GIBRAN LACHOWSKI: Desenha-se um novo capítulo das nossas vidas no Brasil-com-Covid-19

Gibran

Anotações sobre o momento – V

POR GIBRAN LACHOWSKI

Muita fofoca tem movimentado o noticiário, incluindo aí os embates políticos. E isso toma conta de vários sites de esquerda também. Ou não estamos vendo colegas jornalistas, militantes e [email protected] compartilhando mais as rusgas entre bolsonaro e mandetta ou os rompimentos de artistas conservadores com o governo? Boa parte da nossa esquerda assimila a lógica da guerra, e brinca de guerrear, como quem quer ver o circo pegar fogo.

Melhor é compartir ações revolucionárias, inovadoras, inspiradoras nestes tempos de coronavírus. O simples vale. A luta do PT por Renda Mínima e contra o novo arroubo ditatorial do MPF em querer cassar a sigla. Reflexões sobre o fracasso do capitalismo e a potência da ação coletiva motivada pela gratuidade. Articulação dos sindicatos e movimentos sociais para viabilizar renda e garantia de emprego junto aos poderes constituídos.

Movimentação pró-vida do micro e pequeno empresariado, das iniciativas individuais, de coletivos e entidades da sociedade civil progressista. E muito mais… Vamos extenuar esse tipo de divulgação.
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Desenha-se nos próximos dias um novo capítulo das nossas vidas no Brasil-com-Covid-19. Tem bolsonarista apelando ao fanatismo, tem empresário fascista que não desiste de demitir e matar, tem governador só esperando um sinal mais firme pra flexibilizar decretos… Em Campo Grande (MS), por exemplo, a CDL, dos dirigentes lojistas, pressionou tanto que a liberação do comércio já começa. A prefeitura porá os problemas na conta dos empresários, mas a responsabilidade disto, sabemos, é pública.

Os governos precisam ser mais ágeis na transferência direta de renda e garantia de emprego ao povo e às trabalhadoras e trabalhadores informais. É pra isso que existe/deve existir Estado e burocracia estatal. Além disso, é necessário insistir em taxar empresários ricos. Em MT e em MS isso inclui, sobremaneira, os empresários do agrotóxico/agronegócio.
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Não adianta falar de proteção, cuidado, solidariedade e insistir nesta figura horrenda, a da guerra. E outra: é empoderar demais um “exército” inanimado. PAZ, SOLIDARIDADE, CUIDADO, PROTEÇÃO, AMOR… isto é bem mais poderoso.
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E este tempo tem servido para fazer reflexões. Uma das que me chama a atenção é a de que o ser humano é o pior do mundo, porque sem ele há menos poluição, menos violência, menos ganância desmedida, menos injustiça, desigualdade, pobreza, miséria.

Apesar de ouvir isso, prefiro acreditar que somos elementos importantes numa caminhada transcendental. Mudar a forma de viver, ver e sentir é um primeiro passo. Mais Comunidade e menos individualismo, mais Estado e menos privatismo, mais o Nosso e menos o só meu, mais Partilha e menos o só meu, mais Amizade e menos o só meu…

E não importa que digam que isso é uma insistência boba, pois o que importa é fazer, dar testemunho em vida. Dom Pedro Casaldáliga se fez na caminhada, no meio do povo do Araguaia. Che Guevara não nasceu pronto; se fez chorando ao ver as injustiças na América Latina e se fez fazendo revolução.

Por fim, como diz a monja Coen, o centro do mundo é onde eu estou. (Onde você está. Onde nós estamos.)

Axé!

 

 

 

GIBRAN LACHOWSKI é jornalista e professor de jornalismo em Mato Grosso

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