EULER DE FRANÇA BELÉM: Barack Obama ataca a liberdade de imprensa nos Estados Unidos O governo Obama também está usando o Fisco para perseguir grupos apontados como conservadores. Trata-se de um novo Watergate?

Barack Obama ataca a liberdade de imprensa nos Estados Unidos

Euler de França Belém

JORNAL OPÇÃO – GOIANIA

 

O presidente dos Estados Unidos Richard Nixon renunciou em 1974 para não sofrer um impeachment vexatório. Aliados de Nixon, cumprindo suas ordens, invadiram o edifício Watergate e entraram no escritório do Partido Democrata. Os jornais, como “Washington Post” e “New York Times”, investigaram e mostraram o alto comprometimento da equipe do presidente com a grampolândia. O “Post”, com os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, que conseguiram apoio de fontes muito bem informadas — como Mark Felt, o Garganta Profunda, segundo homem do FBI —, publicou as reportagens mais quentes, mesmo sob ameaça do implacável líder republicano. Não restou ao presidente outro caminho a não ser o da renúncia e da desmoralização. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não corre o mesmo risco, mas convém ficar atento.

O livro “Legado de Cinzas — Uma História da CIA” (Record, 741 páginas, tradução de Bruno Casotti), de Tim Weiner, relata que, depois do 11 de Setembro de 2001 — quando a Al-Qaeda atacou nos Estados Unidos —, “o Congresso deu à CIA novos poderes legais para espionar pessoas nos Estados Unidos. Agora a agência tinha permissão para ler testemunhos secretos a um grande júri, sem prévia aprovação do juiz, e obter registros privados de instituições e corporações. A agência usou essa autoridade para requisitar a corporações financeiras — e receber — dados de bancos e cartões de crédito. Nunca antes a CIA tivera o poder formal de espionar dentro das fronteiras dos Estados Unidos. Agora tinha”. Além da CIA, o FBI sempre vasculhou a vida privada dos cidadãos americanos — nem sempre com autorização judicial.

Obama, às vezes visto como um anjo negro pelos ímpios da esquerda, é um homem de Estado, um estadista que governa um Império, o americano. Suas “razões” são a do Estado — não necessariamente as da democracia, quer dizer, as dos cidadãos. O livro “A Caçada — Como os Serviços de Inteligência Americanos Encontraram Osama bin Laden” (Objetiva, 246 páginas, tradução de Helena Londres), de Mark Bowden, mostra que o presidente democrata nada tem de pacifista. Descobrir um Obama que avalia que o Estado deve agir, se necessário, “puxando” o gatilho, surpreendeu até militares do Pentágono e diretores e agentes experimentados da CIA. “O número de ataques de aviões não tripulados em seus dois primeiros anos de mandato viria a ser mais de quatro vezes maior do que o total dos dois mandatos de [George W.] Bush na Casa Branca. E o apreço e entusiasmo pelo Comando de Operações Especiais eram claramente genuínos”, conta Bowden.

Ao aceitar que as razões de Estado são prioritárias, acima da liberdade dos indivíduos-cidadãos — apesar de, na teoria, os democratas dizerem o contrário —, Obama indica que se trata de um homem do establishment, eventualmente com autonomia relativa. Não se elege presidente de uma potência como os Estados Unidos um político que não seja adepto do “sistema”, por assim dizer. A imprensa, toda ela, vive a ilusão de que é independente — o que não é, nunca foi e nunca será. A interceptação dos registros telefônicos de mais de 20 linhas utilizadas por jornalistas da agência de notícias Associated Press (AP) e o fato de o Departamento de Justiça ter vasculhado e-mails e interceptado registros telefônicos do correspondente da rede de televisão Fox News em Washinton, James Rosen, provam que, para Obama, as razões de Estado, ou supostas razões de Estado, estão acima da liberdade de imprensa e da liberdade de o indivíduo ter uma vida privada infensa à arapongagem. Mas, claro, Obama assegura que está protegendo a sociedade, o povo.

Como a CIA, o FBI tem o hábito de listar e qualificar pessoas. Uma teria tendência terrorista. Outra seria conspiradora. O “Washington Post” revela que o FBI garante que Rosen é “cúmplice de conspiração”. Motivo: o repórter fez o que faria qualquer outro profissional — conseguiu e publicou informações contidas em documentos confidenciais do Departamento de Estado. Stephen Jin-Woo Kim, quando conselheiro de segurança do Departamento de Estado, teria vazado informações confidenciais para o jornalista, em 2009. O documento informava que a Coreia do Norte estaria se preparando para fazer um teste nuclear.

Diferentemente da invasão do escritório do Partido Democrata, no edifício Watergate, o FBI apresentou um mandado judicial para recolher a correspondência — e-mails e ligações telefônicas — entre Rosen e Kim. O agente Reginald Reyes registrou que, ao buscar informações para sustentar suas reportagens, Rosen conspirou e descumpriu a lei antiespionagem. “Desde o início da relação [com Kim], o repórter pediu, solicitou e encorajou o sr. Kim a liberar documentos internos dos Estados Unidos e informação de inteligência sobre o país estrangeiro [a Coreia do Norte]”, anotou Reyes no seu relatório aos superiores.

O “Post” relata que a autorização judicial tinha limites — não cumpridos pelo FBI. As visitas de Rosen ao Departamento de Estado, em horários normais, portanto não eram secretas, foram controladas pelo FBI. “Nós estamos indignados por saber que James Rosen foi denominado um criminoso e cúmplice de conspiração por simplesmente fazer o seu trabalho de repórter”, criticou o vice-presidente da Fox News, Michael Clemente. “Nós vamos defender seu direito de trabalhar como membro do que sempre foi até agora uma imprensa livre”, frisou, num comunicado. (As traduções foram retiradas de uma reportagem da revista “Veja”.)

No caso da AP, os investigadores do governo Obama vasculharam, secretamente, os registros telefônicos dos jornalistas — tanto profissionais quanto residenciais. Ao invadir a privacidade dos repórteres, o governo queria saber como haviam sido vazadas informações sobre como a CIA desmontara um plano, de terroristas baseados no Iêmen, para explodir um avião. Provocado pela imprensa, Obama disse que não vai pedir desculpas. O presidente ressalta que “vazamentos em questões de segurança ameaçam a vida de agentes de inteligência”.

O governo Obama também está usando o Fisco para perseguir grupos apontados como conservadores.   Trata-se de um novo Watergate? Não. Mas, se continuar assim, e mesmo com autorização judicial, o democrata Obama vai ficar cada dia mais parecido com o republicano Richard Nixon. É provável que, se escarafunchar um pouco mais, a imprensa vai descobrir coisas piores.

 

 

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