Fórum Sindical se rende cada vez mais à lógica do patrão e agora já fala em processar dirigente sindical que pensa diferente da maioria dos componentes dessa entidade que, em Mato Grosso, sempre teve caráter informal. Parecem preferir agredir seus possíveis parceiros servidores do que ficar mal com Zé Pedro Taques, o governador do arrocho. Será que isso não é uma forma recalcada de peleguismo?

Gilmar Brunetto, de chapéu, e Daiane Renner, sindicalistas em confronto

Gilmar Brunetto, de chapéu, e Daiane Renner, sindicalistas em confronto

A verdadeira liberdade é a liberdade de pensar diferente, de poder atuar como minoria. Mas bastou ser alvo de uma crítica contundente para que aquilo que chamo de  “núcleo duro” do Fórum Sindical de Mato Grosso – e  é formado por sindicalistas como os srs. Gilmar Brunetto, Diany Dias, Cledison Gonçalves – passasse a engrossar o coro contra aqueles sindicalistas, como a presidente do Sinetran, a sra Daiane Renner, e demais filiados àquela entidade que identificaram possíveis sinais de peleguismo na rápida adesão de uma maioria de sindicatos às propostas do governador Pedro Taques, que atropelando a determinação legal, resolveu repor apenas metade do INPC, na data base de maio, quando a determinação da Lei é que reponha, de forma integral, as perdas inflacionárias.

Sem proceder a uma consulta criteriosa às suas bases, a maioria dos sindicalistas do Fórum Sindical aderiu de imediato, em uma ou duas reuniões, à logica do governador do arrocho, sem atentar para as suas responsabilidades, como lideranças que são, em defender também o fiel cumprimento da legislação e a efetiva garantia dos direitos dos servidores públicos e dos trabalhadores em geral. O governo, aliás representado pelo secretário sr. Paulo Brustolin, diz que o caixa do Estado está esvaziado, que não há dinheiro pra nada, e parece que bastou a palavra do Brustolin para convencer lideranças sindicais que sempre foram questionadoras, como sr. Gilmar Brunetto. Ora, algum sindicalista procurou esclarecer, junto ao sr. Brustolin, as denúncias formuladas pelo venerando jornalista Eduardo Gomes, que, com quase 70 anos, e do alto de sua respeitabilidade denunciava, dia desses, o estranho e até agora inexplicado pretenso perdão de uma dívida de impostos à empresa Unimed que, de R$$ 8   milhões de reais teria sido reduzida para apenas 800 mil?  Tenho um vídeo gravado em que o sr. Brunetto me disse que esse é um negócio que o Fórum Sindical estaria querendo esclarecer. Será que esclareceu, antes de aderir à lógica do arrocho do governador Zé Pedro Taques? Quanto dinheiro, afinal de contas, tem nesse cofre e para onde é que esse dinheiro está sendo direcionado?

O fato é que a maioria do Fórum resolveu assumir o risco de bancar a política de arrocho do governador, chegando ao cúmulo de impedir outras entidades de participarem de uma rodada de negociação com representantes do governador que aconteceu na segunda-feira, com ampla cobertura da imprensa.  Ao barrarem 4 sindicatos na porta da SAD, impedindo-os de participar de uma reunião que não fora declarada secreta com os secretários Julio Modesto, Brustolin da Unimed e Patrick Ayala, o núcleo duro do Fórum Sindical adotou uma postura política. Foi como se carimbassem aqueles 4 sindicatos como inconvenientes, imaturos, provocadores, e tal e tal. Nada mais natural que uma ação dessas provocasse uma reação. A reação dos sindicalistas barrados, a maioria deles do Sinetran, imagino,   foi gritar, notadamente para despertar a atenção da mídia, que quem os barrava era
pelego, estava a serviço do governo Taques.

Ora, uma disputa política natural para quem sabe que democracia é uma conquista de cada dia. Disputas políticas sempre houve entre sindicatos e sindicalistas. E deveria parecer mais natural ainda, notadamente para quem, convivendo dentro do Fórum Sindical, sabe que a entidade, por mais que agora queira pontificar como um grupamento cheio de regras, não passa de uma entidade em formação,  sem sede, sem estatuto, sustentada pela contribuição de poucos sindicatos, fruto apenas do interesse de determinadas lideranças em juntar os sindicatos de tal forma que possam se apresentar sempre mais fortes diante de seu adversário natural que são os governantes, ou seja, seus patrões. Como ter força diante do governo se na primeira borrasca, os sindicalistas já saem um barrando a entrada do outro em reunião, outro xingando, outro processando? A minha convivência dentro do Fórum me permite assegurar que as reuniões com as autoridades públicas do Estado e do Legislativo sempre foram o grande fator de aglutinação dos sindicalistas, o ponto básico de convergência entre eles, então essa é uma fatura que não pode ser cobrada só dos 4 sindicatos barrados estranha e surpreendentemente na segunda-feira.

A briguinha entre esses sindicalistas que se tem agora, e ferozmente alimentada pela mídia chapa branca, só interessa aos patrões do governo. E só pode ser mantida e sustentada por sindicatos e sindicalistas que resvalem, efetivamente, para uma postura apelegada. Sim, quem contribui para a divisão dos trabalhadores diante de seus patrões é pelego, traidor da classe – e aí, certamente, cabe uma autocrítica a todos os diferentes grupos envolvidos nessas tristes batalhas deste final de maio, no Fórum Sindical. Que tudo isso represente só um desentendimento momentâneo e o Fórum Sindical de Mato Grosso tenha sensibilidade suficiente para se reunificar.

Avalio como muito lastimável que o Fórum Sindical se corrompa nesta guerra de egos, quando deveria estar preocupado em definir e sustentar a luta permanente pela preservação dos interesses maiores e superiores dos servidores publicos estaduais.

Por que, depois dos desentendimentos que aconteceram na porta da SAD, os dirigentes do Sinetran, do sindicato da Unemat e de todas as demais entidades representativa das mais diversas categorias não foram chamados, pela direção colegiada do Fórum, para uma avaliação desse desencontro, na busca de estabelecer os pontos mínimos de identidade e firmar uma postura mais coerente diante dos patrões-governantes? Será que esses sindicalistas boquirrotos não são capazes de reconhecer seus erros, para não voltarem a incorrer neles?

A melhor solução para os problemas da democracia é mais democracia – já dizia a pensadora e lutadora alemã Rosa Luxemburgo que, aliás, morreu trucidada, defendendo essas suas idéias até mesmo contra muitos de seus companheiros do movimento operário e popular da Alemanha, na primeira metade do século 20.Foi Rosa quem também deixou gravado que a verdadeira liberdade é a liberdade de quem discorda de você. Garantir liberdade a quem concorda com você é coisa fácil, qualquer Zé Pedro Taques faz. Mas vejam como Zé Pedro Taques tem dificuldade de conviver com a divergência…

Trabalhador brigando com trabalhador, explorado xingando explorado se constitui no mais trágico dos espetáculos que o Fórum Sindical pode nos ofertar nesse momento. Só mesmo Zé Pedro Taques para se divertir com uma tragédia deste tamanho.

2 Comentários

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  1. - IP 187.7.193.150 - Responder

    O papel destinado a Gilmar Brunetto nessa novela em que se transformou o Governo Pedro Taques é o pior que um artista pode pretender. Gauchinho, da Ong. Moral, sempre teve um discurso “moralizador”, de defesa da classe trabalhadora e, todavia, se transformou no porta-voz do peleguismo sindical, atuando de modo muito truculento contra os sindicalistas combativos na defesa dos interesses de suas categorias. Gauchinho tem todo o direito de ter lado e de atuar politicamente na defesa de seus interesses. Não pode, entretanto, tentar impedir que as outras lideranças tenham a liberdade de escolha e de exercitarem a liberdade de expressão e o direito de ir e vir. Da noite para o dia, Gauchinho perdeu definitivamente a pose de bom moço para se transformar no xerife do movimento sindical do Estado. Ou todos pensam com a cabeça de Gauchinho ou terão dias difíceis pela frente. Bafão… constrangedor… Gauchinho vai se transformar no “Joaquinzão” do movimento sindical de Mato Grosso?

  2. - IP 186.213.225.149 - Responder

    Esse tipo de peleguismo, de acordos de gabinetes não me assustam. É muito ais comum c=do que se pensa. INFELIZMENTE muitos buscam a liderança sindical justamente para carimbar seu passaporte para a gestão. Não sintam-se perplexos se logo logo esses senhores PSEUDO-SINDICALISTAS que hoje carregam o governo nas costas aparecerem na lista de cargos de confiança.

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