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Frei Betto relaciona os desafios para o novo papa. Um desses desafios é dar fim ao tabu em relação à moral sexual. (LEIA TAMBÉM: Relação de 10 filmes sobre padres e sexo)

Desafios ao novo papa     
por Frei Betto 

São muitas as especulações quanto ao cardeal que será eleito sucessor de Bento XVI agora em março. A rigor, qualquer homem batizado na Igreja Católica é potencial candidato.

Embora haja bolsas de apostas em torno dos “papabiles”, os variados palpites costumam dar zebra. Exceção foi o cardeal Ratzinger. Era teólogo do papa João Paulo II, presidente da Congregação da Doutrina da Fé, decano do colégio cardinalício e gozava, como teólogo, de certa ascendência sobre a maioria dos cardeais. Foi eleito pontífice em 2005, aos 78 anos.

Há indícios de que, desta vez, será eleito um cardeal mais jovem. A Igreja não suporta mais tantos conclaves frequentes. Minha geração acompanhou as escolhas de João XXIII (1958), Paulo VI (1963), João Paulo I (1978), João Paulo II (1978) e Bento XVI (2005).

A eleição do polonês Karol Woytila, em 1978, tirou dos italianos o monopólio do papado, que durou 456 anos. O que foi reiterado pela eleição de seu sucessor em 2005, o alemão Joseph Ratzinger.

De novo, a Itália tentará recuperar a sé romana. Entre os italianos, os nomes mais cotados são os dos cardeais Gianfranco Ravasi, de 70 anos, presidente do Pontifício Conselho de Cultura, e Ângelo Scola, de 71 anos, arcebispo de Milão. Ravasi, homem da poderosa Cúria Romana, é visto como bom teólogo e homem espiritualizado. João Paulo II e Bento XVI o escolheram como pregador do retiro papal na quaresma. Scola é poliglota, vinculado ao movimento Comunhão e Libertação e considerado conservador.

Poderá o futuro papa ser um não europeu? A Europa estará presente na Capela Sistina com 60 cardeais. E bastarão 77 votos para eleger o novo pontífice. Será uma grande surpresa a escolha de um papa não europeu. Infelizmente a Igreja Católica ainda é demasiadamente eurocentrada. Há entre os europeus quem encare os demais continentes como sucursais. Ainda perduram resquícios de séculos de colonialismo.

Se Bento XVI foi um papa de transição, seu sucessor terá pela frente a difícil missão de adequar a Igreja à pós-modernidade. Um cardeal conservador seguiria os passos de Bento XVI e manteria a barca de Pedro alheia aos tempos atuais.

Quais os grandes desafios a serem enfrentados pelo novo papa? Primeiro, implementar as decisões do Concílio Vaticano II, ocorrido há 50 anos! Isso significa mexer na estrutura piramidal da Igreja, flexibilizar o absolutismo papal, instaurar um governo colegiado. Seria saudável que o Vaticano deixasse de ser um Estado e, o papa, chefe de Estado, e fossem suprimidas as nunciaturas, suas representações diplomáticas. A Santa Sé precisa confiar nas conferências episcopais, como a CNBB, que representam os bispos de cada país.

Outro desafio é dar fim ao tabu em relação à moral sexual. Hoje, é vetado debater esse tema no interior da Igreja. A rigor, os católicos estão todos proibidos de manter relações sexuais que não sejam com a explícita intenção de procriar; contrair segundas núpcias após divórcio; usar preservativos; admitir o aborto em certas circunstâncias; aprovar a união de homossexuais; defender o fim do celibato obrigatório para padres e o direito de acesso das mulheres ao sacerdócio.

Resultado: a dupla moral. Uma, a da doutrina oficial; outra, a praticada pelos fiéis. E os escândalos de pedofilia como reflexo da suposta coincidência entre vocação ao sacerdócio e vocação ao celibato. Na Igreja primitiva a distinção era nítida. E no evangelho de Marcos, no primeiro capítulo, consta que Jesus curou a sogra de Pedro. Deduz-se, pois, que Pedro tinha mulher. O que não o impediu de ser escolhido cabeça da Igreja.

Um terceiro desafio é a relação da fé com a ciência. Bento XVI reabilitou Teilhard de Chardin (1881-1955), padre jesuíta e renomado cientista, proibido em toda a sua vida de publicar um único livro. E João Paulo II pediu perdão, em nome da Igreja, por esta ter condenado Galileu e Darwin, abolindo a teoria criacionista da doutrina católica e admitindo o evolucionismo.

Falta, entretanto, aprofundar nas hostes católicas o debate sobre o uso de células troncos, a nanotecnologia, a fertilização de embriões e outros temas que concernem à biotecnologia e à bioética. A ciência se emancipou da religião e corre o risco de abandonar os parâmetros éticos e morais, caso os potenciais provedores desses parâmetros fiquem divorciados dela.

O quarto desafio são os diálogos ecumênicos, entre as várias Igrejas cristãs, e o inter-religioso, da Igreja Católica com as denominações religiosas não cristãs. Para o ecumenismo, Roma precisa admitir que seu bispo é pastor universal dos católicos, mas não dos cristãos. E se o bispo de Roma serve de referência à fé dos católicos, não deveria, no entanto, exercer autoridade direta sobre as Igrejas espalhadas mundo afora.

Quanto ao diálogo inter-religioso, é importante abrir-se ao mundo muçulmano, livrando a Igreja do preconceito que o identifica com fundamentalismo. A teologia oficial da Igreja deve muito a islâmicos como Averrois e Avicena, que abriram as vias de acesso a Aristóteles, cuja filosofia respalda o tomismo. Acresce-se a isso a importância do diálogo com o budismo e o ateísmo.

Ser papa é uma honra. Mas, também, uma cruz, bem traduzida no melhor e mais evangélico dos títulos do romano pontífice: servo dos servos de Deus.

Frei Betto é escritor, autor de “Sinfonia Universal – a cosmovisão de Teilhard de Chardin” (Vozes), entre outros livros.

Website: http://www.freibetto.org/

Twitter:@freibetto.

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O SEXO E A RELIGIÃO NA VISÃO DE DEZ CINEASTAS

 

10 Filmes sobre Padres e Sexo

Segundo a igreja católica, o celibato dos clérigos é necessário para que estes possam devotar-se totalmente às suas atividades religiosas e a Deus.
Um outro motivo seria garantir que os padres não tivessem descendentes, que eventualmente pudessem pleitear e dividir o patrimônio da igreja. Parece plausível.
O fato é que os padres são humanos, e esse isolamento nunca foi totalmente respeitado. Isso causa frequentes embaraços para os dirigentes católicos, como os dos últimos dias.
Muitas são as histórias de padres que tiveram relações e filhos com mulheres de suas congregações, mas o maior dos problemas é a pedofilia, cometida contra coroinhas, estudantes e internos.
Esta lista traz 10 filmes com foco neste tema.

1.  O Padre (Linus Roache é um padre enviado para uma paróquia em Liverpool. fica surpreso ao ver que seu novo superior – o ótimo Tom Wilkinson – não cumpre o celibato, mantendo relacionamento com uma mulher. em seguida, descobre sua própria homossexualidade, apaixonando-se por um rapaz – Robert Carlyle. mas o que mais o atormenta é a confissão de uma menina, que conta ser abusada pelo pai. ele começa a contestar as regras da igreja, especialmente o segredo da confissão. ótimo filme de Antonia Bird)

2.  Dúvida (em 1964, num colégio católico do Bronx, um padre carismático – Philip Seymour Hoffman -, tenta abrandar os rígidos costumes da escola e entra em conflito com a diretora – Meryl Streep -, feroz guardiã da disciplina. nesta disputa, ela se arma da suspeita de uma freira sobre uma suposta relação do padre com um aluno negro de 12 anos, para neutralizá-lo. um filme brilhante sobre o poder do boato)

3.  A Má Educação (nos anos 60 dois garotos de uma escola católica descobrem o amor e o sexo, mas são separados por um padre pedófilo, que abusa de um deles e provoca a expulsão do segundo. anos mais tarde, um deles se tornou travesti – Gael Garcia Bernal – e ator e o outro cineasta. o ator propõe fazerem um filme sobre suas vidas. durante as filmagens o padre reaparece. mais um filme provocador de Pedro Almodóvar)

4.  Camila (em 1840, em Buenos Aires, uma jovem da sociedade está noiva de um homem rico. um dia, durante sua confissão, conhece um padre jesuíta e se apaixona imediatamente. ele tenta escapar de seus ataques, mas acaba cedendo e eles começam a ter um caso. bom filme, que chegou a ser indicado ao Oscar)

5.  O Crime do Padre Amaro (Gael Bernal é um jovem padre que acaba de ser ordenado e, antes de ser enviado a Roma para estudar, tem que passar por uma pequena paróquia. lá fica sob supervisão de um padre corrupto e acaba apaixonando-se por uma linda devota local, que é filha da amante do padre. baseado na obra de Eça de Queirós e também indicado ao Oscar, pelo México)

6.  Os Meninos de São Vicente (baseado em fatos reais, conta o que ocorreu num orfanato do Canadá, onde vários meninos foram abusados psicologicamente e sexualmente por um padre. apesar de começar uma investigação policial, grupos políticos e religiosos, conseguiram abafar o caso. um filme perturbador, exibido como minissérie, mas tem uma versão curta)

7.  O Inferno de São Judas (Aidan Quinn é designado como o único professor laico de um reformatório na Irlanda e acaba presenciando uma série de abusos contra as crianças, inclusive sexuais. decidido a defender os alunos, entra em confronto com os irmãos que se protegem. baseado em um caso real ocorrido em 1938)

8.  Decameron (adaptação de 9 contos do livro de Bocaccio, satirizando a sociedade e a igreja católica. em um dos contos um homem se faz de cego para entrar num convento de freiras devassas que promovem milagres sexuais e eu outro, um sacerdote engana o amigo, para ficar com sua mulher. a irreverência de Pasolini na sua melhor forma)

9.  Os Demônios (conta a história de um padre – Oliver Reed – que controla um vilarejo francês no século 17 e uma freira deformada – Vanessa Redgrave – obcecada sexualmente por ele, que dirige o convento local, onde irão ocorrer diversos casos de heresia, profanação, possessão, exorcismo e muito mais. uma provocação de Ken Russell, baseada em livro de Aldous Huxley)

10.  Pianese Nunzio, 14 Anni a Maggio (um padre de uma igreja de Nápole, dá abrigo a um garoto de 13 anos, organista da igreja, com quem mantém relações sexuais regularmente. por confrontar a Camorra, acaba sendo dedurado e acusado pelo serviço social. curioso porque o padre é sempre correto e parece não ter qualquer pudor moral de se relacionar com o menino)

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