GABRIEL NOVIS NEVES: “Tudo é possível de ser realizado” – era a sua ideologia. O professor Edson Miranda não foi apenas um pioneiro de uma nova ciência, mas acima de tudo, um grande provocador social. Era um andarilho com faro ligado para os cérebros aproveitáveis na nossa missão de transformar o Estado, pela educação. Nosso baianinho de Poxoréo aproveitou todos os segundos que a vida lhe concedeu, sempre com um sorriso de ironia.

Edson de Souza Miranda participou da criação da primeira Faculdade de Economia de Mato Grosso, criada na UFMT no dia 2 de abril de 1966, por iniciativa de um grupo de economistas que, através de gestões junto ao governador Pedro Pedrossian, conseguiram a autorização para implantar o curso. O primeiro vestibular foi realizado três dias depois, na antiga Escola Técnica Federal de Mato Grosso, oferecendo 40 vagas para 380 candidatos.

Edson de Souza Miranda participou da criação da primeira Faculdade de Economia de Mato Grosso, criada na UFMT no dia 2 de abril de 1966, por iniciativa de um grupo de economistas que, através de gestões junto ao governador Pedro Pedrossian, conseguiram a autorização para implantar o curso. O primeiro vestibular foi realizado três dias depois, na antiga Escola Técnica Federal de Mato Grosso, oferecendo 40 vagas para 380 candidatos.

Baianinho
por GABRIEL NOVIS NEVES

Com o surgimento do “Novo Mato Grosso”, slogan do governo de transformação de Pedro Pedrossian, “os filhos de ninguém”, finalmente tiveram vez e voz neste Estado.
Com certeza um dos mais brilhantes dessa geração foi o economista Edson de Souza Miranda.
Polêmico, o inquieto aluno de Mário Henrique Simonsen, era portador de uma pressa incomum.
“Tudo é possível de ser realizado” – era a sua ideologia.
Como outros da sua geração, alicerçaram o jovem governador a decisões importantes que viabilizaram a transformação de ideais em obras físicas no velho Estado Curral.
Tornaram-se camaradas o baianinho de Poxoréo e o armênio de Miranda.
Pedro brincava que na sua administração existiam auxiliares com profissões definidas (médicos, engenheiros e advogados) e os outros chamados de “professores”.
O professor Edson Miranda não foi apenas um pioneiro de uma nova ciência, mas acima de tudo, um grande provocador social.
O seu maior legado não foi a modernização que implantou no sistema fazendário do Estado, e sim, a sua visão burocrática de como assessorar o reitor da então recém-criada UFMT a não entregar o ouro ao “inimigo”.
Por meses o acompanhou ao maior teatro de ilusionismo com números matemáticos para evitar a inviabilidade da nossa UFMT.
Usou de toda a sua habilidade técnica para evitar que se consumasse a morte prematura de uma das melhores universidades públicas brasileiras da atualidade, com excelente escola de medicina como referência.
O reitor combinava fazer o papel de um alienado e ele de um economista ininteligível.
O baianinho foi de extrema lealdade com os objetivos iniciais da UFMT.
Jamais, em vida, teve o seu valor reconhecido pela Instituição.
Era um andarilho com faro ligado para os cérebros aproveitáveis na nossa missão de transformar o Estado, pela educação. Deu oportunidades a muitos jovens. Aposentou-se e iniciou uma nova frente de trabalho, voltada sempre para o social.
A Rádio Comunitária do Araés, o trabalho com as crianças ensinando-lhes a informática, o carnaval do Largo da Mandioca e, a sua permanente atividade cultural, o tornaram muito querido, especialmente, nas camadas mais necessitadas da nossa população.
A sua existência terminou em um esqueleto abandonado, hoje, moderno hospital centro de referência em ensino médico.
Nosso baianinho de Poxoréo aproveitou todos os segundos que a vida lhe concedeu, sempre com um sorriso de ironia.
Até, amigo!


Gabriel Novis Neves, reitor-fundador da Universidade Federal de Mato Grosso, é médico em Cuiabá

1 Comentário

Assinar feed dos Comentários

  1. - IP 177.7.73.240 - Responder

    Fui seu aluno no Curso de Economia na UFMT, e confesso, apesar de não termos afinidade ideologica, era sempre muito salutar ouvi-lo, o sarcasmo natural de suas palavras não eram em nenhum momento com o objetivo de magoar ou convencer a aderir a seus pensamentos e sim, levar-nos a pensar com nossa proprias ideias. Ultimamente encontravamos sempre no bairro araés onde morava atualmente, para falar do sua grande paixao… o futebol, bem como da politica e de suas historias vividas no bairro do Baú de outrora, do largo de São Benedito, da rua do carmo e tantas outras mais. Partiu como viveu, na simplicidade, sem homenagens tão merecidas que a historia da UFMT não soube reconhecer. Vai fazer falta nas conversas da tarde na esquina da Rua desembargador jose de Mesquita, porém, fez historia,…. Descanse em Paz Professor Edson”!!!

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

quinze + 9 =