Fora do Eixo deixou rastro de calotes em Cuiabá

 

Acusada pela jovem cineasta Beatriz Seigner, de explorar "trabalho escravo" de apoiadores que se espalham pelo Brasil, a Casa Fora do Eixo, criada pelo produtor cultural Pablo Capilé, deixou uma dívida de mais de 60 mil na praça de Cuiabá, depois que Capilé se transferiu para S. Paulo.  A coordenação do Fora do Eixo, através de Lenissa Lenza, garante que todos os credores serão pagos.

Acusada pela jovem cineasta Beatriz Seigner, de explorar “trabalho escravo” de apoiadores que se espalham pelo Brasil, a Casa Fora do Eixo, criada pelo produtor cultural Pablo Capilé, deixou uma dívida de mais de 60 mil na praça de Cuiabá, depois que Capilé se transferiu para S. Paulo.
A coordenação do Fora do Eixo, através de Lenissa Lenza, garante que todos os credores serão pagos.

Fora do Eixo deixou rastro de calotes na origem em Cuiabá

Fornecedores eram pagos com moeda fictícia pelo grupo cultural Espaço Cubo

Comerciantes esperam pela troca por dinheiro de verdade há 3 anos; coletivo, hoje em SP, diz que pagará os credores

RODRIGO VARGAS

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CUIABÁO pacote de notas multicoloridas, semelhantes às de jogos de tabuleiro, enche uma gaveta no caixa do restaurante de José Ignácio Lima, no centro de Cuiabá.O que os papéis representam, porém, está longe de ser brincadeira. “São R$ 21 mil, ou quase 2.000 refeições, que tento receber há três anos, sem sucesso”, diz Lima.As notas, de 1, 5, 10 e 50, são Cubo Cards, “moeda alternativa” lançada em 2003 pelo Espaço Cubo, grupo cultural mato-grossense que foi o embrião do grupo Fora do Eixo, hoje sediado em São Paulo e com braços pelo país.

O grupo ganhou visibilidade após a revelação de que banca as ações da Mídia Ninja, que cobriu ao vivo, via web, a onda de protestos no país.

Os Cubo Cards eram usados para pagar artistas, produtores e donos de estúdios

“O acordo era que, se aceitasse os Cards como pagamento, eu trocaria parte em dinheiro e receberia parte em propaganda. Fiquei com este monte de papel”, diz Lima.

Trato semelhante foi feito com a rede de papelarias de Zerrer Salim, outro “colecionador” involuntário de Cubo Cards. Com R$ 22 mil a receber, ele conta que fechou um acordo com o Fora do Eixo e aceitou um longo parcelamento. “Não adiantou. Recebi apenas R$ 2.000 neste ano.”

O rastro de calotes inclui artistas, donos de estúdios musicais e ao menos três hotéis. Um deles acionou na Justiça o líder do grupo, Pablo Capilé, e obteve sentença favorável, ainda não executada.

“Hospedamos 60 pessoas por sete dias e elas simplesmente saíram, não vieram acertar e, mesmo com decisão favorável da Justiça, não recebemos um centavo”, diz Faiana Prieto, filha da dona.

O caso ocorreu em 2006, na realização do festival Calango, uma das vitrines do grupo, então apoiado por Estado e Prefeitura de Cuiabá.

Financiado desde 2008 pela Petrobras, o festival foi considerado o maior evento de música alternativa do Centro-Oeste. Na última edição, em 2010, reuniu 40 bandas.

No ano seguinte, foi cancelado e nunca mais aconteceu. A cantora Luciana Bonfim, que se apresentou no evento, diz que calote era a “política oficial”. “Até empresas de banheiro químico, de extintores de incêndio e pedreiros ficaram sem receber”, diz.

Outro hotel disse que ficou sem receber R$ 5.000 em diárias em 2006, mas que desistiu de cobrar. Para a cineasta Caroline Araújo, esses casos “não são novidade para os cuiabanos”. “O Brasil está vendo o que Cuiabá já sabia.”

OUTRO LADO

A coordenação do Fora do Eixo disse ter R$ 60 mil em dívidas em Cuiabá, que o valor está em negociação e todos os credores serão pagos.

“Estamos negociando com todos os fornecedores e parcelando as dívidas. E pode ter certeza: uma parte significativa dos agentes culturais no Brasil possui dívidas como essas”, disse Lenissa Lenza, responsável pelo braço financeiro, o banco Fora do Eixo.

Diferentemente do que afirmaram os donos da papelaria e do restaurante, Lenza disse que as dívidas do grupo foram parceladas e que os acordos estão em dia

Categorias:Direito e Torto

3 Comentários

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  1. - IP 177.5.122.57 - Responder

    Festival calango, fora do eixo , cubo cards… Com esses nomes e dando o cano essa gente que mudar algo no mundo.
    Que piada.

  2. - IP 189.59.52.117 - Responder

    Esse beição é para pendurar as contas que essa corja deixou sem pagar em Cuiabá.CALOTEIRO!

  3. - IP 201.67.77.12 - Responder

    O jornalista autor desta matéria já tinha conseguido a proeza de omitir investigações do MP por suposto mando de assassinato de dois empresários que pesam contra o deputado federal Júlio Campos em uma reportagem sobre pendências jurídicas de congressistas. Agora ele (o repórter) simplesmente “esquece” de ouvir justamente o personagem central no escândalo da Casa Fora do Eixo. Impressão minha, ou não há no texto uma única declaração de Capilé? Na parte do “Outro Lado”, ao invés da Lenissa Lenza, não era o Pablo que deveria ter sido procurado, mesmo que para não declarar nada? Aquela coisa do tipo “procurado pela reportagem, Pablo Capilé disse que não falaria sobre o caso” ?

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