GIBRAN: Hora é de defender e cobrar Dilma

dilma cutDefender e cobrar; tudo junto e misturado

POR GIBRAN LUIS LACHOWSKI

 

O momento é tenso para o governo Dilma e duras são as ações da chamada oposição congressista, capitaneada pelo “fogo amigo” do PMDB e insuflada pela direita de alma tucana e o mercado especulativo (quem não gosta de trabalhar vive de especular, apostar, né!?). Some-se a essa estratégia destrutiva o importante papel da mídia golpista, por meio de seus sites, blogs, redes virtuais sociais, canais de tv e rádio, jornais e revistas, repercutindo de forma exagerada, parcial, com diárias distorções de informação e acusações sem provas.

 

Apesar dos erros evidentes do Executivo, que não honra até agora o discurso de campanha, sobremaneira o que embalou o final do segundo turno (estabilidade econômica, aprofundamento das políticas sociais e ampliação da participação popular), são criminais as tentativas de desestabilizar um governo eleito pelo voto da maioria da população. É momento, portanto, de movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda (inclusive o PT) irem “pra cima do governo”, nas ruas e nas redes, defendendo-o, contudo cobrando mudanças na política econômica e fortalecendo a importância das forças sociais progressistas. A movimentação deve ser a de defender cobrando, porque não cola mais a ideia de sustentar o Executivo, durante ou fora de campanha, e em seguida perceber recuos e guinadas à direita.

 

 É preciso assumir

O próprio governo tem considerável culpa pela situação política atual. Isso se expressa desde a incapacidade de negociar com a Câmara Federal – o que gerou a derrota de Arlindo Chinaglia (PT) para o peemedebista Eduardo Cunha – até os beliscões nada maneiros em direitos trabalhistas e previdenciários, representados pelas Medidas Provisórias 664 e 665. Entre eles, o “novo seguro-desemprego”, que pela proposta do Executivo determina que, para o trabalhador acessar o benefício, deverá ter atuado maior tempo na empresa antes de ser demitido. Em relação à primeira solicitação o tempo de empresa aumenta de seis meses para um ano e meio.

 

O governo Dilma acena timidamente às centrais sindicais no sentido de rever a proposição de “ajustes” na concessão dos direitos trabalhistas e previdenciários. E se, por um lado, é bom que se assinale que nem de longe as modificações propostas representam eliminação de conquistas históricas da classe trabalhadora, por outro, não dá pra negar a tendência patronal das medidas econômicas efetuadas com o objetivo de equilibrar as contas públicas. Por que não forçar a mão também sobre os grandes e/ou os que têm mais, propondo a taxação sobre fortunas e uma reforma tributária que concentre ação na renda e no patrimônio e libere peso sobre o consumo e a produção, por exemplo?

É preciso mais

Você pode até dizer “Mas com este Congresso não tem jeito”, porém proposições desse naipe já seriam acenos positivos, e, ao mesmo tempo, a senha para movimentos sociais, sindicatos, coletivos populares e similares se mobilizarem de forma coesa e objetiva. Obviamente que o governo tem, ao seu estilo, aberto canais de negociação com essas entidades/instâncias, incluindo o Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual a presidenta Dilma Rousseff é filiada e que há 12 anos ocupa a presidência do país.

 

Contudo, é muito pouco. É essa falta de tato com o popular que tem feito o governo Dilma agonizar, desde novembro de 2014, quando se findava ainda o primeiro mandato da primeira mulher a ocupar a presidência do país. Pois o diálogo com a população de menor poder aquisitivo, com a classe média e média alta progressista, com sindicatos, movimentos e partidos de esquerda não será possível apenas a partir de um discurso perto do animador e até uma gestualidade que lembra os tempos de campanha.

É necessário mais! É preciso ações explícitas com demonstrações inequívocas e compreensíveis por todos de que este governo quer seguir e aprofundar um projeto popular iniciado em 2003, no primeiro mandato de Lula. Esse projeto gradativamente foi emplacando marcas com efeitos visíveis, como o Bolsa Família, a política de cotas e o aumento do poder de compra da população pobre e de classe média, e teve continuidade com Dilma, por meio do Minha Casa Minha Vida, do Mais Médicos e da ampliação de acesso às novas tecnologias conectadas à internet, entre outras.

Calma lá, porque golpe é crime

Porém, ainda que o governo precise acertar a mão (e muito), colocando em prática o discurso de estabilidade econômica, aprofundamento das políticas sociais, diminuição da desigualdade socioeconômica e ampliação da participação popular, é inadmissível dar guarida a fraseados e iniciativas golpistas.

 

Primeiro, porque não há motivação legal para tal, posto que o espetáculo midiático de mau gosto sobre a Petrobras tem se sustentado numa sequência de denúncias muitas vezes vazias, quando não um festival de projeções, palpites e ilações. Isso, todavia, não tira a necessidade e a importância das investigações sobre superfaturamento em transações comerciais e a revelação de associações público-privadas das mais danosas. Aliás, infelizmente esse conluio entre negócios de Estado e negócios empresariais é histórico, faz parte da essência do modelo político e econômico tocado no Brasil e só começará a ser atacado na raiz a partir de ações como a proibição do financiamento empresarial de campanhas eleitorais (melhor seria a proibição de financiamento privado por completo).

Então…

Fazendo uma síntese sobre a situação:

1) o governo precisa dar passos concretos em sentido contrário à sua “política de austeridade”, no mínimo equilibrando o peso da mão do Estado, utilizado neste começo de governo para dar sustentação às contas públicas;

 

2) as entidades e instâncias progressistas/de esquerda devem, diante de investidas golpistas, defender o governo eleito democraticamente, cobrando de seu ministério, mas principalmente de sua comandante, fim de ataques a direitos trabalhistas e previdenciários e ações explícitas que estimulem mudanças no sistema político e tributário,  além da ampliação da participação popular.

 

Essa combinação de ações, contrária à movimentação do outro espectro político-econômico do país – que incentiva a desestabilização, o golpismo e, assim, apressa as eleições de 2018 – pode gerar condições para que o projeto popular de transformação social do Brasil seja retomado efetivamente.

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GIBRAN LACHOWSKI

Gibran Luis Lachowski, jornalista, professor universitário e militante de movimentos sociais em MT

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OUTRA OPINIÃO

Dilma acuada

POR JUACY SILVA
No Pantanal, um dos animais muito temidos é a onça que, para saciar seu apetite não titubeia em atacar e dilacerar suas presas. Todavia, quando acuada por cães treinados em sua caça, acaba fugindo e nesta fuga sobe em árvores enquanto a matilha fica em volta da árvore, até que os caçadores chegam e abatem a onça.
Também na política podemos observar comportamento similar, onde alguns políticos mesmo aparentando determinação, intransigência, personalidade forte e caráter rígido ou o que pode ser popularmente definido como “casca grossa”, mais dia menos dia acabam também acuados e podem ser vítimas de sua própria arrogância.
Na história política brasileira temos alguns casos que bem ilustram esta realiade. Primeiro foi Getúlio Vargas, o ditador autoritário do Estado Novo, quando escolhido democraticamente em eleições, acabou envolto em meio a escândalos de corrupção, que nem de longe podem ser comparados ao MENSALÃO ou PETROLÃO, sendo acuado pela oposição, pela mídia,e pelos militares, acabou se suicidando.
Outro Presidente que em poucos meses do início de seu mandato popular foi acuado e acabou renunciando foi Janio Quadros o homem da vassoura que deveria varrer a corrupção que já então dominava a política brasileira; isto há mais de 60 anos. A mesma sorte teve seu vice, João Goulart, que quase foi impedido de tomar posse e durante quase três anos passou por um sufoco tremendo com greves, manifestações populares , acusações de corrupção e conspirações miliatares e acbou sendo deposto por uma intervenção militar, que durou 21 anos.
Mais recente, já no período chamado de democrático, outro Presidente com características messiânicas e personallidade autoritária, que também foi acuado por manifestações populares e pressão do Congresso, da mídia e acabou sendo apeado do poder foi Collor de Mello.
Todos esses casos, tem alguns aspectos em comum. Com excessãao de João Goulat, considerado um comtemporizador, que não conseguia impor-se nem como comandante –em chefe das Forças Armadas e nem como líder politico, todos enfrentaram crises econômicas, descontrole das contas públicas, muita corrupção e eram cercados por pessoas oportunistas e que não tinham respeito em relação `a coisa pública e contribuiam para o aparelhamento do Estado.
Este cenário parece estar se repetindo com a Presidente Dilma, recentemente re-eleita para um segundo mandato. Em pouco mais de um mes sua avaliaçãp por parte da opinião pública é a pior que um presidente já teve em início de mandato, pior do que todos os seus antecessores, conforme dados do Data Folha do último final de semana. Apenas 23% da população avaliam seu governo como bom e ótimo e 44% como ruim e péssimo.
Dilma aos poucos está perdendo a legitimidade conquistada nas últimas eleições, em boa parte devido ao fato de, conforme a pesquisa mencionada, ter mentido em sua campanha. Ao tomar posse e iniciar um segundo mandato está fazendo exatamente o oposto do que pregagava. Faz exatamente o que imputava aos seus adversários, caso os mesmos fossem os vencedores. Este é de seus maiores pecados, dizer uma coisa e fazer outra. O povo não suporta governante que mente, isto é imperdovel em política.
Dilma está sendo acuada por uma inflação que está acelerada; as taxas de juros são as maiores em mais de 12 anos; o deficit na balança comercial nos dois últimos anos foi de 21,5 US Bilhões de reais; a dívida pública federal no final de 2015 deverá chegar a 2,6 trilhões de dólares, um crescimento descomunal comparada com o valor da mesma quando Lula assumiu o poder era de 686 bilhões e nesses doze anos de Governo do PT foram gastos mais de 1,9 trilhões com juros, encargos e rolagem da dívida, além da mesma consumir entre 45% e 49% do Orçamento Geraal da União todos os anos.
O pacote de maldade de Dilma, neste início de novo governo, que de novo tem apenas o slogam “Brasil: Pátria Educadora”, inclui ainda a previsão de crescimento zero do PIB ou mesmo recessão, aumento de juros, aumento das tarifas públicas, aumento dos combustíveis, da energia, dos traqnsportes, aumento da cara tributária, uma tremenda desvalorização cambial que terá impacto profundo nas importações e na dívida externa e outras maldades mais.
Para complicar mais, Dilma ainda está sendo acuado pela corrupção na PETROBRÁS, que não para de sangrar, denúncia de envolvimento do PT com caixa dois e dinheiro sujo da corrupçãp para financiar suas duas campanhas, perda da eleição para Presidência da Camara Federal, aumento do poder de fogo da oposição tanto na Câmara quanto no Senado, ação destemida do poder judiciário e da mída em trazer a público as falcatruas ligadas ao Governo Federal e, finalmente, o início da mobilização das massas contra este estado de coisas, onde a figura do impeachment começa a ganhar corpo, ante a perspectiva de perda do poder de compra dos salários e o aumento assustador da inadimplência, onde mais de 54,6 milhões de pessoas, boa parte da incipiente “nova classe média” tão aclamada pelo Governo e pelos PETISTAS e seus aliados , não conseguem pagar suas contas e aumentam o percentual dos desiludidos com o Governo.
Resta saber até quando Dilma vai continuar acuada e conseguirá “administrar” esta crise de falta de legitimidade. Será que estamos novamente diante de uma situação de crise política, econômica e social, cujo desenlace pode ser o fim de um governo que apenas está recomeçando? Só nos resta observar e aguardar o desenlace!

JUACY SILVA
JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia. Email [email protected] Blog www.professorjuacy.blogspot.com [email protected]

 

 

 

1 Comentário

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  1. - IP 177.64.230.163 - Responder

    O jornalista Gibran Luiz padece da patologia crônica denominada psicopetismo. Como pode uma pessoa aparentemente culta, supostamente esclarecida, julgar que todos somos um bando de idiotas a ponto de engolir tantas besteiras. Defender Dilma? O grande problema de Dilma se chama Dilma. O grande inimigo de Dilma é a própria Dilma. Ela é tão incompetente e desastrada que não precisa de adversário. Ela, como as bactérias, produz a toxina da autodestruição. Menos, Gibran. Ser petista, ainda que fora de moda e arriscado, porque corre o risco de ser confundido com quem assalta o patrimônio público – ainda assim aceitável – agora defender um governo sem direção é confessar miopia e cegueira intelectual. E, acima de tudo, assumir uma posição de beligerância contra a inteligência dos não controlados pelas peias ideológicas do lulopetismo. Menos, Gibran, bem menos!

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