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GABRIEL NOVIS NEVES: Ano novo. Será? Mas, que novo?

Gabriel

Ano novo

POR GABRIEL NOVIS NEVES

Será?  Mas, que novo?

Impregnados pelas convenções absorvemos, com facilidade, tudo que nos é impingido desde a infância.

Como todos vivem de esperança, nos fantasiamos com ela sempre que nos é permitido, sem questionar possibilidades verdadeiras de mudanças num plano real de vida.

Daí, traçamos novas metas para o ano que chega: novas tentativas de sucessos econômicos, novas dietas, novos amores, novas viagens, novas maneiras de vencer a inércia que nos domina.

No fundo, é tudo que nos traz a data simbólica, tão exuberantemente comemorada da chegada de um novo ano.

Para que realmente ocorram todas as modificações pessoais a que nos propomos, seria imperioso que não estivéssemos com os nossos conceitos arcaicos tão arraigados.

Ninguém nos ensinou que a felicidade está nas coisas simples da vida, e que quanto mais tentamos a sofisticação, mais nos distanciamos dela.

Ninguém nos ensinou a conviver tranquilamente com a hipocrisia vigente e, muito menos, com as injustiças sociais daí decorrentes.

Ninguém nos ensinou que o cinismo e o desamor que permeiam as relações humanas, faziam parte de um todo que norteia as diretrizes da sociedade em que vivemos.

Ninguém nos ensinou que o fato de estarmos sozinhos não significa, necessariamente, solidão, e que, com frequência, nos sentimos ainda mais sós quando em companhias que não nos dizem respeito.

Ninguém nos ensinou que o amor é a maior das delicadezas, e que não pode ser buscado como se fosse uma tábua de salvação. É todo um processo de entrega mútua que, por ocorrer raramente, é confundido  com os arroubos passionais fortuitos que a todos acometem.

Ninguém nos ensinou que quem muito espera, nada alcança, pois a vida é muito curta  para o que dela esperamos. Só a obsessão  do focado poderá levar a algum lugar.

Ninguém nos ensinou que os filhos que colocamos  no mundo, não mais nos pertencem. Que deles nada devemos esperar, a não ser que cumpram com alegria e dignidade a sua trajetória de vida.

Ninguém nos ensinou que a verdadeira fidelidade não é a dos corpos, esses, perecíveis e frágeis, mas a fidelidade dos sentimentos, do respeito ao outro no que ele tem de mais valioso, a sua integridade.

Ninguém nos ensinou que a convivência com políticos corruptos deveria ser aceita como normal e perfeitamente compreensível num sistema que preconiza a abolição de todos os valores éticos, em prol  das vantagens pecuniárias daí auferidas.

Ninguém nos ensinou que as religiões só são válidas se praticadas de dentro para fora e não de fora para dentro. A simples repetição de dogmas e mitos, tais como meros papagaios, não nos torna pessoas melhores. É preciso que combinem discurso e prática, do contrário, apenas virá à tona mais uma grande hipocrisia.

Ninguém nos ensinou que quanto mais velhos ficamos, mais autossuficientes teremos que nos tornar, pois só obteremos carinho e respeito dos circunstantes e familiares, se abolirmos o hábito de exigi-los, nos fazendo de vítimas.

O final da viagem não é para despertar pena, mas sim, admiração pela sabedoria adquirida.

Enfim, como dizia  o grande Einstein, “a vida não dá nem se apieda, ela apenas nos devolve o que damos a ela”.

Parabéns a cada um de nós que conseguir reformular, através do esforço diário, os seus conceitos sobre o estabelecido e, mais ainda, que conseguir dividir essa tarefa com alguém que tenha essas mesmas percepções.

Esses são os meus votos para um real e Feliz Ano Novo!

GABRIEL NOVIS NEVES é médico aposentado, em Cuiabá. Foi reitor fundador da UFMT. Artigo publicada originalmente em 8 de dezembro de 2013

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