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GRANDE, COMO ERA GRANDE: O escritor E.L. Doctorow morreu aos 84 anos. Doctorow foi autor de romances populares e aclamados pela crítica — incluindo “Ragtime,” “Billy Bathgate” e “A marcha” —, nos quais situava personagens fictícios em contextos históricos facilmente reconhecíveis, em meio a figuras conhecidas e se utilizando de formas narrativas não convencionais. No Twitter, o presidente Barack Obama lamentou a morte de Doctorow, descrito por ele como "um dos maiores escritores da América"

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e l doctorow escritor norteamericano na pagina do enock

E.L. Doctorow, um dos maiores nomes da literatura americana, morreu aos 84 anos

Autor de ‘Ragtime’ o escritor aclamado por crítica e público não resistiu a um câncer de pulmão.

POR O GLOBO

O escritor E.L. Doctorow – Mary Altaffer / AP

RIO – E. L. Doctorow, figura de destaque na literatura americana contemporânea, morreu na terça-feira, 22, em Manhattan, aos 84 anos. Segundo seu filho Richard, a morte foi causada por complicações decorrentes de um câncer de pulmão.
Doctorow foi autor de romances populares e aclamados pela crítica — incluindo “Ragtime,” “Billy Bathgate” e “A marcha” —, nos quais situava personagens fictícios em contextos históricos facilmente reconhecíveis, em meio a figuras conhecidas e se utilizando de formas narrativas não convencionais. No Twitter, o presidente Barack Obama lamentou a morte de Doctorow, descrito por ele como um dos “maiores escritores da América”

Nascido Edward Lawrence Doctorow no Bronx, em Nova York, no dia 6 de janeiro de 1931, ele publicou 12 romances, três volumes de contos e uma peça teatral, assim como ensaios e comentários sobre literatura e política. Doctorow era elogiado por sua originalidade, versatilidade e sua imaginação audaciosa.

 

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Sutilmente subversivo em sua ficção — e nem tanto em seus escritos políticos —, ele consistentemente surpreendia as expectativas com uma mistura de ficção e fatos, remixados a cada novo livro; com uma manipulação sagaz de gêneros como western e histórias de detetives; e com sua miríade de estratégias narrativas. Colocando em jogo narradores não confiáveis, que seguiam o fluxo de seus pensamentos, e outros oniscientes e múltiplos, Doctorow foi um dos escritores contemporâneos que mais investiram na experimentação.
O livro que o tornou famoso, “Ragtime” (1975), é ambientado em Nova York no período em que os Estados Unidos começavam a se envolver com a Primeira Guerra Mundial. Nele, o conflito chega no momento exato, mas os personagens, tanto fictícios quanto reais (incluindo o ilusionista Harry Houdini, a filósofa anarquista Emma Goldman e o escritor Theodore Dreiser) foram, em grande medida, inventados.
Às vezes, o autor fazia isso somente para deixar os leitores de queixo caído — em dado momento, Freud e Jung, ao visitarem Nova York, andam juntos de barco no túnel do amor em um parque de diversões — e, às vezes, para conferir dramaticidade e impacto.

Escrito em um tom declaratório, com uma voz confiante e usando um tom sarcástico sobre a própria onisciência, o romance apresentava sua perspectiva histórica com autoridade, para logo depois destruí-la com um comentário.
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Seu último livro, “Andrew’s Brain” (2014), é um monólogo confessional escrito por um cientista cognitivo brilhante e autoiludido, cujo dom para a dissimulação é atribuído à natureza da mente e à impossibilidade de se entocar na verdade com as ferramentas do pensamento e do discurso. Ali, Doctorow criou talvez seu personagem mais impenetrável — um narrador que reconhece a futilidade da narração.
Certa vez, enquanto escrevia um livro, ele declarou que sua técnica consistia em se manter em um estado de alheamento, inventar uma voz e deixar que ela falasse, “para criar o artista e deixar o artista trabalhar”.

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LEANDRO KARNAL: Livro é um presente permanente. Ler é esperança, sempre

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Uma ponte de livros

Por Leandro Karnal

Sim! Você sobreviveu até a penúltima semana de 2020. Parabéns! Eu sei que os pessimistas estão dizendo: ainda faltam vários dias. É verdade. Seria tão injusto falhar agora! Viemos nadando com desafios desde março. A outra margem do rio está tão próxima. Sejamos otimistas: chegaremos todos a 2021.

Há uma possível pausa pela frente. Em algum momento você terá um pouco mais de folga. Chegou a hora de pensar estrategicamente: livros. Por quê? Não sei o que nos aguarda no ano próximo e novo. Sei que ele será mais bem vivido se houver mais pensamentos, maior conhecimento, mais informações. Atrás de sugestões para ter ou presentear? Farei algumas. Lembre-se sempre: um livro é um presente permanente que pode mudar a cabeça do agraciado.

Literatura? É o ano do centenário de nascimento de Clarice Lispector. A editora Rocco lançou um volume alentado e lindo com Todas as Cartas. É a correspondência da nossa maior escritora em um tomo que “fica sozinho em pé”. A leitura me trouxe um enorme prazer. Se o gênero correspondência não faz sua cabeça, mergulhe nos volumes da mesma editora com várias obras de Clarice: A Maçã no Escuro, A Legião Estrangeira, Onde Estivestes de Noite, O Lustre, Perto do Coração Selvagem, Felicidade Clandestina e A Bela e a Fera. São apenas alguns dos títulos lindos, com capas sedutoras e textos que vão alterar seu mundo.

Quer reencontrar outros clássicos? A Cia das Letras lançou Ressurreição, de L. Tolstoi. A luta de um nobre para reparar um erro grave do passado é o eixo daquele que, para mim, é uma das melhores obras do russo genial. Se Tolstoi o atrai, a editora Todavia reuniu 4 obras dele (Felicidade Conjugal, A Morte de Ivan Ilitch, Sonata a Kreutzer e Padre Siérgui) em um único volume.

Você sobreviveu a uma das mais transformadoras epidemias na história. Que tal ler A História das Epidemias, de Stefan Cunha Ujvari? Saiu pela editora Contexto. Aprende-se muito com o livro, bem escrito e solidamente pesquisado. Prefere o terreno argiloso da política e da sociedade? A pesquisa de Bruno Paes Manso resultou no necessário A República das Milícias. O livro proporciona análises indispensáveis e medos incontornáveis.

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Você prefere algo que o anime? Pedro Salomão lançou o Valor Presente – A Estranha Capacidade de Vivermos um Dia de Cada Vez pela Best Business. Tive o privilégio de fazer o prefácio. Na mesma linha, uma coletânea com textos exemplares de Mario Sergio Cortella: Sabedorias para Partilhar, da Vozes/Nobilis.

Quer discutir amor e casamento? Não perca Amor na Vitrine – Um Olhar Sobre as Relações Amorosas Contemporâneas, de Regina Navarro Lins. A psicanalista vai mexer com suas convicções tradicionalistas e desafiar seus censores invisíveis.

Eduardo Giannetti sempre faz pensar. Li com avidez O Anel de Giges, da Cia das Letras. Tomando a lenda platônica do anel que produz invisibilidade, o que restaria da ética? Um homem invisível precisa se manter com boas regras morais ou vai acabar se entregando a seus desejos e caprichos menos nobres de espírito? Foi a leitura que mais me provocou inquietações no ano de 2020. É genial a capacidade de Gianetti de combinar densidade com linguagem leve.

Você ou o seu amigo-secreto amam viajar? Guilherme Canever lançou dois tomos pela Pulp: Destinos Invisíveis – Uma Nova Aventura pela África e Uma Viagem Pelos Países Que Não Existem. Livros densamente ilustrados, com um olhar agudo para lugares inusitados.

A Autêntica vai fundo na alma humana ao lançar uma nova edição do Além do Princípio do Prazer. O livro chegou ao centenário agora e a cuidadosa tradução de Maria Rita Salzano Moraes ajuda a valorizar a obra fundamental do dr. Freud.

Foi um ano estressante, reconheçamos. Talvez seja hora de pensar em um texto sobre ansiedade e o desafio da saúde mental. O dr. Leandro Teles, pela editora Alaúde, lançou Os Novos Desafios do Cérebro – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Cuidar da Saúde Mental nos Tempos Modernos. Acho que a grande meta de 2021 é o desafio do equilíbrio. O livro do dr. Teles ajuda muito.

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Você ama narrativas biográficas? A obra de Adam Zamoyski (Napoleão – O Homem Por Trás do Mito – ed. Crítica) prenderá sua atenção do início ao fim. O imperador raramente encontrou um biógrafo tão denso e sem lados definidos: sem o sempre esperado “monstro corso” (contra) ou gênio militar e político (a favor). Continua interessado em narrativas biográficas e domina inglês? Hildegard of Bingen – The Woman of Her Age, de Fiona Maddocks (Image Books), foi uma descoberta muito feliz. A entrevista final com a Sister Ancilla no mesmo mosteiro onde morou a santa medieval é um recurso muito interessante para iluminar a tradição da grande doutora da Igreja.

Anseia explorar uma área nem sempre devidamente destacada? Aventure-se pela obra A Razão Africana – Breve História do Pensamento Africano Contemporâneo (Muryatan S. Barbosa – Todavia). O Racismo Estrutural, obra crítica de Silvio de Almeida (editora Jandaíra), ajuda em um tema que foi destaque em 2020. Na mesma coleção, a coordenadora da série, Djamila Ribeiro, tem texto indispensável: Lugar de Fala. Você se preocupa com o universo feminino e suas muitas abordagens? Mary del Priore escreveu Sobreviventes e Guerreiras: Uma Breve História da Mulher no Brasil de 1500 a 2000 (editora Planeta). 2021 demandará consciência social. Prepare-se!

Muitos e bons livros para todos os gostos. Ler dá perspectiva, vocabulário, ideias e companhia. Um bom texto aumenta seu mundo e o faz sair do senso comum. Embeber-se em histórias é viver de forma ampla. Já é um bom projeto para 2021. Ler é esperança, sempre.

Leandro Karnal é historiador e escritor, autor de ‘O dilema do porco-espinho’, entre outros. Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo

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