Espanha estatiza banco. Cadê a mídia?

Espanha estatiza banco. Cadê a mídia?
Por Altamiro Borges

O governo espanhol anunciou nesta quarta-feira a estatização do terceiro maior banco do país, o Bankia. O Estado será o maior acionista do grupo financeiro, com 45% do seu capital. Na prática, exercerá o controle sobre a instituição falida. A medida confirma a gravidade da crise econômica europeia, com o definhamento de várias corporações empresariais.

O primeiro ministro espanhol, Mariano Rajoy, um neoliberal convicto, decidiu “estatizar” o Bankia para evitar que o seu colapso contagiasse o restante do bichado sistema financeiro do país. Com o dinheiro dos contribuintes – os mesmos que são demitidos e têm os seus direitos sociais e trabalhistas usurpados –, o governo injetará bilhões de euros para salvar os banqueiros.

O silêncio da mídia rentista

Segundo o jornal El Pais, a estatização envolve a conversão de um empréstimo de € 4,5 bilhões em ações. O Bankia tem mais de 10 milhões de clientes e € 306 bilhões em ativos. O anúncio, porém, não acalmou o “deus-mercado”. A Bolsa local fechou o dia de ontem em forte baixa e os juros dos títulos da dívida pública do país voltaram a disparar. A Espanha caminha para a falência total!

O curioso na estatização do terceiro maior banco da Espanha é que a mídia rentista não fez qualquer alarde. Ao contrário, alguns articulistas – que mais parecem porta-vozes dos banqueiros – até elogiaram a medida do governo neoliberal. Bem diferente da postura adotada diante da decisão da presidenta Cristina Kirchner de reestatizar a empresa petrolífera YPF na Argentina.

Quando a estatização é para defender a soberania energética de um país, a mídia rentista cai de pau. Quando é para socorrer os “pobres” banqueiros, ela evita dar manchete e fazer escândalo. A mídia rentista não nega sua associação com o capital financeiro!

FONTE BLOG DO MIRO

1 Comentário

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  1. - IP 221.178.182.53 - Responder

    Acho que Nuno Teles adia a “reforma esquerdista” para depios da crise e parece-me que tere1 de ser assim. Neste momento, a resposta tem de ser dada no actual plano de modelo econf3mico, ou seja, o capitalismo precisa de cre9dito para estimular a produe7e3o ente3o injecte-se dinheiro para que a engrenagem continue. No entanto, interessa tambe9m comee7ar a pensar no pf3s-crise, era um sinal positivo ao mesmo tempo que se de1 um bale3o de oxige9nio ao capitalismo dizer que se tratam de cuidados paliativos e ne3o de uma perpetuae7e3o de modelo. Acho que e9 preciso neste momento exigir a definie7e3o de modelo de mercado financeiro pf3s-crise, ne3o podemos deixar que do sufoco da sociedade emerja um capitalismo artificialmente renovado. Os mercados financeiros deviam ser veedculos da economia, ne3o o seu motor. A inflae7e3o nunca sere1 verdadeiramente combatida enquanto se fingir que com “recriae7e3o artedstica” de produtos financeiros se esbate o problema. A inflae7e3o combate-se com um Estado presente, a especulae7e3o combate-se com informae7e3o detalhada. Por exemplo, quando e9 que se vai exigir que os custos de produe7e3o sejam informae7e3o disponibilizada ao consumidor? E porque ne3o criar entidades reguladoras pfablicas que certifiquem isso mesmo? Custa dinheiro a criar entidades reguladoras, mas custa muito mais ne3o as criar.A explorae7e3o ne3o tem fim, quem depende dos rendimentos do trabalho e9 o alvo constante dos ore7amentos baixos para maximizae7e3o do lucro, depios ainda tem de suportar a inflae7e3o especulativa do mercado imobilie1rio que ne3o deixa alternativa se ne3o a escravizae7e3o por um bem que e9 fundamental…a habitae7e3o.

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