GABRIEL NOVIS NEVES: A recém-criada Empresa Cuiabana de Saúde prometeu colocar em funcionamento, daqui a 4 meses, o “novo” Hospital das Clínicas, que funcionará no antigo prédio que já foi Hospital Neurológico Eggas Muniz, Hospital das Clínicas, da Criança, da Mulher e, no ano passado, Hospital de Transplantes. Recentemente tivemos grande decepção com o anúncio do início das obras do novo Hospital Universitário Júlio Muller, às margens da rodovia para Leverger

Futuro

por GABRIEL NOVIS NEVES

O cronista Gabriel Novis Neves avalia que prometer para a população sofrida de Cuiabá a construção de um hospital sabendo que ele não será entregue no prazo previsto, "só serve para dar desgaste ao esforçado e pobre governo municipal. "

O cronista Gabriel Novis Neves avalia que prometer para a população sofrida de Cuiabá a construção de um hospital sabendo que ele não será entregue no prazo previsto, “só serve para dar desgaste ao esforçado e pobre governo municipal. “

Apesar do meu apelo em recente artigo implorando que o governo conjugasse o verbo sempre no presente quando dos anúncios das suas iniciativas administrativas, o resultado foi o mesmo de uma conversa que entra por um ouvido e sai pelo outro.

A recém-criada Empresa Cuiabana de Saúde (ECS) prometeu colocar em funcionamento, daqui a quatro meses, o “novo” Hospital das Clínicas, que funcionará no antigo prédio que já foi Hospital Neurológico Eggas Muniz, Hospital das Clínicas, da Criança, da Mulher e, no ano passado, Hospital de Transplantes.

Diz o município que a “nova” unidade hospitalar terá duzentos e cinquenta leitos e será a maior do Estado.

Até agora ninguém conhece o projeto arquitetônico que será executado, pois a velha estrutura do hospital deverá passar por uma verdadeira cirurgia plástica para se adequar aos padrões atuais de funcionalidade.

Os recursos financeiros da obra também não foram divulgados. Apenas a notícia de sempre: “O Ministério da Saúde está interessadíssimo na viabilização desse projeto”.

Promete ajudar, liberando, imediatamente, recursos para iniciação e conclusão do hospital no prazo previsto.

Todos sabem que o orçamento deste ano já era. Foi todo comprometido e, na melhor das hipóteses, os primeiros recursos, se aparecerem por aqui, serão no próximo ano, após a quarentena da contenção de despesas adotadas pelos governos nos três níveis.

Com esse rápido e lógico raciocínio já se passaram os cento e vinte dias prometidos para a sua inauguração, acrescentando mais uma frustração na nossa população e um tremendo desgaste político aos gestores.

Não nos esqueçamos do longo caminho burocrático enfrentado por uma obra pública.

Licitação, cujo edital é executado após trinta dias da sua publicação. Aprovação do vencedor, mais uns dias para receber e julgar as inevitáveis impugnações.

Proclamado o vencedor, mais alguns dias para a assinatura do contrato, que deverá respeitar a lei da Responsabilidade Fiscal, que diz que uma obra pública só poderá ser lançada se os recursos totais para a construção estiverem assegurados, com indicação das respectivas fontes.

Então, é dada a ordem de serviço ao vencedor. Quem irá trazer esses misteriosos recursos ainda não identificados, será a ECS.

Recentemente tivemos uma grande decepção com o anúncio do início das obras do novo Hospital Universitário Júlio Muller, às margens da rodovia para Santo Antônio de Leverger, em lugar de grande visibilidade, com capacidade para duzentos e cinquenta leitos e inauguração programada para o mês de dezembro, cujo ano não foi dito.

Seria uma grande contribuição na área hospitalar para os jogos da Copa.

O custo do hospital ficaria em cento e vinte milhões de reais. O governo do Estado se comprometeu a dar metade, e o outro tanto viria de emendas parlamentares.

As emendas não foram liberadas, o governo do Estado não toca mais no assunto e ninguém viu o tal projeto, que até hoje não tem um tijolo no chão do cerrado.

O Ministério da Educação colocaria para captar recursos e administrar o abortado hospital, a sua recém-criada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

Situação semelhante à nossa ECS.

De certo, o que existe desse novo empreendimento público municipal é o aluguel do antigo hospital, que será totalmente adequado por cento e trinta mil reais por mês e, oitenta por cento do Ministério da Saúde para ajudar nas despesas de custeio, orçadas aleatoriamente em seis milhões de reais por mês.

O Ministério da Saúde prometeu que repassaria apenas doze milhões de reais para o início das obras, sem data marcada.

Prometer para a população sofrida de Cuiabá a construção de um hospital sabendo que ele não será entregue no prazo previsto, só serve para dar desgaste ao esforçado e pobre governo municipal.

Tá bom. Vou acreditar e torcer para que eu esteja errado.

E a construção do nosso novo Pronto Socorro Municipal, hein?

*GABRIEL NOVIS NEVES, reitor fundador da UFMT, é médico em Cuiabá

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