A FESTA DOS 45 ANOS DA UFMT: Maestro Fabrício Carvalho, Pró-reitor de Cultura, diz que 2015 será um ano marcado pelas comemorações do aniversário da Federal

FABRICIO UFMTA festa dos 45 anos da UFMT

Maestro Fabrício Carvalho (foto), Pró-reitor de Cultura, diz que 2015 será um ano marcado pelas comemorações do aniversário da Federal

VANESSA MORENO
DIARIO DE CUIABÁ

A Universidade Federal de Mato Grosso continua alavancando a cultura do Estado nos quatro campus de Mato Grosso. No último ano, diversos programas de preservação e incentivo à cultura foram concretizados, vindo a se estender e maximizar em 2015. Fabrício Carvalho, pró-reitor de Cultura, Extensão e Vivência da UFMT, está satisfeito com o resultado. “Estou muito feliz, 2014 foi um ano muito importante para a consolidação da estrutura cultural dentro da UFMT”.

“A cultura é um dos elementos que diferencia a UFMT das outras universidades”, garante Fabrício. A universidade conseguiu contemplar cada campus: Sinop, Barra do Garças, Rondonópolis e principalmente em Cuiabá, fazendo cinema, artes plásticas e muita música. Através do lançamento do novo edital Mais Cultura nas Universidades, que é um grupo de trabalho do qual Fabrício fazia parte, permitiu que qualquer universidade ou instituto federal recebesse recursos para se equipar e se qualificar. “Há um fomento, ainda que mínimo, mas há uma distribuição de recursos”, afirma.

Em 2014 foi criado o Programa Pró-Cultura que possibilitou um grande ganho cultural. Trata-se de um estímulo financeiro dado ao aluno que tem algum tipo de projeto na área de cultura, esporte e lazer. O aluno apresenta o projeto, a universidade avalia, corrige, adequa e aprova ou não. Caso aprovado, o aluno recebe um recurso para desenvolvê-lo. “Dentro dos quase 20 mil alunos, existem diversos produtores culturais em potencial que ainda não tinham tido a chance de fazer sua atividade”, comemora Fabrício, contente pelo resultado positivo do programa que gerou emprego, renda e permitiu que novas ações culturais ganhassem força.

“O nosso aluno precisa ter acesso à cultura para que equalize as deficiências sociais”

Ao destacar mais um grande impulso cultural para a universidade, Fabrício declara: “A reinauguração do Teatro Universitário foi um ganho enorme para a sociedade interna, para o público e para os artistas”. Com a apresentação da Orquestra Sinfônica e da companhia de dança Ópera Ballet, o novo palco foi contemplado por cerca de 500 convidados.

Na 13ª Mostra Latino-Americana de Vídeos Universitários, a universidade começou a dialogar com o audiovisual e com o cinema da América Latina. “Trouxemos filmes e professores para dialogar sobre o audiovisual. Foram momentos muito bacanas”, comemora.

O maior museu com o maior acervo de artes plásticas do Estado, que é o Museu de Arte e Cultura Popular (MACP) também recebeu destaque. O projeto Música no Museu, sistema paralelo de ocupação do museu que, além das exposições, passou a acontecer todo mês um concerto das mais variáveis plataformas musicais como duo, música erudita e música popular. Por conta do sucesso, há um projeto de continuação para este ano. “Deu supercerto, as pessoas vêm assistir à apresentação musical e acabam conhecendo a exposição que está em cartaz ou vice-versa”.

Há 35 anos a Orquestra Sinfônica realiza temporadas ininterruptas e em 2014 vários regentes e solistas foram convidados. O coral também caminhou muito bem. “O grande objetivo da UFMT é que o aluno saia daqui com o estudo formal em sala de aula e muito qualificado, mas que saia também com um processo de vivência, e isso a cultura dá, muito amplo”, garante.

“Sem dúvida nenhuma, 2014 foi um dos melhores anos”

Em dezembro de 2015, a UFMT comemora 45 anos e a proposta é que haja uma programação especial de comemoração durante todo o ano. E como comemoração principal Fabrício adianta: “Nós vamos ter uma obra encomendada para este momento”. Um poema sinfônico sobre a cultura do Estado com textos de autores mato-grossenses deve ser produzido exclusivamente para a data.

Outras ideias devem ser colocadas em prática. O Teatro Universitário será aberto para grupos locais, haverá um diálogo com os artistas para montar as temporadas do coral e da orquestra, a mostra de cinema e vídeo no cineclube terá continuidade chegando a sua 14ª edição, o Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá deverá voltar a acontecer na UFMT, o diálogo com as prefeituras dos municípios para saber qual a real demanda e como a universidade pode, de maneira muito concreta, contribuir são os pontos principais que serão trabalhados durante este ano. “Vai ser um momento muito rico para a cultura do Estado”.

Outro ponto muito importante é o novo campus da universidade em Várzea Grande, com cinco novos cursos na área de engenharia. “A ideia é contribuir muito com a Cidade Industrial”, afirma Fabrício.

“Em 2015 vamos reafirmar o que aconteceu em 2014 e vem acontecendo desde 2008 quando foi criada a Pró-Reitoria. A missão era criar uma Pró-Reitoria ágil, moderna, que dialogasse com a sociedade e que trouxesse pra dentro da universidade o melhor e que levasse pra fora o melhor”.

A UFMT trouxe pra Cuiabá uma estrutura riquíssima em termos de cultura, poucas universidades do país tiveram esse cuidado com a produção cultural do Estado, além de formar vários artistas, regentes do curso de Música, cineastas do curso de Comunicação e artistas plásticos de sucesso como Adir Sodré, Gervane de Paula e Benedito Nunes que foram descobertos através do ateliê do museu da universidade.

Fabrício Carvalho estudou Música no Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro e fez pós-graduação em Regência na universidade de Campinas (Unicamp). Hoje, além de pró-reitor, é maestro e diretor artístico da Orquestra Sinfônica da UFMT e concilia seu gosto musical erudito com um dos seus passatempos prediletos: a Quartal, uma banda de rock formada por quatro integrantes da qual Fabrício é o guitarrista e se apresenta pelos bares da capital.

A favor de tudo que é bom para o coletivo, Fabrício se considera um funcionário público da melhor qualidade. Defende que é preciso haver dedicação e diálogo ao se trabalhar com a sociedade, e é o que espera dos novos gestores que assumem a partir deste ano o papel de resgatar a cultura mato-grossense. Embora seja um trabalho difícil, e que precisa de planejamento do novo governador Pedro Taques, Fabrício acredita que “não pode parar o governo pra entender o que está acontecendo, o governo continua”. Mas confia e apoia: “Pedro Taques é um homem correto, íntegro e inteligente e ele terá da UFMT todo apoio que se fizer necessário”.

Com esperança, também espera que o governo olhe com olhos atenciosos para o esporte do Estado reafirmando a parceria na construção do COT (Centro Oficial de Treinamento) que, segundo ele, vai trazer um impacto muito grande para o esporte mato-grossense. “O esporte rende frutos inigualáveis para o Estado”.

A universidade, como de costume, faz com que a cultura e o esporte trabalhem de maneira associada, mas independente. A fusão das secretarias não é algo que o incomode, mas defende que não pode ser um elemento de recuo, “tem que ter a preocupação de uma coisa não prejudicar a outra”.

Quanto ao novo secretário de cultura do Estado, Leandro Carvalho, Fabrício não pode dizer se vai ser bom ou ruim, mas lamenta pela falta de estratégia de diálogo na política cultural do governo anterior e defende que só através do diálogo é que se pode dar um novo aspecto à classe cultural. “Não conheço o maestro como gestor público, mas conheço a carreira dele e espero que ele faça uma boa gestão”, declara esperançoso.

Sem comentários. Seja o primeiro a comentar

Assinar feed dos Comentários

Deixe seu Comentário

Seu endereço de email não será publicado.
Campos com * são obrigatórios.

6 + 2 =