Brunetto segue clamando em defesa da Agricultura Familiar

Gilmar Brunetto, sindicalista e presidente do Sinterp, volta a falar da importância de se ampliar os investimentos na Agricultura Familiar, em Mato Grosso. Dessa vez, entrevistado por Danielle Nascimento, do jornal Folha do Estado, Gilmar destaca que a ausência da assistência técnica no campo de Mato Grosso, em benefício do pequeno agricultor, pode levar a Agricultura Familiar à definitiva falência. Os números já são preocupantes. É que quase tudo que vai para a mesa do mato-grossense, em se tratando de produtor hortifrutigranjeiros é importado de outros Estados. E Mato Grosso só concentra seus investimentos em soja, algodão e milho, além da poderosa pecuária, visando os mercados internacionais. Terra da fartura agrícola, em que, contraditoriamente, faltam alimentos básicos, produzidos aqui mesmo, como banana, cenoura, cebola, alface, e até mesmo mandioca, em condições suficientes para abastecer o mercado interno. Como Sadhu Sing, o apóstolo dos pés sangrentos lá da India, Gilmar Brunetto continua a sua pregação, comprometido com uma reversão nesta perversa realidade. Confira a reportagem da Folha do Estado. (EC)

AGRICULTURA FAMILIAR
Falta de assistência é entrave
Representantes do setor revelam dificuldades do setor que vão desde crédito até a comercialização

DANIELLE GOMES
FOLHA DO ESTADO

Maior produtor nacional de grãos, Mato Grosso, que se destaca no cultivo de soja, algodão, milho, além da pecuária, tem problemas sérios com o desenvolvimento da agricultura familiar. Cento e cinquenta mil famílias estão enquadradas na categoria e exercem atividades tradicionais em assentamentos ou demais comunidades na zona rural. As dificuldades vão desde a carência de infraestrutura até a falta de uma política pública de desenvolvimentode assentamento, de capacitação, agroindústria, comercialização, transporte, assistência técnica e pesquisa, dentre outras.

Apesar disso, segundo dados do IBGE, são esse agricultores os responsáveis pela maior parte da comida que chega à mesa da população brasileira. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Pública de  ato Grosso (Sinterp), Gilmar Antônio Brunetto, a agricultura familiar no Estado pode morrer por falta de assistência técnica. “A agricultura familiar tem pressa”, afirma.

DIFICULDADES

O segmento é a grande aposta do governo e das prefeituras para tornar o Estado autosuficiente no fornecimento dos alimentos que chegam à mesa dos mato-grossenses. Porém, segundo Brunetto, existe ainda um grande caminho a ser percorrido. Hoje, quase 70% dos produtos são trazidos de outros estados.

Os problemas são inúmeros, vão desde a falta de assistência técnica, onde se origina toda a deficiência da cadeia, até problemas de acesso ao crédito, regularização fundiária até mesmo comercialização. “O acesso à tecnologia e ao crédito para dinamizar a produção e renda são praticamente inexistentes”,
afirma Brunetto.

Na agricultura familiar concentra-se o maior índice de diversificação de culturas, onde o trabalho do agricultor é sempre feito com ênfase em produção de produtos como: arroz, feijão, leite, frutas, peixes, aves, suínos, doces, conservas, queijos entre outros. A dificuldade diante da comercialização dessa
produção é outro entrave para a agricultura familiar no Estado.

COMERCIALIZAÇÃO

Com relação aos produtos de origem vegetal tudo é simples, bastando alguns cuidados especiais com a higiene,  porém quando o assunto é produtos agro-industrializados e de origem animal, a situação se complica, pois as exigências sanitárias são grandes e impostas por leis.

O presidente do Sinterp, explica que para a comercialização desses produtos de origem animal o pequeno produtor precisa estar autorizado pelo Sistema Municipal de Inspeção (SIM). “No mínimo esses agricultores precisam do SIM, e no Estado poucas cidades tem, pois a maioria dos municípios não implantaram ainda o sistema próprio de inspeção, ficando o produtor a mercê, pois não tem como colocar o produto no mercado local”. Outro problema em relação ao SIM, é de que o cumprimento da lei exige do pequeno produtor um alto investimento, o que se torna inviável quando o acesso ao crédito é restrito.

O fator preocupante é que quando se fala no sistema de inspeção municipal, selo da agricultura familiar, mas para tudo isso é preciso que o produtor tenha montado uma agroindústria, que tem custo alto, depende de projeto, além de aprovação ambiental e sanitária para poder funcionar. “Como fará umprodutor que produz 10 kg de queijo por semana, como ele conseguirá montar sua agroindústria dentro dos padrões exigidos, resta apelar para uma associação ou cooperativa, mais percebe-se que em nossa região não existe entre produtores o espírito de associativismo e cooperativismo”, explica

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CINTURÕES VERDES
Levar a produção até o consumidor é também um problema em Mato Grosso

Vocação de Cuiabá está em produzir frutas e verduras

da FOLHA DO ESTADO

Atualmente, C u i a b á  possui 2.500 agricultores familiar, e a maior vocação agrícola do Vale do Rio Cuiabá são as frutas, legumes e verduras (FLVs), produzidos nos cinturões verdes. As propriedades rurais familiares,em média, têm extensão entre 25 e 30 hectares. O coordenador de agricultura familiar da Prefeitura de Cuiabá, Reginaldo Fonseca Lemos,  reconhece que o principal problema da cadeia não só na capital, como em todo o Estado, são referentes à assistência técnica, regularização, acesso ao crédito e comercialização, todavia, segundo ele, nunca se investiu tanto na agricultura familiar como nos últimos anos.

Lemos reconhece a falta de politicas públicas para o acesso ao crédito rural, que depende de uma série de regularizações que muitas vezes o pequeno agricultor não tem condições de realizar.

“Sabemos das dificuldades, porém os produtores precisam se organizar melhor e ajudar na luta pelo crescimento da agricultura familiar no Estado”,explica. De acordo com ele, a prefeitura de Cuiabá tem se empenhado e já começou a dar os primeiros passos.

Durante o 1º Seminário de Agricultura Familiar de Cuiabá reúne 47 associações de produtores rurais, no ano passado, foi o projeto “Agropolo Cuiabá”. que consiste no mapeamento das regiões produtoras do município. O intuito é direcionar as políticas públicas conforme a aptidão produtiva dos pequenos agricultores, dessa forma fortalecendo a produção direcionada de cada comunidade.

Ele lembra que atualmente os pequenos agricultores contam com o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), desenvolvido pelo governo federal, em parceria com a prefeitura Municipal que deimediato pode realizar a compra direta de alimentos para a merenda escolar, de até 300 produtores familiares. O valor do investimento é de R$ 1,62 milhão.

Conforme determinação do governo federal, as prefeituras municipais devem comprar 30% da merenda escolar de agricultores familiares. Lemos explica que só na baixada cuiabana, menos de 10% dos municípios estão conseguindo vender os 30%.

“De 300 agricultores, apenas 75 estão cadastrado”, afirma. O poder público enxergou a dificuldade, agora precisamos nos organizar de  forma a dar continuidade”, conclui.

1 Comentário

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  1. - IP 177.126.64.2 - Responder

    Muito bem Gilmar Bruneto, é uma pena que o partido ao qual és filiado não reconhece teu potencial de conhecimento de agr icultura familiar como extencionista com serviços prestados a MT.
    Deixo aqui a minha estranheza por não ser lembrados pelo teu partido politico nesta eleição de vereador em Cuiabá.

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