estados Unidos], com a presença do presidente [Dwight D.] Eisenhower. Allen Dulles, então diretor da CIA, expressa claramente a posição dos Estados Unidos. “Temos de impedir a vitória de Castro.”

25. Apesar do apoio dos Estados Unidos, de seus 20 mil soldados e da superioridade material, Batista não pôde vencer uma guerrilha composta de 300 homens armados durante a ofensiva final do verão de 1958, que mobilizou mais de 10 mil pessoas. Essa “vitória estratégica” revela, então, a genialidade militar de Fidel Castro, que havia antecipado e derrotado a operação Fim de Fidel lançada por Batista.

26. No dia 1 de janeiro de 1959, cinco anos, cinco meses e cinco dias depois do ataque ao quartel Moncada, em 26 de julho de 1953, triunfou a Revolução Cubana.

27. Durante a formação do governo revolucionário, em janeiro de 1959, Fidel Castro é nomeado ministro das Forças Armadas. Não ocupa a Presidência, ocupada pelo juiz Manuel Urrutia, nem o posto de primeiro-ministro, entregue ao advogado José Miró Cardona.

28. Em fevereiro de 1959, o primeiro-ministro Cardona, que se opõe às reformas econômicas e sociais que considera demasiadamente radicais (projeto de reforma agrária), apresenta sua demissão. Manuel Urrutia chama Fidel Castro para ocupar o cargo.

29. Em julho de 1959, frente à oposição do presidente Urrutia, que recusa novas reformas, Fidel Castro renuncia a seu cargo de primeiro-ministro. Imensas manifestações populares têm início em Cuba, exigindo a saída de Urrutia e o retorno de Fidel Castro. O novo presidente da República, Osvaldo Dorticós, volta a nomeá-lo primeiro-ministro.

30. Os Estados Unidos se mostram imediatamente hostis à Fidel Castro ao acolher com braços abertos os dignitários do antigo regime, incluindo vários criminosos de guerra que tinham roubado as reservas do Tesouro cubano, levando 424 milhões de dólares.

31. Não obstante, desde o princípio, Fidel Castro declara sua vontade de manter boas relações com Washington. Entretanto, durante sua primeira visita aos Estados Unidos, em abril de 1959, o presidente Eisenhower se nega a recebê-lo e prefere ir jogar golfe. John F. Kennedy lamentaria o ocorrido: “Fidel Castro é parte do legado de Bolívar. Deveríamos ter dado ao fogoso e jovem rebelde uma mais calorosa acolhida em sua hora de triunfo”.

32. A partir de outubro de 1959, pilotos procedentes dos Estados Unidos bombardeiam Cuba e voltam para a Flórida sem serem perturbados pelas autoridades. No dia 21 de outubro de 1959, lançam uma bomba sobre Havana que provoca duas mortes e fere 45 pessoas. O responsável pelo crime, Pedro Luis Díaz Lanza, volta a Miami sem ser perturbado pela justiça e Washington se nega a extraditá-lo para Cuba.

33. Fidel Castro se aproxima de Moscou somente em fevereiro de 1960 e apenas adquire armas soviéticas depois de os Estados Unidos rejeitarem fornecer o arsenal necessário para a sua defesa. Washington também pressiona o Canadá e as nações europeias solicitadas por Cuba com a finalidade de obrigar o país a se dirigir ao bloco socialista e assim justificar sua política hostil em relação a Havana.

34. Em março de 1960, a administração Eisenhower toma a decisão formal de depor Fidel Castro. No total, o líder da Revolução Cubana sofreria nada menos que 637 tentativas de assassinato.

35. Em março de 1960, a sabotagem, comandada pela CIA, do barco francês La Coubre, carregado de armas no porto de Havana, provoca mais de cem mortes. Em seu discurso em homenagem às vítimas, Fidel Castro lança o lema: “Pátria ou morte”, inspirado no [lema] da Revolução Francesa, “Liberdade, igualdade, fraternidade ou morte.”

36. No dia 16 de abril de 1961, depois dos bombardeios dos principais aeroportos do país pela CIA, prelúdio da invasão da Baía dos Porcos, Fidel Castro declara o caráter “socialista” da Revolução.

37. Durante a invasão da Baía dos Porcos por 1400 exilados financiados pela CIA, Fidel Castro faz parte da primeira linha de combate. Infringe uma severa derrota aos Estados Unidos e esmaga os invasores em 66 horas. Sua popularidade chega ao topo em todo o mundo.

38. Durante a crise dos mísseis, em outubro de 1962, o general soviético Alexey Dementiexv estava ao lado de Fidel Castro. Conta suas lembranças: “Passei junto a Fidel Castro os momentos mais impressionantes de minha vida. Estive a maior parte do tempo a seu lado. Houve um instante em que considerávamos próximo o ataque militar dos Estados Unidos e Fidel tomou a decisão de colocar todos os meios em [estado] de alerta. Em poucas horas, o povo estava em posição de combate. Era impressionante a fé de Fidel em seu povo, e de seu povo, e de nós, os soviéticos, nele. Fidel é, sem discussão, um dos gênios políticos e militares deste século.”

39. Em outubro de 1965, cria-se o Partido Comunista de Cuba (PCC), substituindo o Partido Unido da Revolução Socialista (PURS), surgido em 1962 (que substituiu as Organizações Revolucionárias Integradas — ORI —, criadas em 1961). Fidel Castro é nomeado primeiro-secretário.

40. Em 1975, Fidel Castro é eleito pela primeira vez para a Presidência da República depois da adoção da nova Constituição. Seria reeleito até 2006.

41. Em 1988, a mais de 20 mil quilômetros de distância, Fidel Castro dirige de Havana a batalha de Cuito Cuanavale em Angola, na qual as tropas cubanas e angolanas infringem uma retumbante derrota às forças armadas sul-africanas que invadiram Angola e que ocupavam a Namíbia. O historiadora Piero Gleijeses, professor da Universidade John Hopkins, de Washington, escreve a respeito: “Apesar de todos os esforços de Washington [aliado ao regime do apartheid] para impedir-lhe, Cuba mudou o rumo da história da África Austral […]. A proeza dos cubanos no campo de batalha e seu virtuosismo à mesa de negociações foram decisivos para obrigar a África do Sul a aceitar a independência da Namíbia. Sua exitosa defesa de Cuito foi o prelúdio de uma campanha que obrigou a SADF [Força de Defesa Sul-Africana, as então Forças Armadas oficiais da África do Sul, por sua sigla em inglês] a sair de Angola. Essa vitória repercutiu para além da Namíbia.”

42. Observador lúcido da Perestroika, Fidel Castro declara ao povo em um discurso premonitório do dia 26 de julho de 1989, que, no caso do desaparecimento da União Soviética, Cuba deveria resistir e prosseguir na via do socialismo. “Se amanhã ou qualquer outro dia despertássemos com a notícia de que se criou uma grande guerra civil na URSS, ou até se despertássemos com a notícia de que a URSS se desintegrou […], Cuba e a Revolução Cubana seguiriam lutando e seguiriam resistindo.”

43. Em 1994, em pleno Período Especial, conhece Hugo Chávez, com quem estabelece uma forte amizade, que duraria até a morte dele, em 2013. Segundo Fidel Castro, o presidente venezuelano foi o “melhor amigo que o povo cubano teve”. Ambos estabelecem uma colaboração estratégica com a criação, em 2005, da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, que agrupa atualmente oito países da América Latina e do Caribe.

44. Em 1998, Fidel Castro recebe a visita do papa João Paulo II em Havana. Ele pede que “o mundo se abra para Cuba e que Cuba se abra para o mundo”.

45. Em 2002, o ex-presidente dos Estados Unidos James Carter realiza uma visita histórica a Cuba. Faz uma intervenção ao vivo pela televisão: “Não vim aqui interferir nos assuntos internos de Cuba, mas estender uma mão de amizade ao povo cubano e oferecer uma visão de futuro aos nossos países e às Américas. […] Quero que cheguemos a ser amigos e nos respeitemos uns aos outros […]. Devido ao fato de os Estados Unidos serem a nação mais poderosa, somos nós que devemos dar o primeiro passo.”

46. Em julho de 2006, depois de uma grave doença intestinal, Fidel Castro renuncia ao poder. Conforme a Constituição, é sucedido pelo vice-presidente, Raúl Castro.

47. Em fevereiro de 2008, Fidel Castro renuncia definitivamente a qualquer mandato executivo. Consagra-se, então, à redação de suas memórias e publica regularmente artigos sob o título “reflexões.”

48. Arthur Schlesinger Jr., historiador e assessor especial do presidente Kennedy, evocou a questão do culto à pessoa [de Fidel] depois de uma permanência em Cuba em 2001. “Fidel Castro não incentiva o culto à [sua] pessoa. É difícil encontrar um cartaz ou até um cartão postal de Castro em qualquer lugar de Havana. O ícone da Revolução de Fidel, visível em todos os lugares, é Che Guevara.”

49. Gabriel García Márquez, escritor colombiano e Prêmio Nobel de literatura, é amigo íntimo de Fidel Castro. Esboçou um retrato dele e ressalta “a confiança absoluta que desperta no contato direto. Seu poder é de sedução. Busca os problemas onde eles estão. Sua paciência é invencível. Sua disciplina é de ferro. A força de sua imaginação o empurra até os limites do imprevisto.”

50. O triunfo da Revolução Cubana no dia 1 de janeiro de 1959, dirigida por Fidel Castro, é o acontecimento mais relevante da História da América Latina do século XX. Fidel Castro continuará sendo uma das figuras mais controversas do século XX. Entretanto, até seus mais ferrenhos detratores reconhecem que fez de Cuba uma nação soberana e independente, respeitada no cenário internacional, com inegáveis conquistas sociais nos campos da educação, saúde, cultura, esporte e solidariedade internacional. Ficará para sempre como o símbolo da dignidade nacional que sempre se colocou do lado do oprimidos e que deu seu apoio a todos os povos que lutavam por sua emancipação.

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SALIM LAMRANI Lamrani é um professor e ensaísta francês , professor na Universidade de La Réunion. Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-Americanos da Universidade de Paris-Sorbonne Paris IV- , é um membro do Centro de Investigação Interdisciplinar em mundos ibéricos contemporâneos (CRIMIC) da Universidade de Paris-Sorbonne Paris IV , e Grupo Interdisciplinar sobre Caribe hispânico e América Latina (GRIAHAL) da Universidade de Cergy Pontoise .Ele também colabora com o Huffington Post e no site do Partido Comunista Francês. Seu último livro se chama Cuba. Les médias face au défi de l’impartialité, Paris, Editions Estrella, 2013, com prólogo de Eduardo Galeano.

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ENSAIO

“Exportar a revolução”: Cuba e a luta armada no Brasil 


por Rafael Leite Ferreira e Mirthyani da Silva Bezerra 

Sobre o primeiro autor [1]

Sobre o segundo autor [2]

Introdução

“A luta armada no Brasil foi constituída fundamentalmente por jovens estudantes, audaciosos, mas inexperientes, foram destroçados em uma luta desigual contra os aparelhos da repressão. Bravos jovens! Radicais, equivocados, mas generosos!”.

(Daniel Aarão Reis)

O objetivo deste texto é refletir sobre a influência da Revolução Cubana, em 1959, no desencadeamento e atuação dos grupos revolucionários, surgidos na América Latina, e no Brasil, a partir da década de 1960. Uma vez que o surgimento de tais movimentos se deu dentro de um contexto muito maior – a Guerra Fria –, optamos por dividir o trabalho em quatro partes. A primeira diz respeito a uma breve análise da política mundial entre as décadas de 1950 e 1960. A segunda parte trata da própria Revolução Cubana, ou melhor, dos motivos que levaram os guerrilheiros a se rebelarem contra o regime do ditador Fulgencio Batista e a optarem pelo socialismo como forma de governo. A terceira traça um rápido panorama sobre os grupos e partidos de esquerda existentes no Brasil naquele momento histórico. E a última parte analisa como se deu, de fato, o apoio dos grupos revolucionários cubanos à luta armada no Brasil.

1. Os EUA, a URSS e o surgimento dos movimentos revolucionários no Terceiro Mundo

Uma série de movimentos revolucionários começou a surgir nos países do Terceiro Mundo, a partir da década de 1950. Em sua grande maioria, tais movimentos estavam baseados na luta armada como estratégia para derrubar os governos totalitário/autoritários e implantar o socialismo como sistema de governo. Essas agitações – guardadas as particularidades do contexto social e político de cada país – refletiram-se num quadro de Guerra Fria. Ou seja, um período, pós-Segunda Guerra Mundial, marcado pela dualidade de duas grandes nações: os EUA (capitalismo) e a URSS (socialismo).

Logo após a Segunda Guerra Mundial, os EUA criaram um mito em torno do qual a URSS tinha a missão de impor o socialismo a todas as nações do mundo, construindo no imaginário ocidental o “inimigo soviético” [3]. Nesse contexto, o Terceiro Mundo, em diversas situações, acabou sofrendo as conseqüências dessa disputa ideológica, o que tornou essa região palco da influência e, por vezes, da intervenção direta das duas potências mundiais. Este fato, associado aos problemas internos desses países, acabou, de certa forma, “inflamando” tensões já existentes.

Foi, portanto, nesse período de disputas entre os EUA e a URSS no cenário mundial, que os golpes militares começaram a despontar em diversos países da América Latina, interrompendo governos fundamentados no projeto de “modernização nacional-populista” [4], como o de: Perón, na Argentina, em 1955; João Goulart, no Brasil; Paz Estenssoro, na Bolívia, ambos em 1964, entre outros. Refletindo sobre esta conjuntura, Luis Fernando Ayerbe afirma que, “temendo” a expansão do inimigo soviético, os EUA aumentaram as “pressões” sobre os países da América Latina no que se refere a um alinhamento à sua política externa e ao combate ao comunismo. Em suas palavras:

“As políticas adotadas na América Latina e no Caribe no período da Guerra Fria se pautaram pela combinação de pressões econômicas em favor da promoção da abertura dos mercados nacionais ao capital estrangeiro e combate aos regimes nacionalistas e de esquerda, que expressariam as escolhas “erradas” para lidar com os desafios do desenvolvimento” [5].

Diante da presença cada vez maior dos EUA nos países latino-americanos e, conseqüentemente, da multiplicação dos regimes militares de direita na região, diversos grupos de esquerdas – como também, alguns intelectuais – iniciaram inúmeros debates sobre a melhor “solução” para a superação da dependência norte-americana e do subdesenvolvimento em seus países.

O sucesso da guerrilha armada, comandada pelo jovem advogado Fidel Castro, na deposição do regime ditatorial implantado por Fulgencio Batista, em 1959, acabou significando para setores da esquerda latino-americana uma alternativa para destituição dos governos ditatoriais, solução dos problemas políticos, sociais e econômicos desses países e, por fim, a implantação do socialismo.

Neste sentido, tanto a Revolução Cubana quanto a Guerra do Vietnã foram tomadas pelas esquerdas latino-americanas como experiências emblemáticas de uma nova tendência na luta contra o imperialismo americano. Assim, para muitos jovens latino-americanos, a vitória das esquerdas nestes dois países “[…] destacaram-se como comprovação de que o momento é propício como nunca para a radicalização de posições” [6].

Como se pode perceber, a vitória da esquerda na ilha de Cuba teve um papel primordial neste processo de construção de um “imaginário revolucionário”, pois mostrou para muitos jovens – em sua grande maioria, idealistas – que era possível um “pequeno grupo de firmes convicções” conseguirem derrubar um governo antipopular e repressor, ou melhor, vencer os EUA. Este imaginário ganhou repercussão internacional, especialmente, “fazendo a cabeça” de muitos jovens das esquerdas brasileiras.

“A revolução cubana era tudo: romance, heroísmo nas montanhas, ex-lideres estudantis com a desprendida generosidade de sua juventude – os mais velhos mal tinha passado dos trinta –, um povo exultante, num paraíso turístico tropical pulsando com os ritmos da rumba. E o que era mais: podia ser saudade por toda a esquerda revolucionária” [7].

Antes de abordar a influência de Cuba nos grupos e partidos de esquerda existentes no Brasil no final da década de 50 até depois do golpe civil-militar de 1964, iremos analisar em que contexto político, social e econômico a Revolução Cubana se deu e o porquê de ela ter se tornado sinônimo de libertação para muitas esquerdas na América Latina.

2. A Revolução Cubana e a opção pelo socialismo

Após a Segunda Guerra Mundial, as “guerras de guerrilhas” se difundiram pelo mundo, especialmente no Terceiro Mundo, tornando-se a forma básica de luta revolucionária nestes países. Segundo Eric Hobsbawm, suas táticas eram propagadas pelos “ideólogos da esquerda radical”, críticos da estratégia soviética – dentre os quais se destacaram Mao Tse-tung, na China, Fidel Castro e Che Guevara, em Cuba – que inspiravam ativistas ao redor de todo o mundo [8]. Apesar de tais guerrilhas terem sido freqüentes nos países de Terceiro Mundo, foi à experiência vivida em Cuba que ganhou os holofotes da política internacional:

“Curiosamente, foi um movimento relativamente pequeno […], atípico, mas bem sucedido, que pôs a estratégia da guerrilha nas primeiras páginas do mundo: a revolução que tomou a ilha caribenha de Cuba em 1º de janeiro de 1959” [9].

Em nenhuma parte da América Latina, a noção de “quintal” dos EUA era tão forte como era em Havana, capital cubana. Como destacou Guilhermo Cabrera, “cassinos, hotéis de luxo e casas de prostituição, lotado de turistas norte-americanos endinheirados faziam parte do cotidiano desta região” [10]. A dependência de Cuba em relação aos norte-americanos se agravou, principalmente a partir do governo de Fulgêncio Batista, em 1952, apoiado pelos EUA. O presidente cubano tratava seus adversários políticos, na maioria das vezes, com repressão, tortura e prisão em massa. Um desses adversários era o advogado Fidel Castro, cuja proposta política era derrubar o ditador Batista e acabar com a dependência em relação aos EUA.

Em 1957, Fidel Castro com um pequeno grupo de guerrilheiros, no meio das florestas da Sierra Maestra, começou a preparar uma ofensiva ao governo de Fulgencio Batista. A estratégia de Fidel era, primeiramente, fortalecer a ação no campo, com o apoio da população mais pobre, para depois partir para um movimento revolucionário nas cidades de Cuba. Segundo Hobsbawm, em termos técnicos, tal estratégia era simples:

“O método de Fidel era ativista: um ataque a um quartel do exército em 1953, cadeia, exílio e a invasão de Cuba por uma força guerrilheira que, na segunda tentativa, se estabeleceu nas montanhas da província mais remota. A jogada mal preparada deu certo”[11].

Como se sabe, o regime de Fulgencio Batista desmoronou em 1959, o que, segundo Ayerbe, acabou significando a retomada dos movimentos de libertação nacional ocorridos no final do século XIX, frustrados pelos EUA, com a diferença de que o movimento de 1959 vinculou “a libertação nacional e social aos desafios da Guerra Fria” [12].

De acordo com Eric Hobsbawm, Fidel Castro venceu a batalha porque o regime de Batista era frágil, não tinha apoio da sociedade cubana – exceto daqueles motivados por interesses pessoais. Para ele, o regime de Batista, desmoronou quando todos os atores sociais decidiram que havia chegado a hora de ele desmoronar [13].

A deposição do presidente Fulgencio Batista não significou de imediato, no entanto, a adoção do regime socialista como forma de governar o país, até porque, apesar de todo o radicalismo, Fidel Castro e seus camaradas não se consideravam comunistas e nunca haviam declarado ter simpatia pelo marxismo. A este respeito, Hobsbawm argumentou que, logo quando se deu a revolução de 1959, os próprios diplomatas e conselheiros norte-americanos não enxergavam o movimento como uma “revolução comunista”. Para Hobsbawm, foi à própria conjuntura política do período, isto é, de Guerra Fria, que teria direcionado Cuba a adotar o modelo soviético de governar [14]. Em suas palavras:

“[…] tudo empurrava o movimento fidelista na direção do comunismo, desde a ideologia social-revolucionária daqueles que tinham probabilidade de fazer insurreições armadas de guerrilha até o anticomunismo apaixonado dos EUA na década de 1950 do senador McCarthy” [15].

Cuba se encaminhou para o socialismo, e posterior aliança com a URSS, principalmente, depois da tentativa de invasão de exilados pela baía dos Porcos, em 1961, empreendida pelos EUA. Segundo Hobsbawm, a principal causa do incidente na baía dos Porcos foi o fato de Fidel ter passado a antagonizar os interesses americanos em Cuba, ganhando a simpatia e, posteriormente, o apoio da URSS.

Como se verá, a influência de Cuba nos movimentos de guerrilha na America Latina foi além do campo simbólico. Em vários momentos na história da luta armada nos países latino-americanos, o que inclui o Brasil, Cuba apoiou os movimentos, treinando guerrilheiros e, muitas vezes, oferecendo ajuda financeira, na intenção de difundir, ainda mais, a chamada estratégia do “foquismo”.

“O foco se iniciava com um punhado de homens e se punha a atuar entre os camponeses de uma região cujas condições naturais favorecessem a defesa contra ataques do exército (a predileção pelas montanhas denunciava um fácil geografismo). Numa segunda etapa, colunas guerrilheiras se deslocavam na região inicial, levavam a luta armada a outras regiões e confluíam afinal para o exército rebelde capaz de infligir ao inimigo à derrota definitiva” [16].

A teoria do “foco guerrilheiro”, segundo Jean Rodrigues Sales, apregoava que os grupos revolucionários precisavam instalar um foco dentro do seu território e a partir dele expandir a revolução para o restante do país. Segundo Rodrigues, esses movimentos acreditavam ser possível a realização de uma revolução socialista através da guerra de guerrilha, sem a interferência do partido comunista. Era preciso preparar os revolucionários através de um forte treinamento guerrilheiro, para que estes conseguissem implantar os focos. Em suas palavras:

“Uma vez iniciados os combates, as massas acabariam por se aliar aos guerrilheiros, e estes conseguiriam aumentar a sua força até a tomada do poder. Durante o processo revolucionário, a guerrilha seria a vanguarda política, estando todas as outras tarefas a ela subordinadas” [17].

Antes de falar das razões que levaram Cuba a oferecer tal apoio e de que maneira ele auxiliou os movimentos ligados à luta armada no Brasil, é preciso traçar um rápido panorama sobre os grupos e partidos de esquerda existentes no Brasil entre o final da década de 1950 e após o golpe civil-militar de 1964.

3. Um breve panorama das esquerdas no Brasil entre as décadas de 1950 e 1960

No início da década de 1960, o pensamento predominante entre as lideranças esquerdistas era o do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Apesar de ilegal, suas propostas, chamadas de nacional-reformistas, influenciaram, inclusive, grupos, setores sociais e militantes que não estavam ligados ao partido. Apesar de ter sido fundado em 1922, segundo Marcelo Ridenti, esse foi o período em que o partido atingiu seu apogeu. “[…] com muitas adesões, suas idéias influenciaram a luta política e sindical, e até mesmo as diretrizes do próprio governo federal” [18].

O PCB afirmava que ainda existiriam no Brasil “relações de produção feudal” ou “semifeudais na estrutura econômico-social brasileira”. Para a superação desse quadro de estagnação econômica, era necessária a realização de uma “revolução democrático-burguesa” no Brasil, nos moldes da proposta pelo pensamento leninista: isto é, deveriam ser implantadas transformações econômicas, políticas e sociais de caráter antifeudal no país, preparando, assim, o terreno para a implantação do socialismo. De acordo com José Carlos Reis:

“A ação a ser desenvolvida era a da revolução democrático-burguesa, pois as condições econômicas e políticas do Brasil indicavam que o socialismo só seria atingido após um período de transformações burguesas, que eliminariam os entraves feudais e quando se removeriam os obstáculos ao desenvolvimento das forças produtivas” [19].

Segundo as instruções do PCB, aos comunistas caberia se aliar à burguesia nacional, contra o imperialismo norte-americano e a favor da revolução democrático-burguesa, para darem à classe trabalhadora (proletariado e camponeses) a emancipação necessária para participarem politicamente da implantação do socialismo [20]. Este modelo de pensamento era considerado de “etapista” e seguia à risca as instruções da III Internacional.

De acordo com Marcelo Ridenti, duas correntes surgiram no início da década de 1960 se apresentando como alternativas às propostas do Partido Comunista Brasileiro: a Ação Popular (AP) e a Organização Revolucionária Marxista – Política Operária (Polop). Esta contestava as idéias reformistas e pacifistas do PCB, propondo ação revolucionária baseadas na luta armada para a implantação do socialismo; enquanto que aquela propunha a criação de uma alternativa política que não fosse nem capitalista nem comunista, inspirada em um “humanismo cristão e na Revolução Cubana”. Além dessas duas organizações, Ridenti destacou também a atuação das Ligas Camponesas, “que pretendia ser o embrião de uma guerrilha rural” – contando com o apoio de Cuba, o que será falado posteriormente –, do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e de outros pequenos grupos atuantes em 1964, como o Partido Comunista do Brasil (PC do B) e o Partido Operário Revolucionário – Trotskista (PORT), entre outros.

“O golpe civil-militar e a derrota sem resistência das forças ditas progressistas e 1964 marcaram profundamente os partidos e movimentos de esquerda brasileiros. Os nacionalistas, a Polop e outros grupos, que já advertiam para a necessidade de resistência armada a um golpe de direita, praticamente nada fizeram para levar adiante a resistência, enquanto o PCB e outras Forças reformistas assistiam perplexos à demolição de seus ideais” [21].

Para Ridenti, o golpe de 1964 trouxe para a esquerda brasileira um momento de “autocrítica” e reflexão sobre os possíveis erros de que teriam levado à deflagração do golpe. Para ele, foi nesse momento “autocrítica” entre as esquerdas que se passou a contestar, inclusive internacionalmente, o modelo tradicional de atuação e organização das esquerdas, em sua grande maioria vinculada ao modelo soviético, que havia se revelado incapaz de “dar conta das contradições das sociedades de classes contemporâneas”.

O fracasso do pensamento defendido pelo PCB após o golpe militar de 1964 e as dissidências que se seguiram ocasionou à formação de diversos grupos de esquerda que – com o aumento da repressão do regime ditatorial instalado no Brasil – passaram a adotar a luta armada como trajetória de atuação.

4. Fazendo a “cabeça dos jovens”: Cuba e a luta armada no Brasil

Para manter o status de primeiro território livre na América Latina e expandir o comunismo no cenário internacional, Cuba passou, a partir de 1961, a empreender uma “política de exportação da revolução” para os demais países latino-americanos [22]. A intenção de Cuba a partir de tal estratégia era simplesmente: “levar a revolução pelo mundo, como uma onda que asseguraria a vitória da revolução em Cuba e libertaria os povos do Terceiro Mundo” [23].

De acordo com Denise Rollemberg, a primeira experiência, de fato, de “exportação da revolução” na América Latina ocorreu no início da década de 1960, na Bolívia. Entretanto, essa experiência não só culminou na derrota do movimento – e na morte do líder guerrilheiro Che Guevara, em 1967 –, como também revelou o fato de os guerrilheiros estarem sozinhos, sem o apoio da sociedade.

Rollemberg destacou ainda como um dos principais fatores para o “fracasso” da implantação do comunismo na Bolívia o fato de os revolucionários – ao tomar a experiência de Cuba, em 1959, como inspiração – conferirem pouca relevância à conjuntura política, social e econômica do momento. Isto é, os revolucionários colocaram muita ênfase na estratégia de combate – o foquismo – e esquecerem-se da conjuntura do momento, que fora totalmente determinante para a derrubada do governo de Fulgencio Batista, em Cuba, naquele ano de 1959. Refletindo sobre esse “equívoco” de análise, Jacob Gorender destacou que:

“O foquismo se origina num dos mais interessantes mitos do movimento revolucionário mundial. O mito de que a Revolução Cubana chegou à vitória pelo poder mágico de doze ou dezessete sobreviventes da expedição do Granma, iniciadores da luta na Sierra Maestra a partir do nada, a partir do zero. […] Não há começo a partir do nada, exceto o que os crentes atribuem a Deus na teologia judaico-cristã. O pequeno grupo comandado por Fidel Castro em nenhum aspecto corresponde à idéia de foco. Desde o primeiro momento, foi reconhecido pelos camponeses e neles encontrou simpatia e ajuda. Tanto que pôde travar as primeiras escaramuças apenas um mês depois da chegada à Sierra Maestra. Quatro meses mais, enfrentava vitoriosamente um combate de grande envergadura. É que, desde antes, o grande motor – as massas – já estava em funcionamento. A luta guerrilheira cubana ficaria indefinidamente confinada ou seria esmagada, se já não encontrasse a campanha nacional à qual a guerrilha se associou e da qual a guerrilha se associou e da qual terminou ganhando a direção” [24].

No caso específico do Brasil, o apoio de Cuba à formação de guerrilheiros se deu no governo de João Goulart (1962-1964), quando o Brasil ainda gozava de um regime democrático. A partir deste momento e até o início da década de 1970, o apoio de Cuba à luta armada no Brasil foi crescente. Grosso modo, podemos dizer que esse apoiou se deu em três momentos bastante distintos: primeiro, antes do golpe civil-militar de 1964, com as Ligas Camponesas; segundo, após a restauração do novo regime, através do grupo formado por Leonel Brizola; e por último, a partir de 1967, através da atuação de Carlos Marighela.

a) Ligas Camponesas e Cuba

Segundo Socorro Abreu, ao longo da década de 1950, as Ligas Camponesas, no interior do Nordeste brasileiro, tiveram suas idéias ligadas às diretrizes do PCB. Para ela, somente no inicio dos anos 60, ocorreu uma virada política e ideológica nas Ligas, principalmente, a partir da deflagração da Revolução Cubana em 1959 [25]. Um ponto-chave para esta virada nas Ligas foi à visita do advogado, Francisco Julião, à ilha de Cuba.

“A experiência de ter visto de perto as transformações que se operavam na sociedade cubana teve grande peso para o representante do maior movimento social no campo brasileiro. […] O interesse de Julião pela Revolução Cubana e seus desdobramentos era sem dúvida recíproca por parte dos dirigentes da ilha, de sorte que também era patente a atração dos cubanos pelos movimentos sociais progressistas na América Latina”[26].

A partir deste momento, as Ligas passaram a acreditar ser possível alcançar, sem etapas, o socialismo. Como escreveu Joseph Page: “As pessoas não estavam mais perguntando se haveria uma revolução, mas sim quando ela aconteceria e qual a direção que tomaria” [27].

Como se verá, a estratégia das Ligas contrariava com a visão etapista defendida pelo PCB. A animosidade existente no período acabou levando a um racha entre ambos. Para Socorro Abreu, “ao reelaborar suas concepções sobre a revolução brasileira, incorporando a experiência da revolução cubana e a teoria da guerra de guerrilhas, as Ligas procuraram criar uma organização camponesa que possibilitasse um enfrentamento armado quando isso se fizesse necessário”[28].

Denise Rollemberg destacou que as Ligas Camponesas foram, de fato, o primeiro grupo revolucionário brasileiro a receber apoio cubano. Segundo ela, “Cuba viu nesse movimento e nos seus dirigentes o caminho para subverter a ordem no maior país da América Latina” [29]. O apoio cubano se deu através do fornecimento de armas, dinheiro e treinamento militar.

Um total de 11 membros das Ligas teria feito o curso de guerrilhas. Rollemberg afirmou que os participantes das Ligas Camponesas que passaram pelo treinamento, ao retornarem ao Brasil, deveriam formar cursos preparatórios de lutas de guerrilha em vários pontos do país e ministrá-los em fazendas e sítios [30].

Para Rollemberg, mesmo que a luta de guerrilha não tenha se concretizado com as Ligas Camponesas, o interesse do grupo pela luta armada, evidenciou que uma parte da esquerda brasileira já estava insatisfeita com o modelo etapista do PCB [31].

b) Leonel Brizola, MNR e Cuba

Após a experiência “frustrada” das Ligas e com a instauração da ditadura civil-militar no Brasil, em 1964, Cuba passou a melhor redefinir o seu apoio à revolução no Brasil. A solução encontrada pelo país caribenho para a realização de uma revolução brasileira, aos moldes da cubana, foi apoiar um grupo de políticos recém exilados para o Uruguai, após o golpe de 1964. Dentre esses políticos, estava o ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, que, naquele momento, havia começado a articular, “com refugiados que afluía a Montevidéu”, um “contragolpe”.

Segundo Denise Rollemberg, Brizola já havia conquistado a simpatia de Cuba mesmo antes da queda de Goulart. Ele era visto pelo governo cubano como um importante líder que seria capaz de empreender a revolução dentro do país e encabeçaria o “contragolpe” que derrubaria o regime recém instalado pelos militares [32].

Em um primeiro momento, Brizola resistiu à teoria cubana sobre a instalação de um “foco guerrilheiro”, mas sem alternativas, acabou se rendendo a ela [33]. A idéia de Brizola era aplicar no Brasil uma versão do foco guerrilheiro cubano:

“Previa que, juntamente com o foco, haveria ‘um elemento surpresa’, ele próprio. Assim que as três frentes acontecessem, ele entraria no Brasil e, sem ninguém saber ao certo sua localização e com o seu poder pessoal de mobilização, levantaria as forças populares, dividiria as Forças Armadas e daria um contragolpe” [34].

Com o objetivo de “importar” a estratégia guerrilheira de Cuba para a revolução no Brasil, Leonel Brizola fundou o “Movimento Nacionalista Revolucionário” (MNR), que, antes de ser uma organização formal, significava o nascimento de um novo projeto. O apoio de Cuba ao MNR se deu através do treinamento guerrilheiro e da doação de dinheiro. Brizola só veio a abandonar o projeto dos focos guerrilheiros quando a Guerrilha de Carapó, no Rio de Janeiro, teve seu desfecho, em 1967 [35].

c) Carlos Marighella e Cuba

De acordo com Denise Rollemberg, Carlos Marighella foi à figura que mais se aproximou da linha “castro-guevarista” e foi, a seu ver, à personificação, no Brasil, de uma proposta de revolução continental, idealizada a partir da influência da Revolução Cubana.

A autora argumentou em sua obra que, perseguido pela polícia, após o golpe militar de 1964, Carlos Marighella entrou num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resistiu aos policiais, até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Em 1965, escreveu e publicou o livro “Por que resisti à prisão”, em que apontou sua opção por organizar a resistência dos trabalhadores brasileiros contra a ditadura e pela libertação nacional e o socialismo [36]. Em relação ao livro de Marighella, Jacob Gorender argumentou o seguinte:

“No início do livro, o autor narra o episódio de sua prisão dentro de um cinema do Rio, a luta com os tiras depois de ferido a bala, a passagem por diversos cárceres, interrogatórios policiais etc. Alto e musculoso, cinqüentão ainda forte, Marighella foi um dos homens mais valentes que conheci. Não direi que não temesse a morte, mas a desafiava. Sua narrativa teve a intenção de oferecer um exemplo de resistência e levantar os ânimos no ambiente de frustração dos adversários do regime militar. Após o relato pessoal, segue-se a denúncia de crimes e arbitrariedades cometidos pelos novos donos do poder. Em toda esta parte, observa-se a moderação nas proposições críticas à direção do PCB e ainda aparecem os habituais elogios à figura de PrestesJá os dois últimos capítulos se desfazem do tom cauteloso e as proposições críticas se aguçam. O texto põe em descrédito a possibilidade do caminho pacífico e condena as ilusões no potencial revolucionário da burguesia nacional. O autor salienta o erro da subestimação do aliado camponês, destaca a lição de Cuba e afirma que a luta revolucionária no Brasil poderá levar ao aparecimento de guerrilhas” [37]

Como se pode perceber, no livro “Por que resisti à prisão”, Marighella demonstra claramente sinais de insatisfação pela maneira como a revolução estava sendo conduzida no Brasil, isto é, demonstra nitidamente sua divergência com a linha oficial do PCB, principalmente de sua política etapista de moderação e subordinação à burguesia [38].

Meses antes de publicar o seu livro “Por que resisti à prisão”, Carlos Marighella já tinha publicado um documento de crítica à direção do partido, intitulado “Esquema para discussão”, juntamente com alguns outros integrantes do PCB, entre eles: Mário Alves, Jover Telles, Jacob Gorender, Giocondo Dias e Orlando Bonfim. Entre outras coisas, o documento afirmava que a causa da derrota para os golpistas estava no “desvio de direita” do PCB, “na medida em que alimentara ilusões a respeito do alcance das reformas de base por meio pacífico, acreditando na aliança com a burguesia nacional e ‘conciliando objetivamente com um governo burguês’, não tendo, assim, preparado as massas para resistir ao golpe” [39]. Apesar de todas as críticas, as questões levantadas pelo Esquema para Discussão não foram suficientes para modificar o posicionamento do PCB.

Em maio de 1965, ocorreu a primeira reunião do Comitê Central após a chegada dos militares ao poder. Nela, diferentemente do que afirmava o “Esquema para discussão”, prevaleceram às diretrizes “etapistas” do V Congresso. Com isso, Carlos Marighella se distanciou cada vez mais das idéias do “partidão”, isto é, do PCB, passando a defender a luta armada e a visualizar a Revolução Cubana como exemplo ilustrativo sobre como os países da América Latina poderiam proceder para alcançar independência política e progresso social [40].

De 31 de julho a 10 de agosto de 1967, realizou-se, na cidade de Havana, a Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS). Segundo Jean Rodrigues Sales, esta Conferência significou, em certa medida, “[…]uma tentativa por parte dos cubanos de tornarem-se um centro revolucionário no continente” [41]. A Conferência criticou a política etapista defendida pelos partidos comunistas – criticando, inclusive, a atuação do PCB – e indicou a “luta de guerrilhas” como estratégia adequada para a implantação da revolução nos países latino-americanos. Desobedecendo às instruções do PCB, Carlos Marighella não apenas esteve presente na reunião em Havana, como proferiu publicamente duras críticas à política adotada pelo partido no Brasil. Diante dessa situação, o Comitê Central, o expulsou do PCB.

Refletindo acerca da postura de Marighella em Cuba, Denise Rollemberg mencionou que:

“[…] o revolucionário brasileiro assumia as principais teses propostas pelo foquismo: a não necessidade de um partido para guiar a guerrilha, o campo como cenário ideal para o seu desencadeamento e a crença de que um pequeno núcleo de guerrilheiros poderia dar início à luta, aglutinar forças e chegar ao poder” [42].

De fato, a opção feita por Marighella na ilha de Cuba ratificava um caminho que, desde 1961, já estava sendo trilhado por militantes de outras organizações – a exemplo da Polop, como já foi dito. A defesa da luta armada como única alternativa para o combate aos militares conseguiu ganhar ainda mais fôlego, em 1968, com o decreto do Ato Institucional nº 5, quando os movimentos sociais passaram a sofrer uma dura e constante repressão.

Após a Conferência de OLAS, Marighella fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN) e ajustou um acordo prático com as lideranças cubanas. A partir deste momento, Carlos Marighella se tornou a “menina dos olhos” de Cuba para a “exportação da revolução” no maior país do continente. Em termos práticos, o apoio de Cuba à luta armada no Brasil se restringiu ao treinamento guerrilheiro, e algumas vezes, à doação de dinheiro à ALN. Ainda em 1967, viajou para Cuba a primeira turma de adeptos da facção de Marighella que ali fez treinamento de luta guerrilheira. A primeira turma, chamada de I Exército da ALN, foi formada em setembro de 1967. Em 1968 e 1969, seguiram mais duas turmas para a Havana. A partir desta iniciativa da ALN, diversas outras organizações começaram a buscar treinamento em Cuba.

A respeito dos treinamentos realizados por grupos guerrilheiros na ilha de Cuba, Denise Rollemberg salientou que além de o treinamento não significar, na prática, uma preparação para a “revolução”, “retirava o militante do dia-a-dia da luta, de uma realidade que mudava muito rápido”. Assim, muitas vezes, “ao voltar, ele desconhecia a dinâmica do combate, as novidades da repressão e não havia tempo para adaptar-se” [43].

Entre os anos de 1967 e 1968, as ações guerrilheiras, especialmente, os assaltos a bancos se intensificaram. Entretanto, em meados de 1969, com a forte repressão, as ações dos grupos armados no Brasil tenderam a entrar em declive. Como destacou Jacob Gorender, muitas vezes o dinheiro obtido dos assaltos a bancos não compensava as despesas e outros problemas dele decorrente [44].

Como uma última cartada de implantar a revolução no Brasil, Cuba propôs o seguinte plano aos remanescentes da ALN: entrar no Brasil pelo rio Amazonas, com um barco levando cem combatentes cubanos bem treinados e armados. A idéia era se instalar na selva amazônica, em seguida, montar depósitos de armas, abrigos, recuos da guerrilha e, em uma fase posterior, começar as ações de guerrilha no campo. “Era a primeira vez que Cuba propunha a entrada de cubanos no Brasil para implantar a guerrilha” [45]. A ação, no entanto, não foi possível porque, com a morte de Marighella, muitos dos contatos que faziam parte dos esquemas se perderam.

Considerações Finais

O apoio de Cuba aos grupos revolucionários brasileiros – que se distanciaram das idéias do PCB e aderiram à luta armada – se deu não apenas no campo ideológico, mas se consolidou na prática, com o envio de guerrilheiros à ilha caribenha e, algumas vezes, ajuda financeira. Vale salientar que o apoio financeiro de Cuba aos grupos armados no Brasil, principalmente, o treinamento oferecido aos seus guerrilheiros, apesar de toda a precariedade, foi visto pelas forças de repressão no Brasil como um risco à ordem vigente.

Com pudemos observar ao longo do texto, o apoio de Cuba aos grupos armados no Brasil foi motivado por razões internas (para a consolidação e expansão da “revolução” no continente) e externas (firmar Cuba sobre o status de primeira nação da América Latina a se libertar do imperialismo norte-americano e adotar o socialismo como regime político). Talvez, no fundo, em meio aos conflitos da Guerra Fria no período, Cuba quisesse ter certa hegemonia ou liderança sobre os demais países da América Latina. É, portanto, como sugerimos no início do texto, tendo em mente as causas das disputas entre os EUA e a URSS e o impacto que elas trouxeram para a América Latina que se pode perceber mais claramente como se deu a formação dos movimentos revolucionários nessa região e o porquê de Cuba ter encontrado em diversos países latino-americanos, especialmente, no Brasil, terreno fértil para a “exportação” de seu modo de revolução.

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[1] Graduado em História pela Universidade Católica de Pernambuco. Mestrando em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Bolsista CNPq. Integrante do Grupo de Pesquisa “Poder e relações sociais no Norte e Nordeste”(CNPq). E-mail: [email protected]

[2] Graduada em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco. Pós-graduanda em História e Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco. E-mail: [email protected]

[3] De acordo com o historiador Orivaldo Leme Biagi, naquele contexto político, social e econômico, os norte-americanos precisavam “demonizar” o comunismo, sob o pretexto de que estavam defendendo a “democracia e liberdade”. Por isso, se criou no país uma idéia sobre a necessidade de se apoiar uma política externa mais “agressiva” em relação à URSS. BIAGI, Orivaldo Leme. O Imaginário da Guerra Fria.Revista de História Regional, Paraná, vol. 6, n. 1, p. 61-111, 2001. p.65.

[4] Para Ayerbe, o “projeto nacional-populista” advoga em favor da continuidade das estratégias de desenvolvimento nacional atribuindo à industrialização o eixo dinâmico e ao Estado o papel de protagonista principal na orientação dos rumos da economia. AYERBE, Luis Fernando. A revolução cubana. São Paulo: Editora UNESP, 2004. p.16.

[5] Ibid., p. 93.

[6] Ibid., p.17.

[7] ROLLEMBERG, Denise. O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2001. p.18.

[8] HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos: o breve século XX – 1914-1991. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p.425.

[9] Ibid., p.425.

[10] CABRERA, Guilhermo Infante. Vista do amanhecer no trópico. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

[11] HOBSBAWM, op. cit., p.426.

[12] AYERBE, op. cit., p.29.

[13] HOBSBAWM, op. cit., p.426.

[14] Cuba só se integrou formalmente ao bloco socialista em 1972, quando se inclui no Council for Mutual Economic Assistance “Conselho para a Ajuda Econômica Mútua” (COMECON).

[15] HOBSBAWM, op. cit., p.427.

[16] GORENDER, Jacob. Combate nas trevas, a esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada. 2.ed. São Paulo: Ática, 1987. p.80.

[17] SALES, Jean Rodrigues. A Ação Libertadora Nacional, a revolução cubana e a luta armada no Brasil. Tempo, Rio de Janeiro, v. 14, p. 219-238, 2009.

[18] RIDENTI, Marcelo. O fantasma da Revolução Brasileira. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1993. p.25.

[19] REIS, José Carlos. As identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC. 9. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. p.152.

[20] A visão nacional-burguesa do PCB veio se opor ao que Bresse-Pereira chama de “interpretação hegemônica da vocação agrária do Brasil”. Segundo ele: “[…] para essa interpretação, o Brasil é o país essencialmente agrícola, é o país cheio de riquezas naturais e de cordialidade, mas tropical e mestiço, portanto inferior”. Ainda de acordo com o autor, segundo a interpretação da vocação agrária, “[…] o Brasil não é visto como um país subdesenvolvido, mas como um país rico e cheio de futuro, com uma vocação agrícola definitiva” BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Seis Interpretações sobre o Brasil. Revista de Ciências Sociais, IUPERJ, Campus, vol. 25, n. 3, 1982. p.272.

[21] RIDENTI, op. cit., p.27.

[22] Segundo Denise Rollemberg, essa “exportação da revolução cubana” não era visto com bons olhos pela URSS, muito embora, ela sempre estivesse ciente do apoio dado pelo governo cubano aos grupos revolucionários na América Latina. ROLLEMBERG, op. cit., p.17.

[23] ROLLEMBERG, op. cit., p.12-13.

[24] GORENDER, op. cit., p.81.

[25] ABREU E LIMA, Maria do Socorro de. Construindo o sindicalismo rural: lutas, partidos, projetos. Recife: Editora da UFPE, 2005. p.31.

[26] FERREIRA, André Lopes. Reforma agrária e revolução: Cuba e as Ligas Camponesas do Brasil nos anos 60. Revista Brasileira do Caribe, Brasília, vol. X, nº 19, jul/dez, 2009. p.176.

[27] PAGE, Joseph A. A revolução que nunca houve. Rio de Janeiro: Record, 1972. p.134.

[28] ABREU E LIMA, op. cit., p.33.

[29] ROLLEMBERG, op. cit., p.22.

[30] Ibid., p.24.

[31] Ibid., p.26.

[32] Ibid., p.28.

[33] Para muitos, a idéia da adesão de Brizola ao “foco guerrilheiro” deve ser vista com ressalvas, pois ela não teria a ver com uma mudança ideológica, mas, principalmente, devido às circunstâncias do momento.

[34] Ibid., p.30.

[35] Quatorze homens se instalaram na Serra de Caparaó, no Rio de Janeiro, em outubro de 1966, “[…] onde passaram cinco meses, isolados da população local e enfrentando todo tipo de dificuldades. Entre os guerrilheiros, cinco tinham treinamento em Cuba” (Ibid., p.34). O foco mais promissor do movimento encabeçado por Brizola caiu em abril de 1967, sem ter havido nenhum embate com as forças inimigas. Debilitados, os guerrilheiros acabaram sendo capturados pela Polícia Militar de Minas Gerais. Apesar de não oferecer perigos a ordem estabelecida pelos militares, segundo Denise Rollemberg, o Exercito teria mobilizado cerca de dez mim homens para enfrentá-los, o que de acordo com ela, significava a relevância dada pela direita ao treinamento guerrilheiro oferecido em e por Cuba.

[36] Ibid., p.36.

[37] GORENDER, op. cit., p.94-95.

[38] Vale salientar que, embora as divergências de Marighella em relação ao PCB tenham aumentado consideravelmente após a instauração da ditadura militar em abril de 1964, sua insatisfação pode ser percebida desde a renúncia de Jânio e, especialmente, após a divisão do partido, em 1962, com a formação do PC do B.

[39] SALES, op. cit., p.202.

[40] Ibid., p.203.

[41] Ibid., 206.

[42] Ibid., p.209.

[43] ROLLEMBERG, op. cit., p.35.

[44] GORENDER, op. cit., p.184.

[45] ROLLEMBERG, op. cit., p.40.

19 Comentários

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  1. - IP 189.59.62.218 - Responder

    Condenou Cuba ao isolamento e subdesenvolvimento,Sómente após a sua morte e a implantação da verdadeira democracia em Cuba saberemos a verdadeira dimensão do estrago.Condenou e mandou matar muitos oponentes ao regime.Impediu o progresso e a imprensa livre.Tudo para que?Nada,só para fingir para o mundo que Cuba era resistência ao Império americano. Os únicos que pagaram por isso foi o povo cubano.E os seguidores idiotas desse psicopata,aplaudem!

    • - IP 200.140.24.133 - Responder

      Quem condenou Cuba ao isolamento e as dificuldades não é o governo cubano, mas sim o governo dos EUA, através do implacável boicote econômico imposto a Cuba, que já dura mais de 50 anos. É verdade que o governo cubano executou muitos antigos líderes do governo do ditador Fulgêncio Batista, acusados de crime de guerra e de violação dos direitos humanos, que é a mesma coisa que os países aliados fizeram com os antigos líderes nazistas.
      Contudo, apesar de tanta dificuldade, Cuba possui ainda a melhor medicina preventiva do mundo, o menor índice de mortalidade infantil e a menor taxa de analfabetismo das Américas.
      É uma potência olímpica, além de ter uma população com elevadíssimo percentual de formação profissional.
      Enfim, só um reacionário que só vê coisas ruins feitas pelo Governo cubano.
      Se há algo que podemos fazer para ajudar os cubanos é exigir que o governo dos EUA suspenda imediatamente o brutal boicote econômico imposto àquele país.

  2. - IP 189.74.109.52 - Responder

    Faça e verás o resultado: ( coloque só as iniciais dele nos pontinhos)

    Debaixo do pé esquerdo ( escrever o nome dele no pé esquerdo).

    Repita 3 vezes: Debaixo do meu pé esquerdo eu te prendo (R.B), eu te amarro (R.B), eu te mantenho (R.B.), pelo poder das treze almas santas e benditas e por São Cipriano, você vai ficar apaixonado por mim(H.C.),e confessar o seu amor por mim, vai ficar comigo para sempre e me fará muito feliz. Que você (R.B.), só tenha pensamentos, olhos coração, amor, desejos, tesão, admiração, respeito, carinho, paz e realização sexual comigo (R.B.). Que você seja um amante fiel, dedicado e completamente apaixonado por mim(H.C.),. Assim eu quero, assim será feito, assim já está feito.Amém.

    Publicar 4 vezes essa oração forte para amarrar alguém, simpatia infalives, porém não se pode voltar atrás.

  3. - IP 177.193.190.57 - Responder

    Enok, porque você não vai para Cuba defender o DEBATE DEMOCRATICO? Defenda a e execução dos 100.000 presos políticos que a dinastia Castro matou. Tudo documentado. Vai para Cuba Enok. Defenda a democracia lá. Afinal, “não há melhor desinfetante que a luz do sol”.

    • - IP 200.140.24.133 - Responder

      Não há registros de que as execuções promovidas pela revolução cubana tenha chegado a ser 100.000 pessoas.
      Os tais simpatizantes do ditador Batista, executados pelo governo de Fidel Castro, que vc chama de “presos políticos”, eram na verdade criminosos de guerra e violadores dos direitos humanos.
      A propósito, onde estava você que ficou calada quando os líderes nazistas, igualmente acusados de crimes de guerra, também fossem executados pelos países aliados?

  4. - IP 177.133.177.4 - Responder

    Só decepção. GRANDE? O que? Ditador, milionário, sanguinário, assassino, pária do mundo. Enock leia ESQUERDA CAVIAR para refrescar a memória. Claro, não serve. Aliás, nada serve pra voces que amam esse barato de ser “socialistas”, mas não sabem viver de outra forma que não capitalista.

    • - IP 200.140.24.133 - Responder

      Esse tal “ditador sanguinário assassino”há vários anos manda seus médicos fazer missão humanitária para salvar vidas em diversos países do mundo.
      Enquanto Fidel manda seus médicos para salvar vidas do mundo, Obama exporta armas e manda seus soldados espalhar guerras pelo mundo.
      A propósito, enquanto os EUA invadiram vários países nesses últimos 60 anos (Afeganistão, Iraque, Vietnã, Coreia…), quantos países foram invadidos por Cuba?
      Afinal, quem de fato ai é um ditador sanguinário?
      Finalmente, um “ditador sanguinário e assassino” permitiria que a tal “dissidente” (Yoani Sanchez) pudesse sair do país para estar no Brasil a convite da Direita Brasileira para falar mal do governo cubano? E que depois essa mesma dissidente pudesse retornar novamente a Cuba depois de se cansar de morar na Suíça?
      Amigo, não creia assim tão cegamente em tudo o que ouviu dizer.
      As coisas nem sempre são aquelas que costuma ser propagadas pela Grande Imprensa brasileira.

      • - IP 177.41.88.90 - Responder

        O modelo cubano que os pobres de espirito tanto elogiam no Brasil,demonstrando um enorme desconhecimento da realidade na ilha,FALIU, quando acabou o dinheiro da Russia.Aliás Margareth Tatcher falou isso e calou a esquerda mundial:”O SOCIALISMO ACABA QUANDO ACABA O DINHEIRO DOS OUTROS”!É só lembrar da sinistra cortina de ferro na Europa,não sobrou um país siquer dos mais de 15 que eram comunistas fora a URSS.

  5. - IP 177.5.122.155 - Responder

    Coitado dos Cubanos , literalmente se phoderam. O mundo inteiro sabe que 70% dos Cubanos que ainda estÃo vivos e conheceram Fulgencio Batista , preferiam a ditadura dele à dos Castro.

    Queria saber ainda porque o aldo rebelo , a grazziotim , o inacio arruda , o xulapa e outros que defendem esse ditadura escrota , nao se mudam para lá.

    • - IP 200.140.24.133 - Responder

      Onde estariam os tais 70% dos cubanos que preferem a ditadura de Fulgêncio Batista?
      Só se for aqueles cubanos que moram nos EUA.
      Quem mora em Cuba odeia a ditadura Batista.
      Apoiam o governo deles porque sabem que são os EUA, não o governo cubano o responsável por seus problemas.
      Os cubanos estariam muito melhores se os EUA não tivessem imposto um cruel embarque econômico aquele país.
      Como quer que seja, apesar de tantas dificuldades, Cuba possui ainda a melhor medicina preventiva do mundo, o menor índice de mortalidade infantil e a menor taxa de analfabetismo das Américas.
      É uma potência olímpica, além de ter uma população com elevadíssimo percentual de formação profissional.
      Enfim, só um reacionário que só vê coisas ruins feitas pelo Governo cubano.
      Se alguém quer mesmo ajudar os cubanos, que proteste e pressione os EUA para acabar com o embargo econômico imposto àquele país.

  6. - IP 177.221.96.140 - Responder

    A ditadura cubana é modelo sonhado pelas esquerdas brasileiras.

    Porque será que essa gente gosta tanto de uma ditadura???

    • - IP 200.140.24.133 - Responder

      A propósito, onde vc estava quando nós brasileiros também vivíamos uma ditadura?

      • - IP 177.221.96.140 - Responder

        Onde eu estava na durante a ditadura militar do movimento de 1964?? Ora, estava na escola, que é onde pessoas da idade que eu tinha devia estar. Mas com certeza eu queria uma democracia e ansiva pelo fim da ditadura, enquanto as esquerdas lutavam pela implantação de uma outra ditadura, ou seja, a comunista.

  7. - IP 200.140.24.133 - Responder

    Companheiro Enock.
    Falar bem de Cuba e de Cuba os reaças direitistas PIRA… rs.
    Eles gostam de lamber as botas dos EUA.

    • - IP 177.41.88.90 - Responder

      Realmente Luis vcê tem razão,a qualidade de vida em Cuba é mto melhor que nos Estados Unidos, que fica aqui lançado para vce um desafio:ir a Cuba e na praça principal em Havana,fazer um discurso contra o regime,não precisa ofender ,é só falar que lá é uma ditadura .Se vce escapar,faça em frente a Casa Branca um discurso contra Obama,te garanto que em Washigton,no máximo vce será vaiado em Cuba garanto que vce irá para a masmorra.Me irrita quem foge dos FATOS e cria a própria história, de acordo com suas conveniências ideológicas.Combato a todos ,direita, esquerda ,centro, em cima em baixo,em todas dimensões!Os fatos ,deveriam ser chamados de sua Excelência:”O FATO”

  8. - IP 189.114.54.46 - Responder

    Nenhuma ditadura é boa, seja de direita e esquerda. Assim quem protagoniza um regime ditatorial, no caso um ditador, jamais merece ser chamado de grande!

    • - IP 177.221.96.140 - Responder

      Minha cara Vanilse, os ditadores podem sim ser chamados por grande, mas somente pelos filoditadores, mas que gerakmente são também filopetistas e filomensaleiros. E eles ainda ficam felizes pelo dinheiro brasileiro que está sendo investido em CUBA, em empréstimos que o mundo inteiro sabe que jamais serão pagos.

  9. - IP 187.41.111.70 - Responder

    ESSES ALOPRADOS QUE DEFENDEM A DITADURA CUBANA DIZEM O QUE REALMENTE SÃO. SE TEM UM MOMENTO QAUE OS ALOPRADOS DO PT TIRAM A MÁSCARA E SÃO VERDADEIROS É QUANDO DEFENDEM O DITADOR FIDEL CASTRO E SEU CAMADAS …. COMPRA PASSAGEM (SEM VOLTA, TÁ!) E VAI PRA CUBA, QUERIA VER VOCÊ CRIAR UM SITE COMO ESSE E DEFENDER E FALAR O QUE PENSA. AQUI VOCÊ PODE CRITICAR DO SÍNDICO AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA ,, NÉ SR, NOCK,,, QUERIA VER O SENHOR FAZER ISSO O QUE FAZ LÁ NA ILHA DO COMPANHEIRO FIDEL E SEUS CAMARADA,, UM BEIJO PRA VOCÊ LINDO!!!

  10. - IP 177.221.96.140 - Responder

    Acho que o dinheiro roubado dos poupadores da Caixa Econômica pode ser mandado para Cuba.

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