GIBRAN LACHOWISKI: Episódio de censura envolvendo Enock Cavalcanti não é algo isolado

Gibran

O caso Enock e a defesa da Democracia

Por Gibran Lachowski

 

Não é apenas absurda a censura que a juíza Maria Aparecida Ferreira Fago, do 2º Juizado Cível de Cuiabá (MT), imputou ao jornalista Enock Cavalcanti por ele ter criticado uma manifestação pró-Ato Institucional n° 5. Tal atitude faz parte de um contexto antidemocrático que tenta campear o Brasil.

 

A decisão liminar da juíza, obrigando o jornalista a retirar publicações de seu site (www.paginadoenock.com.br) e de sua página no Facebook, favoreceu ação movida por uma das manifestantes pró-AI-5, a colunista social e também jornalista Rosely Arruda.

 

Tanto o ato público do dia 19 de abril em Cuiabá quanto Rosely Arruda e Maria e Maria Aparecida Ferreira Fago tornaram-se símbolos de uma visão bastante turva e perigosa sobre a realidade. 

 

Uma visão que não encontra amparo na luta democrática por direitos sociais, como o direito fundamental à informação, que inclui jornalistas e a sociedade como um todo. E que significa o direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação. 

 

Não que nossa democracia mereça só elogios, vez que ainda se baseia muito no elitista modelo eleitoral e muito pouco na participação cotidiana ou via referendos, plebiscitos e projetos de lei de iniciativa popular.  

 

Nossa democracia merece críticas para que seja melhorada e funcione de modo mais amplo e efetivo. Nesse sentido, assinalo uma fala recorrente do Enock: “Para melhorar a democracia, só com mais democracia”. 

 

Portanto, expor a ilegalidade de manifestações que pregam o fim da democracia é defender a democracia. Da mesma forma, repudiar decisões judiciais que acolham atentados à democracia é intensificar a defesa da democracia, mesmo que seja para resguardar o que foi conquistado quando, na verdade, gostaríamos de estar dando passos além. 

 

Nessa mesma linha, defende-se a democracia quando se utiliza o judiciário para buscar a correção de uma grave falha cometida pelo próprio judiciário. E, ainda, defende-se a democracia quando se dá ampla divulgação a um caso exemplarmente antidemocrático como este que aqui está sendo apontado. 

 

Até porque o episódio envolvendo Enock não é algo isolado.

 

Não foi pontual o que ocorreu em abril quando três bolsonaristas agrediram uma equipe de jornalismo da TV Brasil Oeste em frente ao Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá, impedindo que eles colhessem dados sobre casos de Covid-19. 

 

Também não foi pontual a ameaça feita no mesmo mês pelo deputado federal do Podemos/MT, José Medeiros, contra o jornalista Jacques Gosch, do RD News/Cuiabá, dizendo que uma futura notícia em seu desabono seria revidada “no tiro”. 

 

Como não é pontual que centenas de outras pessoas em várias cidades do país agridam jornalistas verbalmente e fisicamente, reforçadas pelo facínora Jair Bolsonaro.

 

Como também não é pontual que o deputado estadual pelo PSL/MT, Silvio Favero, tenha feito postagem em redes sociais no dia 31 de março elogiando o golpe de 1964.

 

Ou seja: a questão é maior. O foco é o combate ao bolsonarismo/fascismo, que significa a Defesa da Democracia. E deve envolver diversos setores da sociedade.

 

Gibran Luis Lachowski é jornalista e professor universitário em Tangará da Serra, MT

ENTENDA O CASO: https://paginadoenock.com.br/enock-cavalcanti-eu-blogueiro-defendo-o-judiciario-e-o-judiciario-me-censura-leia-decisao/

 

Juiza Maria Aparecida Fago … by Enock Cavalcanti on Scribd

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