EU CUIDO DE VOCÊ, VOCÊ CUIDA DE MIM: Campanha de Mauro Mendes traz de volta, na pandemia, lembrança de Anthony Garotinho

Mauro distribui máscaras e Garotinho vive

Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: a campanha do Governo de Mato Grosso, comandado pelo empresário Mauro Mendes, sobre o uso das máscaras, na pandemia do novo coronavirus – “Eu cuido de você e você cuida de mim” – replica um antigo slogan adotado há muitos e muitos anos pelo ex-governador do Rio de Janeiro, o radialista Anthony William Matheus de Oliveira, mais conhecido como Anthony Garotinho, em seus programas evangélicos, em rede nacional de rádio.

Eu não sou evangélico, mas quem é evangélico sabe. Garotinho sempre encerra sua apresentações radiofônicas (atualmente transmitidas através da emissora carioca SUPER RÁDIO TUPI) com o bordão: “Fica combinado assim: Eu oro por você, você ora por mim!

Os programas do Garotinho já foram mais ouvidos, hoje estão em baixa mas, pelo que se vê, continuam ecoando. Lembrei do bordão porque sempre gostei dele – e nas conversas telefônicas com minha mãe, D. Zuzu, que é evangélica, sempre me despeço lembrando, risonhamento, a prédica do radialista. E minha mãe, depois de xingar o Garotinho, que ela não gosta dele, me abençoa.

Essa é boa hora para recordar também o saudoso Abelardo Barbosa, o Chacrinha, que, com sua sabedoria tão popular, firmou o entendimento de que na vida nada se cria, tudo se copia. E eu, ao meu jeito, acrescento que a memória é que faz a História.

Quem é que se lembra do Garotinho? O marqueteiro do Mauro Mendes certamente que não quis lembrar, mas existe uma memória coletiva que, algumas vezes, taí mesmo para reciclar a nossa criatividade, vindo lá do nosso inconsciente tão conscientte.

Garotinho foi uma das primeiras lideranças políticas a explorar com sucesso o seu vínculo com as igrejas evangélicas e a mdia como propulsora de sua imagem pessoal. Ele é devoto de uma dissidência da Igreja Presbiteriana, de caráter neopentencostal. Foi através do rádio que ele ganhou uma força política inegável lá no Rio de Janeiro.

Tanto que Garotinho como a sua esposa, Rosinha Garotinho, foram eleitos governadores do Rio de Janeiro, um feito memorável para um casal sem maior expressão intelectual mas, certamente, com muito carisma junto às massas populares.

Em 2002, Garotinho chegou a disputar a presidência da Republica, pelo PSB, recebendo o montante extraordinário de mais de 15 milhões de votos. Perdeu para Lula, eleito com quase 40 milhões de votos e para José Serra (PSDB), que teve mais de 19 milhões de votos. Mas superou o boquirroto Ciro Gomes, que teve pouco mais de 10 milhões de votos.

Claro que nem tudo são flores na carreira desse evangélico oportunista. Político de vies populista, Garotinho tem enfrentado muitos processos por corrupção e já esteve preso pelo menos 3 vezes. Na última vez, em 2017, foi solto graças a um daqueles habeas corpus tão mal falados do ministro Gilmar Mendes

Mas vejam só: muito antes da famílicia do capetão Bolsonaro e seguindo a trilha aberta por seu padrinho Leonel Brizola, Garotinho fez da briga com a Rede Globo e com a família do empresário Roberto Marinho um dos motes de sua atuação política no Rio de Janeiro. O rompimento do monopólio da Rede Globo é um desafio político que há muitos e muitos anos inquieta muitas das mais expressivas lideranças políticas do Brasil – e a Globo sempre consegue sair por cima. Assunto ainda para muitos e muitos comentários pelo nosso futuro a dentro. Lembrar que o PT, com Lula e Dilma, ganhou por quatro vezes a presidência e não teve competência para desregular a mídia que os militares regularam tão bem em favor da família Marinho, tirando de cena o antigo império de Assis Chateaubriand.

Garotinho é filiado atualmente ao PRP e sua filha, Clarissa Garotinho é deputada federal pelo mesmo partido, a terceira mais votada do Estado.

Não sei se o Mauro Mndes mandou avisar ao Garotinho sobre a oportuna adaptação do seu bordão, que está fazendo sucesso aqui em Mato Grosso. Acho que não. A ingratidão é prática repetitiva na política. Taí a troca de porrada entre o capetão Bolsonaro e o João Dória que não me deixa mentir. A mão que afaga é a mesma que apedreja – e o beijo é a véspera do escarro, tambem nos alertava o poeta Augusto dos Anjos.

 

Enock Cavalcanti, jornalista, é editor, em Cuiabá, Mato Grosso, do blogue PAGINA DO E, desde o ano de 2009

Categorias:A vida como ela é

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